Desparasite-se

Imagem meramente ilustrativa ATENÇÃO: DESPARASITE- SE AINDA HOJE MESMO Marcelo Cerqueira O texto parece com ficção, só que não. Muitos dos incômodos que atacam o nosso corpo vêm de parasitas escondidos no organismo-e não, especificamente, do estômago, porque essa região é de hostilidade brutal: nem os fortes sobrevivem lá dentro. Eles sabem disso e vão para o intestino delgado (duodeno e jejuno), o cólon (intestino grosso), o sangue e os vasos; podem migrarem para o fígado, o coração e o cérebro-e, quando chegam a essas últimas regiões, a tragédia acontece. Eles não fazem barulho, porque quem quer pegar galinha não diz “xó”. Roubam sangue, vitaminas, minerais e disposição à vontade, em silêncio, às vezes por anos seguidos – e você, cada dia parecendo uma uva-passa que restou do Natal passado. Você acorda cansado, com a pele sem brilho, a barriga estufada e o intestino preguiçoso; vai ao sanitário, se contorce como se fosse parir (O Bebê de Rosemary, 1968) e não sai nada – e acha que é nervoso. Não é. É uma colônia inteira fazendo festa lá dentro de você. E há mais agravantes, todos evitáveis: alguns parasitas passam de pessoa para pessoa no ato sexual – oxiúros e Giardia adoram um contato íntimo. A via clássica é a fecal- oral (mãos, água, alimentos), mas o prazer também pode ser porta de entrada: da boca ao bumbum, sem escala e aviso. Então, para viver bem e se relacionar bem, sem culpa e sem problema, desparasite-se. A comunidade já entendeu: é ritual de beleza, todo ano, para ficar linda, bonita, leve e sempre livre. Banho antes e depois, mãos limpas e a dose anual: prazer sem parasita. O ritual desparasitante é simples e termina no balcão da farmácia próxima. Peça no balcão um desparasitante (albendazol ou mebendazol), peça um copo d’água e tome ali mesmo, na hora. Pronto, vai embora. Evite levar para usar depois: o diabo é sujo e o pior pode acontecer. Sem receita, sem exame, sem drama, por no máximo R$ 10 – esse é o popular, muito eficiente. Se você não nasceu bonita, mas nasceu rica, existe também o “Annita” (princípio ativo: nitazoxanida), feito sobretudo para protozoários como a Giardia. Querido leitor do nosso Bnews, creia: no outro dia, o corpo agradece. Você acorda mais leve, com vontade de tomar um banho caprichado, a pele mais viva e mais disposição para os dias seguintes. E quem passava dias sem conseguir ir ao banheiro, quando, depois de muito se contorcer, sai uma coisinha de nada, descobre a verdade: prisão de ventre crônica não é destino. Tem muitas causas; quando nada explica, vale investigar o cúmplice invisível com o médico. Tem algo que você precisa saber logo. O que chamei de colônia, na verdade, se parece mais com uma bomba de fragmentação que explode lançando estilhaços a 360 graus: cuidado com a bomba parasita. Isso acontece quando duas, três ou mais espécies convivem no mesmo corpo. Não nasce um “híbrido”, como na ficção, nasce uma coinfecção, e a coisa fica muito pior. Para você entender melhor, exemplo não faltaria, amado leitor do Bnews: lembra da filha de Bella e Edward, a Renesmee, na Saga Crepúsculo: Amanhecer – Parte 1 (2011)? A espécie nasceu de um vampiro e uma humana, absurdamente superpoderosa; desde a barriga, drenou o corpo de Bella, que quase morreu no parto. Esse é um exemplo horrível. Só que aqui o superpoder é te deixar sem energia: quanto mais espécies morando juntas, mais estrago no corpo. Quando a espécie põe ovos, é quase uma explosão nos órgãos vitais, coração, fígado e cérebro; as larvas minúsculas chegam até a cabeça. Veja que curioso: Andy Warhol escreveu que a Coca- Cola é o símbolo máximo da igualdade social e democrática dos Estados Unidos, pois ricos e pobres consomem exatamente o mesmo produto (A Filosofia de Andy Warhol, 1975). Os parasitas são mais democráticos ainda: estão em toda a humanidade, e combatê-los é luta diária de todos, e da higiene. Limparam toda a burocracia de acesso: nos postos de Saúde da Prefeitura de Salvador, qualquer especialidade pode liberar as guias de exames; com a receita, você pega gratuitamente o medicamento de dose única.Você pode procurar qualquer laboratório e fazer esses exames, mesmo sem requisição, e leva o resultado ao médico. Todos os postos de saúde da SMS dispensam esses desparasitantes. Se você tem dinheiro até pra cueca bonita, tem pra desparasitante: compre o seu na farmácia, tome ali mesmo e deixe o do posto pra quem não tem nada. Ah! Se você tem parceiros ou ficante fixo, não esqueça deles, senão não adianta nada. Bote um lembrete na porta da geladeira: você tem esse compromisso anual consigo e com quem se relaciona. Solidariedade também é prevenção. É um bom presente de Natal! Grávidas (sobretudo no início da gestação), crianças pequenas e quem tem problema no fígado devem conversar com o médico antes. Não espere: vá correndo à farmácia mais próxima, hoje. Salve e envie pra quem você ama. Estrategista de Diversidade e Inclusão, Escritor e Gestor Público da Prefs , Presidente GGB
O fim do santinho, o começo da moralidade

