Conversas que Conquistam

“Conversas que Conquistam”: Marcelo Cerqueira lança guia de comunicação política ancorado no poder das histórias Em tempos de saturação informacional e eleitores cada vez mais críticos, o historiador e jornalista Marcelo Cerqueira apresenta “Conversas que Conquistam: como dialogar e engajar eleitores de forma eficaz” – um guia prático para candidatos, assessores políticos e lideranças comunitárias que querem ir além dos números e alcançar o que realmente move decisões: as histórias.“A política nasce do encontro entre pessoas. Antes dos discursos, das propostas e das estratégias eleitorais, existe algo essencial: a capacidade de estabelecer diálogos verdadeiros e construir relações de confiança”, afirma o autor.A obra parte de um princípio simples e comprovado pela neurociência: o cérebro humano absorve histórias com muito mais facilidade do que números. Com base nessa premissa, Cerqueira defende que o candidato precisa se apropriar do método do storytelling – uma abordagem de comunicação que une história (history) e storytelling para criar narrativas que o eleitor não esquece.“O candidato precisa dominar o storytelling: contar sua trajetória, seus valores e suas propostas de forma que o eleitor se veja naquela história. É sobre criar identificação, não apenas informar”, explica Marcelo Cerqueira.Ao longo dos capítulos, o leitor percorre os desafios reais de uma campanha: da decisão de construir uma candidatura à escolha de um projeto político coerente, passando pela organização da base de apoio e pelo desenvolvimento de uma comunicação que transforma ideias em mobilização.Com ferramentas práticas, o livro ensina a:Conhecer o eleitor- além dos dados demográficos, suas dores, sonhos e repertório cultural;Elaborar mensagens claras – que conectem propostas à vida real de quem ouve;Fortalecer a presença nas redes sociais – sem perder a autenticidade do contato humano;Valorizar o porta a porta – resgatando a potência histórica do encontro presencial como estratégia de vínculo.“Em uma sociedade marcada pelo excesso de informações e por eleitores cada vez mais atentos, apenas falar já não é suficiente. É preciso saber ouvir, compreender necessidades, reconhecer histórias e criar conexões reais. O eleitor contemporâneo busca representantes capazes de dialogar com sua realidade, suas dificuldades e seus sonhos”, completa Cerqueira. Clube de Autores https://clubedeautores.com.br/livro/conversas-que-conquistam
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Grupo Gay da Bahia A BIOPOLÍTICA DO ORGULHO: POR QUE RESSIGNIFICAR É UM ATO DE SOBREVIVÊNCIA Manifesto sobre a transmutação da vergonha em soberania política e saúde coletiva – 28 de junho de 2026 1. A Transmutação do Léxico: Da Soberba à Soberania Neste 28 de junho de 2026, o Grupo Gay da Bahia (GGB) convoca a sociedade a uma reflexão profunda sobre a semântica da nossa existência. Historicamente, a palavra “orgulho” foi capturada pelo léxico moral e religioso, sendo confinada à categoria da soberba, do pecado e da arrogância. No entanto, para as populações LGBT+, a ressignificação deste termo não foi um exercício de vaidade, mas uma estratégia biopolítica de sobrevivência. Onde o sistema de opressão, estruturado pelo racismo e pela LGBTfobia, impunha a vergonha como ferramenta de controle, silenciamento e produção de morte, nós erguemos o orgulho como o antídoto clínico fundamental. A vergonha é o principal dispositivo da necropolítica; ela desarticula os laços comunitários e induz ao autoextermínio simbólico e físico. Ressignificar o orgulho é, em última análise, um ato de soberania política. Enquanto a vergonha opera como um dispositivo de adoecimento mental e isolamento social, o orgulho atua como um escudo de proteção psicossocial. Ele retira o sujeito da condição de “patologia” e o reposiciona como um cidadão pleno. Como bem assevera o antropólogo e fundador do GGB, Luiz Mott, em sua trajetória decolonial: “Não é crime ser homossexual, não é pecado e não é doença. É somente o preconceito”. Para Mott, a afirmação da identidade é o primeiro passo para a desconstrução das estruturas de poder que tentam nos apagar através do epistemicídio e da marginalização. 2. O GGB como Sentinela das Liberdades e a Ciência da Resistência A trajetória do GGB é o testemunho vivo desta ressignificação. Desde a nossa fundação em 1980, atuamos como a sentinela das liberdades no Brasil. O marco de 1985, quando lideramos o movimento que forçou o Conselho Federal de Medicina a retirar a homossexualidade do rol de patologias, foi a materialização política desse orgulho. Ao despatologizar nossos corpos, o GGB não apenas alterou um código médico; ele devolveu a soberania psíquica a milhões de brasileiros. A resistência que operamos não é meramente reativa, ela é fundamentada em uma ciência da resistência. Luiz Mott reforça a necessidade de olhar para trás para caminhar adiante: “Nossa ancestralidade é a prova de que sobrevivemos a todos os projetos de extermínio. A história da homossexualidade cala a boca dos ignorantes, pois mostra que sempre estivemos aqui, construindo civilizações, artes e saberes”. Esta perspectiva de Intelectual Orgânico nos permite entender que o orgulho é uma tecnologia ancestral de preservação da vida, transmitida por aqueles que, antes de nós, recusaram o armário como destino. 