Bahia busca consolidação como destino gay-friendly

Salvador, Bahia, 8 de dezembro de 2018!
Resultados da pesquisa de demanda turística realizada pela Secretaria do Turismo do Estado (Setur) durante a 17ª Parada do Orgulho LGBT da Bahia foram avaliados junto com o Grupo Gay da Bahia (GGB). De acordo com o estudo, 15,6% do público do evento, realizado no mês de setembro, eram turistas.

Foto: Genilson Coutinho.
A pesquisa indica que a participação de turistas na Parada Gay da Bahia aumentou expressivamente desde 2013: passou de 4,4% para mais de 15%. “Essa informação reforça o potencial da Bahia para atração de visitantes LGBT e também nos ajuda a planejar melhor as ações da Setur voltadas para o segmento”, explica o secretário estadual do Turismo, José Alves.

Presidente do GGB, Marcelo Cerqueira destaca a qualidade e diversidade do evento. “A nossa riqueza, seja na música ou na dança, e a crescente participação são determinantes para que pessoas de fora da Bahia decidam comprar suas passagens para vir ao estado na Parada Gay”. Ainda segundo Cerqueira, soma-se a isso o permanente trabalho de atração de visitantes realizado pela Secretaria do Turismo da Bahia.

Outro dado relevante indicado pela pesquisa é que a Bahia é considerada um destino gay-friendly – amigável para o público LGBT – por 76% dos baianos e turistas que participaram da festa organizada pelo GGB.

Perfil do visitante – Em 2018, os principais emissores de visitantes nacionais para a Bahia no período do evento foram os estados de São Paulo, Amazonas, Sergipe, Alagoas, Minas Gerais, Paraíba e Rio Grande do Sul. Dentre estrangeiros estavam europeus da Itália, Alemanha e França.

Conforme o estudo, a maior fatia dos turistas participantes da Parada Gay de 2018 declarou renda entre R$ 2 mil e R$ 5 mil (62,8%) e gasto médio de cerca de R$ 1.300. Segundo a pesquisa, o tempo de permanência dos visitantes na capital baiana foi equivalente a 5,5 pernoites.

Hotéis, albergues e hostels foram os principais meios de hospedagem utilizados pelos turistas que participaram da Parada do Orgulho LGBT em 2018. Os serviços oferecidos pela rede hoteleira foram bem avaliados por 83% dos visitantes – mais de 50% avaliaram como ótimo.

O presidente do Grupo Gay da Bahia, que inicialmente não queria a pesquisa, ficou perplexo com o resultado positivo. “Fiquei impressionado com a analise dos dados feita pela Setur, eu sempre relaciono o valor de gasto em R$ 35,00 e eles encontraram muito mais valor por individuo.” disse Marcelo Cerqueira, presidente do GGB. Diante da pesquisa reveladora espera-se que o Governo Rui Costa seja mais sensível no apoio as questões LGBT, isso porque a Parada promove economia com cidadania.

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REGULAMENTO O USO DO NOME SOCIAL

Capturar

Resolução CME n.º 01-2018 – Regulamento o uso do nome social de travestis e transexuais nos registros escolares

DANILO BITENCOURT: Opinião – Mensagem à Raphaela: As palavras que não tive tempo de te dizer…

Legenda: Raphaela e Danilo, foto arquivo privado do autor.
Salvador, Bahia, 16/11/18 – Descobre-se estranho. Não por si. Mas pelo outro e doí. Ver em outros olhos, sua caricatura. Quem entenderia tamanha loucura? Acreditar ser o que realmente se quer ser. Não lhe o que está (im)posto; pois, se desperta desgosto, nosso caminho é seguir do lado oposto. Lado que incomoda. Atirou-me na cabeça. Fim de festa. Se não deu pra ir mais longe, fui só mais uma, apenas essa satisfeita, mas longe do sonho que carreguei. Quem dera fosse o amor o sentimento que despertei!

São palavras tristes e chorosas, num momento de perda, mas que me proponho a falar de amor. Amor como sentimento vivo que conhecemos no caminhar da amizade, no cotidiano das risadas, dos compromissos, da luta por uma sociedade que nos entendesse, que nos respeitasse e nos enxergasse como humanos. O ódio, a ausência de políticas afirmativas, a exclusão, a alta vulnerabilidade, tiraram do nosso convívio, a nossa Raphaela!

