Parada do Orgulho LGBT+ Bahia reúne milhares na Barra e anuncia novidades para 2027

Palco Luiz Mott 80 anos de Mamória e Insurgência Parada do Orgulho LGBT+ Bahia reúne milhares na Barra e anuncia novidades para 2027 Uma multidão ocupou a orla da Barra, em Salvador, no domingo (6), para participar da 23ª Parada do Orgulho LGBT+ Bahia. O desfile, promovido pelo Grupo Gay da Bahia (GGB), reuniu 13 trios elétricos no tradicional circuito Barra/Ondina, com apresentações artísticas, shows, homenagens e manifestações em defesa dos direitos da população LGBTQIAPN+. A Parada transformou as ruas da capital baiana em espaço de celebração, visibilidade e luta por direitos humanos. Com o tema “Vergonha adoece. Orgulho cura!”, a edição de 2026 chamou a atenção para os impactos da vergonha, do estigma e da discriminação na saúde da população LGBTQIAPN+. A Parada questionou a ideia de que permanecer no “armário” representa proteção e destacou como o isolamento provocado pelo preconceito pode contribuir para o sofrimento e para o afastamento dos espaços de convivência e cidadania. A ocupação das ruas reafirmou o orgulho como instrumento de resistência, dignidade e direito à saúde. A vergonha é responsável pelo isolamento, pelo silêncio, pela invisibilidade, pela culpa, pelo medo e, principalmente, pelo adoecimento. Para o presidente do GGB, Marcelo Cerqueira, “a vergonha é um veneno; o orgulho é o antídoto. Orgulho não é arrogância: é encontro, cuidado, voz, ocupação, dignidade, potência e vida, tudo isso acontece quando a Parada ocupa as ruas”, afirmou. A programação começou no Farol da Barra com o Palco da Diversidade – Luiz Mott, 80 Anos de Memória e Insurgência, em homenagem ao antropólogo e fundador do GGB, que completou 80 anos. O trio do GGB contou com a presença dos padrinhos Luiz Mott e Salete Maria. Ao longo do percurso, artistas, movimentos sociais, torcidas organizadas e entidades da sociedade civil reforçaram as mensagens de orgulho, respeito e combate à discriminação. Para a próxima edição, prevista para 12 de setembro de 2027, a organização anunciou mudanças na programação. O sábado será marcado por uma Pré-Parada, com shows de bandas no Farol da Barra. Já no domingo, dia oficial da Parada, o Palco da Diversidade contará com apresentações de DJs e artistas drags. Em seguida, será realizado o tradicional cortejo dos trios elétricos pelo circuito Barra/Ondina. A mudança atende a questões logísticas, às altas temperaturas registradas no horário de concentração dos trios e aos pedidos do público por novos estilos musicais, além de buscar mais conforto e diversidade na programação. Realizada pelo Grupo Gay da Bahia, a 23ª Parada do Orgulho LGBT+ Bahia contou com patrocínio do Estado da Bahia, da Prefeitura de Salvador, da Câmara de Comércio e Turismo LGBT do Brasil, da InterPride, da ILGA World, do Zoom Cruising Bar e da i9Fans. Mais uma vez, o evento reafirmou Salvador como um dos principais palcos de celebração da diversidade e de mobilização em defesa dos direitos da população LGBTQIAPN+ no Brasil.
23ª Parada do Orgulho LGBT+ Programação

23ª Parada do Orgulho LGBT+ da Bahia anuncia programação completa: Semana Cultural da Diversidade transforma Salvador em capital do orgulho, da saúde e da memória IX Semana Cultural da Diversidade de Salvador movimenta a cidade entre os dias 1º e 6 de setembro, com literatura, fotografia, fé, esporte e cultura, culminando no cortejo histórico de 13 trios no Circuito Barra/Ondina SALVADOR, BA – O Grupo Gay da Bahia (GGB), a mais antiga organização de defesa dos direitos civis de pessoas homossexuais da América Latina, fundada em 1980, realiza entre os dias 1º e 6 de setembro a IX Semana Cultural da Diversidade de Salvador e a 23ª Parada do Orgulho LGBT+ da Bahia. Sob o tema “A Vergonha Adoece. O Orgulho Cura!” – um manifesto do orgulho como política de saúde coletiva -, o evento reafirma a capital baiana como o maior palco de direitos humanos, diversidade e saúde do Norte e Nordeste do país. A programação começa na terça-feira, 1º de setembro, no Pelourinho, coração da primeira capital do Brasil. Às 12h, o GGB lança o guia de turismo “Pelourinho: Tudo é Verdade”, um percurso pelas memórias LGBT+ de Salvador que resgata personagens históricos como Xica Manicongo, a primeira travesti documentada do Brasil (século XVI), Felipa de Sousa, processada pela Inquisição em 1592, e Luiz Delgado, degredado