Mulher cai em buraco escondido por santinhos perto de local de votação em SalvadorImagem: Reprodução/TV Bahia GGB protocola no TRE-BA pedido para proibir “santinhos” em Salvador: “Sem santinho, não há boca de urna. E a ‘Ronda Cidade Limpa’ é passar pano no crime” Entidade defende que a proibição da impressão é a única forma eficaz de combater a compra de votos, proteger idosos e pessoas com deficiência e impedir que a cidade vire lixeira a cada eleição Salvador, 3 de outubro de 2026 -O Grupo Gay da Bahia (GGB), uma das mais antigas e atuantes organizações de defesa dos direitos humanos do Brasil, protocolou nesta sexta-feira, no Tribunal Regional Eleitoral da Bahia (TRE-BA), um requerimento que propõe a proibição da confecção, impressão e distribuição de “santinhos”, cartazes, filipetas e materiais congêneres em Salvador. O documento, assinado pelo Diretor Executivo do GGB, Marcelo Cerqueira, foi endereçado ao presidente do TRE-BA, desembargador Maurício Kertzman Szporer, com cópias à Corregedoria Regional Eleitoral, ao Ministério Público Eleitoral, ao Ministério Público do Estado da Bahia -Núcleo Eleitoral, na pessoa do coordenador Dr. João Paulo Schoucair, e à Câmara Municipal de Salvador. A incoerência que o GGB quer corrigir na origem. O argumento central do requerimento é a defesa da moralidade eleitoral: o santinho é o veículo material da boca de urna e da captação ilícita de votos. “Sem santinho, não há boca de urna; sem boca de urna, não há pagamento nem compra de votos. A lei já proíbe o crime, mas tolera o seu combustível. É essa incoerência que queremos corrigir na origem”, afirma Marcelo Cerqueira. O eleitor também é vilão: quem pede, empurra o candidato ao crime. Em um trecho de leitura dura, o requerimento aponta um personagem que a narrativa oficial prefere ignorar: o próprio eleitor que cobra o santinho. “É preciso dizer a verdade que incomoda: existe eleitor que faz pedidos estranhos e ilegais -exige o papelzinho na mão, cobra o ‘agrado’, negocia o voto como quem negocia mercadoria. Esse eleitor é o que empurra o candidato para a ilegalidade. Enquanto houver quem peça, haverá quem imprima; enquanto houver quem aceite, haverá quem compre”, afirma Cerqueira. “Não se trata de absolver o político. Trata-se de reconhecer que a compra de votos é um pacto de dois lados -e que a proibição do papel quebra esse pacto pelos dois lados.” Observando ainda que o eleitor não é tirano, chantagista e terrível nessa relação com o candidato, fazendo com o que muitos desenvolvam traumas e sequelas para sempre. O eleitor também é vilão: quem pede, empurra o candidato ao crime. Em um trecho de leitura dura, o requerimento aponta um personagem que a narrativa oficial prefere ignorar: o próprio eleitor que cobra o santinho. “É preciso dizer a verdade que incomoda: existe eleitor que faz pedidos estranhos e ilegais – exige o papelzinho na mão, cobra o ‘agrado’, negocia o voto como quem negocia mercadoria. Esse eleitor é o que empurra o candidato para a ilegalidade. Enquanto houver quem peça, haverá quem imprima; enquanto houver quem aceite, haverá quem compre”, afirma Cerqueira. “Não se trata de absolver o político. Trata-se de reconhecer que a compra de votos é um pacto de dois lados – e que a proibição do papel quebra esse pacto pelos dois lados.” E aqui o requerimento faz uma ressalva necessária, para que a crítica não se transforme em injustiça: o eleitor não é tirano, não é chantagista, não é um monstro nessa relação com o candidato. Ele é, muitas vezes, a vítima de um sistema que ensinou que o voto tem preço, que a política é troca e que o “agrado” é a única forma de ser ouvido. Mas a verdade incômoda permanece: essa relação tóxica – em que um pede e o outro cede, uma cobra e o outro se submete – deixa traumas e sequelas para sempre, também no candidato, que se vê obrigado a negociar a própria dignidade para não perder a disputa. Não há vencedores nesse pacto: há quem compre a consciência e há quem venda a alma. A proibição do papel liberta os dois lados. “Ronda Cidade Limpa” é passar pano. O GGB também dirige crítica direta à campanha “Ronda Cidade Limpa”, lançada pelo próprio TRE-BA em 25 de setembro para recolher material de propaganda nas ruas no dia da votação. Para a entidade, a iniciativa -que atua às 7h, 11h e 15h em Salvador -é o equivalente institucional a passar pano no crime: “Recolher o santinho depois que ele suja a rua não combate a boca de urna; apenas esconde a sujeira que o crime produziu. É como varrer a cena do crime em vez de impedir o crime. A ‘Ronda Cidade Limpa’ cuida do efeito, não da causa. Nós queremos atacar a causa: a impressão do papel”, diz o documento. Cerqueira argumenta o exemplo da eleição Francesa “Não existe boca de urna, gente na rua assediando, lixo na rua e o voto secreto é extremamente levado a sério” disse. A dimensão humana: o voto não pode ser prova de resistência física. A proposta tem uma dimensão humana que atravessa todo o documento. Pessoa com mobilidade reduzida, Cerqueira descreve a batalha diária de percorrer as calçadas desniveladas de Salvador e o temor de idosos e pessoas com deficiência de sair de casa no dia da eleição. “O voto não pode ser uma prova de resistência física. Nenhuma pessoa deve escolher entre o direito de votar e a segurança do próprio corpo”, diz. Os números dão a dimensão do drama: 7,3% da população brasileira possui algum tipo de deficiência -14,4 milhões de pessoas, sendo 1.094.632 na Bahia (Censo Demográfico 2022, IBGE). E a história já registrou o pior desfecho possível: uma eleitora idosa de Bauru (SP) morreu em 2012 após escorregar em um monte de santinhos perto do local de votação, sofreu fratura na bacia e faleceu três dias depois por complicações do trauma -caso relembrado pelo próprio TRE-SP neste mês. A cidade vira lixeira: os fatos que os jornais registraram As evidências