4. Orgulho como Estratégia Interseccional de Saúde Coletiva Para um ativista de Saúde Coletiva, o orgulho é um determinante social de saúde de primeira ordem. Uma comunidade que se orgulha de sua trajetória é uma comunidade que se cuida, que ocupa espaços de controle social e que exige políticas públicas estruturantes. Este orgulho é indissociável da luta antirracista; ele reconhece que a vulnerabilidade é acentuada pelo racismo estrutural, que impõe às pessoas LGBT+ negras uma dupla camada de exclusão. A emancipação só é possível através da interseccionalidade ativa. Não há saúde coletiva sem o enfrentamento da LGBTfobia, assim como não há orgulho pleno sem a erradicação do racismo. Como pontua Luiz Mott: “A nossa luta é uma só: pelo direito de ser, existir e amar sem o peso da opressão científica ou religiosa”. O orgulho, portanto, é a nossa maior tecnologia de resistência. Ele é a recusa definitiva de morrer de vergonha e a afirmação inegociável do direito à vida. Em 2026, continuamos em marcha, transformando o estigma em dignidade, a exclusão em poder político e a ciência em ferramenta de libertação. 5. O Legado de Luiz Mott: Intelectualidade Orgânica e Vanguarda Global A trajetória do GGB é indissociável da obra de Luiz Mott, um intelectual orgânico cuja visão antecipou em décadas os debates contemporâneos sobre interseccionalidade e direitos civis. Mott não apenas fundou uma organização em 1980, em plena ditadura militar; ele fundou uma nova forma de pensar a brasilidade. Sua atuação na SBPC (Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência) entre 1981 e 1985 foi um exercício de desobediência epistemológica, desafiando a medicina a abandonar o estigma. Como Mott frequentemente assevera: “O GGB não é apenas um grupo de pressão, é uma usina de produção de novos sentidos para a vida humana. Nossa luta é para que o amor deixe de ser um caso de polícia ou de psiquiatria e passe a ser um valor civilizatório fundamental”. Sua obra, que mapeia a inquisição e a resistência homossexual desde o período colonial, posiciona o Brasil no centro do debate global sobre direitos humanos. Mott compreendeu, antes de muitos, que a saúde pública para a população LGBT+ começa com a derrubada dos muros do armário, que ele define como “a mais insalubre das prisões”. 6. Geografia do Cuidado: Salvador, Periferias e a Rede de Proteção A atuação do GGB em Salvador, a “Roma Negra” exige uma análise territorial profunda. A nossa sede não é apenas um endereço administrativo, mas o epicentro de uma geografia do cuidado que se estende às periferias mais vulnerabilizadas. O Centro de Referência LGBT Vida Bruno e o Observatório de Mortes Violentas de LGBT+ no Brasil operam como nós vitais de uma rede de proteção à vida que desafia a omissão da sociedade. O Observatório cumpre a função técnica de transformar a dor em dado político, combatendo a invisibilidade que precede o extermínio. Nas periferias de Salvador, onde o racismo institucional e a LGBTfobia se cruzam de forma letal, o GGB atua na base, promovendo a vigilância em saúde e o acolhimento psicossocial. Entendemos que a vulnerabilidade não é inerente aos nossos corpos, mas produzida por um território que nos nega o acesso à cidade. O Centro Vida Bruno, ao oferecer suporte jurídico e técnico, inverte a lógica da violência, transformando o trauma em articulação
Que Orgulho é Esse?

A Biopolítica do Orgulho: Por que Ressignificar é um Ato de Sobrevivência Por: Redação Historicamente, fomos ensinados que o “orgulho” habita o território do pecado. No léxico moral e religioso, ele é a soberba, a arrogância, o sentir-se superior. Mas para nós, populações LGBT+, ressignificar essa palavra nunca foi um exercício de vaidade. Foi, e continua sendo, uma estratégia biopolítica de sobrevivência. No contexto em que vivemos, a ressignificação do Orgulho é uma das maiores disputas de narrativa da história contemporânea. Onde o sistema de opressão, estruturado pelo racismo e pela LGBTfobia, tentou nos impor a vergonha como ferramenta de controle e silenciamento, nós erguemos o orgulho como o nosso antídoto clínico fundamental. O Escudo contra a Vergonha Ressignificar o orgulho é, em última análise, um ato de soberania. Enquanto a vergonha opera como um dispositivo de adoecimento mental e isolamento social, o orgulho atua como um escudo de proteção. Ele retira o sujeito da condição de “patologia” e o reposiciona como um cidadão pleno. Como bem assevera o antropólogo e nosso fundador, Luiz Mott: “Não é crime ser homossexual, não é pecado e não é doença. É somente o preconceito. A história da homossexualidade cala a boca dos ignorantes.” Para Mott, a afirmação da identidade é o primeiro passo para implodir as estruturas de poder que tentam nos apagar. O GGB, como sentinela das liberdades desde 1980, materializa esse orgulho em dados, através do nosso Observatório, e em acolhimento real no Centro Vida Bruno. Em 2026, o orgulho permanece como nossa maior tecnologia de resistência: a recusa definitiva de morrer de vergonha para viver de dignidade. A Genealogia da nossa Resistência O Antídoto à Vergonha. O racismo estrutural e a LGBTfobia adoecem através do isolamento. Como dizia a ativista Brenda Howard: “O oposto da vergonha não é a modéstia, é o orgulho”. Não queremos ser “melhores que os outros”, queremos apenas recusar a vergonha que nos foi designada. De Patologia a Identidade Política. Em 1985, quando o GGB lutou pela despatologização, estávamos retirando o orgulho do campo do “desvio mental” para colocá-lo no campo da dignidade. Uma pessoa com Orgulho LGBT+ é, antes de tudo, alguém que sobreviveu ao apagamento planejado. A Estética da Resistência. Nossa aposta em linguagens como a Pop Art reflete essa mudança. Pegamos o que foi marginalizado e o elevamos ao status de arte e celebração. O orgulho é a consciência política de que nossa existência não é apenas legítima, ela é necessária.