Conheci Rafa, como carinhosamente a chamava, em 2011, quando retornei a Vitória da Conquista para assumir meu concurso junto à Prefeitura de Vitória da
Conquista. Ela era a primeira transexual funcionária da Secretaria de Desenvolvimento Social, atuando junto com o Programa Bolsa Família. Sua feminilidade, seu jeito sorridente, sua pele de jambo se destacavam naquele enorme salão. Foi ali que começou uma amizade e uma história de luta. Junto com Rafa, construímos a Assessoria de Diversidade Sexual, órgão que hoje é uma Coordenação de Políticas de Promoção da Cidadania e Direitos de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais.

De lá para cá, foram anos de luta para combater essa cultura bastante sexista, de negar ao outro a condição de sujeito de direito. A Prefeitura, na então
gestão do Prefeito Guilherme Menezes, alçou voos de reconhecimento nessa luta. E Rafa estava sempre lá comigo. Realizamos juntos duas conferências territoriais de Direitos LGBT; preparamos uma campanha publicitária para combater o estigma e o preconceito da sociedade em relação às travestis e transexuais, se tornando a primeira prefeitura da Bahia, entre os 417 municípios, a realizar uma ação comemorativa ao Dia Nacional de Visibilidade Trans.

Com Rafa, e sua luta junto às travestis e transexuais de nossa cidade, nos tornamos a terceira cidade do Estado a possuir decreto-lei que garante o uso do nome social de travestis e transexuais nos serviços prestados por qualquer órgão da Administração Pública Municipal Direta, Indireta, Autarquias, Fundações e nas instituições públicas de ensino.

Depois dessa experiência com Rafa junto da governabilidade municipal, vi Rafa se reconhecer como militante e defensora dos direitos humanos. Terminou seu contrato com a Prefeitura, foi fazer Serviço Social e se engajou na sua própria luta. Com nosso apoio institucional, fundou o Coletivo Finas pela Diversidade
Sexual, cuja finalidade principal foi agregar o maior número de pessoas, independente de sexo, orientação sexual, etnia, credo, convicções filosóficas,
condição social, para defender e promover o direito à liberdade da orientação sexual de lésbicas, gays, bissexuais, travestis, homens e mulheres transexuais.
Tornou-se a primeira presidente do Coletivo e daí não parou. Levou o movimento LGBT de Conquista a ter visibilidade e assumiu a cadeira de representante das travestis e transexuais da Bahia no Conselho Estadual LGBT.

É essa Rafa que eu conheço. Não a que foi morta pela sociedade discriminatória e que não tem uma política adequada sobre drogas. Não quero a imagem da Rafa que, por inúmeros motivos, encontrou no uso e no tráfico, um alento e um respeito. Sabemos que o contexto do uso de drogas aparece desafiador para a saúde pública brasileira. Ao relacioná-lo com a população de travestis, faz-se necessário uma sistematização singular, pela vulnerabilidade característica desse segmento.

O uso de drogas se associa principalmente ao momento de saída da casa dos familiares, conforme ressalta as principais etnografias sobre travestis brasileiras. A situação das drogas já enquadra por si só uma complexidade de fatores que implicam em ações educativas, sociais, políticas, de segurança pública e de saúde. Quando somamos a essa complexidade as especificidades travestis, temos uma nova equação, também desafiadora.

Entre os desafios está a dimensão ideológica, que nos leva a pensar que a forma como dizemos e fazemos as práticas de prevenção e intervenção estão
longe de ser neutras e devem estar atentas ao contexto histórico e social da pessoa que faz uso indevido de drogas. E junto ao contexto histórico, há a importância em associar a dimensão ética reconhecendo os indivíduos em sua pluralidade, ou seja, evitando que julgamentos morais e familiares de certo e errado mascarem as ações e afastem o usuário de uma possível postura colaborativa.

