ASSASSINATO DE LGBT NO BRASIL: RELATÓRIO 2014

JOvem LGBT paraiba

Foto – Na manhã da última quarta-feira 17/09/14  o corpo de Wanderson Silva, de 17 anos,  foi encontrado jogado em um matagal, próximo a Ponte do Baralho, em Bayeux (Paraíba), com um tiro na cabeça e marcas de espancamento.

Salvador, Ba, terça-feira, 13 de janeiro de 2015 – Editoria do GGB – O Grupo Gay da Bahia (GGB) divulga mais um Relatório Anual de Assassinatos de Homossexuais no Brasil relativo a 2014. Foram documentados 326 mortes de gays, travestis e lésbicas no Brasil, incluindo 9 suicídios. Um assassinato a cada 27 horas. Um aumento de 4,1 % em relação ao ano anterior (313).

O Brasil continua sendo o campeão mundial de crimes motivados pela homo/transfobia: segundo agências internacionais, 50% dos assassinatos de transexuais no ano passado foram cometidos em nosso país. Dos 326 mortos, 163 eram gays, 134 travestis, 14 lésbicas, 3 bissexuais e 7 amantes de travestis (T-lovers). Foram igualmente assassinados 7 heterossexuais, por terem sido confundidos com gays ou por estarem em circunstâncias ou espaços homoeróticos.
Em números absolutos, os estados onde mais LGBT foram assassinados foram São Paulo (50) e Minas Gerais (30), porém em termos relativos, Paraíba e Piauí e suas respectivas capitais, são os locais que oferecem maior risco aos LGBT de serem violentamente mortos: enquanto no Brasil como um todo, os LGBT assassinados representam 1,6 de cada um milhão de habitantes, na Paraíba esse risco sobe para 4,5 e 4,1 para o Piauí. Durante décadas, o Nordeste foi à região de maior incidência de crimes homofóbicos: pela primeira vez em 2014, o Centro-Oeste emerge como a região geográfica mais intolerante, com 2,9 de “homocídios” para cada 1 milhão de habitantes, seguido do Nordeste (2,1), Norte (1,5), Sudeste (1,2) e Sul – a região menos violenta, com 0,7 mortes. São Paulo e Goiás foram os estados que revelaram o maior aumento destes crimes, respectivamente de 29 para 50 e de 10 para 21, enquanto Pernambuco e Rio Grande do Sul diminuíram. No Centro Oeste, o Mato Grosso do Sul foi o estado mais violento, (3,8 por milhão de habitantes) e o Distrito Federal, o que registrou proporcionalmente menor número de sinistros (1,0).

