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Ausência de rede social de apoio aos casais LGBT favorece separação diante da crise conjugal.

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Salvador, Bahia, domingo, 12 de fevereiro de 2017. Do GGB. Gays, lésbicas, travestis, familiares e casais LGBT se reuniram nas dependências do Hotel Sol Victoria Marina, centro de Salvador, nos dias de sexta-feira e sábado por ocasião do Encontro de Casais LGBT da Bahia que teve como tema “Viva o seu amor, superando as crises e vivendo o amor destemidamente”, tema sugerido pelo ativista Enézio de Deus, advogado, professor e autor do livro “União Estável Entre Homossexuais. De acordo com o professor, é necessário que os casais vivam a união e não tenham receio de mostrar esse afeto em público de forma natural e saudável. Atitudes como estas fortalecem essa cultura junto a uma parcela da sociedade que não vê problema na demonstração pública de afeto entre casais LGBTs. A iniciativa do GGB indica os sinais dos tempos por ser o primeiro realizado no Brasil. “É preciso desenvolver essa cultura e fortalecer os casais para conviver com uma sociedade ainda adversa a esse tipo de união, ” afirma Marcelo Cerqueira, presidente do GGB.

Passados trinta e seis anos de fundação do Grupo Gay da Bahia (GGB) pelo ativista, Luiz Mott, decano do Movimento LGBT do Brasil, ainda convivemos com muita perseguição e a LGBTfobia empurra muitos casais a viverem suas relações de modo clandestino, não assumindo o parceiro como tal, apresentando-o como um parente ou amigo. Sinara Dantas, psicoterapeuta sistêmica e doutora em família, lamenta que esse tipo de postura continue existindo na atualidade. A psicoterapeuta acredita que os casais LGBTs devem assumir publicamente que são casados, para que a sociedade possa ver, entender e inclusive solidarizar-se nos momentos de crises, mesmo que enfrentem preconceitos.

“Os casais homoafetivos são formados por pessoas que, na maioria dos casos, passaram por dificuldades em assumirem sua orientação sexual diante de si mesmo, da própria família e da sociedade, e é perceptível os reflexos disso na relação conjugal. Por isso as relações amorosas LGBTs se formam de modo silencioso, já que não podem contar com uma rede de solidariedade para apoio em momentos de crises.” disse a psicoterapeuta, revelando ainda que em outras uniões, quando o casal se desentende, as famílias de origem dos cônjuges entram em cena para reconciliação, acrescidos dos amigos, vizinhos, etc, e nas relações homoafetivas isso não é uma constância.

Impactos dessa ausência de rede de apoio são sentidos na durabilidade desses relacionamentos, que são alvo de muitos preconceitos. As pessoas acabam saindo desestruturadas psicoemocionalmente das relações por falta de apoio de amigos ou receio em procurar ajuda de um profissional. “Alguns LGBTs tendem a punir-se pelo fim do relacionamento, e isso pode gerar alguns problemas mais adiante em relação a comportamento social, saúde, e busca de outro parceiro. Por isso, esses preconceitos sociais precisam ser superados para que as redes de solidariedade surjam e os casais LGBTs possam seguir de maneira livre e com apoios”, conclui Sinara Dantas.

O evento contou ainda com a exposição da advogada, especialista em família, professora Maria Aparecida Diniz abordando o tema da família LGBT na contemporaneidade e o casamento igualitário como ícone da universalidade das garantias constitucionais. A professora foi mediada pela Dra Márcia Teixeira, Promotora de Justiça, do Centro de Apoio de Direitos Humanos do Ministério Público da Bahia. O professor Vilson Caetano, mediado pelo jornalista François Strata, trataram das relações familiares dentro das religiões de matriz africanas no Brasil.
A mesa de abertura no dia 10, sábado, além da palestra do médium José Medrado, contou com a presença do professor Penildon Silva Filho, Pró-Reitor da Universidade Federal da Bahia (UFBA), Vavá “Valdemar Oliveira, representando a Senadora Lídice da Mata, Vida Bruno do Centro de Referência LGBT de Salvador,representando a secretária Muniicipal da Reparação (Semur) professora Ivete Sacramento Claudia Rosa e Jonathan Ruta, representantes da Embaixada do Canadá em Brasília.

A união homoafetiva é realidade no Brasil desde 2011, quando o Supremo Tribunal Federal (STF) elevou a união homossexual à heterossexual. Passados dois anos, em 2013, o Conselho Nacional de Justiça (CNJ), por meio da resolução 175, autorizou os cartórios brasileiros realizarem o casamento e converterem a união estável homoafetiva em casamento, gratuitamente. De 213 até os dias atuais já foram celebrados no Brasil cerca de cem mil uniões em todo o pais.O evento foi uma realização do Grupo Gay da Bahia, Grupo Quimbanda Dudu e contou com o apoio da Embaixada do Canadá no Brasil, em Brasília. Marcaram presença Gesner Braga do Coletivo Famílias pela Diversidade , Millena Passos e Dion Santyago.

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