O Antígeno do Estigma

O Antígeno do Estigma: Como o Orgulho LGBT+ Redefiniu a Saúde Pública Marcelo Cerqueira, presidente do Grupo Gay da Bahia Em 1969, o Estado não regulava as populações dissidentes apenas por meio do cassetete policial. Ele o fazia, fundamentalmente, por meio do aparato médico-psiquiátrico. Ser homossexual ou transgressor de gênero era, por definição legal e científica, carregar um diagnóstico de perturbação mental (o antigo CID 302 e equivalentes). O corpo dissidente era um território ocupado pelo diagnóstico, pela vigilância sanitária e pela higienização social. Stonewall não foi só reação à brutalidade policial; foi uma insurreição contra a patologização da existência.Naquela noite de verão em Nova York, quando travestis negras, drag queens latinas, trabalhadores sexuais e jovens da periferia decidiram revidar, eles estavam operando a mais radical estratégia de Redução de Danos jamais vista. Naquele momento, a história que vem de baixo começava a ser escrita com sangue, suor, lágrimas e a coragem necessária para sustentar a recusa coletiva de permitir que o Estado amparado na medicina hegemônica decidissem quem tinha o direito de viver ou morrer.O confronto foi um manifesto coletivo, escrito na pele de cada um, provando que a sobrevivência e as condições de bem-estar são as métricas absolutamente primárias da saúde pública. A saúde coletiva frequentemente tratou a prevenção e o cuidado como pacotes técnicos que descem de gabinetes climatizados, sem nunca ouvir as populações vulneráveis. Stonewall inverte essa lógica. Foi a partir da revolta que surgiu o entendimento clínico e a comprovação de que o saber sobre a sobrevivência nasce da calçada, do asfalto quente e da vivência comunitária.Dessa luta, que teve início em um bar no Greenwich Village, para as ruas, foi um passo. No ano seguinte, em 28 de junho de 1970, aconteceu a Marcha do Dia da Libertação na cidade de Nova York, concentrando-se no Village – onde se deu a vitória histórica – e marchando até o Central Park.Os principais slogans e gritos eram recados diretos para a sociedade americana. “Gay is good” (Ser gay é bom), criado pelo ativista Frank Kameny, inspirou-se diretamente no movimento “Black is Beautiful”, que confrontava o racismo da época. Na primeira Parada do mundo, os participantes bradavam: “Say it clear, say it loud: Gay is good, gay is proud!” (Diga claramente, diga alto: ser gay é bom, ser gay é orgulho!). Eram milhares de pessoas diversas ocupando o asfalto, refutando estigmas e afirmando sua dignidade. Arte bar Stonewall, NYCEsse protesto fez com que a alforria médica chegasse em três anos. Em 15 de dezembro de 1973, a melhor comemoração de Natal da nossa história se concretizou quando a Associação Americana de Psiquiatria (APA) elevou a homossexualidade à categoria de orientação sexual, retirando-a do rol de patologias. Em seguida, a Associação Americana de Psicologia (APA) endossou a decisão, aprovando uma resolução que baniu oficialmente a homossexualidade da lista de transtornos mentais em 1975.Quem liderou a revolta não foram os homossexuais que buscavam assimilação; foram os corpos e corpas que transitavam na interseção aguda da vulnerabilidade social -incluindo raça, cor, território e dissidência de gênero. Sylvia Rivera e Marsha P. Johnson não lutavam apenas pelo direito de frequentar um bar; lutavam pelo direito de ocupar o espaço público, por alimentação, trabalho, pela própria vida (para não serem assassinadas) e por uma rede de apoio mútuo – o que hoje compreendemos como determinantes sociais da saúde.O dia 28 de junho, portanto, é o marco de uma epistemologia de sobrevivência. É a data em que a periferia existencial do mundo desenhou, com pedras e barricadas, o rascunho de uma saúde pública que não oprime, mas liberta. No Brasil, em 1984, a nossa alforria aconteceu pela determinação do professor Luiz Mott que, ao mobilizar 17 mil assinaturas e obter o apoio da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), fez o Conselho Federal de Medicina (CFM) tornar sem efeito o diagnóstico correspondente ao CID 302- antecipando-se à própria OMS na maior vitória política e sanitária do nosso movimento.Se a LGBTfobia estrutural e o racismo são patógenos sociais que produzem adoecimento mental, isolamento, depressão e morte, o Orgulho é o antígeno. O Orgulho, nesta interpretação, não é um