Sudeste e Norte estão abaixo da média nacional em número de mortes. No Nordeste a Paraíba é estado mais perigoso, seguido do Piauí e Sergipe, sendo o Ceará e a Bahia os que registraram menor numero de homicídios. Na região Norte, Acre é o mais violento, em oposição ao Pará, menos perigoso. Nos quatro estados do sudeste observa-se pouca variação nessa incidência, de 1,8 a 1,1, sendo o Espírito Santo o mais perigoso e São Paulo o que oferece menor risco. No Sul, em todos estados o risco é inferior a 1 por 1 milhão, sendo o Rio Grande do Sul o mais tranqüilo, 0,4, com 5 mortes para uma população de mais de 11 milhões de habitantes, enquanto o Paraná, com a mesma população, teve o dobro de assassinatos (11).
Quanto às capitais, São Paulo é em termos absolutos a metrópole onde ocorreram mais assassinatos: 16, não sendo registrado nenhum crime em Macapá e apenas um em Porto Alegre, Aracaju, Curitiba e Boa vista. João Pessoa é a capital mais perigosa, com 15,3 vitimas por milhão de habitantes, seguida de Teresina 11,9 e Cuiabá, 10,4. Inexplicavelmente o município de Nova Iguaçu (PR) com 4 assassinatos para 800 mil habitantes, superou o total de doze capitais mais populosas que registraram uma morte.
Segundo o prof.Luiz Mott, fundador do GGB e coordenador dessa pesquisa há mais de três décadas, “os crimes contra LGBT desafiam a imaginação sociológica devido a sua imprevisibilidade: há estados que num ano matam-se mais gays, no outro, mais travestis; em janeiro de 2014 foram assassinados 45 lgbt, caindo para 17 em fevereiro, perfazendo uma média de 27 mortes mensalmente, sem possibilidade de interpretar-se cientificamente tal oscilação; enquanto nos anos anteriores sempre prevaleceu o uso de armas brancas na execução dos homicídios, nesse ano dominaram as armas de fogo. Ninguém consegue explicar tais oscilações anuais. ”
Para o coordenador do banco de dados desta pesquisa, o analista de sistemas Eduardo Michels, do Rio de Janeiro, “a subnotificação destes crimes é notória, indicando que tais números representam apenas a ponta de um iceberg de violência e sangue, já que nosso banco de dados é construído a partir de notícias de jornal e internet. Infelizmente são raríssimas as informações enviadas pelas mais de trezentas Ongs LGBT brasileiras. A realidade deve certamente ultrapassar em muito tais estimativas, sobretudo nos últimos anos, quando policiais e delegados cada vez mais, sem provas e sem base teórica, descartam preconceituosamente a presença de homofobia em muitos desses “homocídios”.
Mott completa: “Lastimavelmente, a violência anti-homossexual cresce incontrolavelmente no Brasil. Nos 8 anos do governo FHC, foram documentados 1023 crimes homofóbicos, uma média de 127 por ano; no Governo Lula, subiram para 1306, com média de 163 assassinatos por ano; em apenas 4 anos, no Governo Dilma, tais crimes já atingiram a cifra de 1243, com média de 310 assassinados anuais – quase o dobro dos governos anteriores. Daí a urgência da Presidenta cumprir sua promessa de campanha de criminalizar a homofobia!”
Perfil das vítimas: Dos 326 mortos, 163 eram gays (50%), 134 travestis (41%), 14 lésbicas (4%), 3 bissexuais (0,9%) e 7 (2%) amantes de travestis (T-lovers).Quanto a idade, 28% dos LGBT tinham menos de 18 anos ao serem assassinados e 68% das vítimas ao serem executadas estavam na flor da idade entre 20-60 anos.

Quanto à composição racial, apesar de faltar informação sobre 30% das vítimas, 54% eram brancos, 41% pardos e 5% pretos.
Os lgbt assassinados exerciam 20 diferentes profissões, confirmando a presença do “amor que não ousava dizer o nome” em todas as ocupações e estratos sociais. Predominaram as travestis profissionais do sexo, 37 das vítimas (12%), seguidas de 13 professores, 8 estudantes, 6 cabeleireiras, incluindo funcionários públicos, comerciantes, aposentados, um padre e um pai de santo.

Quanto à causa mortis, altera-se levemente pela primeira vez a tendência observada em décadas anteriores, quando predominavam as armas brancas: 107 LGBT foram mortos em 2014 com armas de fogo, sendo 105 com facas, estiletes, tesouras, etc; 49 por espancamento, paulada e apedrejamento; 24 por enforcamento e asfixia, constando ainda envenenamento, carbonizado, atropelamento intencional. A violência extremada destas execuções, confirma o que a Vitimologia chama de crimes de ódio com requintes de crueldade, incluindo em muitos casos, tortura prévia, uso de diversos instrumentos, elevado número de golpes ou tiros: variou de 1 a 15 o número de balaços mortíferos, sendo 11 os LGBT que levaram mais de 10 perfurações por arma branca, três mais de 20, chegando um gay a ser morto com 46 facadas. Fotos chocantes e descrição desses cruéis homicídios encontram-se documentados em http://homofobiamata.wordpress.com/

O padrão predominante é o gay ser assassinado dentro de sua residência, com armas brancas e/ou objetos domésticos, enquanto as travestis e transexuais são mortas na pista, a tiros.