No entanto, é fundamental que uma política integrada seja desenvolvida, para aumentar os repertórios de existência dessas pessoas, em termos de
educação, saúde e trabalho historicamente restringidos. O uso de drogas nos espaços de sociabilidade trans deve ser compreendido como um
potencializador da vulnerabilidade notória dessa população. Mas ligar drogas-travestis-prostituição seria favorecer o preconceito já marcado
o grupo. O que se enseja, portanto, é evidenciar o contexto bem como a precariedade das relações e das redes de proteção às travestis e transexuais para, então, considerar formas de minimizar os danos. Os resultados também vão ao encontro da Política Nacional e Estadual sobre Drogas, evidenciando a amplitude de ações que precisam ser demarcadas como a prevenção e atenção aos fatores de risco e proteção.

Por isso, nosso apelo é que Rafa não se torne mais um corpo estendido no chão. Revela-se aqui, mais uma vez, principalmente nas execuções de
travestis, a evocação de uma imagem da desordem urbana, em que a sexualidade aparece conectado à pobreza, ao tráfico e às favelas. Bandos que atacam carros, assaltam moradores, provocam arruaças. Embora sob protestos de alguns agentes da lei, travestis acabam sendo assassinadas sem que muito
se faça para esclarecer o caso.

Hoje foi Rafa. Mas os casos de execução chamam a atenção para a presença de diferentes hierarquias sociais no universo LGBT e, com isso, para a diversidade e complexidade das práticas LGBTfóbicas. Nesses casos, há uma clara confluência entre hierarquia de classe e gênero, já que as vítimas são normalmente travestis ou homossexuais pobres, envolvidos com prostituição ou moradores de bairros periféricos, que carregam o peso mais estigmatizante
da homossexualidade.

A indiferença policial na apuração da maior parte desses crimes parece encontrar eco nas representações negativas de travestis como homossexuais especialmente desajustados, de modo que sua morte, em geral em idade bem inferior do que a das vítimas de latrocínio, tende a ser tomada por policiais
como consequência de um modo de vida constantemente próximo da ilegalidade e que é recebida com poucas pressões, sobretudo familiares, por
sua apuração e por justiça.

O que se deve ter em mente, constantemente, é que a ideia fundadora de direitos humanos remete de imediato ao princípio fundamental de que todas as
pessoas possuem dignidade, inerente a sua condição humana que, independente de sexo, identidade de gênero, condição de saúde, raça, cor, língua, nacionalidade, idade, convicções sociais, religiosas, políticas,n preferências sexuais, todos e todas estariam igualmente habilitados a gozar
desses direitos.

Faltará tinta no dia que o céu for livre pra todos serem o que são. Cobertos pelo sol, sem nenhum tipo de opressão. Faltarão nomes pra descrever o mundo sem as misérias. O que sentimos, o que nos tornamos. O novo ser sem medo de viver. Faltará a falta que nos entristece que hoje enche o peito de vazio e fumaça. Mas digo, que com sua vida de luta, seu sorriso marcado em nosso coração, querida Rafa, não faltará amor, não faltará sonhos. O novo mundo se abrirá para o futuro, onde o presente dominará o passado e nossos corações enfim serão salvos. A você, Rafa, que nasceu pra ser sujeito, escolheu, decidiu, quis ser você mesma, um descanso eterno. A nós, lutar sempre. Somos guerreiras sobreviventes de mais um dia, no campo de batalha. Da vida. Do corpo. Da
alma. Ninguém solta a mão de ninguém.

Com saudades, Danillo Bitencourt.

Por Danillo Bittencourt
Mestrando em Relações Étnicas e Contemporaneidade – UESB
Pós-graduando em Direitos Humanos e Contemporaneidade – UFBA
Graduando em Pedagogia – UNIT
Bacharel em Comunicação Social – UESB

BOLSONARO DEFENDE PENA MAIOR PARA QUEM AGREDIR LGBTs: O momento pede calma, solidariedade e atenção redobrada!

Salvador, Bahia, terça-feira, 30 de outubro de 2018. O Grupo Gay da Bahia (GGB), através do seu presidente Marcelo Cerqueira, passadas as eleições do segundo turno no Brasil, considera e orienta a população LGBT para acalmar os ânimos e atenção redobrada, por vários motivos, dentre ele a manutenção da paz e a vida acima de tudo para nós que integramos a população LGBT.

Consideramos que pela sensibilidade do momento atual precisamos acalmar os ânimos, redobramos o cuidado e a atenção em relação as agressões LGBTfobicas associadas ao presidente eleito Jair Bolsonaro. O presidente eleito no último dia 28 de outubro, falou com exclusividade aos jornalistas Bonner e Renata Vasconcelos do Jornal Nacional da Rede globo de Televisão no dia 29, segunda-feira.