O Antígeno do Estigma

O Antígeno do Estigma: Como o Orgulho LGBT+ Redefiniu a Saúde Pública Marcelo Cerqueira, presidente do Grupo Gay da Bahia Em 1969, o Estado não regulava as populações dissidentes apenas por meio do cassetete policial. Ele o fazia, fundamentalmente, por meio do aparato médico-psiquiátrico. Ser homossexual ou transgressor de gênero era, por definição legal e científica, carregar um diagnóstico de perturbação mental (o antigo CID 302 e equivalentes). O corpo dissidente era um território ocupado pelo diagnóstico, pela vigilância sanitária e pela higienização social. Stonewall não foi só reação à brutalidade policial; foi uma insurreição contra a patologização da existência.Naquela noite de verão em Nova York, quando travestis negras, drag queens latinas, trabalhadores sexuais e jovens da periferia decidiram revidar, eles estavam operando a mais radical estratégia de Redução de Danos jamais vista. Naquele momento, a história que vem de baixo começava a ser escrita com sangue, suor, lágrimas e a coragem necessária para sustentar a recusa coletiva de permitir que o Estado amparado na medicina hegemônica decidissem quem tinha o direito de viver ou morrer.O confronto foi um manifesto coletivo, escrito na pele de cada um, provando que a sobrevivência e as condições de bem-estar são as métricas absolutamente primárias da saúde pública. A saúde coletiva frequentemente tratou a prevenção e o cuidado como pacotes técnicos que descem de gabinetes climatizados, sem nunca ouvir as populações vulneráveis. Stonewall inverte essa lógica. Foi a partir da revolta que surgiu o entendimento clínico e a comprovação de que o saber sobre a sobrevivência nasce da calçada, do asfalto quente e da vivência comunitária.Dessa luta, que teve início em um bar no Greenwich Village, para as ruas, foi um passo. No ano seguinte, em 28 de junho de 1970, aconteceu a Marcha do Dia da Libertação na cidade de Nova York, concentrando-se no Village – onde se deu a vitória histórica – e marchando até o Central Park.Os principais slogans e gritos eram recados diretos para a sociedade americana. “Gay is good” (Ser gay é bom), criado pelo ativista Frank Kameny, inspirou-se diretamente no movimento “Black is Beautiful”, que confrontava o racismo da época. Na primeira Parada do mundo, os participantes bradavam: “Say it clear, say it loud: Gay is good, gay is proud!” (Diga claramente, diga alto: ser gay é bom, ser gay é orgulho!). Eram milhares de pessoas diversas ocupando o asfalto, refutando estigmas e afirmando sua dignidade. Arte bar Stonewall, NYCEsse protesto fez com que a alforria médica chegasse em três anos. Em 15 de dezembro de 1973, a melhor comemoração de Natal da nossa história se concretizou quando a Associação Americana de Psiquiatria (APA) elevou a homossexualidade à categoria de orientação sexual, retirando-a do rol de patologias. Em seguida, a Associação Americana de Psicologia (APA) endossou a decisão, aprovando uma resolução que baniu oficialmente a homossexualidade da lista de transtornos mentais em 1975.Quem liderou a revolta não foram os homossexuais que buscavam assimilação; foram os corpos e corpas que transitavam na interseção aguda da vulnerabilidade social -incluindo raça, cor, território e dissidência de gênero. Sylvia Rivera e Marsha P. Johnson não lutavam apenas pelo direito de frequentar um bar; lutavam pelo direito de ocupar o espaço público, por alimentação, trabalho, pela própria vida (para não serem assassinadas) e por uma rede de apoio mútuo – o que hoje compreendemos como determinantes sociais da saúde.O dia 28 de junho, portanto, é o marco de uma epistemologia de sobrevivência. É a data em que a periferia existencial do mundo desenhou, com pedras e barricadas, o rascunho de uma saúde pública que não oprime, mas liberta. No Brasil, em 1984, a nossa alforria aconteceu pela determinação do professor Luiz Mott que, ao mobilizar 17 mil assinaturas e obter o apoio da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), fez o Conselho Federal de Medicina (CFM) tornar sem efeito o diagnóstico correspondente ao CID 302- antecipando-se à própria OMS na maior vitória política e sanitária do nosso movimento.Se a LGBTfobia estrutural e o racismo são patógenos sociais que produzem adoecimento mental, isolamento, depressão e morte, o Orgulho é o antígeno. O Orgulho, nesta interpretação, não é um sentimento de vaidade ou uma celebração vazia; ele é uma tecnologia de imunidade social. Quando um corpo dissidente se recusa a se envergonhar de sua própria biologia e de sua identidade, ele interrompe o ciclo de adoecimento psicossomático imposto