por sodomia em 1669. Equipado com QR Codes nas praças do Pelourinho, o guia remete ao lema de Jorge Amado e transforma o Centro Histórico em um arquivo vivo de resistência. No mesmo dia, abre a exposição fotográfica “Imagem do Orgulho”, na sede do GGB, com fotos 40×60 das paradas realizadas. Na sexta-feira, 4 de setembro, a partir das 15h, a sede do GGB recebe o Caruru da Diversidade, em homenagem a Cosme e Damião e aos Êres, com entrada solidária: 1kg de alimento para o programa Bahia Sem Fome. O sábado, 5 de setembro, é dedicado à literatura e à fé. Às 17h, na Livraria Terras Libres (Cine Glauber Rocha), acontece o Encontro de Narrativas Insurgentes — Salão Literário da Diversidade, com o lançamento do livro “Amor Sem Correntes: Um Manifesto pela Decolonialidade do Afeto”, do historiador e jornalista Marcelo Cerqueira, e do livro “Luiz Mott 80 anos Bem Vividos”, do antropólogo Luiz Mott, com organização de Marcelo Oliveira, Marcelo Cerqueira e Salete Maria. Às 18h, o Atraques dos Ojás percorre o caminho da Parada, do Porto ao Farol da Barra, amarrando tiras de pano branco da paz, sob a condução de lideranças do Candomblé. O grande dia chega no domingo, 6 de setembro, no Farol da Barra. Às 7h, o aulão “Dançar pela Vida” abre a manhã em alusão ao Setembro Amarelo, celebrando valores de amor, respeito, acolhimento e diversidade. Das 11h às 15h, o Palco Luiz Mott 80+ Bem Vividos reúne shows e performances com Scarleth Sangalo, Michele Lorem, Jocimar Ramos, Suzzy Baby Doll, Saphyra Luz, Sissy Zeta Jones, Dicca Rios, Joanne Labixa, Aloma (cover de Elza Soares), Brown Cover e Larissa Anjos, entre outras atrações, além das bandas Sylvia Patrícia, DJ Dubai e os Habibis, Moon Boy e Orisum. Às 15h30, o Trio Oficial Dragão Luiz Mott 80 Anos lidera o cortejo de 13 trios pelo Circuito Barra/Ondina, com concentração a partir das 12h no Farol. O trio oficial do GGB tem como padrinho o professor Luiz Mott e como madrinha a professora Salete Maria, com som dos DJs Prettin D’Kingo e Binho Gomez. A cerimônia de abertura contará com uma voz trans, seguida do Hino Nacional, interpretado por Larissa Anjos, e do Hino ao 2 de Julho, com Denni. Completam o desfile os trios da Diversidade, Dendê EC, Dion Santiago, A Dama do Pagode, Trio Movimentar, Torcida LGBTricolor, Torcida Orgulho Rubro Negro, Fórum Baiano LGBT, Chocolate Batidão, Mudança do Garcia, Ivanildo e GGL. SERVIÇO IX Semana Cultural da Diversidade de Salvador e 23ª Parada do Orgulho LGBT+ da Bahia Tema: “A Vergonha Adoece. O Orgulho Cura!” Quando: 1º a 6 de setembro de 2026 (Parada no domingo, 06/09) Onde: Pelourinho, Livraria Terras Libres, Porto e Farol da Barra Cortejo: Circuito Barra/Ondina – concentração às 12h, saída às 15h30 Realização: Grupo Gay da Bahia (GGB)
O Pelourinho como arquivo vivo

Foto meramento ilustrativa É Tudo Verdade II O Pelourinho, coração pulsante da primeira capital do Brasil, é frequentemente apresentado sob a lente do barroco colonial, das igrejas recobertas de ouro e do casario multicolorido. No entanto, sob as pedras irregulares do “pé de moleque”, subjaz uma cartografia de memórias reais: a das dissidências sexuais e de gênero que, desde o século XVI, desafiaram as normas da Coroa e da Igreja. Este guia propõe uma leitura decolonial do Centro Histórico, compreendendo-o como um arquivo vivo de resistência. Este Guia é embasado no lema de Jorge Amado, “Tudo é verdade”. Esta expressão sintetiza o propósito desta obra: narrar vidas reais, histórias verdadeiras de pessoas que existiram e resistiram no Pelourinho. “Tudo é verdade” é um convite a reconhecer que estas memórias são fatos históricos reais, não ficção. Este é um Guia Turístico interativo equipado com tecnologia QR Code, permitindo uma ponte entre o espaço físico e a profundidade digital. Historicamente, o Pelourinho foi o instrumento da punição pública, onde o Estado, e a Inquisição, buscavam punir os que fugiam às suas regras, ou mesmo domesticar corpos negros, indígenas e dissidentes. Contudo, onde houve repressão, houve também a invenção de modos de vida. Este documento não é apenas um roteiro turístico; é um ato de restituição memorial. É fundamental destacar a distinção metodológica deste guia: apresentamos personagens com vasta documentação histórica (como Xica Manicongo, Felipa de Sousa, Diogo Botelho, Luiz Mott, Vivaldo da Costa Lima e Carlos Bastos) e figuras da cena cultural e ativista