sentimento de vaidade ou uma celebração vazia; ele é uma tecnologia de imunidade social. Quando um corpo dissidente se recusa a se envergonhar de sua própria biologia e de sua identidade, ele interrompe o ciclo de adoecimento psicossomático imposto pelo estigma. A Parada do Orgulho LGBT+ cura porque devolve ao sujeito a soberania sobre sua própria narrativa e sobre sua saúde.Escrever sobre o 28 de junho hoje é compreender que a nossa luta não terminou com a conquista do casamento civil ou com as leis de criminalização da homofobia. A travessia para a emancipação reside na garantia de que cada corpo gay, cada corpa preta, periférica, trans, travesti, bicha e não-binárie tenha acesso à dignidade plena: ao saneamento básico e à moradia como direitos fundamentais de saúde; à despatologização real e ao respeito às transições de gênero, sem a tutela humilhante do olhar médico colonizador; e à construção de uma rede de afeto e cuidado que neutralize a solidão e o abandono histórico de séculos. Fomos tão fustigados historicamente que corremos o risco de naturalizar essas violências e reproduzi-las contra os nossos próprios pares.O dia 28 de junho é o dia em que o corpo dissidente deixou de ser um objeto de estudo clínico ou de repressão policial para se tornar o sujeito soberano de sua própria narrativa existencial na cidade. A 23ª Parada do Orgulho LGBT+ da Bahia, em 9 de setembro, será o momento de celebrar essa data materna e renovar o compromisso de que a nossa saúde, a nossa vida na cidade e o nosso legado são absolutamente inegociáveis. Marcelo Cerqueira, gestor, estrategista de diversidade, escritor autor do livro “Amor Sem Correntes: Um Manifesto pela Decolonialidade do Afeto” Editor J. M. D. de Oliveira, Sergipe, 2026.
Trincheira

Moira, Quinalha, Mott e Trevisan – Arte GGB Imagem A Literatura como Trincheira: GGB destaca obras essenciais para entender a Diversidade no Brasil Por Marcelo Cerqueira, DRT -2135/BA Em matéria publicada pelo portal UOL, especialistas e ativistas listam obras fundamentais que combatem o apagamento histórico da comunidade LGBTQIAPN+; Luiz Mott, fundador do GGB, assina e recomenda títulos que resgatam a ancestralidade trans e a trajetória do movimento. No mês em que celebramos o Orgulho, a literatura brasileira reafirma-se como um dos campos mais potentes para a consolidação de mudanças culturais e para o enfrentamento do “apartheid informacional”. Uma recente lista publicada pela Deutsche Welle (DW) e replicada pelo UOL destaca dez livros imprescindíveis para compreender a cena LGBTQIAPN+ no país, evidenciando que ler a nossa história é, antes de tudo, um ato de resistência política. Luiz Mott o Guardião da Memória e a Recuperação do Arquivo O antropólogo e professor da UFBA, Luiz Mott, fundador do Grupo Gay da Bahia (GGB), é uma das vozes centrais na curadoria desta lista. Mott não apenas recomenda clássicos, mas é o responsável por trazer à luz figuras que desafiam a lógica colonial de gênero. Xica Manicongo, a primeira do Brasil. Luiz Mott, editora COSAC, SP, junho, 2026 – Lançamento em Salvador, dia 11 de julho, ás 17h – Livraria do Glauber Rocha, Castro Alves. Um dos destaques absolutos é a obra do próprio Mott, “Xica Manicongo, Primeira Transexual do Brasil”. O livro reconstrói a trajetória de Francisco, pessoa escravizada qu viveu na Bahia do século 16 e desafiou as imposições da Inquisição ao adotar uma performance de gênero feminina. Como destaca a deputada Dani Balbi na reportagem, a recuperação historiográfica feita por Mott opera como um gesto de reescrita do arquivo nacional, provando que identidades trans não são “modernismos”, mas presenças ancestrais na formação do Brasil. O Cânone da Resistência Além de sua obra autoral, Luiz Mott o GGB destaca títulos que formam a espinha dorsal do ativismo brasileiro: “Devassos no Paraíso”, de João Silvério Trevisan: Considerado por Mott e outros ativistas como o tratado mais completo sobre a homossexualidade no Brasil. Uma leitura obrigatória para quem deseja entender a luta desde as suas raízes. “História do Movimento LGBT no Brasil”: Organizado por James Green e Renan Quinalha, o livro conta com a colaboração do próprio Mott. A obra situa a busca por visibilidade no contexto da redemocratização, período em que o GGB nasceu e consolidou-se como farol da resistência. “E Se Eu Fosse Puta”, de Amara Moira: Mott pontua