Prazer, Prevenção e Liberdade

Imagem dos produtos Saúde que começa onde ninguém tinha coragem de olhar: O presente na Parada LGBT que fala de prazer, prevenção e liberdade Marcelezza Cerqueira Olá, queridos leitores! Sentiram minha falta? Eu estava com saudades deste espaço. Andei sumido porque estava em uma missão muito especial, que me consumiu o tempo inteiro. Mas agora, como dizia a inesquecível Cármen Miranda, “voltei pro morro, onde está o meu cachorro, a minha chinela, eu quero sambar com elas”. E voltei trazendo um presente que recebi durante a Parada do Orgulho LGBT da Bahia, no dia 6 deste mês: um mimo incrível da Meke Life, um kit proctológico de altíssimo nível. O kit é completo e pensado com detalhes que me surpreendeu. Vem com sabonete líquido de 100 ml para higienização e cuidado da região anal (o Protect Wash), bisnaga com aplicador de hidro-enema, um bico adaptador de chuca que serve em qualquer garrafa plástica com água – o que mais me encantou – adorei um lenço umedecido caixa com 20 unidades exclusivo para limpeza e higienização da região, o Wipe Wash, que tem ácido hialurônico e Biosaccharides Active, com ação hidratante e calmante. Acho que poderia ser em quantidades como os demais para bebê, caixa com 100 unidades e o sabonete ao invés de 100 deveria ter 210ml, como são os outros. O lencinho, aliás, faz uma espuma agradabilíssima no uso. Tudo isso agora disponível em farmácias e aplicativos de compra, sem constrangimento, sem sussurro no balcão como antes, quando esse assunto era envolto em muito tabu. Agora, o tabu acabou, e eu escrevo lindo aqui no nosso BNews, sem vergonha de falar daquilo que, dizem, Deus não teve coragem de criar. E é aqui que mora a beleza da coisa: esses produtos acabam com aquele tabu que sempre cercou essa região e seus cuidados. Estamos no início de novos tempos modernos, em que aceitação, cuidado e prevenção caminham juntos, inclusive nas questões mais particulares do nosso corpo. Esse cuidado importa não só pelo conforto em si, prazer, mas pela prevenção do câncer de ânus, uma pauta de saúde que raramente ganha espaço nas conversas públicas. Quando esse assusto surge sai pela tangente do “lá ele” e o assunto acabo. É verdade ou não é – é verdade sim! Seja dito, com a autoridade de quem vive isso. Em mais de 30 anos de ativismo, sobretudo na saúde, me deparei apenas uma vez com alguém sofrendo de câncer nessa região. Sem dúvida, os gays não são imunes, mas é verdade que eles fazem do cuidado um hábito. Acredito, pela minha experiência que as gays desenvolvem menos câncer nessa região do que as outras pessoas, o que pode ser pelo cuidado. Uma amiga minha, a bióloga Josane Calina, me disse há muito tempo uma frase que eu nunca esqueci e é uma tecnologia de prevenção: “abriu, deixou entrar, tem que tratar”. Esse conceito serve para todo mundo, não é privilégio de grupo específico. Acredito que a diferença é que nós, da comunidade, conhecemos bem o nosso corpo. O contato quase diário com essa região nos tornou, sem falsa modéstia, especialistas em nós mesmos. Esse trato ressignificou o órgão recebendo o nome de “Edi” usado em alusão amplamente na comunidade. Quem conhece o próprio corpo cuida melhor dele, identifica antes o que não vai bem e procura ajuda a tempo. Por isso, mais um auxílio à prevenção como este kit é uma ação muito boa. E vai além do produto: é pedagogia embalada em espuma perfumada. É dizer a milhares de pessoas que cuidar do próprio prazer não é vergonha, é saúde, dignidade, cidadania. Fica aqui, portanto, minha provocação final, feita com o carinho de sempre: o SUS deveria incluir um kit como este em sua estratégia de prevenção, na promoção da saúde sexual dessa comunidade, inicialmente como pedagogia. Há quem já esteja fazendo isso como política pública aqui na cidade: o Centro de Referência Vida Bruno, da Prefeitura, por meio da Secretaria de Reparação, está distribuindo gratuitamente, além de preservativos, gel lubrificante e kit de chuca para higiene íntima, um upgrade na prevenção e no cuidado. Essas ações de empresas e órgãos públicos são prevenção que respeita a vida real das pessoas, no território, na periferia, na intimidade de cada corpo prevenção que funciona de verdade. Saúde, não é apenas ausência de doença; é liberdade de ser. E liberdade, às vezes, começa exatamente onde ninguém tinha coragem de olhar. Um beijo com espuma de lencinho, e até a próxima! Marcelezza Cerqueira Estrategista da Diversidade, Escritor e Gestor Público
Parada do Orgulho LGBT+ Bahia reúne milhares na Barra e anuncia novidades para 2027