contemporânea (como Júlio Cesar Habib), essenciais para a história viva do território. “Narrar estas vidas é desenterrar a verdade que a história oficial tentou sepultar sob o peso do mármore e do incenso.” SOBRE ESTE GUIA – REALIZAÇÃO E CONTEXTO Este Guia Turístico é parte integrante da 23ª Parada do Orgulho LGBT+ da Bahia, que será realizada em 6 de setembro de 2026 (domingo), no Farol da Barra, em Salvador, com o tema “Do Coração de Salvador para o Mundo”. O guia também integra a programação da 29ª Semana da Diversidade Cultural de Salvador. O título desta obra, “Tudo é Verdade”, remete ao célebre lema de Jorge Amado. O guia propõe-se a narrar histórias reais e verdadeiras da comunidade LGBTQIAPN+ do Pelourinho, sem conotação sexual, focando na construção da memória histórica e cultural da cidade. A realização deste projeto é do Grupo Gay da Bahia (GGB), a mais antiga instituição de defesa dos direitos LGBTQIAPN+ da América Latina, fundada em 1980 pelo antropólogo Luiz Mott. O Guia conta com o apoio dos demais participantes e parceiros institucionais do evento, unindo esforços para a preservação e divulgação de parte da nossa história, que até aqui esteve silenciada. O propósito desta obra é apresentar a memória LGBTQIAPN+ do Pelourinho como parte essencial da celebração da diversidade cultural de Salvador, conectando o patrimônio histórico à luta contemporânea por direitos. Este Guia é um material de Divulgação e Educação Patrimonial, a ser distribuído durante a programação oficial da Parada e da Semana da Diversidade, como uma estratégia que reafirma o compromisso com a visibilidade e o orgulho de nossas trajetórias. 3. COMO USAR ESTE GUIA E O SISTEMA QR CODE Para transcender a observação superficial, este Guia utiliza o Método ELI10 (Explicação em Camadas). Cada personagem ou localidade é analisado através de dez níveis de profundidade, permitindo que o visitante escolha o grau de imersão – do fato histórico imediato à ressonância simbólica contemporânea. O Guia Digital: Cada ponto do roteiro está sinalizado com um QR Code exclusivo. Claro, no Pelourinho.
É Tudo Verdade

Imagem meramente ilustrativa Roteiro turístico e etnográfico pelas vozes e memórias LGBT+ que as ruas do Centro Antigo de Salvador guardam em silêncio. Resumo rápido sem QR Code Salvador guarda uma história LGBT que remonta aos primeiros séculos da colonização. Documentos da Inquisição e outras fontes revelam homens e mulheres acusados de sodomia, relações homoeróticas e transgressões de gênero, registrando amores, encontros, perseguições e resistências. O roteiro recupera essa memória em seis pontos do Centro Histórico, associados a personagens documentados principalmente nos séculos XVI e XVII. O Pelourinho como arquivo vivo É Tudo Verdade II REALIZAÇÃOProf. DR.Luiz Mott, Professor Aposentado de Titular de Antropologia-Fundador do Grupo Gay da Bahia (GGB).Marcelo Cerqueira – Presidente do Grupo Gay da Bahia (GGB) Jaime Nascimento, professor convidado. CONTATOSLuiz Mott – WhatsApp: 71 98746-4830Marcelo Cerqueira – WhatsApp: 71 99989-4748Grupo Gay da Bahia (GGB) – Rua Frei Vicente, 25 – Pelourinho, Salvador PARADA 1 — MOSTEIRO DE SÃO BENTO FREI LUIZ MOREIRA — século XVII Frei Luiz Moreira era monge beneditino, tinha 42 anos e ocupava posição de grande prestígio dentro da Igreja: era letrado, pregador, Examinador das Ordens Militares e Abade Primacial da Ordem de São Bento. Residiu durante três anos no Mosteiro de São Sebastião, na Bahia. Sua história chegou até nós porque confessou perante a Mesa do Santo Ofício de Lisboa práticas homoeróticas com oito parceiros, quase todos jovens em torno dos vinte anos. Entre eles estava Jorge, mameluco de 18 anos e criado do abade, com quem manteve relações durante quatro ou cinco meses. Moreira descreveu aos inquisidores encontros sexuais em sua própria cela, durante o dia e à noite, e também nas fazendas pertencentes ao mosteiro. Outro parceiro foi Manoel de Bairros, estudante de 18 anos, com quem a relação teria durado cerca de um ano. Houve ainda Frei Manoel Cabral, monge de 20 anos, natural do Rio de Janeiro. O depoimento revela que o Mosteiro de São Bento não era apenas cenário religioso: suas celas e propriedades aparecem também como espaços de encontros homoeróticos. O próprio abade declarou que, além da sodomia, praticava com seus parceiros masturbação e “coxeta”. Sua trajetória permite penetrar numa dimensão