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Glamour, paetés, plumas e protestos na 21º Edição do Concurso de Fantasia LGBT do Carnaval de Salvador.

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Fotos:Felipe Martins

Confira as fotos completas no Facebook: https://www.facebook.com/marcelo.marceleza

Salvador, Bahia, terça-feira, 13 de fevereiro de 2018, ás 03h40min. Do GGB – O clima do 21º Concurso de Fantasia LGBT do Carnaval de Salvador, ocorrido na noite da segunda-feira, 12, de Carnaval na Praça Municipal, escadaria do Palácio Thomé de Sousa foi de muito brilho, glamour, mas a coloração do protesto e da denúncia foi expressão antes nunca visto, nas edições anteriores do evento. O ator All Zack idealizador da personagem feminina Gina de Mascar levou um grupo de atores e uma atriz fez discurso em defesa da autonomia das mulheres em relação ao seu corpo, contra o assédio sexual e moral.

No mesmo segmento de denúncia dos crimes contra as mulheres a transformista Ferah Sanchine, entrou no palco executando uma canção de Elza Soares “Maria da Vila Matilde”, na música orienta ligar 180 para denunciar violência contra o gênero feminino. Ao fim da música, ela convidou a trans Millena Passos que reforçou o discurso e ainda falou da violência contra as mulheres travestis e trans.

 

Foto de Felipe Martins / Alan Nery, “Mama Brasil”.

A coloração de denúncia continuou e foi a vez de Scarlet entrando no palco acompanhada de um grupo de bailarinos ao som de Jojo Todynho, com hit “Que tiro foi esse”, antes de terminar a performance os bailarinos entraram no palco portando cartazes com expressão “Homofobia deve ser crime”, e “Respeito” entre outros slogans, sua apresentação foi muito aplaudida. “Fiquei emocionada, arrepiada quando o povo começou a aplaudir na hora que os meninos entraram com os cartazes” disse Scarlet.

A noite do 21º Concurso de Fantasia LGBT do Carnaval de Salvador foi em memória de travesti Dandara dos Santos, 42, espancada, humilhada, teve seu corpo carregado em um carro de mão pelo bairro e descartado em terreno baldio onde foi alvejada com dois tiros no rosto, assassinada no dia 15 de fevereiro de 2017, no Bairro Bom Jardim, em Fortaleza, Ceara, há exatos três dias para completar um ano desse crime brutal que chocou a população LGBT do Brasil.

Com a fantasia conceito “Pela vida, e respeito das pessoas trans” o baiano de Nazaré das Farinhas, Jean Marcos de Jesus Bonfim, 34 anos, contou essa história, a História da morte aviltante que foi um entretenimento popular dos criminosos e da população que assistia alheia sem se importar com tanta violência e brutalidade. Jean Marcos, com esse motivo levou o prêmio de primeiro lugar na categoria originalidade. “Minha ideia é não deixar que esse crime não caia no esquecimento”, disse o Marcos.

A memória de Dandara dos Santos na segunda parte do evento volta a ocupar o palco na performance de Kimberly Portinaly entrando na passarela empurrando um carro de mão com uma pessoa dentro do carro coberta com a bandeira do arco íris. A música é Brasil, na voz de Gal Costa. Kimberly, posiciona o carro no centro do palco e nele vários cartazes alusivos ao caso, ela começa a atuar e aos poucos vai se despindo primeiro tira peruca e em seguida as peças de roupa permanecendo apenas cum uma peça intima, no final ela se aproxima do carro de mão onde está Dandara e sacode a bandeira do arco íris.

Foto de Felipe Martins / Scarlet “Que tiro foi esse!?”.

Alan Cerqueira Nery, 30 anos, de Lauro de Freitas, com a fantasia “Mama Brasil” portando seios grandes e caixas de papelão cheia de dinheiro. O Laurofreitense entrou na passarela jogando dinheiro para cima, segundo ele a fantasia foi em alusão ao dinheiro encontrado recentemente em um apartamento em Salvador de suposta autoria de Gedel Vieira Lima. Layane Santos, 25 anos, do bairro de Periperi, ficou com o terceiro lugar com a fantasia Baobá, uma árvore sagrada do candomblé.