pelo estigma. A Parada do Orgulho LGBT+ cura porque devolve ao sujeito a soberania sobre sua própria narrativa e sobre sua saúde.Escrever sobre o 28 de junho hoje é compreender que a nossa luta não terminou com a conquista do casamento civil ou com as leis de criminalização da homofobia. A travessia para a emancipação reside na garantia de que cada corpo gay, cada corpa preta, periférica, trans, travesti, bicha e não-binárie tenha acesso à dignidade plena: ao saneamento básico e à moradia como direitos fundamentais de saúde; à despatologização real e ao respeito às transições de gênero, sem a tutela humilhante do olhar médico colonizador; e à construção de uma rede de afeto e cuidado que neutralize a solidão e o abandono histórico de séculos. Fomos tão fustigados historicamente que corremos o risco de naturalizar essas violências e reproduzi-las contra os nossos próprios pares.O dia 28 de junho é o dia em que o corpo dissidente deixou de ser um objeto de estudo clínico ou de repressão policial para se tornar o sujeito soberano de sua própria narrativa existencial na cidade. A 23ª Parada do Orgulho LGBT+ da Bahia, em 9 de setembro, será o momento de celebrar essa data materna e renovar o compromisso de que a nossa saúde, a nossa vida na cidade e o nosso legado são absolutamente inegociáveis. Marcelo Cerqueira, gestor, estrategista de diversidade, escritor autor do livro “Amor Sem Correntes: Um Manifesto pela Decolonialidade do Afeto” Editor J. M. D. de Oliveira, Sergipe, 2026.
Trincheira

Moira, Quinalha, Mott e Trevisan – Arte GGB Imagem A Literatura como Trincheira: GGB destaca obras essenciais para entender a Diversidade no Brasil Por Marcelo Cerqueira, DRT -2135/BA Em matéria publicada pelo portal UOL, especialistas e ativistas listam obras fundamentais que combatem o apagamento histórico da comunidade LGBTQIAPN+; Luiz Mott, fundador do GGB, assina e recomenda títulos que resgatam a ancestralidade trans e a trajetória do movimento. No mês em que celebramos o Orgulho, a literatura brasileira reafirma-se como um dos campos mais potentes para a consolidação de mudanças culturais e para o enfrentamento do “apartheid informacional”. Uma recente lista publicada pela Deutsche Welle (DW) e replicada pelo UOL destaca dez livros imprescindíveis para compreender a cena LGBTQIAPN+ no país, evidenciando que ler a nossa história é, antes de tudo, um ato de resistência política. Luiz Mott o Guardião da Memória e a Recuperação do Arquivo O antropólogo e professor da UFBA, Luiz Mott, fundador do Grupo Gay da Bahia (GGB), é uma das vozes centrais na curadoria desta lista. Mott não apenas recomenda clássicos, mas é o responsável por trazer à luz figuras que desafiam a lógica colonial de gênero. Xica Manicongo, a primeira do Brasil. Luiz Mott, editora COSAC, SP, junho, 2026 – Lançamento em Salvador, dia 11 de julho, ás 17h – Livraria do Glauber Rocha, Castro Alves. Um dos destaques absolutos é a obra do próprio Mott, “Xica Manicongo, Primeira Transexual do Brasil”. O livro reconstrói a trajetória de Francisco, pessoa escravizada qu viveu na Bahia do século 16 e desafiou as imposições da Inquisição ao adotar uma performance de gênero feminina. Como destaca a deputada Dani Balbi na reportagem, a recuperação historiográfica feita por Mott opera como um gesto de reescrita do arquivo nacional, provando que identidades trans não são “modernismos”, mas presenças ancestrais na formação do Brasil. O Cânone da Resistência Além de sua obra autoral, Luiz Mott o GGB destaca títulos que formam a espinha dorsal do ativismo brasileiro: “Devassos no Paraíso”, de João Silvério Trevisan: Considerado por Mott e outros ativistas como o tratado mais completo sobre a homossexualidade no Brasil. Uma leitura obrigatória para quem deseja entender a luta desde as suas raízes. “História do Movimento LGBT no Brasil”: Organizado por James Green e Renan Quinalha, o livro conta com a colaboração do próprio Mott. A obra situa a busca por visibilidade no contexto da redemocratização, período em que o GGB nasceu e consolidou-se como farol da resistência. “E Se Eu Fosse Puta”, de Amara Moira: Mott pontua a importância desta obra para desconstruir a visão negativa sobre as travestis, um dos grupos mais estigmatizados pela necropolítica brasileira. A Literatura como Tecnologia de Liberdade Para o Grupo Gay da Bahia, a presença de temas LGBTQIAPN+ na literatura é uma ferramenta de saúde coletiva e dignidade. “Lendo e estudando a nossa história, muda-se a forma como a sociedade nos vê e como nós nos vemos”, reforça o pensamento crítico que o GGB promove há 46 anos. A lista contempla ainda obras contemporâneas como “Amora” (Natalia Borges Polesso), “O Beijo do Rio” (Stefano Volp) e sucessos da literatura jovem como “Quinze Dias” (Vitor Martins) e “Conectadas” (Clara Alves), mostrando que a nova geração de escritores está ocupando o centro da cena literária com narrativas de afeto e autonomia. https://www.amazon.com.br/Xica-Manicongo-Luiz-Mott/dp/6555900490