raramente lembrada da vida conventual da antiga Salvador: desejos e relações sexuais conviviam com a disciplina religiosa e podiam cair sob a vigilância do Santo Ofício. LUIZ DELGADO — 1690 Luiz Delgado era violeiro e estanqueiro de tabaco e vivia em Salvador. Seu nome aparece associado ao soldado José Nunes, morador na região da Fonte de São Francisco, também conhecida como Fonte do Sapateiro. Em 1690, os dois ficaram ligados a um episódio ocorrido nos fundos do Mosteiro de São Bento, transformando esse lugar num dos pontos expressivos da geografia sodomítica da cidade. Segundo a documentação reunida por Luiz Mott, testemunhas observaram que Luiz Delgado e José Nunes “saíram mui suados” de trás do muro do convento, numa parte arruinada e coberta de arvoredo. A circunstância despertou suspeitas porque ambos já carregavam, segundo a fonte, “má fama” de cometer o chamado pecado nefando. A documentação registra ainda que corria em Salvador a notícia de que José Nunes recebera um anel de ouro de seu “amante benfeitor” e de que Luiz Delgado pagava o aluguel da casa onde o soldado morava. Presentes e ajuda econômica sugerem vínculos que ultrapassavam um encontro ocasional. O episódio mostra também como determinados espaços urbanos favoreciam encontros discretos. O muro arruinado e o arvoredo nos fundos de São Bento ofereciam relativa proteção aos olhos públicos. Muito antes dos modernos espaços de sociabilidade gay, os documentos já permitem reconstruir uma cartografia homoerótica de Salvador. 7.1. Camada 1: Os Fatos Violeiro português degredado para a Bahia por sodomia. Em Salvador, sua habilidade musical permitiu-lhe transitar entre diferentes estratos sociais, apesar do estigma de “degredado”. 7.2. Camada 2: O Degredo como Punição A Bahia era usada como depósito de “indesejáveis” da metrópole, criando uma sociedade de fronteira onde a norma era constantemente negociada. 7.3 a 7.10 Camadas 3 a 10: O Violão como Metáfora Sua vida ilustra a melancolia do exílio e a busca por pertencimento em uma terra estranha, onde a arte era um dos poucos espaços de manifestação da sensibilidade dissidente. PARADA 2 — IGREJA DA AJUDA PAULA DE SIQUEIRA — 1591–1592 Paula de Siqueira tinha cerca de 40 anos, era cristã-velha e morava na Rua de São Francisco. Compareceu perante a Primeira Visitação do Santo Ofício à Bahia, em 1591, e confessou sua relação com Felipa de Sousa, mulher casada que vivia perto da Igreja da Ajuda. Segundo Paula, Felipa começou a lhe enviar cartas de amor, recados e presentes, acompanhados de beijos e abraços. Essa aproximação durou cerca de dois anos. A própria Paula declarou ter compreendido que Felipa nutria por ela uma “ruim pretensão”, expressão inquisitorial que revela o olhar repressivo lançado sobre o desejo entre mulheres. Em certo domingo, Felipa levou Paula para dentro de sua câmara e fechou a porta. Ali mantiveram relações sexuais várias vezes pela manhã e novamente depois do jantar. O depoimento descreve explicitamente o contato entre seus corpos e registra que Paula assumia a posição que os inquisidores identificavam como masculina. É uma das descrições mais detalhadas de relações sexuais entre mulheres preservadas pela documentação inquisitorial do Brasil colonial. Paula também foi acusada pelo padre Baltazar de Miranda de ter lido o Livro de Diana, de Jorge de Montemayor. Em 20 de janeiro de 1592, foi recolhida à prisão juntamente com outras mulheres. Cinco dias depois, sua sentença foi publicada na Sé da Bahia diante do bispo, das autoridades e de “muita gente do povo”. PARADA 3 — LADEIRA DA MISERICÓRDIA XICA /” FRANCISCO” MANICONGO — 1591 Francisco Manicongo era uma pessoa africana escravizada por Antônio Pires, sapateiro que morava “abaixo da Misericórdia”, em Salvador. É nesse ponto preciso da cidade que a documentação inquisitorial de 1591 permite localizar uma das personagens mais discutidas atualmente na história LGBT brasileira. Um denunciante declarou ao Santo Ofício que Manicongo tinha entre os africanos da cidade fama de ser “somítigo”. Chamou especialmente sua atenção a
23ª Parada do Orgulho LGBT+ Bahia

