Entidades LGBTI cobram retratação pública de padre que atacou repórter com discurso homofóbico em missa.

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Se não houver retratação, o pároco poderá ser processado por crime de homofobia

Rio, 18/06/21 – Do Grupo Arco-íris . O Grupo Arco-Íris e a Aliança Nacional LGBTI+, duas entidades que atuam na promoção, proteção e defesa da comunidade LGBTI+ no Brasil, estão enviando uma notificação extrajudicial ao padre Paulo Antônio Muller, da Paróquia Nossa Senhora Aparecida, em Tapurah (MT), além da própria instituição religiosa, para que ele se retrate publicamente por seu discurso homofóbico. Durante uma missa, no último domingo (13/6), o pároco se referiu ao jornalista da TV Globo Erick Rianelli com palavras de baixo calão, por conta de um vídeo, de 2020, em que repórteres da emissora apareciam enviando mensagens às parceiras e parceiros pelo Dia dos Namorados. O vídeo em questão voltou a ser compartilhado na internet e foi do RJTV, telejornal transmitido no estado do Rio de Janeiro pela supracitada emissora.

Os ataques homofóbicos foram transmitidos nas redes sociais. As duas entidades pró-LGBTI+ pedem que o sacerdote se desculpe na missa do próximo domingo (20). Caso não ocorra a retratação pública, o padre Paulo Muller poderá ser processado por crime de homofobia, com base na Lei nº 7.716/1989 (Lei Antirracismo), que tem equiparação no enfrentamento contra homofobia.

“É inadmissível receber declaração de ódio, de homofobia sem reagir. Não admitiremos mais qualquer discurso de ódio contra pessoas LGBTI+. Não se pode confundir liberdade religiosa com incitação ao ódio e a violência. Encaminhamos a notificação extra judicial para que o padre se retrate na missa, ou será processado por crime de homofobia, conforme decisão do STF, que equiparou a LGBTIfobia ao crime de racismo. Amor se responde com amor, ódio e discriminação se respondem com a lei e a justiça”, declara Claudio Nascimento, presidente do Grupo Arco-Íris e Diretor de Políticas Públicas da Aliança Nacional LGBTI+.

Para o ativista católico e presidente da Aliança Nacional LGBTI+, Toni Reis “um padre deve representar um pensamento inclusivo, que está muito bem resolvido em Matheus, que é amar ao próximo como a ti mesmo, que é o segundo maior mandamento da Igreja e ele infelizmente ao usar o púlpito da Igreja, disseminando o ódio e a discriminação, desviou o papel de liderança religiosa, que é pregar o amor, a compreensão e a tolerância.”

“O fato de a Igreja Católica, assim como qualquer outra denominação religiosa, se opor ao matrimônio homoafetivo, não pode ser interpretado como uma espécie de licença para que um líder religioso dissemine ódio e preconceito contra a comunidade LGBTI+, tampouco faça uso da religião para justificar ou proferir ataques pessoais contra a honra de quem quer que seja. Essa notificação extrajudicial é uma tentativa de solucionarmos o problema pela via diplomática, sem precisar levá-lo à Justiça. O comportamento do padre é grave e lamentável, uma violação aos direitos humanos. Não é apenas sua opinião pessoal, porque na missa ele está representando a instituição na qual faz parte e transmite uma mensagem negativa e perigosa aos fiéis. Num país com elevados índices de agressões contra lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais, o sacerdote deveria seguir mais os ensinamentos de Cristo de paz e amor ao próximo”, opinou o advogado Carlos Nicodemos, do escritório Nicodemos & Nederstigt Advogados Associados, que representa o Grupo Arco-Íris e a Aliança Nacional LGBTI+.

Contatos

(21) 98351 – 8759 – Cláudio Nascimento

(41) 99602 – 8906 – Toni Reis

(21) 99635- 9388 – Carlos Nicodemos

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