Respondendo a jornalista o presidente eleito disse como vai tratar os crimes de violação de direitos, especialmente violações contra pessoas LGBTs. O presidente declarou que esses crimes serão tratados com vigor constitucional e normativo que temos a disposição da nossa arquitetura jurídica.

Portanto, pensamos que superadas, as eleições, devemos nos apoiar e quando atingidos com práticas de ódio ou qualquer tipo de violência devemos denunciar e buscar nossos direitos junto aos Órgãos Públicos de Defesa dos Direitos Humanos constituídos. Cobrar o cumprimento da Lei e da Constituição, inclusive ele defendeu isso.

Resolvi divulgar esse vídeo para que todos tenham conhecimento do seu teor, sobretudo para aqueles que estão praticando todo tipo de discriminação e violência seja por orientação sexual, por ser negr@, mulher, ou nordestin@s.

Espero que o Presidente eleito apoie a criminalização da LGBTfobia no Brasil.
O vídeo que apresentamos aqui foi editado pelo GGB priorizando a resposta concreta e o comunicado a nação brasileira. Por favor, veja a entrevista completa dos jornalistas William Bonner e Renata Vasconcelos do Jornal Nacional da Rede Globo de Televisão pode ser apreciada na sua integra clicando aqui! https://www.youtube.com/watch?v=9v3-SvXptAU

Em entrevista ao JN prometeu respeitar a constituição

Vídeo completoAqui

Viva a vida ou Viva la muerte? Depende do teu voto!

 

Luiz Mott, Marcelo Cerqueira & Penildon Silva Filho! Salvador, sábado, 27/10/18.

“Viva la muerte!”, berrou um general fascista na Universidade de Salamanca, durante a Guerra Civil Espanhola (1936-1939), conflito que em três anos, provocou a morte de mais de 600 mil pessoas. Quem aplaude ou defende a morte, comete pecado mortal contra o 5º Mandamento da Lei de Deus, “não matar”!

Na contra mão da História e afrontando o princípio pétreo dos direitos humanos e constituições do mundo inteiro, o direito à vida é desprezado por um candidato a presidente no Brasil dos dias atuais. Eis que milhões de brasileiros, alegando não suportar mais a violência e desiludidos com a política, ameaçam entregar o comando do Brasil a um fascista confesso, que entre muitos outros absurdos, declarou: “o Brasil só vai melhorar quando nós partirmos para uma guerra civil aqui dentro, fazendo o trabalho que o regime militar não fez: matando uns 30 mil. Se vai (sic) morrer alguns inocentes, tudo bem, tudo quanto é guerra morre inocente”.

Tentativa de homicídio é contravenção penal gravíssima, fazer apologia de genocídio é crime de lesa humanidade e quem vota num aspirante a ditador, torna-se cúmplice desse perigoso desequilibrado que ameaçou fuzilar os adversários políticos. O candidato fascista, em seu último comício na Avenida Paulista, prometeu aos opositores cadeia ou exílio, e neste momento crucial temos de decidir entre a vida ou a morte da nossa comunidade LGBT, representada por mais de 20 milhões de brasileiras e brasileiros agressivamente ameaçados por esse raivoso homófobo. Por isso, o Decano do Movimento LGBT Brasileiro e o Presidente do Grupo Gay da Bahia, que há uma década denunciam a homofobia de Jair Bolsonaro, declaram com toda força e convicção: votar no inimigo declarado dos negros, mulheres, LGBT, índios, é mais do que gritar “viva la muerte!”. É ser cúmplice da morte física e civil de todos nós! Não há outra solução: Haddad presidente!

Desde o processo de redemocratização, o Brasil avançou muito, reconquistando as liberdades democráticas contra um ditadura corrupta, que aumentou a desigualdade e a miséria em nosso país. Em 1988 promulgamos a Construção Federal que foi a mais avançada em nossa História e a qual precisamos defender para garantir direitos humanos e políticas sociais antes impensáveis, como o Sistema Único de Saúde, a Educação Pública, universal e gratuita e a Seguridade Social. Na década de 1990 conquistamos a estabilização monetária e nos anos 2000 aceleramos o crescimento econômico, a diminuição das desigualdades e da pobreza extrema e a ampliação de direitos humanos.