Palco Luiz Mott 80 anos de Mamória e Insurgência Parada do Orgulho LGBT+ Bahia reúne milhares na Barra e anuncia novidades para 2027 Uma multidão ocupou a orla da Barra, em Salvador, no domingo (6), para participar da 23ª Parada do Orgulho LGBT+ Bahia. O desfile, promovido pelo Grupo Gay da Bahia (GGB), reuniu 13 trios elétricos no tradicional circuito Barra/Ondina, com apresentações artísticas, shows, homenagens e manifestações em defesa dos direitos da população LGBTQIAPN+. A Parada transformou as ruas da capital baiana em espaço de celebração, visibilidade e luta por direitos humanos. Com o tema “Vergonha adoece. Orgulho cura!”, a edição de 2026 chamou a atenção para os impactos da vergonha, do estigma e da discriminação na saúde da população LGBTQIAPN+. A Parada questionou a ideia de que permanecer no “armário” representa proteção e destacou como o isolamento provocado pelo preconceito pode contribuir para o sofrimento e para o afastamento dos espaços de convivência e cidadania. A ocupação das ruas reafirmou o orgulho como instrumento de resistência, dignidade e direito à saúde. A vergonha é responsável pelo isolamento, pelo silêncio, pela invisibilidade, pela culpa, pelo medo e, principalmente, pelo adoecimento. Para o presidente do GGB, Marcelo Cerqueira, “a vergonha é um veneno; o orgulho é o antídoto. Orgulho não é arrogância: é encontro, cuidado, voz, ocupação, dignidade, potência e vida, tudo isso acontece quando a Parada ocupa as ruas”, afirmou. A programação começou no Farol da Barra com o Palco da Diversidade – Luiz Mott, 80 Anos de Memória e Insurgência, em homenagem ao antropólogo e fundador do GGB, que completou 80 anos. O trio do GGB contou com a presença dos padrinhos Luiz Mott e Salete Maria. Ao longo do percurso, artistas, movimentos sociais, torcidas organizadas e entidades da sociedade civil reforçaram as mensagens de orgulho, respeito e combate à discriminação. Para a próxima edição, prevista para 12 de setembro de 2027, a organização anunciou mudanças na programação. O sábado será marcado por uma Pré-Parada, com shows de bandas no Farol da Barra. Já no domingo, dia oficial da Parada, o Palco da Diversidade contará com apresentações de DJs e artistas drags. Em seguida, será realizado o tradicional cortejo dos trios elétricos pelo circuito Barra/Ondina. A mudança atende a questões logísticas, às altas temperaturas registradas no horário de concentração dos trios e aos pedidos do público por novos estilos musicais, além de buscar mais conforto e diversidade na programação. Realizada pelo Grupo Gay da Bahia, a 23ª Parada do Orgulho LGBT+ Bahia contou com patrocínio do Estado da Bahia, da Prefeitura de Salvador, da Câmara de Comércio e Turismo LGBT do Brasil, da InterPride, da ILGA World, do Zoom Cruising Bar e da i9Fans. Mais uma vez, o evento reafirmou Salvador como um dos principais palcos de celebração da diversidade e de mobilização em defesa dos direitos da população LGBTQIAPN+ no Brasil.
23ª Parada do Orgulho LGBT+ Programação

23ª Parada do Orgulho LGBT+ da Bahia anuncia programação completa: Semana Cultural da Diversidade transforma Salvador em capital do orgulho, da saúde e da memória IX Semana Cultural da Diversidade de Salvador movimenta a cidade entre os dias 1º e 6 de setembro, com literatura, fotografia, fé, esporte e cultura, culminando no cortejo histórico de 13 trios no Circuito Barra/Ondina SALVADOR, BA – O Grupo Gay da Bahia (GGB), a mais antiga organização de defesa dos direitos civis de pessoas homossexuais da América Latina, fundada em 1980, realiza entre os dias 1º e 6 de setembro a IX Semana Cultural da Diversidade de Salvador e a 23ª Parada do Orgulho LGBT+ da Bahia. Sob o tema “A Vergonha Adoece. O Orgulho Cura!” – um manifesto do orgulho como política de saúde coletiva -, o evento reafirma a capital baiana como o maior palco de direitos humanos, diversidade e saúde do Norte e Nordeste do país. A programação começa na terça-feira, 1º de setembro, no Pelourinho, coração da primeira capital do Brasil. Às 12h, o GGB lança o guia de turismo “Pelourinho: Tudo é Verdade”, um percurso pelas memórias LGBT+ de Salvador que resgata personagens históricos como Xica Manicongo, a primeira travesti documentada do Brasil (século XVI), Felipa de Sousa, processada pela Inquisição em 1592, e Luiz Delgado, degredado por sodomia em 1669. Equipado com QR Codes nas praças do Pelourinho, o guia remete ao lema de Jorge Amado e transforma o Centro Histórico em um arquivo vivo de resistência. No mesmo dia, abre a exposição fotográfica “Imagem do Orgulho”, na sede do GGB, com fotos 40×60 das paradas realizadas. Na sexta-feira, 4 de setembro, a partir das 15h, a sede do GGB recebe o Caruru da Diversidade, em homenagem a Cosme e Damião e aos Êres, com entrada solidária: 1kg de alimento para o programa Bahia Sem Fome. O sábado, 5 de setembro, é dedicado à literatura e à fé. Às 17h, na Livraria Terras Libres (Cine Glauber Rocha), acontece o Encontro de Narrativas Insurgentes — Salão Literário da Diversidade, com o lançamento do livro “Amor Sem Correntes: Um Manifesto pela Decolonialidade do Afeto”, do historiador e jornalista Marcelo Cerqueira, e do livro “Luiz Mott 80 anos Bem Vividos”, do antropólogo Luiz Mott, com organização de Marcelo Oliveira, Marcelo Cerqueira e Salete Maria. Às 18h, o Atraques dos Ojás percorre o caminho da Parada, do Porto ao Farol da Barra, amarrando tiras de pano branco da paz, sob a condução de lideranças do Candomblé. O grande dia chega no domingo, 6 de setembro, no Farol da Barra. Às 7h, o aulão “Dançar pela Vida” abre