Crimes Homofóbicos. Seriam todos esses 326 assassinatos crimes homofóbicos? O Prof. Luiz Mott é categórico: “Sim! 99% destes homocídios contra LGBT têm como agravante seja a homofobia individual, quando o assassino tem mal resolvida sua própria sexualidade e quer lavar com o sangue seu desejo reprimido; seja a homofobia cultural, que pratica bullying contra lésbicas e gays, expulsando as travestis para as margens da sociedade onde a violência é endêmica; seja a homofobia institucional, quando o Governo não garante a segurança dos espaços frequentados pela comunidade lgbt ou como fez a Presidente Dilma, ao vetar o kit anti-homofobia, que deveria ter capacitado mais de 6 milhões de jovens no respeito aos direitos humanos dos homossexuais e mais recentemente, ao ter pressionado os senadores para que não aprovassem o PLLC 122 que equiparava a homofobia ao crime do racismo.”

Para Marcelo Cerqueira, Presidente do GGB, “quando o Movimento Negro, os Índios ou as Feministas divulgam suas estatísticas letais, não se questiona se o motivo de todas as mortes foi racismo ou machismo, porque exigir só do movimento LGBT atestado de homofobia nestes crimes hediondos? Ser travesti já é um agravante de periculosidade face à intolerância machista dominante em nossa sociedade, e mesmo quando um gay é morto devido à violência doméstica ou latrocínio, é vítima do mesmo machismo cultural que leva as mulheres a serem espancadas e perder a vida pelas mãos de seus companheiros, como diz o ditado, ‘viado é mulher tem mais é que morrer!”
O GGB disponibiliza em seu site http://homofobiamata.wordpress.com/ o banco de dados completo com todas as notícias de jornal, vídeos, tabelas e gráficos sobre todos esses 326 assassinatos de LGBT de 2014, assim como o manual “Gay vivo não dorme com o inimigo” como estratégia para erradicar esse sangrento “homocausto”.

Solução contra crimes homofóbicos. Para o antropólogo e decano do movimento lgbt, Luiz Mott, “há quatro soluções emergenciais para a erradicação dos crimes homofóbicos: educação sexual para ensinar aos jovens e à população em geral o respeito aos direitos humanos dos homossexuais; aprovação de leis afirmativas que garantam a cidadania plena da população LGBT, equiparando a homofobia e transfobia ao crime de racismo; exigir que a Polícia e Justiça investiguem e punam com toda severidade os crimes homo/transfóbicos e finalmente, que os próprios gays, lésbicas e trans evitem situações de risco, não levando desconhecidos para casa e acertando previamente todos os detalhes da relação. A certeza da impunidade e o estereótipo do gay como fraco, indefeso, estimulam a ação dos assassinos.”
Para mais informações e entrevistas:
luizmott@oi.com.brhttp://homofobiamata.wordpress.com/
Mott (71) 9128.9993 – Cerqueira (71) 9989.4748 – Michels (21) 2148.7074

SÃO TIBIRA DO MARANHÃO: 4º Centenário do primeiro índio mártir da homofobia no Brasil (1614-2014) Lançamento de dois livros na Biblioteca dos Barris, 9 dezembro, 18hs.

tibira

Salvador, BA, sábado, 6 de dezembro de 2014 –  1614: poucos meses após sua instalação no Maranhão, os franceses, liderados pelo capuchinho  Frei Yves d’Evreux, foram informados da existência de um famoso “Tibira”, termo da língua tupi para  descrever os índios homossexuais. Na época a sodomia era considerada pela Cristandade “o mais torpe, sujo e desonesto pecado”. E para evitar um temido castigo divino e aterrorizar eventuais futuros amantes do mesmo sexo, ordenaram os capuchinhos a captura e prisão do índio gay, que foi sumariamente julgado, batizado e condenado a morte. Estouraram o Tibira  amarrado na boca de um canhão, ao pé do Forte de São Luís, caindo seu corpo estraçalhado na baía de São Marcos, “para limpar a nova conquista do abominável e nefando pecado de sodomia.”   Tal execução, arbitrária e sem autorização do Papa ou da Inquisição,  é detalhadamente descrita e justificada pelo missionário em seu livro História das coisas mais memoráveis acontecidas no Maranhão nos anos de 1613 e 1614, comparando o infeliz índio gay  recém batizado com São Dimas, o bom ladrão perdoado por Jesus no Calvário.