Doação

Arte Pop O Grupo Gay da Bahia (GGB), a mais antiga associação de defesa dos direitos humanos da população LGBT+ na América Latina, oficializa hoje, 15 de junho de 2026, o lançamento da sua campanha de arrecadação digital (Vakinha) para a 23ª Parada do Orgulho LGBT+ da Bahia. O evento, que já integra o calendário oficial de resistência e cultura de Salvador, está confirmado para o dia 06 de setembro de 2026, durante o feriado da Independência. Esta edição carrega um simbolismo profundo: celebra os 80 anos de vida de Luiz Mott, fundador da instituição e “Sismógrafo da Alma Gay”, e os 46 anos de luta ininterrupta do GGB pela dignidade e cidadania. Sob o tema “Do Coração de Salvador ao Mundo”, a Parada deste ano propõe uma reflexão sobre o direito à cidade e a ocupação dos espaços públicos. O GGB introduz o conceito de “cartaz coletiva”: o ato de transformar os corpos em mensagens vivas de insurgência e alegria. Ocupar as ruas de Salvador, do Campo Grande ao Farol da Barra, é uma resposta política a décadas de confinamento e invisibilidade. Mais do que uma festa, a ocupação é um ativo de saúde coletiva. A ciência do cuidado demonstra que o sentimento de pertencimento e a reafirmação da identidade em território público são ferramentas poderosas contra o adoecimento mental causado pelo estigma e pelo isolamento social. A viabilização de um evento desta magnitude exige independência e suporte da comunidade. Os recursos arrecadados através da Vakinha serão integralmente destinados à infraestrutura crítica da Parada, incluindo a contratação de mão de obra, hospitalidade e segurança. Para o presidente do GGB, Marcelo Cerqueira, a Parada é a materialização de uma estratégia de sobrevivência ancestral. “Nossa Parada é um quilombo contemporâneo. Os quilombos sempre souberam que o território é onde a identidade se fortalece e a resistência se torna vida. Ocupar Salvador é um ato de cura. Precisamos que a comunidade e nossos aliados compreendam que a independência do nosso movimento depende desse apoio direto. Doar para a Parada é investir na manutenção de um espaço que é nosso por direito, onde celebramos a vida para não morrermos de invisibilidade”, afirma Cerqueira. Como Apoiar A 23ª Parada do Orgulho LGBT+ da Bahia convida todos, todas e todes a serem coautores desta história. A meta de arrecadação é essencial para manter a autonomia política do GGB e garantir uma celebração segura e potente. As doações podem ser feitas de forma rápida e segura através do link oficial da plataforma Vakinha. Além da contribuição financeira, o compartilhamento da campanha nas redes sociais é fundamental para que a mensagem de Salvador alcance o mundo. Link Oficial para Doação: https://www.vakinha.com.br/vaquinha/23-parada-do-orgulho-lgbt-bahia Participe da IX Semana Cultural da Diversidade e ajude a construir a maior manifestação de direitos humanos da Bahia. Sua doação é o combustível da nossa resistência.t
A Conquista da Sala do Peão “Nudismo”

Foi muita coragemOseas Santana, Luiz Mott, Claudio Almeida e Otávio Reis / Foto: Marcelo Cerqueira – Praia de Massarandupió – Entre Rios, Bahia A Conquista da Sala do Peão: O Dia em que o GGB Derrubou as Fronteiras do Preconceito em Massarandupió Por Marcelo Cerqueira @marcelocerqueira.oficial O ano era 2004. O cenário, as dunas e o mar de Massarandupió, no município de Entre Rios. O que deveria ser um santuário de liberdade e retorno à natureza, a famosa praia de naturismo, havia se transformado em um território de exclusão biopolítica. Sob o manto conservador da “defesa da família e dos casais”, associações locais barravam a entrada de homossexuais e grupos de amigos gays na área conhecida como Sala do Peão. Mas a força estratégica do Grupo Gay da Bahia (GGB) não permitiria que o paraíso fosse interditado pelo preconceito. O Conflito: O Naturismo como Disfarce para a Exclusão A denúncia chegou ao GGB com o peso da indignação: gays estavam sendo impedidos de acessar a praia sob a alegação de que o espaço era restrito a “famílias”. Era a utilização da heteronormatividade como filtro de acesso ao logradouro público. A resposta de Luiz Mott e do GGB foi imediata e institucional. Não se tratava apenas de um dia de sol, mas do direito constitucional