a manhã em alusão ao Setembro Amarelo, celebrando valores de amor, respeito, acolhimento e diversidade. Das 11h às 15h, o Palco Luiz Mott 80+ Bem Vividos reúne shows e performances com Scarleth Sangalo, Michele Lorem, Jocimar Ramos, Suzzy Baby Doll, Saphyra Luz, Sissy Zeta Jones, Dicca Rios, Joanne Labixa, Aloma (cover de Elza Soares), Brown Cover e Larissa Anjos, entre outras atrações, além das bandas Sylvia Patrícia, DJ Dubai e os Habibis, Moon Boy e Orisum. Às 15h30, o Trio Oficial Dragão Luiz Mott 80 Anos lidera o cortejo de 13 trios pelo Circuito Barra/Ondina, com concentração a partir das 12h no Farol. O trio oficial do GGB tem como padrinho o professor Luiz Mott e como madrinha a professora Salete Maria, com som dos DJs Prettin D’Kingo e Binho Gomez. A cerimônia de abertura contará com uma voz trans, seguida do Hino Nacional, interpretado por Larissa Anjos, e do Hino ao 2 de Julho, com Denni. Completam o desfile os trios da Diversidade, Dendê EC, Dion Santiago, A Dama do Pagode, Trio Movimentar, Torcida LGBTricolor, Torcida Orgulho Rubro Negro, Fórum Baiano LGBT, Chocolate Batidão, Mudança do Garcia, Ivanildo e GGL. SERVIÇO IX Semana Cultural da Diversidade de Salvador e 23ª Parada do Orgulho LGBT+ da Bahia Tema: “A Vergonha Adoece. O Orgulho Cura!” Quando: 1º a 6 de setembro de 2026 (Parada no domingo, 06/09) Onde: Pelourinho, Livraria Terras Libres, Porto e Farol da Barra Cortejo: Circuito Barra/Ondina – concentração às 12h, saída às 15h30 Realização: Grupo Gay da Bahia (GGB)
O Pelourinho como arquivo vivo

Foto meramento ilustrativa É Tudo Verdade II O Pelourinho, coração pulsante da primeira capital do Brasil, é frequentemente apresentado sob a lente do barroco colonial, das igrejas recobertas de ouro e do casario multicolorido. No entanto, sob as pedras irregulares do “pé de moleque”, subjaz uma cartografia de memórias reais: a das dissidências sexuais e de gênero que, desde o século XVI, desafiaram as normas da Coroa e da Igreja. Este guia propõe uma leitura decolonial do Centro Histórico, compreendendo-o como um arquivo vivo de resistência. Este Guia é embasado no lema de Jorge Amado, “Tudo é verdade”. Esta expressão sintetiza o propósito desta obra: narrar vidas reais, histórias verdadeiras de pessoas que existiram e resistiram no Pelourinho. “Tudo é verdade” é um convite a reconhecer que estas memórias são fatos históricos reais, não ficção. Este é um Guia Turístico interativo equipado com tecnologia QR Code, permitindo uma ponte entre o espaço físico e a profundidade digital. Historicamente, o Pelourinho foi o instrumento da punição pública, onde o Estado, e a Inquisição, buscavam punir os que fugiam às suas regras, ou mesmo domesticar corpos negros, indígenas e dissidentes. Contudo, onde houve repressão, houve também a invenção de modos de vida. Este documento não é apenas um roteiro turístico; é um ato de restituição memorial. É fundamental destacar a distinção metodológica deste guia: apresentamos personagens com vasta documentação histórica (como Xica Manicongo, Felipa de Sousa, Diogo Botelho, Luiz Mott, Vivaldo da Costa Lima e Carlos Bastos) e figuras da cena cultural e ativista contemporânea (como Júlio Cesar Habib), essenciais para a história viva do território. “Narrar estas vidas é desenterrar a verdade que a história oficial tentou sepultar sob o peso do mármore e do incenso.” SOBRE ESTE GUIA – REALIZAÇÃO E CONTEXTO Este Guia Turístico é parte integrante da 23ª Parada do Orgulho LGBT+ da Bahia, que será realizada em 6 de setembro de 2026 (domingo), no Farol da Barra, em Salvador, com o tema “Do Coração de Salvador para o Mundo”. O guia também integra a programação da 29ª Semana da Diversidade Cultural de Salvador. O título desta obra, “Tudo é Verdade”, remete ao célebre lema de Jorge Amado. O guia propõe-se a narrar histórias reais e verdadeiras da comunidade LGBTQIAPN+ do Pelourinho, sem conotação sexual, focando na construção da memória histórica e cultural da cidade. A realização deste projeto é do Grupo Gay da Bahia (GGB), a mais antiga instituição de defesa dos direitos LGBTQIAPN+ da América Latina, fundada em 1980 pelo antropólogo Luiz Mott. O Guia conta com o apoio dos demais participantes e parceiros institucionais do evento, unindo esforços para a preservação e divulgação de parte da nossa história, que até aqui esteve silenciada. O propósito desta obra é apresentar a memória LGBTQIAPN+ do Pelourinho como parte essencial da celebração da diversidade cultural de Salvador, conectando o patrimônio histórico à luta contemporânea por direitos. Este Guia é um material de Divulgação e Educação Patrimonial, a ser distribuído durante a programação oficial da Parada e da Semana da Diversidade, como uma estratégia que reafirma o compromisso com a visibilidade e o orgulho de nossas trajetórias. 3. COMO USAR ESTE GUIA E O SISTEMA QR CODE Para transcender a observação superficial, este Guia utiliza o Método ELI10 (Explicação em Camadas). Cada personagem ou localidade é analisado através de dez níveis de profundidade, permitindo que o visitante escolha o grau de imersão – do fato histórico imediato à ressonância simbólica contemporânea. O Guia Digital: Cada ponto do roteiro está sinalizado com um QR Code exclusivo. Claro, no Pelourinho.