Para celebrar o 4º Centenário dessa cruel execução, o GRUPO GAY DA BAHIA (GGB) escolheu 9 de dezembro, véspera do Dia Internacional dos Direitos Humanos, para o lançamento mundial da campanha pela canonização de São Tibira do Maranhão, primeiro mártir gay das Américas. Como estratégia, exige o pedido de perdão público por parte do Superior Geral da  Ordem dos Capuchinhos de Roma por esse abuso fundamentalista, já que os missionários não tinham autoridade para condenar a morte os sodomitas (gays).

O GGB requer igualmente que o Governo do Maranhão e a Prefeitura de São Luis  construam um monumento em homenagem ao mártir gay Tupinambá no mesmo local onde foi executado na boca de um canhão, na confluência da atual Rampa do Palácio com a  Avenida  Beira Mar.

Ainda visando resgatar a heroicidade do primeiro mártir gay indígena brasileiro, vítima da homofobia religiosa, o GGB enviou ofício à CNBB, Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, solicitando formalmente que interceda junto ao Vaticano para a abertura de processo de canonização do Tibira do Maranhão, alegando o precedente do Bom Ladrão, que apesar de seu passado pecaminoso, Jesus o perdoou garantindo-lhe um lugar como santo no céu. O mesmo ocorreu com esse índio gay maranhense, que ao ser executado,  como garantiu seu juiz e executor, o capuchinho Yves Évreux, “sua alma imortal foi levada pelos anjos ao Céu, pois morreu logo depois do batismo, certeza infalível da salvação daquele a quem Deus concedeu tal graça, tão rara como o arrependimento do bom ladrão na cruz, a quem Jesus prometeu: Hoje estarás comigo no Paraíso!”

O GGB conclama igualmente à FUNAI, Fundação Nacional do Índio e Associações de Povos Indígenas do Brasil para que encampem essa campanha para que a Igreja Católica eleve Tibira aos altares como mártir, já que foi executado devido à homofobia e ao etnocentrismo europeu-cristão, considerando que a homossexualidade masculina e feminina era fartamente praticada e respeitada entre todos nossos povos nativos, embora contemporaneamente seja discriminada, sobretudo nas aldeias e culturas que foram convertidas ao fundamentalismo cristão.

Com essa campanha, o Grupo Gay da Bahia pretende igualmente chamar a atenção para as execuções que continuam a vitimizar os homossexuais no Brasil contemporâneo: 50% dos assassinatos de lgbt do mundo ocorrem no nosso país, um “homocídio” a cada 28horas. Um total de 284 crimes homofóbicos somente neste ano.

No dia 9/12, 3ª feira, 18hs, no foyer da Biblioteca Central dos Barris  o GGB fará o lançamento de dois livros: São Tibira do Maranhão, 1614-2014,  Índio Gay Mártir”, de autoria de Luiz Mott e  do cordel “TIBIRA DO MARANHÃO: Santo Homossexual”, da cordelista e doutora da UFBa, Salete Maria.

Nessa esquina, na orla de S.Luís, local do futuro monumento ao Tibira, aí ele  foi executado na boca de um canhão.( Foto: meramente ilustrativa, não corresponde a imagem original).

A cada três minutos, um gay sofre violência no Brasil

homofobia mata

Salvador, 21  de novembro de 2014 – Da agência Estado ( Edição: Marcelo Cerqueira)

.A cada três minutos, um homossexual sofre algum tipo de violência no Brasil. Nos últimos quatro anos, o número de denúncias ligadas à homofobia cresceu acima dos 600%. Segundo números obtidos pelo jornal “O Estado de S. Paulo” , o Disque 100, da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República (SDHPR), registrou 1.159 casos em 2011. Neste ano, em um levantamento até outubro, os episódios de preconceito contra gays, lésbicas, travestis e transexuais já superam a marca de 6,5 mil denúncias.

Os jovens são as principais vítimas dos atos violentos e representam 33% do total das ocorrências. A cada quatro casos de homofobia registrados no Brasil, três são com homens gays. Estudante de Direito na USP, André Baliera, de 29 anos, foi espancado em 2012 por dois homens no bairro de Pinheiros, zona oeste de São Paulo. Ele voltava a pé para casa pela Rua Henrique Schaumann quando dois jovens o ofenderam por causa de sua orientação sexual. Depois de uma discussão, acabou agredido pela dupla.