de ir e vir, da isonomia garantida pelo Artigo 5º da nossa Carta Magna. Fomos à luta. O protesto não foi apenas um grito na areia; foi uma articulação de inteligência que levou os presidentes das associações de naturismo (AMANAT e ABANAT) à mesa de negociação da Defensoria Pública do Estado da Bahia. O Marco Histórico: 09 de março de 2004 Naquela tarde, às 16h30, o Núcleo de Direitos Humanos da Defensoria Pública tornou-se o tribunal da diversidade. Sob a mediação dos defensores Edinaldo César Santos Júnior e Firmiane Venâncio, o GGB confrontou a lógica segregacionista. O resultado foi um Termo de Acordo histórico que mudou a geografia do respeito no litoral baiano. O documento, fundamentado no princípio da igualdade, foi implacável: Fim do Veto: Ficou terminantemente proibida qualquer restrição de entrada baseada na orientação sexual. Derrubada das Placas: As associações tiveram o prazo recorde de 48 horas para retirar ou retificar as placas de sinalização que restringiam o ingresso apenas a “casais e famílias”. Multa Pesada: O descumprimento do acordo implicaria em uma multa de 10 salários mínimos, revertida para a comunidade local, além de medidas judiciais imediatas. O Legado: A Liberdade sem Filtros A vitória em Massarandupió foi pedagógica. Ela ensinou aos gestores de espaços privados e públicos que o corpo dissidente não aceita cercas. A Sala do Peão, antes símbolo da interdição, tornou-se o marco da resistência. Hoje, ao olharmos para trás, percebemos que aquela ação foi mais que um protesto; foi uma aula de advocacia em direitos humanos. O GGB não apenas garantiu o acesso à praia; ele garantiu que o naturismo baiano fosse, de fato, fiel ao seu código de ética: a aceitação amigável e respeitosa de quem quer que seja. Vinte e dois anos depois, a história de Massarandupió permanece viva como um lembrete de que, onde houver uma placa de exclusão, haverá a inteligência do GGB para derrubá-la. https://www1.folha.uol.com.br/paywall/login.shtml?https://www1.folha.uol.com.br/folha/cotidiano/ult95u91338.shtml http://www.jornalolhonu.com/jornais/olhonu_n_041/midia.html
17 de Maio de 1990: a data que a OMS não escreveu sozinha

Marcelo Cerqueira O Brasil foi o primeiro país do mundo a despatologizar a homossexualidade. Esta não é uma metáfora, é um fato histórico documentado, e ele começa na Bahia. Em 1983, durante a 35ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), realizada na Universidade Federal da Bahia (UFBA), Campus de Ondina, em Salvador, entre os dias 8 e 15 de julho, o Grupo Gay da Bahia (GGB) marcou presença de forma criativa e ousada. A reunião foi precedida por uma ameaça anônima de bomba contra a participação dos gays, mas o grupo não se intimidou. Instalou uma barraca com agulhas e carretéis de linha para furar a orelha dos homens, a sensação do evento. Na Assembleia Geral, o antropólogo Luiz Mott, já apelidado de “Capitão Mottinha, Xerife Gay do Brasil”, subiu à tribuna e apresentou uma moção histórica: a anulação do CID 302, código da Classificação Internacional de Doenças que classificava a homossexualidade como transtorno mental. A moção foi aprovada por unanimidade pelos cientistas presentes e enviada ao Ministério da Saúde. O GGB não parou por aí. Iniciou uma campanha nacional de coleta de assinaturas que percorreu o Brasil de norte a sul. Foram 17.170 assinaturas, entre elas as de personalidades como Fernando Henrique Cardoso e Mário Covas, ambos senadores à época. O Boletim do GGB (1981-2005) detalha toda a campanha “Mais Cuidado com os Gays”, com cartas enviadas e abordagens diretas ao Ministro Jair Soares, do INAMPS, que perguntado sobre sua opinião acerca dos gays, declarou que “não tinha opinião formada”. As assinaturas foram protocoladas no Ministério da Saúde, que consultou o Conselho Federal de Medicina. Em 9 de fevereiro de 1985, em sua Seção Plenária, o CFM deliberou: “homossexualidade não é doença, é orientação sexual”. O parecer afirmava que “a presente consulta teve origem em solicitação do chamado ‘Grupo Gay da Bahia’, de que fosse considerado sem efeito, em território brasileiro, o diagnóstico 302.0, da Classificação Internacional de Doenças (CID), da Organização Mundial de Saúde, que qualifica a homossexualidade de ‘Desvio e Transtorno Sexual’”. Com essa decisão, o Brasil antecipou em cinco anos a Organização Mundial da Saúde, que só retirou a homossexualidade do CID em 17 de maio de 1990, a data que hoje celebramos como o Dia Internacional de Combate à LGBTfobia. A Bahia também esteve presente em Genebra. A médica legista baiana Doutora Maria Teresa Pacheco participou da Conferência da OMS