23ª Parada do Orgulho LGBT+ Bahia será realizada em Salvador no feriado da Independência A 23ª Parada do Orgulho LGBT+ Bahia será realizada no dia 6 de setembro, véspera do feriado da Independência do Brasil, em Salvador. Organizado pelo Grupo Gay da Bahia (GGB), entidade fundada em 1980 e a mais antiga organização de defesa dos direitos civis de homossexuais da América Latina, o evento é considerado o maior ato público de direitos humanos, saúde coletiva e diversidade do Norte e Nordeste do país, reunindo tradicionalmente milhares de participantes ao longo do circuito Barra/Ondina. Com o tema “Vergonha adoece. Orgulho cura!”, a edição de 2026 convida a sociedade a refletir sobre o impacto da vergonha e do estigma na saúde da população LGBTQIAPN+. A proposta do GGB parte de um diagnóstico direto: o armário não protege, isola e adoece. Durante décadas, pessoas LGBTQIAPN+ foram tratadas como doentes e escondidas como vergonha alheia. A Parada, segundo os organizadores, inverte essa lógica ao afirmar que saúde não é ausência de doença, mas dignidade, além de que a cura passa por ocupar a rua coletivamente, sem pedir licença. A programação tem início às 11h, no Farol da Barra, com o “Palco da Diversidade”, que recebe apresentações de artistas drags e shows musicais. Nesta edição, o espaço homenageará Luiz Mott, em celebração aos 80 anos do antropólogo e fundador do GGB, reconhecido por sua trajetória de mais de quatro décadas na luta pelos direitos da população LGBTQIAPN+ no Brasil. Com concentração marcada para às 12h, o cortejo oficial sai às 15h do Farol da Barra, percorrendo o tradicional circuito Barra/Ondina. O cortejo reúne cerca de 10 trios elétricos, apresentações artísticas, autoridades e homenagens, em um clima que combina festa, resistência e afirmação de cidadania, elementos que consolidaram a Parada como um dos maiores eventos de rua do calendário oficial de Salvador e da Bahia. Levantamentos anteriores reforçam o peso turístico, econômico e cultural do evento. Pesquisa de demanda turística realizada pela Secretaria de Turismo do Estado da Bahia (Setur) durante a 17ª edição registrou gasto médio individual de R$ 940,56 por participante, com permanência média de 5,5 pernoites em Salvador e taxa de aprovação de 83,3% entre os que afirmaram que participariam novamente. Estimativas do GGB para a edição de 2026 projetam injeção mínima de R$ 18 milhões na economia da capital baiana em um único dia de Parada, valor superior ao impacto médio estimado para grandes shows e jogos realizados na capital baiana. Além da mobilização turística e econômica, o GGB protocolou pedido para que a Parada do Orgulho LGBT+ Bahia seja formalmente reconhecida como Patrimônio Cultural Imaterial de Salvador. O dossiê de fundamentação, encaminhado à Fundação Gregório de Mattos com base na Lei Municipal nº 8.550/2014 e no Decreto Municipal nº 27.179/2016, defende a inscrição do bem nos Livros de Registro das Celebrações e dos Lugares. O argumento da entidade é que, ao longo de 23 edições ininterruptas, a Parada consolidou-se como rito coletivo de resistência, território simbólico de cidadania e espaço de transmissão intergeracional de saberes organizativos, tendo inspirado a criação de mais de 60 paradas e caminhadas de bairro em Salvador. Em paralelo ao pedido de reconhecimento, o GGB lançou o manifesto político “Orgulho e Saúde Coletiva – Uma Narrativa de Cura”, documento que fundamenta o tema da 23ª edição e detalha o diagnóstico das limitações do poder público no atendimento à saúde da população LGBTQIAPN+, além de defender a ocupação do espaço público como ferramenta de cuidado coletivo. O manifesto completo está disponível para download no site do GGB. A 23ª Parada do Orgulho LGBT+ Bahia é realizada pelo Grupo Gay da Bahia (GGB), com patrocínio do Estado da Bahia, Prefeitura de Salvador, Câmara de Comércio e Turismo LGBT do Brasil, InterPride, ILGA World e Zoom Cruising Bar. Serviço Data: 6 de setembro de 2026 (domingo) Horário: 12h (Concentração) / 15h (Desfile de trios) Local: Circuito Barra/Ondina Realização: Grupo Gay da Bahia (GGB) Patrocínio: Estado da Bahia, Prefeitura de Salvador, Câmara de Comércio e Turismo LGBT do Brasil, InterPride, ILGA World e Zoom Cruising Bar
Padrinhos de honra: Salete Maria e Luiz Mott

A 23ª edição da Parada do Orgulho LGBT da Bahia ganhou seus padrinhos de honra: a cordelista e professora Salete Maria, da Universidade Federal da Bahia (UFBA), e o antropólogo Luiz Roberto de Barros Mott, fundador do Grupo Gay da Bahia (GGB), criado em 1980. A escolha não poderia ser mais simbólica, une a força da tradição popular nordestina à vanguarda científica que ajudou a fundar o movimento LGBT brasileiro.