O governo Temer, senpre com o apoio de Bolsonaro, congelou os investimentos sociais em 20 anos, aprovou a reforma trabalhista e a terceirização desenfreada que retira direitos, e doou as reservas do pré Sal para as petroleiras estrangeiras.

Agora, além da perda de direitos, Bolsonaro quer radicalizar esse retrocesso de Temer com um regime ditatorial claramente homofóbico, misógino e racista. Seus apoiadores constituíram milícias que já estão aumentando a violência pelo Brasil inteiro, violência que ele disse que combateria, estimulando a violência política e dando uma amostra do que será o seu governo fascista: mais arrocho de salário e retirada de direitos, doação de patrimônio nacional às empresas estrangeiras e uma brutal repressão a nós, comunidade LGBT, mulheres, negros, nordestinos, participantes dos movimentos sociais, indigenas, do campo. Partiu dele a afirmação de que “as minorias se adequam ou desaparecem!”. E ninguém poderá dizer que não sabia, pois as ameaças foram feitas pessoalmente pelo próprio candidato fascista, em muitos vídeos.

Por isso pedimos o voto em HADDAD -13, que defende as pautas dos nossos movimentos sociais e cujo programa de governo aponta esse compromisso com a comunidade LGBT. Com Haddad teremos espaço para diálogo e um regime político que propiciará nossa existência e a nossa atuação, inclusive crítica e contestatória.

 Bolsonaro tá chegando, “corra você que  é viado”: adolescentes debocham de LGBT em vídeo.

 

Salvador, Bahia, quarta-feira, 10 de outubro de 2018, ás 09h00 – Do GGB

Está circulando nas redes sociais um vídeo com três adolescentes negros reproduzindo conteúdo LGBTfóbico, claramente  estimulados pelas idéias preconceituosas do candidato Bolsonaro, já que citam o nome do candidato a presidente do Brasil. O deboche dos adolescentes é preocupante e revelador de extremo preconceito, o que não ajuda na consolidação dos direitos humanos e da democracia no país.

 

O vídeo intitulado “Corra você que é viado” , no estilo hip hop, gravado na laje de uma casa de periferia, diz num dos trechos: “Bolsonaro tá chegando, vou lançar mais um recado, corra você que é viado” e na sequência um outro adolescente corre como se fosse “viado” ensaiando alguns passos de dança. As ofensas não param por aí: “ Bolsonaro tá chegando, vou lançar mais uma onda. Corra você sapatona, corra você sapatona”, o mesmo adolescente segue correndo como se fosse uma “sapatona”.

O Grupo Gay da Bahia (GGB)  lança um alerta aos  LGBT denunciando que tal vídeo faz parte de uma série de recentes manifestações LGBTfóbicas que agridem nosso segmento , seja fisicamente, seja espalhando o pânico e ódio contra nossa população, daí a necessidade urgente de nos prevenir e respondermos coletivamente contra tais ameaças. Estima-se que a comuidade LGBT representa cerca de 10% da população brasileira, mais 20 milhões de  sub-cidadãos que têm servido como bode expiatório e moeda de troca por políticos irresponsáveis. Muitas travestis, lésbicas e gays que já foram alvo  ou presenciaram tais ameaças ou agressões estão sofrendo de verdadeira síndrome do pânico, daí a urgência de conversarem e abrir negociação com os seus familiares para que unidos evitem se tornar a próxima vítima.

Segundo Marcelo Cerqueira, “após 38 anos de ativismo do GGB, fundado por Luiz Mott em 1980, nos deparamos face a essa situação atual extremamente tensa e preocupante, sofrendo esse crescente desrespeito aterrorizante e destrutivo, que destrói os laços de amizade nas comunidades e quebra o “contrato social” que deve nortear as normas de convivência.”

Ainda de acordo com o Grupo Gay da Bahia (GGB), o vídeo é preocupante especialmente em relação a má influência na (de)formação dos adolescentes. Existem duas hipóteses sobre a raiz dessa intolerância aos “viados e sapatonas”: ou tais jovens estariam o reproduzindo o que ouviram nas ruas ou nas mensagens preconceituosas de políticos ostensivamente homofóbicos, ou pior ainda, teriam  eles próprios desenvolvido discurso tão anti-social, e divulgando nas redes sociais estimulados pela cultura do ódio contra os LGBT, significando que já foram gravemente contaminados  pelo LGBTfobia cultural .