“Nos primeiros dias, não saía de casa. Fui ao psiquiatra, tomei remédios e fiquei seis meses sem passar na frente do posto em que fui agredido”, conta Baliera. Quase dois anos depois, receio e medo ainda estão presentes no dia a dia, assim como o preconceito. “Em junho deste ano, estava com meu namorado assistindo a um filme em Santos e fomos xingados de ‘viados’ dentro do cinema. Chamei a polícia na hora”, disse.

Criminalização da homofobia só será discutida em 2015

Para a SDHPR, o crescimento das denúncias é um fator positivo para combater a violência homofóbica. A coordenadora da área LGBT, Samanda Freitas, diz que o desafio é apurar os crimes. “Precisamos melhorar o atendimento desses casos e isso passa por um treinamento dos policiais para que identifiquem os crimes de ódio LGBT e investiguem com o mesmo cuidado que as demais ocorrências”, afirmou.

Cerca de 26% dos casos acontecem nas ruas das grandes cidades. Em 2007, a transexual Renata Peron voltava de uma festa com um amigo quando nove rapazes os cercaram na Praça da República, centro da capital paulista. Trinta minutos de violência foram tempo suficiente para chutes, socos, xingamentos, três litros de sangue e um rim perdidos por Renata.

“Ninguém foi preso e fica um sentimento de pena. Nem bicho faz essas coisas. Passei seis meses fazendo terapia para entender a razão de ter sido agredida.”

Assassinatos

O filho de Avelino Mendes Fortuna, de 52 anos, não teve a mesma sorte. Nesta quinta-feira, 20, fez dois anos que Lucas Fortuna, de 28, morreu assassinado em Santo Agostim, no Grande Recife, em Pernambuco. Jornalista, foi espancado por uma dupla de homens e jogado ainda vivo no mar. Os assassinos foram presos e confessaram o crime por homofobia, mas no inquérito a polícia trata o caso como latrocínio.

Depois da morte, Avelino virou ativista na ONG Mães pela Igualdade, que luta pelo fim da discriminação contra homossexuais e pelo engajamento dos pais LGBTs na vida de seus filhos. “O pai que não sai do armário juntamente com seu filho se torna cúmplice da morte e da agressão dele no futuro”, afirmou. “Um dos nossos objetivos é fazer com que os pais participem, lutem pelos direitos da sua família.”

Preconceito

A discriminação e a violência psicológica, no entanto, estão entre as ocorrências mais comuns registradas na SDHPR e delegacias especializadas em Direitos Humanos. Cerca de 76% dos casos são de homossexuais que sofrem preconceito no trabalho, assédio moral e perseguição. No Maranhão, o professor universitário Glécio Machado Siqueira, da Universidade Federal do Maranhão (UFMA), tem sido alvo de ofensas pelos estudantes de Ciências Agrárias. “Desde o começo do ano, recebo ameaças, injúrias e boicotes das minhas aulas por causa da minha orientação sexual. Entrei em contato com todas as instâncias da universidade e a resposta que recebi foi o silêncio”, reclama.

A Organização dos Advogados do Brasil (OAB) entregou queixa-crime para a UFMA. A reportagem entrou em contato com a universidade, que não se manifestou. “É triste ver que em uma universidade, onde estamos para expandir conhecimentos, acontece essa homofobia velada. A minha tristeza foi convertida em luta pelos direitos humanos. Espero que mais homossexuais tomem coragem para fazer o mesmo.” As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Tim Cook fala sobre orientação sexual pela primeira vez: ‘Tenho orgulho de ser gay’ .

Em bela e inspiradora declaração, CEO da Apple diz: “Considero ser gay um dos maiores dons que Deus me deu”

TIM

RIO –  30/10/14 – ás 20h – Não se fala em outro assunto no meio da tecnologia nesta quinta-feira. Tim Cook, diretor-executivo da Apple, falou abertamente, pela primeira vez, sobre ser gay. A orientação sexual do executivo já era conhecida de seus colegas de trabalho na empresa e, informalmente, por grande parte da mídia especializada. Mas ele nunca havia feito uma declaração pública a respeito.