a importância desta obra para desconstruir a visão negativa sobre as travestis, um dos grupos mais estigmatizados pela necropolítica brasileira. A Literatura como Tecnologia de Liberdade Para o Grupo Gay da Bahia, a presença de temas LGBTQIAPN+ na literatura é uma ferramenta de saúde coletiva e dignidade. “Lendo e estudando a nossa história, muda-se a forma como a sociedade nos vê e como nós nos vemos”, reforça o pensamento crítico que o GGB promove há 46 anos. A lista contempla ainda obras contemporâneas como “Amora” (Natalia Borges Polesso), “O Beijo do Rio” (Stefano Volp) e sucessos da literatura jovem como “Quinze Dias” (Vitor Martins) e “Conectadas” (Clara Alves), mostrando que a nova geração de escritores está ocupando o centro da cena literária com narrativas de afeto e autonomia. https://www.amazon.com.br/Xica-Manicongo-Luiz-Mott/dp/6555900490
Mãos, Mitos e Mapas

O que a Ciência e a História revelam sobre o “Pacote” Nordestino Por: Redação Insurgente No imaginário popular brasileiro, a anatomia masculina nunca foi apenas uma questão de urologia; é um território de disputa simbólica, curiosidade e, acima de tudo, identidade. Quando falamos do homem nordestino, as lendas urbanas ganham contornos de soberania. Mas o que há por trás do mito? Do índice dos dedos às invasões holandesas, fomos buscar a resposta para a pergunta que não quer calar: o que define, afinal, o vigor do homem da nossa terra? Se você acha que a relação entre mãos e dotação é apenas conversa de bar, a academia discorda. Existe um campo de estudo sério sobre a Razão Digital (2D:4D). Estudos publicados no Asian Journal of Andrology sugerem que a proporção entre o dedo indicador (2º dedo) e o dedo anelar (4º dedo) é um marcador biológico. A regra matemática sugere: quanto menor o indicador em relação ao anelar, maior tende a ser o comprimento peniano. Isso ocorre devido à exposição à testosterona ainda no útero materno. Ou seja: mãos com anelares proeminentes são o “cartão de visitas” de um desenvolvimento hormonal robusto. A Mística Baiana: Genética e Resistência Quando entramos no terreno baiano, o mito encontra a realidade da diáspora. Os homens pretos da Bahia entram nesse mercado com o que a sabedoria popular chama de “ponto a mais”. Mas, para além do fetiche, existe a biopolítica. A Bahia, como epicentro da resistência africana no Brasil, preservou biotipos de linhagens guerreiras que estatisticamente apresentam maior densidade muscular e estruturas ósseas largas. A “fama” baiana é, na verdade, o reflexo de uma genética que não foi apagada, mas potencializada pela ginga e pela soberania de corpos que sempre se recusaram à submissão. A rivalidade com Pernambuco ganha agora um capítulo histórico fascinante. Se a Bahia ostenta o vigor da matriz africana pura e altiva, Pernambuco carrega a fama da miscigenação singular. Diz a tradição que o porte do homem pernambucano foi moldado pelo encontro genético com os holandeses. Expulsos da Bahia pela bravura local, um espírito de independência que culminou no glorioso 2 de Julho, data máxima da soberania baiana, que prenuncia o 7 de setembro, os batavos fixaram-se no Recife. Essa herança europeia, misturada ao vigor dos povos nativos e pretos do Recife, criou um biotipo pernambucano que alia estatura e resistência, alimentando a lenda de que o estado é um dos “celeiros” de homens bem dotados do Brasil. Sobre o polegar, o mito persiste: muitos acreditam que a curvatura do dedão indicaria a direção ou o ângulo do pênis. Embora a ciência não confirme essa correlação direta, o formato das mãos é um indicativo de harmonia estética. Homens com mãos grandes e dedos bem estruturados geralmente possuem uma anatomia proporcional. Na Bahia e no Pernambuco, essa “harmonia” parece ser a regra, e não a exceção. Como estrategistas da diversidade, reafirmamos: a verdadeira “dotação” do homem nordestino, seja ele baiano ou pernambucano, está na sua autoestima política. O tamanho pode ser um detalhe anatômico, mas o vigor é fruto de uma história de lutas, de uma alimentação rica em nutrientes da terra e de uma cultura que celebra a corporalidade e o prazer. Seja pela testosterona uterina revelada nos dedos, pela herança holandesa de Pernambuco ou pela ancestralidade preta e inabalável da Bahia do 2 de Julho, o fato é um só: o Nordeste continua ditando o padrão de potência do homem brasileiro.