É Tudo Verdade

Imagem meramente ilustrativa Roteiro turístico e etnográfico pelas vozes e memórias LGBT+ que as ruas do Centro Antigo de Salvador guardam em silêncio. Resumo rápido sem QR Code Salvador guarda uma história LGBT que remonta aos primeiros séculos da colonização. Documentos da Inquisição e outras fontes revelam homens e mulheres acusados de sodomia, relações homoeróticas e transgressões de gênero, registrando amores, encontros, perseguições e resistências. O roteiro recupera essa memória em seis pontos do Centro Histórico, associados a personagens documentados principalmente nos séculos XVI e XVII. O Pelourinho como arquivo vivo É Tudo Verdade II REALIZAÇÃOProf. DR.Luiz Mott, Professor Aposentado de Titular de Antropologia-Fundador do Grupo Gay da Bahia (GGB).Marcelo Cerqueira – Presidente do Grupo Gay da Bahia (GGB) Jaime Nascimento, professor convidado. CONTATOSLuiz Mott – WhatsApp: 71 98746-4830Marcelo Cerqueira – WhatsApp: 71 99989-4748Grupo Gay da Bahia (GGB) – Rua Frei Vicente, 25 – Pelourinho, Salvador PARADA 1 — MOSTEIRO DE SÃO BENTO FREI LUIZ MOREIRA — século XVII Frei Luiz Moreira era monge beneditino, tinha 42 anos e ocupava posição de grande prestígio dentro da Igreja: era letrado, pregador, Examinador das Ordens Militares e Abade Primacial da Ordem de São Bento. Residiu durante três anos no Mosteiro de São Sebastião, na Bahia. Sua história chegou até nós porque confessou perante a Mesa do Santo Ofício de Lisboa práticas homoeróticas com oito parceiros, quase todos jovens em torno dos vinte anos. Entre eles estava Jorge, mameluco de 18 anos e criado do abade, com quem manteve relações durante quatro ou cinco meses. Moreira descreveu aos inquisidores encontros sexuais em sua própria cela, durante o dia e à noite, e também nas fazendas pertencentes ao mosteiro. Outro parceiro foi Manoel de Bairros, estudante de 18 anos, com quem a relação teria durado cerca de um ano. Houve ainda Frei Manoel Cabral, monge de 20 anos, natural do Rio de Janeiro. O depoimento revela que o Mosteiro de São Bento não era apenas cenário religioso: suas celas e propriedades aparecem também como espaços de encontros homoeróticos. O próprio abade declarou que, além da sodomia, praticava com seus parceiros masturbação e “coxeta”. Sua trajetória permite penetrar numa dimensão raramente lembrada da vida conventual da antiga Salvador: desejos e relações sexuais conviviam com a disciplina religiosa e podiam cair sob a vigilância do Santo Ofício. LUIZ DELGADO — 1690 Luiz Delgado era violeiro e estanqueiro de tabaco e vivia em Salvador. Seu nome aparece associado ao soldado José Nunes, morador na região da Fonte de São Francisco, também conhecida como Fonte do Sapateiro. Em 1690, os dois ficaram ligados a um episódio ocorrido nos fundos do Mosteiro de São Bento, transformando esse lugar num dos pontos expressivos da geografia sodomítica da cidade. Segundo a documentação reunida por Luiz Mott, testemunhas observaram que Luiz Delgado e José Nunes “saíram mui suados” de trás do muro do convento, numa parte arruinada e coberta de arvoredo. A circunstância despertou suspeitas porque ambos já carregavam, segundo a fonte, “má fama” de cometer o chamado pecado nefando. A documentação registra ainda que corria em Salvador a notícia de que José Nunes recebera um anel de ouro de seu “amante benfeitor” e de que Luiz Delgado pagava o aluguel da casa onde o soldado morava. Presentes e ajuda econômica sugerem vínculos que ultrapassavam um encontro ocasional. O episódio mostra também como determinados espaços urbanos favoreciam encontros discretos. O muro arruinado e o arvoredo nos fundos de São Bento ofereciam relativa proteção aos olhos públicos. Muito antes dos modernos espaços de sociabilidade gay, os documentos já permitem reconstruir uma cartografia homoerótica de Salvador. 7.1. Camada 1: Os Fatos Violeiro português degredado para a Bahia por sodomia. Em Salvador, sua habilidade musical permitiu-lhe transitar entre diferentes estratos sociais, apesar do estigma de “degredado”. 7.2. Camada 2: O Degredo como Punição A Bahia era usada como depósito de “indesejáveis” da metrópole, criando uma sociedade de fronteira onde a norma era constantemente negociada. 