Em 24 de agosto de 2011, Steve Jobs renunciou ao cargo de diretor-executivo da Apple por motivo de saúde, recomendando ao conselho diretor que Tim Cook ficasse em seu lugar. Ele assumiu o cargo, sendo logo depois aclamado pela revista LGBT “OUT” como o número um na 5ª lista anual dos gays mais influentes dos EUA. Cook voltou aparecer na lista da publicação desde então.

A própria Apple tem um longo histórico de celebração da diversidade e igualdade, tendo inclusive participado com Tim Cook da Parada do Orgulho LGBT de São Francisco, no início do ano.

Cook, que jamais negou sua homossexualidade, optou por sair do armário fazendo uma espécie de manifesto por escrito ao site “Bloomberg BusinessWeek”, tornando-se um dos gays mais proeminentes do mundo corporativo.

Após a publicação do artigo, grupos de ativistas rapidamente elogiaram o posicionamento de Cook.

“O pronunciamente de Tim Cook salvará incontáveis vidas”, afirmou a Campanha dos Direitos Humanos, o maior grupo de proteção dos direitos de lésbicas, gays, bissexuais e transgêneros dos EUA, em um comunicado. “Ele tem sido um exemplo, mas hoje milhões ao redor do planeta extrairão inspiração de diferentes aspectos da sua vida”.

Leia abaixo o artigo assinado pelo executivo da maior empresa do mercado tecnológico.

“Ao longo da minha vida profissional, eu tentei manter um nível básico de privacidade. Eu venho de origem humilde, e não procuro chamar a atenção para mim. A Apple já é uma das empresas mais atentamente observadas em todo o mundo, e eu gosto de manter o foco em nossos produtos e nas coisas incríveis que nossos clientes podem alcançar com eles.

“Ao mesmo tempo, eu acredito profundamente nas palavras do Dr. Martin Luther King, que disse que a pergunta mais persistente e urgente da vida é: ‘O que você está fazendo para os outros?’. Eu muitas vezes me desafiei com esta pergunta, e acabei percebendo que o meu desejo de privacidade pessoal tem me impedido de fazer algo mais importante. Isso é o que me levou até o dia de hoje.

“Por anos, eu fui aberto com muitas pessoas sobre a minha orientação sexual. Vários de meus colegas na Apple sabem que sou gay, e isso não parece fazer diferença na maneira como eles me tratam. Claro, eu tive a sorte de trabalhar em uma empresa que adora a criatividade e a inovação e que sabe que isso só pode florescer quando você abraça as diferenças das pessoas. Nem todo mundo é tão sortudo.

“Eu nunca neguei a minha sexualidade, mas ainda não tinha reconhecido publicamente minha opção, até agora. Então deixe-me ser claro: eu tenho orgulho de ser gay, e eu considero ser gay um dos maiores dons que Deus me deu.

“Ser gay me deu uma compreensão mais profunda do que significa estar em minoria e me proporcionou uma janela para os desafios com que as pessoas de outros grupos minoritários lidam todos os dias. Isso me fez mais compreensivo, o que levou a uma vida mais rica. Tem sido difícil e desconfortável às vezes, mas minha opção me deu a confiança necessária para ser eu mesmo, para seguir o meu próprio caminho, e para superar as adversidades e a intolerância. Ser gay também me deu a pele de um rinoceronte, que vem a calhar quando você é o CEO da Apple.

“O mundo mudou muito desde que eu era criança. A América está se movendo em direção à igualdade no casamento, e as figuras públicas que bravamente se declararam gays ajudaram a mudar as percepções e tornaram a nossa cultura mais tolerante. Ainda assim, existem leis nos livros da maioria dos estados que permitem aos empregadores demitir pessoas com base unicamente em sua orientação sexual. Há muitos lugares onde os senhorios podem despejar inquilinos por eles serem gays, ou onde podemos ser impedidos de visitar parceiros doentes e compartilhar seus legados. Inúmeras pessoas, especialmente crianças, encaram medo e abuso todos os dias por causa de sua orientação sexual.

“Eu não me considero um ativista, mas percebo o quanto tenho me beneficiado com o sacrifício de outros. Então, se ouvir que o CEO da Apple é gay pode ajudar alguém lutando para chegar a termos com quem ele ou ela é, ou trazer conforto para quem se sente sozinho, ou inspirar as pessoas a insistir na sua igualdade, então vale a pena trocar isso pela minha própria privacidade.