GGB pede mobilização nacional em memória de Dandara por um ano de sua morte.

Aos três dias de completar um ano do assassinato de Dandara Santos, GGB convoca ação Nacional em memória da travesti e contra a impunidade dos crimes contra travestis e mulheres trans no Brasil. Dandara foi executada no dia 15 de fevereiro em Fortaleza, Ceara. No dia 23 daquele ano a polícia identificou e prendeu três adolescentes, dois menores de 16 anos e um outro de 17 anos que aparecem espancando a vítima no vídeo gravado por um aparelho de celular.

As imagens são de grande desumanidade, mostra o grupo de homens espancando a travesti, chutando, batendo com uma sandália e com um pedaço de madeira. Depois eles obrigam ela subir em um carro de mão, ela tenta, mas não consegue, eles espancam mais ainda. O sadismo da tortura humilhante dá entender que é entretenimento popular, pois eles aparecem felizes cometendo a tortura. A Polícia Civil Cearense prendeu também Júlio Cesar Barauna Costa e Isaias Silva Camurça. O GGB orienta enviar mensagens ao Secretário da Segurança Pública e Defesa Social do Ceará, delegado André Costa, cobrando celeridade na aplicação da Lei e explicação a sociedade em relação ao andamento do processo.

Dr. André Costa página Facebook: https://www.facebook.com/andrecostadelegado/
SSPDS http://www.sspds.ce.gov.br/index.do?tipoPortal=1#todospelaagua2

Confira o vídeo.

Matéria do G1
http://g1.globo.com/ceara/noticia/2017/03/apos-agressao-dandara-foi-morta-com-tiro-diz-secretario-andre-costa.html

Sandra Farias pelo quinto ano consecutivo leva primeiro lugar em luxo.

Sandra Farias, primeiro lugar em luxo: foto Felipe Martins.

A carnavalesca trans Sandra Farias, 40 anos, de Itapissuma, Pernambuco, venceu o primeiro lugar na categoria luxo do 21º Concurso de Fantasia LGBT do Carnaval de Salvador com alegoria “Oh! Saudade”, a fantasia relembra os carnavais antigos, as marchinhas carnavalescas, ao som de “Mascará negra”. A fantasia que lhe rendeu 8 mil foi confeccionada com paetês, strass, broxes, 4 mil penas de pavão e 4 mil plumas de avestruz rosa e azul.


Jorge Barbosa Filho, 35 anos, de Itapissuma, Pernambuco, levou o segundo lugar com a fantasia “Montezuma o Imperador Asteca”.  Abaixo, Geraldo Pontes, 45 anos, natural de Juazeiro na Bahia, ficou em terceiro lugar com a fantasia “Encanto do Egito”, compõe a fantasia 2 mil penas de pavão e 2 mil penas de faisão lady e albino.

Foto de Genilson Coutinho. 

A comissão julgadora do evento constituiu-se pelos jurados Beth Dantas, Vinicius Jacob, Gesner Braga, Inês Silva, Cibele Carvalho, Valmick Brás entre outros. Os apresentadores foram Bagageryr Spilberg, Michelle Lorem e Jocimar Santos. O cantor Verciah da banda Muquirins realizaram o show de encerramento por volta das 22h30.

Foto de Felipe Martins.

De acordo com a organização o evento esse ano ganhou mais 5h e os shows passaram por uma qualificação utilizando elementos de dança moderna e corpo de balé fixo que acompanhou as apresentações. Esse evento foi dedicado aos 38 anos de fundação do GGB, próximo dia 28. O 21º Concurso de Fantasia LGBT do Carnaval de Salvador é uma realização conjunto do Bloco Vamos Nessa, Grupo Gay da Bahia, Quimbanda Dudu e Centro Baiano Anti-Aids e recebeu patrocínio da Prefeitura Municipal da Cidade do Salvador, através da Saltur.

 

Shows.

 

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