10 Anos do Centro de Referência LGBT+ Vida Bruno

No ato de assinatura do Decreto Municipal, realizado em 16 de maio de 2016, no Gabinete do Prefeito, estiveram presentes a Professora Ivete Sacramento, Secretária da Reparação; a Vice-Prefeita Célia Sacramento; a Vereadora Fabíola Mansur, autora do projeto; o Prefeito ACM Neto; Marcelo Cerqueira, assessor da vereadora; Milena Passos, representante do movimento social; o Deputado Federal Antônio Imbassahy; e Léo Kret, Ouvidora Salvador Celebra Aniversário do Centro Municipal de Referência LGBT+ Vida Bruno: Uma Década de Acolhimento, Luta e Transformação por Direitos Humanos e Diversidade Salvador, 17/03/2026 – A capital baiana celebra mais um aniversário do Centro Municipal de Referência LGBTQIA+ Vida Bruno, equipamento público que se consolidou como símbolo de acolhimento, proteção, cidadania e promoção dos direitos humanos para a população LGBTQIA+ em Salvador. O equipamento é muito mais do que uma estrutura de atendimento, o Centro representa uma conquista histórica dos movimentos sociais, da luta institucional e da construção de políticas públicas voltadas ao enfrentamento da LGBTfobia, à valorização da diversidade sexual e de gênero e à garantia de direitos. Ao longo de sua trajetória, o Centro tornou-se uma referência no atendimento especializado, na escuta qualificada e na articulação de ações intersetoriais voltadas a lésbicas, gays, bissexuais, travestis, transexuais, pessoas queer, intersexo, assexuais e demais identidades da diversidade. Sua atuação reafirma o compromisso de Salvador com uma cidade mais justa, inclusiva e preparada para acolher a pluralidade de sua população com respeito, dignidade e humanidade. A Diretora da Reparação, Léo Kret do Brasil comemora “Celebrar o aniversário do Centro Municipal de Referência LGBTQIA+ Vida Bruno é reconhecer uma história construída com coragem, articulação política, escuta social e compromisso com a vida. É também reafirmar que o enfrentamento à LGBTfobia, a promoção da cidadania e a defesa da dignidade humana seguem como tarefas permanentes” Disse Léo Kret do Brasil Diretora Geral do Departamento de Políticas e Promoção da Cidadania LGBT+ ao tempo que afirma “Em Salvador, o Centro Vida Bruno permanece como espaço de esperança, proteção e transformação, demonstrando que políticas públicas efetivas podem mudar realidades, salvar vidas e fortalecer a democracia” conclui a Diretora. A criação do Centro nasceu de uma demanda histórica do movimento social, em especial do Grupo Gay da Bahia (GGB), que identificou a urgência de um equipamento público capaz de receber demandas cruciais da população LGBT+, sobretudo nas áreas de assistência jurídica, atendimento psicológico e assistência social, com atenção especial ao enfrentamento das violências. Essa escuta social encontrou eco no Legislativo municipal e deu origem a uma agenda concreta de transformação institucional. Discurso do Prefeito Municipal de Savador, ACM Neto – Imagem Genilson Coutinho – 16/05/2014 | 16h05 A então vereadora Fabíola Mansur, em seu primeiro mandato, acolheu a proposta e a transformou em projeto de lei, sensibilizada pelo clamor da população LGBT+ diante dos casos de discriminação á época e da necessidade de uma porta de entrada específica para o acesso a serviços públicos. O processo de aprovação exigiu articulação, persistência e forte mobilização política, até resultar na aprovação do Projeto de Lei nº 177/13, posteriormente sancionado, abrindo caminho para a implantação do equipamento. Um dos marcos fundamentais dessa trajetória foi o Decreto nº 24.981, de maio de 2014, que criou o Núcleo de Políticas Públicas de Cidadania e Direitos de LGBT na Cidade do Salvador, no âmbito da Secretaria Municipal da Reparação (SEMUR). A partir desse decreto, passaram a ser coordenadas ações de formulação de políticas públicas, elaboração de plano municipal, organização do Comitê LGBT e planejamento da instalação do Centro de Referência. Em seguida, o Decreto nº 26.181, de junho de 2015, ampliou a composição do Comitê Municipal de Promoção e Defesa dos Direitos