 “Admito que dar este passo não foi uma escolha fácil. Privacidade continua a ser importante para mim, e eu gostaria de salvaguardar uma pequena parte dela. Eu fiz da Apple o trabalho da minha vida, e vou continuar a passar praticamente todo o meu tempo de vigília focado em ser o melhor CEO que posso ser. Isso é o que nossos colaboradores merecem e nossos clientes, colaboradores, acionistas e parceiros fornecedores também merecem. Parte do progresso social é entender que uma pessoa não se define apenas por sua sexualidade, raça ou gênero. Eu sou um engenheiro, um tio, um amante da natureza, um fanático por fitness, um filho do Sul, um aficionado por esportes, e muitas outras coisas. Espero que as pessoas respeitem meu desejo de me concentrar nas coisas para as quais eu sou mais adequado, e no meu trabalho, que me traz alegria.

“A empresa que eu tenho a felicidade de dirigir há muito defende os direitos humanos e a igualdade para todos. Nós tomamos uma posição firme de apoio a um projeto de lei de igualdade no local de trabalho antes mesmo do Congresso americano, assim como apoiamos a igualdade no casamento em nosso estado natal, a Califórnia. E nós nos pronunciamos no Arizona quando o Legislativo daquele estado aprovou uma lei discriminatória contra a comunidade gay. Nós vamos continuar a lutar por nossos valores, e eu acredito que qualquer CEO desta empresa incrível, independentemente de raça, sexo ou orientação sexual, faria o mesmo. E eu, pessoalmente, continuo a defender a igualdade para todas as pessoas até que meus dedos dos pés apontem para cima.

“Quando eu chego ao meu escritório todas as manhãs, eu sou cumprimentado por fotos emolduradas do Dr. King e de Robert F. Kennedy. Não tenho a pretensão que este meu escrito me coloque em seu patamar. Tudo que faz é permitir-me olhar para essas imagens e saber que eu estou fazendo a minha parte, mesmo que pequena, para ajudar os outros. Nós pavimentamos juntos o caminho iluminado pelo sol da justiça, pedra por pedra. Esta é a minha pedra”.

Vice-cônsul dos EUA visita sede do Grupo Gay da Bahia

vice consul dois tercos

Salvador, BA,  21 de outubro de 2014  – Foto de Genilson Coutinho . Na manhã desta terça-feira  o Grupo Gay da Bahia (GGB)  recebeu na sua sede no Pelourinho o vice-cônsul para assuntos políticos dos EUA John Callan, que veio a Salvador para conhecer os projetos desenvolvidos pelo GGB, visando parcerias e ações conjuntas. Com a presença dos representantes do GGB, o vice-cônsul conheceu os principais projetos desenvolvido pelo grupo, que foram apresentados pelo presidente do grupo Marcelo Cerqueira.

Na conversa, Cerqueira falou um pouco dos casos crescentes de homofobia e como estão as ações para amenizar a violência contra a comunidade LGBT na Bahia. “Estamos buscando juntos aos poderes públicos formas de fazer justiça, principalmente pelo fato de que a homofobia ainda não é crime, mas essa é uma luta diária para aprovação da lei de criminalização da homofobia no país”, pontuou Marcelo.

O vice-cônsul americano manifestou interesse em saber de que forma a polícia e a justiça têm feito para sanar essa onda de violência no estado. Marcelo sinalizou que estão em reunião constantes para que a polícia promova cursos de capacitação e formação nas corporações e delegacias, com objetivo de preparar os policiais para lidar com as questões inerentes  à comunidade LGBT.

“É muito complicado cada vez mais, pois como não há uma delegacia específica para cuidar dos casos de homofobia, a comunidade LGBT, além de sofrer a violência corporal e verbal, ainda passa por constrangimento pela falta de profissionais preparados para receber os casos”, revelou Marcelo.

O vice-cônsul se mostrou satisfeito com as ações e manifestou interesse em conhecer os novos projetos em andamento da entidade , entre elas a participação no Conselho LGBT da Bahia, criado este ano na Secretaria de Justiça, Cidadania e Direitos Humanos, e o Centro de Referencia LGBT de Salvador, projeto da vereadora Fabio Mansul que foi sancionado pelo prefeito. O GGB presenteou o consulado dos EUA com um kit das principais campanha do grupo e publicações da entidade para a biblioteca do consulado.