e votou decisivamente pela despatologização. Em seu apartamento na Graça fez o relato ao presidente do GGB, ela afirmou que agiu assim porque sabia ser a vontade de seu grande mentor, o médico Estácio de Lima, figura seminal da medicina legal brasileira, tropicalista e professor da Faculdade de Medicina da Bahia. Uma corrente de saberes e afetos que liga a ciência baiana à decisão da OMS. Portanto, caro leitor do nosso Bnews, quando celebramos o 17 de maio, não estamos apenas marcando uma data no calendário. Estamos celebrando a coragem de cientistas, ativistas e médicos que ousaram dizer que amar não é doença. Estamos honrando a memória de uma luta que começou numa barraca de madeira na terra vermelha da UFBA, percorreu os Estados Brasileiros, corredores do Ministério da Saúde, chegou ao Conselho Federal de Medicina e atravessou o Atlântico até Genebra. Essa história tem nome, tem rosto e tem endereço: Luiz Mott, Salvador, Bahia, Brasil, Grupo Gay da Bahia. Luiz Mott, o Sismológo da Alma Gay; 80 anos de Memória e Insurgência. Marcelo Cerqueira, Gestor Público, Escritor Ativista da Diversidade
Mãos, Mitos e Mapas

O que a Ciência e a História revelam sobre o “Pacote” Nordestino Por: Redação Insurgente No imaginário popular brasileiro, a anatomia masculina nunca foi apenas uma questão de urologia; é um território de disputa simbólica, curiosidade e, acima de tudo, identidade. Quando falamos do homem nordestino, as lendas urbanas ganham contornos de soberania. Mas o que há por trás do mito? Do índice dos dedos às invasões holandesas, fomos buscar a resposta para a pergunta que não quer calar: o que define, afinal, o vigor do homem da nossa terra? Se você acha que a relação entre mãos e dotação é apenas conversa de bar, a academia discorda. Existe um campo de estudo sério sobre a Razão Digital (2D:4D). Estudos publicados no Asian Journal of Andrology sugerem que a proporção entre o dedo indicador (2º dedo) e o dedo anelar (4º dedo) é um marcador biológico. A regra matemática sugere: quanto menor o indicador em relação ao anelar, maior tende a ser o comprimento peniano. Isso ocorre devido à exposição à testosterona ainda no útero materno. Ou seja: mãos com anelares proeminentes são o “cartão de visitas” de um desenvolvimento hormonal robusto. A Mística Baiana: Genética e Resistência Quando entramos no terreno baiano, o mito encontra a realidade da diáspora. Os homens pretos da Bahia entram nesse mercado com o que a sabedoria popular chama de “ponto a mais”. Mas, para além do fetiche, existe a biopolítica. A Bahia, como epicentro da resistência africana no Brasil, preservou biotipos de linhagens guerreiras que estatisticamente apresentam maior densidade muscular e estruturas ósseas largas. A “fama” baiana é, na verdade, o reflexo de uma genética que não foi apagada, mas potencializada pela ginga e pela soberania de corpos que sempre se recusaram à submissão. A rivalidade com Pernambuco ganha agora um capítulo histórico fascinante. Se a Bahia ostenta o vigor da matriz africana pura e altiva, Pernambuco carrega a fama da miscigenação singular. Diz a tradição que o porte do homem pernambucano foi moldado pelo encontro genético com os holandeses. Expulsos da Bahia pela bravura local, um espírito de independência que culminou no glorioso 2 de Julho, data máxima da soberania baiana, que prenuncia o 7 de setembro, os batavos fixaram-se no Recife. Essa herança europeia, misturada ao vigor dos povos nativos e pretos do Recife, criou um biotipo pernambucano que alia estatura e resistência, alimentando a lenda de que o estado é um dos “celeiros” de homens bem dotados do Brasil. Sobre o polegar, o mito persiste: muitos acreditam que a curvatura do dedão indicaria a direção ou o ângulo do pênis. Embora a ciência não confirme essa correlação direta, o formato das mãos é um indicativo de harmonia estética. Homens com mãos grandes e dedos bem estruturados geralmente possuem uma anatomia proporcional. Na Bahia e no Pernambuco, essa “harmonia” parece ser a regra, e não a exceção. Como estrategistas da diversidade, reafirmamos: a verdadeira “dotação” do homem nordestino, seja ele baiano ou pernambucano, está na sua autoestima política. O tamanho pode ser um detalhe anatômico, mas o vigor é fruto de uma história de lutas, de uma alimentação rica em nutrientes da terra e de uma cultura que celebra a corporalidade e o prazer. Seja pela testosterona uterina revelada nos dedos, pela herança holandesa de Pernambuco ou pela ancestralidade preta e inabalável da Bahia do 2 de Julho, o fato é um só: o Nordeste continua ditando o padrão de potência do homem brasileiro.