ESG e Orgulho

Orgulho e Saúde Coletiva: a diversidade que cura – e o ESG que transforma e Escolhe o Lado da Vida Marcelo Cerqueira No dia 6 de setembro, o Farol da Barra será palco da 23ª Parada do Orgulho LGBT+ da Bahia. O tema deste ano,” Orgulho e Saúde Coletiva” não é slogan. É diagnóstico. E convite ao mundo corporativo. Começo pelo diagnóstico. Estudo do Banco Mundial revelou o que já sabíamos: a taxa de desemprego entre pessoas LGBTI+ é de 15,2%, o dobro da média nacional (7,7%). Entre travestis e pessoas trans, aproximadamente 70% não concluíram o ensino médio e apenas 0,02% estão no ensino superior. Uma professora da UNEB me disse: “Coitadas, quando se formam não conseguem emprego.” Uma pessoa LGBT+ é morta a cada 34 horas. Jovens LGBT têm no suicídio a 4ª causa de morte. Isso não é genética, é violência estrutural, passivo de séculos de colonização, discriminação e abandono institucional. O Estado republicano tem o dever constitucional de prover saúde, mas sempre nos tratou como patologia. A homossexualidade só deixou de ser doença no Brasil em 1985, por pressão do Grupo Gay da Bahia e do doutor Luiz Mott, extinguindo o CID 302. A OMS só fez o mesmo em 1990. A Política Nacional de Saúde Integral LGBT existe desde 2011, mas não saiu completamente do papel. Profissionais não são capacitados. Pessoas trans que ainda não fizeram retificação são tratadas pelo nome morto, cuidado é negado. É aí que o orgulho entra como tecnologia de cuidado. Orgulho é o antídoto para a vergonha que nos ensinaram desde a infância. Quando milhares ocupam a rua no Farol da Barra, desativam, um corpo de cada vez, o mecanismo do isolamento e da culpa. Produzem saúde em escala populacional. A Parada é o maior dispositivo de saúde comunitária do estado, sem jaleco, sem burocracia, na rua. A Parada é a reocupação do espaço que nos foi negado. A cada edição, gravamos no território uma marca simbólica permanente que não se apaga. Ouço falar em “fadiga de pauta”. A suposta fadiga é o álibi de quem nunca precisou lutar para respirar. O que saturou foi a hipocrisia de marcas que celebram o orgulho enquanto financiam opressores. A saturação não é da pauta, é da performance vazia que coloca arco-íris na fachada e mantém a travesti no subemprego. Estamos diante de um realinhamento de longo prazo: a era da visibilidade contemplativa acabou. O recuo no apoio corporativo é a resposta imunitária de um sistema que não quer ceder privilégios. Precisamos abandonar a “simpatia corporativa” e construir força política e econômica autônoma. Dito isso, o convite às empresas que escolhem o lado certo. O mercado LGBT movimenta R$ 400 bilhões por ano. Setenta e três por cento desse público prefere marcas comprometidas e boicota as omissas. Empresas diversas são 36% mais competitivas (McKinsey). Apoiar a Parada é ação concreta de ESG. No Social, é investir em equidade onde o braço do Estado não alcança. Governança, é demonstrar que direitos humanos são recurso no território, não discurso. No Ambiental, é apoiar um evento sustentável. Não há ESG consistente sem diversidade real. Não há diversidade sem enfrentamento ao adoecimento que o sistema produz. A 23ª Parada do Orgulho LGBT+ da Bahia acontece em 6 de setembro, no Farol da Barra. O tema é saúde coletiva. O remédio é o orgulho. A receita é coletiva. Sua empresa pode escolher o lado da vida. Marcelo Cerqueira é historiador, Escritor, Estrategista da Diversidade. jornalista (DRT 2135-BA) e diretor executivo do Grupo Gay da Bahia (GGB).