“Corra viado, corra sapatona” dá entender que se o LGBT ficar na presença do citado candidato, o mesmo que disse “prefiro meu filho morto do que gay”, corre-se risco de ser espancado ou perder a vida.

Os adolescente usam os termos xulos “viado e sapatona”sem nenhum constrangimento, expressões considerados estigmatizantes pelos LGBTs. O GGB respeitando o Estatuto da Criança e do Adolescente colocou tarja no rosto dos adolescentes preservando a imagem dos dois que aparecem no vídeo. Não existe no vídeo a possibilidade de poder identificar o local onde ocorreu a gravação, mas é em cima de uma laje de uma residência familiar, em algum lugar do Brasil. Curioso eles fazerem essa analogia com o candidato do (PSL).

Assista o vídeo.

 

Obras de arte com tema LGBT do artista Luiz Antônio Senna são destruídas por vândalos no centro de Salvador.

 

Salvador, Bahia, quarta-feira,3 de outubro de 2018, ás 21h00/ GGB

“O beijo” Rua Senador Costa Pinto, Bar Âncora. 

Batizada de “Só Amor” a exposição de arte urbana do artista baiano Luiz Antônio Senna Jr, acabou despertando o ódio de vândalos homofóbicos que destruíram todas as peças produzidas pelo artista, supostamente na tarde de terça-feira no centro da cidade, um dia após exposição ter sido inaugurada.

De acordo com o artista a exposição que usa técnica de fotografia lambe lambe impressa em papel alvura monocromado possui três quatros com doze imagens todas usam motivos homoafetivos mostrando casais LGBT em momentos de carinhos e afeto revelados no abraço, o beijo e as mão dadas. O trabalho tem finalidade estimular a utilização dos espaços públicos de identidade e diversidade nas grandes cidades, ao exemplo de Salvador.

As imagens foram reproduzidas nos tamanhos que variam de 1,90X0,95cm até 4,0X6,0mt e foram coladas em muros distribuídos pelas Ruas Chile, Carlos Gomes e Senador Costa Pinto, uma obra de 3,0X3,0mt intitulada “O beijo”, foi fixada em um muro ao lado do Bar Âncora do Marujo, Senador Costa Pinto, esta foi uma das obras destruída, pela altura o vândalo teve de se esforçar para dilacerar a parte do beijo, o que revela uma ação odiosa.

O artista identificou que o vandalismo se deu justamente em pontos afetivos das obras, que são os temas do trabalho, beijo, abraço e mãos dadas. “Não tenho dúvida que isso foi uma ação de homofobia, revelada, especialmente pelos pontos atingidos, essas imagens que são limpas, não possuem cunho erótico, acabaram despertando essa raiva contra nós e nossa arte urbana”, revelou Luiz Antônio Senna Jr, indignado com a destruição de suas peças, ainda, por seu auto retrato ter sido assinado pelo vândalo com a expressão “Só bala”. O artista adiantou que vai registrar Boletim de Ocorrência Policial e ainda vai apresentar Denúncia ao Ministério Público da Bahia/GEDEM/LGBT para que providências sejam tomadas em relação ao crime homofóbico.

O presidente do GGB Marcelo Cerqueira acredita que a expressão “Só bala” é muito preocupante. “Isso não é um recado somente para o artista, mas para toda a comunidade LGBT de Salvador e da Bahia. A LGBTfobia ao que parece está virando a norma na perseguição aos artistas e as artes LGBTs, precisamos sair do discurso das redes sociais e ocupar os territórios de identidades nas cidades”, disse Marcelo Cerqueira, informando que o simples ato de um casal LGBT andar de mãos dadas não deve ser motivo de nenhum constrangimento para ninguém.

As peças destruídas fazem parte de um projeto que reúne, artes plásticas, música e teatro em espaços de circulação de pessoas na cidade. O projeto foi vencedor do edital “Arte Todo Dia” da Fundação Gregório de Matos da Prefeitura do Salvador.

Luiz Antônio Senna Jr, “Só a raiva contra as artes LGBT justifica esse absurdo”. 

 

Confira as imagens danificadas.

 

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