7.3 a 7.10 Camadas 3 a 10: O Violão como Metáfora Sua vida ilustra a melancolia do exílio e a busca por pertencimento em uma terra estranha, onde a arte era um dos poucos espaços de manifestação da sensibilidade dissidente. PARADA 2 — IGREJA DA AJUDA PAULA DE SIQUEIRA — 1591–1592 Paula de Siqueira tinha cerca de 40 anos, era cristã-velha e morava na Rua de São Francisco. Compareceu perante a Primeira Visitação do Santo Ofício à Bahia, em 1591, e confessou sua relação com Felipa de Sousa, mulher casada que vivia perto da Igreja da Ajuda. Segundo Paula, Felipa começou a lhe enviar cartas de amor, recados e presentes, acompanhados de beijos e abraços. Essa aproximação durou cerca de dois anos. A própria Paula declarou ter compreendido que Felipa nutria por ela uma “ruim pretensão”, expressão inquisitorial que revela o olhar repressivo lançado sobre o desejo entre mulheres. Em certo domingo, Felipa levou Paula para dentro de sua câmara e fechou a porta. Ali mantiveram relações sexuais várias vezes pela manhã e novamente depois do jantar. O depoimento descreve explicitamente o contato entre seus corpos e registra que Paula assumia a posição que os inquisidores identificavam como masculina. É uma das descrições mais detalhadas de relações sexuais entre mulheres preservadas pela documentação inquisitorial do Brasil colonial. Paula também foi acusada pelo padre Baltazar de Miranda de ter lido o Livro de Diana, de Jorge de Montemayor. Em 20 de janeiro de 1592, foi recolhida à prisão juntamente com outras mulheres. Cinco dias depois, sua sentença foi publicada na Sé da Bahia diante do bispo, das autoridades e de “muita gente do povo”. PARADA 3 — LADEIRA DA MISERICÓRDIA XICA /” FRANCISCO” MANICONGO — 1591 Francisco Manicongo era uma pessoa africana escravizada por Antônio Pires, sapateiro que morava “abaixo da Misericórdia”, em Salvador. É nesse ponto preciso da cidade que a documentação inquisitorial de 1591 permite localizar uma das personagens mais discutidas atualmente na história LGBT brasileira. Um denunciante declarou ao Santo Ofício que Manicongo tinha entre os africanos da cidade fama de ser “somítigo”. Chamou especialmente sua atenção a
23ª Parada do Orgulho LGBT+ Bahia

23ª Parada do Orgulho LGBT+ Bahia será realizada em Salvador no feriado da Independência A 23ª Parada do Orgulho LGBT+ Bahia será realizada no dia 6 de setembro, véspera do feriado da Independência do Brasil, em Salvador. Organizado pelo Grupo Gay da Bahia (GGB), entidade fundada em 1980 e a mais antiga organização de defesa dos direitos civis de homossexuais da América Latina, o evento é considerado o maior ato público de direitos humanos, saúde coletiva e diversidade do Norte e Nordeste do país, reunindo tradicionalmente milhares de participantes ao longo do circuito Barra/Ondina. Com o tema “Vergonha adoece. Orgulho cura!”, a edição de 2026 convida a sociedade a refletir sobre o impacto da vergonha e do estigma na saúde da população LGBTQIAPN+. A proposta do GGB parte de um diagnóstico direto: o armário não protege, isola e adoece. Durante décadas, pessoas LGBTQIAPN+ foram tratadas como doentes e escondidas como vergonha alheia. A Parada, segundo os organizadores, inverte essa lógica ao afirmar que saúde não é ausência de doença, mas dignidade, além de que a cura passa por ocupar a rua coletivamente, sem pedir licença. A programação tem início às 11h, no Farol da Barra, com o “Palco da Diversidade”, que recebe apresentações de artistas drags e shows musicais. Nesta edição, o espaço homenageará Luiz Mott, em celebração aos 80 anos do antropólogo e fundador do GGB, reconhecido por sua trajetória de mais de quatro décadas na luta pelos direitos da população LGBTQIAPN+ no Brasil. Com concentração marcada para às 12h, o cortejo oficial sai às 15h do Farol da Barra, percorrendo o tradicional circuito Barra/Ondina. O cortejo reúne cerca de 10 trios elétricos, apresentações artísticas, autoridades e homenagens, em um clima que combina festa, resistência e afirmação de cidadania, elementos que consolidaram a Parada como um dos maiores eventos de rua do calendário oficial de Salvador e da Bahia. Levantamentos anteriores reforçam o peso turístico, econômico e cultural do evento. Pesquisa de demanda turística realizada pela Secretaria de Turismo do Estado da Bahia (Setur) durante a 17ª edição registrou gasto médio individual de R$ 940,56 por participante, com permanência média de 5,5 pernoites em Salvador e taxa de aprovação de 83,3% entre os que afirmaram que participariam novamente. Estimativas do GGB para a edição de 2026 projetam injeção mínima de R$ 18 milhões na economia da capital baiana em um único dia de Parada, valor superior ao impacto médio estimado para grandes shows e jogos realizados na capital baiana. Além da mobilização turística e econômica, o GGB protocolou pedido para que a Parada do Orgulho LGBT+ Bahia seja formalmente reconhecida como Patrimônio Cultural Imaterial de Salvador. O dossiê de fundamentação, encaminhado à Fundação Gregório de Mattos com base na Lei Municipal nº 8.550/2014 e no Decreto Municipal nº 27.179/2016, defende a inscrição do bem nos Livros de Registro das Celebrações e dos Lugares. O argumento da entidade é que, ao longo de 23 edições ininterruptas, a Parada consolidou-se como rito coletivo de resistência, território simbólico de cidadania e espaço de transmissão intergeracional de saberes organizativos, tendo inspirado a criação de mais de 60 paradas e caminhadas de bairro em Salvador. Em paralelo ao pedido de reconhecimento, o GGB lançou