Conversas que Conquistam

“Conversas que Conquistam”: Marcelo Cerqueira lança guia de comunicação política ancorado no poder das histórias Em tempos de saturação informacional e eleitores cada vez mais críticos, o historiador e jornalista Marcelo Cerqueira apresenta “Conversas que Conquistam: como dialogar e engajar eleitores de forma eficaz” – um guia prático para candidatos, assessores políticos e lideranças comunitárias que querem ir além dos números e alcançar o que realmente move decisões: as histórias.“A política nasce do encontro entre pessoas. Antes dos discursos, das propostas e das estratégias eleitorais, existe algo essencial: a capacidade de estabelecer diálogos verdadeiros e construir relações de confiança”, afirma o autor.A obra parte de um princípio simples e comprovado pela neurociência: o cérebro humano absorve histórias com muito mais facilidade do que números. Com base nessa premissa, Cerqueira defende que o candidato precisa se apropriar do método do storytelling – uma abordagem de comunicação que une história (history) e storytelling para criar narrativas que o eleitor não esquece.“O candidato precisa dominar o storytelling: contar sua trajetória, seus valores e suas propostas de forma que o eleitor se veja naquela história. É sobre criar identificação, não apenas informar”, explica Marcelo Cerqueira.Ao longo dos capítulos, o leitor percorre os desafios reais de uma campanha: da decisão de construir uma candidatura à escolha de um projeto político coerente, passando pela organização da base de apoio e pelo desenvolvimento de uma comunicação que transforma ideias em mobilização.Com ferramentas práticas, o livro ensina a:Conhecer o eleitor- além dos dados demográficos, suas dores, sonhos e repertório cultural;Elaborar mensagens claras – que conectem propostas à vida real de quem ouve;Fortalecer a presença nas redes sociais – sem perder a autenticidade do contato humano;Valorizar o porta a porta – resgatando a potência histórica do encontro presencial como estratégia de vínculo.“Em uma sociedade marcada pelo excesso de informações e por eleitores cada vez mais atentos, apenas falar já não é suficiente. É preciso saber ouvir, compreender necessidades, reconhecer histórias e criar conexões reais. O eleitor contemporâneo busca representantes capazes de dialogar com sua realidade, suas dificuldades e seus sonhos”, completa Cerqueira. Clube de Autores https://clubedeautores.com.br/livro/conversas-que-conquistam
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Grupo Gay da Bahia A BIOPOLÍTICA DO ORGULHO: POR QUE RESSIGNIFICAR É UM ATO DE SOBREVIVÊNCIA Manifesto sobre a transmutação da vergonha em soberania política e saúde coletiva – 28 de junho de 2026 1. A Transmutação do Léxico: Da Soberba à Soberania Neste 28 de junho de 2026, o Grupo Gay da Bahia (GGB) convoca a sociedade a uma reflexão profunda sobre a semântica da nossa existência. Historicamente, a palavra “orgulho” foi capturada pelo léxico moral e religioso, sendo confinada à categoria da soberba, do pecado e da arrogância. No entanto, para as populações LGBT+, a ressignificação deste termo não foi um exercício de vaidade, mas uma estratégia biopolítica de sobrevivência. Onde o sistema de opressão, estruturado pelo racismo e pela LGBTfobia, impunha a vergonha como ferramenta de controle, silenciamento e produção de morte, nós erguemos o orgulho como o antídoto clínico fundamental. A vergonha é o principal dispositivo da necropolítica; ela desarticula os laços comunitários e induz ao autoextermínio simbólico e físico. Ressignificar o orgulho é, em última análise, um ato de soberania política. Enquanto a vergonha opera como um dispositivo de adoecimento mental e isolamento social, o orgulho atua como um escudo de proteção psicossocial. Ele retira o sujeito da condição de “patologia” e o reposiciona como um cidadão pleno. Como bem assevera o antropólogo e fundador do GGB, Luiz Mott, em sua trajetória decolonial: “Não é crime ser homossexual, não é pecado e não é doença. É somente o preconceito”. Para Mott, a afirmação da identidade é o primeiro passo para a desconstrução das estruturas de poder que tentam nos apagar através do epistemicídio e da marginalização. 2. O GGB como Sentinela das Liberdades e a Ciência da Resistência A trajetória do GGB é o testemunho vivo desta ressignificação. Desde a nossa fundação em 1980, atuamos como a sentinela das liberdades no Brasil. O marco de 1985, quando lideramos o movimento que forçou o Conselho Federal de Medicina a retirar a homossexualidade do rol de patologias, foi a materialização política desse orgulho. Ao despatologizar nossos corpos, o GGB não apenas alterou um código médico; ele devolveu a soberania psíquica a milhões de brasileiros. A resistência que operamos não é meramente reativa, ela é fundamentada em uma ciência da resistência. Luiz Mott reforça a necessidade de olhar para trás para caminhar adiante: “Nossa ancestralidade é a prova de que sobrevivemos a todos os projetos de extermínio. A história da homossexualidade cala a boca dos ignorantes, pois mostra que sempre estivemos aqui, construindo civilizações, artes e saberes”. Esta perspectiva de Intelectual Orgânico nos permite entender que o orgulho é uma tecnologia ancestral de preservação da vida, transmitida por aqueles que, antes de nós, recusaram o armário como destino. 