Vaticano revisa menção a gays em versão final de documento do sínodo

papa francisco sidosio 2015

CIDADE DO VATICANO – 18/10/14  – A versão final de um polêmico documento do Vaticano divulgado neste sábado foi radicalmente revista na referência sobre os homossexuais, eliminando linguagem anterior mais positiva.

O documento, chamado de “relatio”, foi emitido na conclusão da reunião de duas semanas, o sínodo, de cerca de 200 bispos católicos de todo o mundo.

Após uma primeira versão lançada na segunda-feira, os bispos conservadores prometeram alterar o texto, dizendo que houve confusão entre fiéis e ameaçou prejudicar a família tradicional.

Os dois parágrafos finais do documento que tratam dos homossexuais foi intitulado “atenção pastoral para com as pessoas com orientações homossexuais”. A versão anterior, de três parágrafos foi chamada de “boas-vindas aos homossexuais.”

A versão anterior falava em “aceitar e valorizar orientações sexuais (dos homossexuais)” e dar-lhes “uma casa acolhedora”. A versão final eliminou essas frases.

A nova versão usa um termo mais vago, repetindo declarações anteriores da igreja de que os gays “devem ser acolhidos com respeito e sensibilidade” e que a discriminação contra gays “deve ser evitada”.

A versão final sublinhou que “não há fundamento absoluto” para comparar o casamento homossexual ao casamento heterossexual, chamando o casamento heterossexual “plano de Deus para o matrimônio e da família”. ( Do jornal O Globo)

(2535)

Salvador, Bahia, quarta-feira 20 de setembro de 2014.

Da Assessoria

O Grupo Gay da Bahia (GGB) avalia que o resultado da III Semana da Diversidade e da 13ª Parada Gay da Bahia nesse último domingo (21) como positivo. De acordo com a entidade foram cerca de 600 mil pessoas participaram do evento que contou com apresentação de vinte e cinco bandas musicais, dez trios elétricos e mais de 50 atrações transformistas, pintou com as cores da diversidade o centro da cidade. “Uma festa por cidadania que agrada as pessoas que saem de suas casas para curtir, isso não tem preço”, declarou Marcelo Cerqueira, presidente do GGB informando ainda que a Parada Gay há muito tempo deixou de ser uma festa só dos LGBTs e caiu no gosto popular e entrou para o calendário das festas populares de Salvador em setembro.

A entidade anuncia mudanças para a 14ª edição do evento que acontece no dia 6 de setembro de 2015, antecedendo ao feriado prolongado do dia 7 de setembro. O GGB anuncia que vai aposentar a bandeira gay que desde a primeira edição abre a caminhada com as cores do arco-íris. “ Vamos dar vida a bandeira com grupo de dança, homens e mulheres vestindo as cores sete cores, sincronizados em passos de dança” esclarece e continua “ Vamos dar visibilidade as balizas acrobáticas, possibilitando que elas se apresentem em outras épocas”, conclui Cerqueira.

De acordo com a entidade o evento de domingo produziu 70 mil quilos de lixo, predominando latinhas e garrafas plásticas. A iniciativa a ser adotada para a edição de 2015 vai incluir a responsabilidade da coleta dos resíduos aos seus geradores, isto é, as empresas que produzem os produtos.

A entidade vai buscar um dialogo com as entidades que fazem a reciclagem para encontrar uma alternativa adequada que entregue o percurso limpo ao termino do evento. Outra medida a ser adotada é a descarbonização de todos os motores dos trios elétricos incluindo a utilização de combustível adequado que reduza a emissão de gases poluentes.

A 4ª Semana da Diversidade acontece na cidade de Salvador de 29 de agosto a 6 de setembro de 2015. Na programação uma variada programação cultural envolvendo cinema, seminários e artes integradas. O evento de domingo contou com a presença de autoridades como o prefeito ACM Neto e a primeira dama Fátima Mendonça, ainda, recebeu patrocínio do Governo da Bahia e da prefeitura de Salvador.

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