10 Anos do Centro de Referência LGBT+ Vida Bruno

No ato de assinatura do Decreto Municipal, realizado em 16 de maio de 2016, no Gabinete do Prefeito, estiveram presentes a Professora Ivete Sacramento, Secretária da Reparação; a Vice-Prefeita Célia Sacramento; a Vereadora Fabíola Mansur, autora do projeto; o Prefeito ACM Neto; Marcelo Cerqueira, assessor da vereadora; Milena Passos, representante do movimento social; o Deputado Federal Antônio Imbassahy; e Léo Kret, Ouvidora Salvador Celebra Aniversário do Centro Municipal de Referência LGBT+ Vida Bruno: Uma Década de Acolhimento, Luta e Transformação por Direitos Humanos e Diversidade Salvador, 17/03/2026 – A capital baiana celebra mais um aniversário do Centro Municipal de Referência LGBTQIA+ Vida Bruno, equipamento público que se consolidou como símbolo de acolhimento, proteção, cidadania e promoção dos direitos humanos para a população LGBTQIA+ em Salvador. O equipamento é muito mais do que uma estrutura de atendimento, o Centro representa uma conquista histórica dos movimentos sociais, da luta institucional e da construção de políticas públicas voltadas ao enfrentamento da LGBTfobia, à valorização da diversidade sexual e de gênero e à garantia de direitos. Ao longo de sua trajetória, o Centro tornou-se uma referência no atendimento especializado, na escuta qualificada e na articulação de ações intersetoriais voltadas a lésbicas, gays, bissexuais, travestis, transexuais, pessoas queer, intersexo, assexuais e demais identidades da diversidade. Sua atuação reafirma o compromisso de Salvador com uma cidade mais justa, inclusiva e preparada para acolher a pluralidade de sua população com respeito, dignidade e humanidade. A Diretora da Reparação, Léo Kret do Brasil comemora “Celebrar o aniversário do Centro Municipal de Referência LGBTQIA+ Vida Bruno é reconhecer uma história construída com coragem, articulação política, escuta social e compromisso com a vida. É também reafirmar que o enfrentamento à LGBTfobia, a promoção da cidadania e a defesa da dignidade humana seguem como tarefas permanentes” Disse Léo Kret do Brasil Diretora Geral do Departamento de Políticas e Promoção da Cidadania LGBT+ ao tempo que afirma “Em Salvador, o Centro Vida Bruno permanece como espaço de esperança, proteção e transformação, demonstrando que políticas públicas efetivas podem mudar realidades, salvar vidas e fortalecer a democracia” conclui a Diretora. A criação do Centro nasceu de uma demanda histórica do movimento social, em especial do Grupo Gay da Bahia (GGB), que identificou a urgência de um equipamento público capaz de receber demandas cruciais da população LGBT+, sobretudo nas áreas de assistência jurídica, atendimento psicológico e assistência social, com atenção especial ao enfrentamento das violências. Essa escuta social encontrou eco no Legislativo municipal e deu origem a uma agenda concreta de transformação institucional. Discurso do Prefeito Municipal de Savador, ACM Neto – Imagem Genilson Coutinho – 16/05/2014 | 16h05 A então vereadora Fabíola Mansur, em seu primeiro mandato, acolheu a proposta e a transformou em projeto de lei, sensibilizada pelo clamor da população LGBT+ diante dos casos de discriminação á época e da necessidade de uma porta de entrada específica para o acesso a serviços públicos. O processo de aprovação exigiu articulação, persistência e forte mobilização política, até resultar na aprovação do Projeto de Lei nº 177/13, posteriormente sancionado, abrindo caminho para a implantação do equipamento. Um dos marcos fundamentais dessa trajetória foi o Decreto nº 24.981, de maio de 2014, que criou o Núcleo de Políticas Públicas de Cidadania e Direitos de LGBT na Cidade do Salvador, no âmbito da Secretaria Municipal da Reparação (SEMUR). A partir desse decreto, passaram a ser coordenadas ações de formulação de políticas públicas, elaboração de plano municipal, organização do Comitê LGBT e planejamento da instalação do Centro de Referência. Em seguida, o Decreto nº 26.181, de junho de 2015, ampliou a composição do Comitê Municipal de Promoção e Defesa dos Direitos de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais, fortalecendo a participação de secretarias e da sociedade civil. O prefeito Municipal ACM Neto, secretária da Reparação Ivete Sacramente em 16 de maio de 2016, no gabinete prefeito, ainda com o movimento social, autoridades municipais assinou o Decreto e o Centro iniciou oficialmente suas atividades, tornando-se um espaço permanente de acolhimento a casos de discriminação, violência e exclusão, além de promoção de cidadania e orientação. A iniciativa consolidou Salvador como uma das cidades brasileiras com política pública estruturada de atendimento especializado à população LGBTQIA+, articulando escuta, encaminhamento e defesa de direitos. Outro passo decisivo ocorreu em 2018, com a formalização do Programa de Combate à LGBTfobia Institucional (PC/LGBTfobia), por meio do Decreto nº 29.574, que definiu sua estrutura e funcionamento. O programa passou a atuar diretamente na eliminação de normas e práticas discriminatórias dentro da administração pública municipal, promovendo uma cultura institucional de respeito, inclusão e reconhecimento da diversidade. Em junho de 2021, o Decreto do prefeito Bruno Reis nº 34.084 conferiu ao equipamento a denominação de Centro Municipal de Referência LGBTQIA+ Vida Bruno, em homenagem póstuma a um dos mais importantes nomes da luta pelos direitos humanos e pela cidadania LGBT+ em Salvador. Vida Bruno, homem trans, historiador e militante, foi o primeiro coordenador de Políticas e Promoção de Cidadania LGBT e desempenhou papel central na implementação do programa municipal de combate à LGBTfobia. Seu legado permanece vivo na formação de servidores, na defesa da dignidade humana e na construção de políticas públicas que tratam a diversidade como valor democrático. A relevância do Centro também se expressa em seus serviços e resultados. O atendimento psicológico é historicamente um dos mais procurados, revelando o impacto das violências, da exclusão social, da discriminação e da ausência de oportunidades sobre a saúde mental da população LGBTQIA+. O equipamento também oferece assistência jurídica e social especializada, especialmente em processos de retificação de nome e gênero, etapa essencial para o reconhecimento da identidade de pessoas trans e travestis. Em 2025, foram realizadas gratuitamente 81 retificações de nome e gênero para pessoas trans, travestis e não-binárias que receberam gratuidade das taxas públicas de fiscalização e registro civil. No campo institucional, os avanços também são expressivos. Até junho de 2025, foram acumulados 7.954 servidores(as) capacitados(as) em ações de sensibilização e formação voltadas à promoção do respeito à diversidade. Até dezembro de 2024, 24 secretarias já