4. Orgulho como Estratégia Interseccional de Saúde Coletiva Para um ativista de Saúde Coletiva, o orgulho é um determinante social de saúde de primeira ordem. Uma comunidade que se orgulha de sua trajetória é uma comunidade que se cuida, que ocupa espaços de controle social e que exige políticas públicas estruturantes. Este orgulho é indissociável da luta antirracista; ele reconhece que a vulnerabilidade é acentuada pelo racismo estrutural, que impõe às pessoas LGBT+ negras uma dupla camada de exclusão. A emancipação só é possível através da interseccionalidade ativa. Não há saúde coletiva sem o enfrentamento da LGBTfobia, assim como não há orgulho pleno sem a erradicação do racismo. Como pontua Luiz Mott: “A nossa luta é uma só: pelo direito de ser, existir e amar sem o peso da opressão científica ou religiosa”. O orgulho, portanto, é a nossa maior tecnologia de resistência. Ele é a recusa definitiva de morrer de vergonha e a afirmação inegociável do direito à vida. Em 2026, continuamos em marcha, transformando o estigma em dignidade, a exclusão em poder político e a ciência em ferramenta de libertação. 5. O Legado de Luiz Mott: Intelectualidade Orgânica e Vanguarda Global A trajetória do GGB é indissociável da obra de Luiz Mott, um intelectual orgânico cuja visão antecipou em décadas os debates contemporâneos sobre interseccionalidade e direitos civis. Mott não apenas fundou uma organização em 1980, em plena ditadura militar; ele fundou uma nova forma de pensar a brasilidade. Sua atuação na SBPC (Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência) entre 1981 e 1985 foi um exercício de desobediência epistemológica, desafiando a medicina a abandonar o estigma. Como Mott frequentemente assevera: “O GGB não é apenas um grupo de pressão, é uma usina de produção de novos sentidos para a vida humana. Nossa luta é para que o amor deixe de ser um caso de polícia ou de psiquiatria e passe a ser um valor civilizatório fundamental”. Sua obra, que mapeia a inquisição e a resistência homossexual desde o período colonial, posiciona o Brasil no centro do debate global sobre direitos humanos. Mott compreendeu, antes de muitos, que a saúde pública para a população LGBT+ começa com a derrubada dos muros do armário, que ele define como “a mais insalubre das prisões”. 6. Geografia do Cuidado: Salvador, Periferias e a Rede de Proteção A atuação do GGB em Salvador, a “Roma Negra” exige uma análise territorial profunda. A nossa sede não é apenas um endereço administrativo, mas o epicentro de uma geografia do cuidado que se estende às periferias mais vulnerabilizadas. O Centro de Referência LGBT Vida Bruno e o Observatório de Mortes Violentas de LGBT+ no Brasil operam como nós vitais de uma rede de proteção à vida que desafia a omissão da sociedade. O Observatório cumpre a função técnica de transformar a dor em dado político, combatendo a invisibilidade que precede o extermínio. Nas periferias de Salvador, onde o racismo institucional e a LGBTfobia se cruzam de forma letal, o GGB atua na base, promovendo a vigilância em saúde e o acolhimento psicossocial. Entendemos que a vulnerabilidade não é inerente aos nossos corpos, mas produzida por um território que nos nega o acesso à cidade. O Centro Vida Bruno, ao oferecer suporte jurídico e técnico, inverte a lógica da violência, transformando o trauma em articulação
Que Orgulho é Esse?

A Biopolítica do Orgulho: Por que Ressignificar é um Ato de Sobrevivência Por: Redação Historicamente, fomos ensinados que o “orgulho” habita o território do pecado. No léxico moral e religioso, ele é a soberba, a arrogância, o sentir-se superior. Mas para nós, populações LGBT+, ressignificar essa palavra nunca foi um exercício de vaidade. Foi, e continua sendo, uma estratégia biopolítica de sobrevivência. No contexto em que vivemos, a ressignificação do Orgulho é uma das maiores disputas de narrativa da história contemporânea. Onde o sistema de opressão, estruturado pelo racismo e pela LGBTfobia, tentou nos impor a vergonha como ferramenta de controle e silenciamento, nós erguemos o orgulho como o nosso antídoto clínico fundamental. O Escudo contra a Vergonha Ressignificar o orgulho é, em última análise, um ato de soberania. Enquanto a vergonha opera como um dispositivo de adoecimento mental e isolamento social, o orgulho atua como um escudo de proteção. Ele retira o sujeito da condição de “patologia” e o reposiciona como um cidadão pleno. Como bem assevera o antropólogo e nosso fundador, Luiz Mott: “Não é crime ser homossexual, não é pecado e não é doença. É somente o preconceito. A história da homossexualidade cala a boca dos ignorantes.” Para Mott, a afirmação da identidade é o primeiro passo para implodir as estruturas de poder que tentam nos apagar. O GGB, como sentinela das liberdades desde 1980, materializa esse orgulho em dados, através do nosso Observatório, e em acolhimento real no Centro Vida Bruno. Em 2026, o orgulho permanece como nossa maior tecnologia de resistência: a recusa definitiva de morrer de vergonha para viver de dignidade. A Genealogia da nossa Resistência O Antídoto à Vergonha. O racismo estrutural e a LGBTfobia adoecem através do isolamento. Como dizia a ativista Brenda Howard: “O oposto da vergonha não é a modéstia, é o orgulho”. Não queremos ser “melhores que os outros”, queremos apenas recusar a vergonha que nos foi designada. De Patologia a Identidade Política. Em 1985, quando o GGB lutou pela despatologização, estávamos retirando o orgulho do campo do “desvio mental” para colocá-lo no campo da dignidade. Uma pessoa com Orgulho LGBT+ é, antes de tudo, alguém que sobreviveu ao apagamento planejado. A Estética da Resistência. Nossa aposta em linguagens como a Pop Art reflete essa mudança. Pegamos o que foi marginalizado e o elevamos ao status de arte e celebração. O orgulho é a consciência política de que nossa existência não é apenas legítima, ela é necessária.