17 de maio e o pioneirismo da Bahia no enfrentamento da LGBTfobia

Barraca Fure Orelha do GGB 1981 por ocasião da 33 Reunião Anual da SBPC / UFBA O inicio da luta EDITORIAL Marcelo Cerqueira, presidente Esse é um relato muito importante sobre a luta pelos direitos LGBT+ no Brasil e no mundo. A decisão da Organização Mundial da Saúde (OMS) em de 17 de maio de 1990 removeu a homossexualidade da lista de transtornos mentais foi uma ação muito significativa na vida dos LGBT+, ocidentais representando o reconhecimento fundamental da orientação sexual como uma variante natural da sexualidade humana, em vez de uma condição patológica. Esse fato por sua magnitude estendeu a cidadania homossexual no mundo inteiro, mesmo nos países conservadores, o movimento entendeu em marcar em todo o globo essa data como Dia Internacional de Combate a Lgbtfobia.Para marcar o dia de forma significativa todos podem realizar ou participar de algumas atividades que promovam o respeito, cuidado e que seja uma conexão com a comunidade LGBT+. Deve-se ter em mente que combater a homofobia é um esforço diário e necessário.Reflita: reserve um tempo para ler sobre o movimento LGBT+ e os desafios enfrentados pela comunidade; sobre o que é orientação sexual e identidade de gênero; o que é Lgbtfofobia estrutural; assista a documentários, séries ou filmes que abordam questões relacionadas à homotransfobia.Engaje-se nas redes sociais: Use seu perfil nas redes para divulgar sobre a enfrentamento às diversas formas de LGBTfobia, use #lgbt #17demaiocombatehomofobia #homofobiaecrime;Doe para a causa: considere fazer uma doação para uma instituição que atue em defesa dos direitos LGBT+;Crie uma arte: use a sua imaginação para criar arte, pintura, colagem, poesia, música e conteúdo para internet;Envolva-se: participe de eventos, paradas, ou junte todos amigos LGBT e vá dar um rolezinho no Shopping, sem tumulto, só chamando atenção para o dia.Abaixo-assinado nacional do GGB retirou os lgbt+ da condição de “desviados e transtornados sexuais” com a extinção da Classificação Internacional de Doenças seguido pelo Ministério da Saúde e INAMPSO Brasil, especialmente no contexto pós-golpe militar de 1964 e durante os anos 1970 e 1980 passava por mudanças políticas significativas em direção à democracia, levando à progressiva abertura política que permitiu o surgimento de uma multiplicidade de movimentos sociais em todo o país, cada um buscando promover mudanças e avanços em diferentes áreas da sociedade. Nesse contexto, em Salvador, vários grupos e organizações surgiram para enfrentar desafios específicos de suas pautas e lutar por direitos e justiça.O Olodum, fundado em 1979, é um exemplo icônico de um movimento social que emergiu nesse período, focado na valorização da cultura afro-brasileira e na luta contra o racismo e a discriminação racial. O GRUMAP, Grupo de Mulheres do Alto das Pombas, criado em 1982, foi outra iniciativa importante que visava promover os direitos das mulheres e combater a desigualdade de gênero.O Grupo Gay da Bahia (GGB), fundado em 1980 pelo antropólogo Luiz Mott desempenhou um papel crucial na luta pelos direitos LGBT+ e na promoção da aceitação e inclusão da comunidade gay na sociedade baiana e brasileira como um todo. 33 Reunião Anual SBPC / UFBA SALVADORO Grupo Gay da Bahia (GGB) desempenhou um papel decisivo na batalha pela despatologização da homossexualidade, extinguindo no Brasil o Código Internacional de Doenças (CID) da Organização Mundial de Saúde, que através do parágrafo 302.0 rotulava o “homossexualismo” como desvio e transtorno sexual. Através de significativas iniciativas, como apresentação de Moção na 33ª Reunião da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) que ocorreu em Salvador de 8 a 15 de julho nde 1981, no campus da Universidade Federal da Bahia (UFBA). Nessa época muitos setores da sociedade baiana eram conservadores e repudiavam a ousadia de os gays se organizarem para reivindicar direitos, que contribuiu para ampliar a conscientização e a aceitação da diversidade sexual no Brasil. Em agosta de 1981 no Boletim do GGB n.1 Mott descreve a instalação na SBPC da “barraca gay, o ponto mais badalado e concorrido de toda a reunião, onde furamos mais de 60 orelhas de homens que aderiram a nova moda introduzida pelos homossexuais , ainda uma grande novidade e tabu no Brasil, nossa estratégia anarquista de questionar a rigidez da divisão sexual da estética corporal. Os organizadores da Reunião disseram que haviam recebido diversas cartas anônimas ameaçando que ‘muito sangue iria correr’ caso permitissem a realização de atos públicos em defesa dos direitos dos homossexuais.” Até setembro do mesmo ano essa campanha contra o Parágrafo 303.0 já havia conseguido mais 4 mil assinaturas, chegando a 16 mil.Ainda havia então muito trabalho a ser feito para combater a discriminação e promover a igualdade de direitos para pessoas LGBT+, mas é inspirador ver como iniciativas como essas em uma época analógica ajudaram a mudar a mentalidade e combater o preconceito no Brasil.Essa histórica mobilização do GGB, incluindo a organização de um abaixo-assinado nacional e a entrega de três cartas sem resposta ao Ministro Jair Soares é reveladora do compromisso com a comunidade LGBT+ em combater a discriminação e promover a igualdade de direitos. A falta de resposta governamental imediata e a declaração do então Ministro à imprensa que não tinha uma opinião formada sobre o assunto, destacam os desafios vigentes que desafiavam a luta pelos direitos LGBT+ e a necessidade contínua de pressionar as autoridades para promover mudanças significativas na legislação e nas políticas públicas. Esses relatos históricos são importantes para lembrar o progresso alcançado na luta pelos direitos LGBT+ e também para inspirar novas gerações a continuarem lutando por justiça e igualdade para todos.A persistência e determinação do Grupo Gay da Bahia nessa campanha pela despatologização da homossexualidade são impressionantes, conseguindo o apoio não apenas indivíduos comuns, mas também figuras proeminentes da sociedade, destacando a importância crescente e o reconhecimento da causa LGBT. Quando finalmente o ministro respondeu à nossa quarta carta com resposta vazia “acusamos o recebimento e encaminhamos para o setor competente”, essa campanha já tinha recebido mais de 15 mil assinaturas, entre famosos como Raymundo Faoro (ex-presidente da OAB); os deputados João Baptista Breda e Geraldo A. Siqueira (PT/SP); os psicólogos Martha Suplicy e Theodoro