o manifesto político “Orgulho e Saúde Coletiva – Uma Narrativa de Cura”, documento que fundamenta o tema da 23ª edição e detalha o diagnóstico das limitações do poder público no atendimento à saúde da população LGBTQIAPN+, além de defender a ocupação do espaço público como ferramenta de cuidado coletivo. O manifesto completo está disponível para download no site do GGB. A 23ª Parada do Orgulho LGBT+ Bahia é realizada pelo Grupo Gay da Bahia (GGB), com patrocínio do Estado da Bahia, Prefeitura de Salvador, Câmara de Comércio e Turismo LGBT do Brasil, InterPride, ILGA World e Zoom Cruising Bar. Serviço Data: 6 de setembro de 2026 (domingo) Horário: 12h (Concentração) / 15h (Desfile de trios) Local: Circuito Barra/Ondina Realização: Grupo Gay da Bahia (GGB) Patrocínio: Estado da Bahia, Prefeitura de Salvador, Câmara de Comércio e Turismo LGBT do Brasil, InterPride, ILGA World e Zoom Cruising Bar
Padrinhos de honra: Salete Maria e Luiz Mott

A 23ª edição da Parada do Orgulho LGBT da Bahia ganhou seus padrinhos de honra: a cordelista e professora Salete Maria, da Universidade Federal da Bahia (UFBA), e o antropólogo Luiz Roberto de Barros Mott, fundador do Grupo Gay da Bahia (GGB), criado em 1980. A escolha não poderia ser mais simbólica, une a força da tradição popular nordestina à vanguarda científica que ajudou a fundar o movimento LGBT brasileiro.
ESG e Orgulho

Orgulho e Saúde Coletiva: a diversidade que cura – e o ESG que transforma e Escolhe o Lado da Vida Marcelo Cerqueira No dia 6 de setembro, o Farol da Barra será palco da 23ª Parada do Orgulho LGBT+ da Bahia. O tema deste ano,” Orgulho e Saúde Coletiva” não é slogan. É diagnóstico. E convite ao mundo corporativo. Começo pelo diagnóstico. Estudo do Banco Mundial revelou o que já sabíamos: a taxa de desemprego entre pessoas LGBTI+ é de 15,2%, o dobro da média nacional (7,7%). Entre travestis e pessoas trans, aproximadamente 70% não concluíram o ensino médio e apenas 0,02% estão no ensino superior. Uma professora da UNEB me disse: “Coitadas, quando se formam não conseguem emprego.” Uma pessoa LGBT+ é morta a cada 34 horas. Jovens LGBT têm no suicídio a 4ª causa de morte. Isso não é genética, é violência estrutural, passivo de séculos de colonização, discriminação e abandono institucional. O Estado republicano tem o dever constitucional de prover saúde, mas sempre nos tratou como patologia. A homossexualidade só deixou de ser doença no Brasil em 1985, por pressão do Grupo Gay da Bahia e do doutor Luiz Mott, extinguindo o CID 302. A OMS só fez o mesmo em 1990. A Política Nacional de Saúde Integral LGBT existe desde 2011, mas não saiu completamente do papel. Profissionais não são capacitados. Pessoas trans que ainda não fizeram retificação são tratadas pelo nome morto, cuidado é negado. É aí que o orgulho entra como tecnologia de cuidado. Orgulho é o antídoto para a vergonha que nos ensinaram desde a infância. Quando milhares ocupam a rua no Farol da Barra, desativam, um corpo de cada vez, o mecanismo do isolamento e da culpa. Produzem saúde em escala populacional. A Parada é o maior dispositivo de saúde comunitária do estado, sem jaleco, sem burocracia, na rua. A Parada é a reocupação do espaço que nos foi negado. A cada edição, gravamos no território uma marca simbólica permanente que não se apaga. Ouço falar em “fadiga de pauta”. A suposta fadiga é o álibi de quem nunca precisou lutar para respirar. O que saturou foi a hipocrisia de marcas que celebram o orgulho enquanto financiam opressores. A saturação não é da pauta, é da performance vazia que coloca arco-íris na fachada e mantém a travesti no subemprego. Estamos diante de um realinhamento de longo prazo: a era da visibilidade contemplativa acabou. O recuo no apoio corporativo é a resposta imunitária de um sistema que não quer ceder privilégios. Precisamos abandonar a “simpatia corporativa” e construir força política e econômica autônoma. Dito isso, o convite às empresas que escolhem o lado certo. O mercado LGBT movimenta R$ 400 bilhões por ano. Setenta e três por cento desse público prefere marcas comprometidas e boicota as omissas. Empresas diversas são 36% mais competitivas (McKinsey). Apoiar a Parada é ação concreta de ESG. No Social, é investir em equidade onde o braço do Estado não alcança. Governança, é demonstrar que direitos humanos são recurso no território, não discurso. No Ambiental, é apoiar um evento sustentável. Não há ESG consistente sem diversidade real. Não há diversidade sem enfrentamento ao adoecimento que o sistema produz. A 23ª Parada do Orgulho LGBT+ da Bahia acontece em 6 de setembro, no Farol da Barra. O tema é saúde coletiva. O remédio é o orgulho. A receita é coletiva. Sua empresa pode escolher o lado da vida. Marcelo Cerqueira é historiador, Escritor, Estrategista da Diversidade. jornalista (DRT 2135-BA) e diretor executivo do Grupo Gay da Bahia (GGB).