de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais, fortalecendo a participação de secretarias e da sociedade civil. O prefeito Municipal ACM Neto, secretária da Reparação Ivete Sacramente em 16 de maio de 2016, no gabinete prefeito, ainda com o movimento social, autoridades municipais assinou o Decreto e o Centro iniciou oficialmente suas atividades, tornando-se um espaço permanente de acolhimento a casos de discriminação, violência e exclusão, além de promoção de cidadania e orientação. A iniciativa consolidou Salvador como uma das cidades brasileiras com política pública estruturada de atendimento especializado à população LGBTQIA+, articulando escuta, encaminhamento e defesa de direitos. Outro passo decisivo ocorreu em 2018, com a formalização do Programa de Combate à LGBTfobia Institucional (PC/LGBTfobia), por meio do Decreto nº 29.574, que definiu sua estrutura e funcionamento. O programa passou a atuar diretamente na eliminação de normas e práticas discriminatórias dentro da administração pública municipal, promovendo uma cultura institucional de respeito, inclusão e reconhecimento da diversidade. Em junho de 2021, o Decreto do prefeito Bruno Reis nº 34.084 conferiu ao equipamento a denominação de Centro Municipal de Referência LGBTQIA+ Vida Bruno, em homenagem póstuma a um dos mais importantes nomes da luta pelos direitos humanos e pela cidadania LGBT+ em Salvador. Vida Bruno, homem trans, historiador e militante, foi o primeiro coordenador de Políticas e Promoção de Cidadania LGBT e desempenhou papel central na implementação do programa municipal de combate à LGBTfobia. Seu legado permanece vivo na formação de servidores, na defesa da dignidade humana e na construção de políticas públicas que tratam a diversidade como valor democrático. A relevância do Centro também se expressa em seus serviços e resultados. O atendimento psicológico é historicamente um dos mais procurados, revelando o impacto das violências, da exclusão social, da discriminação e da ausência de oportunidades sobre a saúde mental da população LGBTQIA+. O equipamento também oferece assistência jurídica e social especializada, especialmente em processos de retificação de nome e gênero, etapa essencial para o reconhecimento da identidade de pessoas trans e travestis. Em 2025, foram realizadas gratuitamente 81 retificações de nome e gênero para pessoas trans, travestis e não-binárias que receberam gratuidade das taxas públicas de fiscalização e registro civil. No campo institucional, os avanços também são expressivos. Até junho de 2025, foram acumulados 7.954 servidores(as) capacitados(as) em ações de sensibilização e formação voltadas à promoção do respeito à diversidade. Até dezembro de 2024, 24 secretarias já
Efeito Arco-Íris na Folia de Salvador

O “Efeito Arco-Íris” Consagra a Bahia como Capital Global da Folia LGBT+ e Redefine o “Molho” do Carnaval de Salvador Marcelo Cerqueira O Carnaval de Salvador em 2026 não foi apenas uma festa; foi um divisor de águas, um manifesto vibrante que sacramentou a cidade como a primeira e inquestionável opção dos gays do Brasil e do mundo. Longe de ser um mero adjetivo, este reconhecimento é a materialização de um processo histórico de luta, resistência e uma demanda incessante por reconhecimento e aceitação, culminando na consagração de Salvador como a capital global da folia LGBTQIA+. Os dados falam por si, e a experiência da rua confirma: a presença da comunidade gay está redefinindo a essência do nosso Carnaval de uma forma simplesmente maravilhosa. Observamos um impacto gigante de uma presença indispensável para a economia da cidade. Dados oficiais revelam que, em 2026, Salvador pulsou com 3,8 milhões de turistas e uma movimentação econômica astronômica de R$ 8,1 bilhões. A rede hoteleira operou com ocupação máxima, e os circuitos carnavalescos receberam um público rotativo de 12 milhões de foliões. Dentro desse universo grandioso, a comunidade LGBTQIA+ emerge com uma força inegável. Estimativas apontam que 10% desse público total é LGBTQIA+, o que se traduz em números impactantes: 380 mil turistas LGBTQIA+ desfrutaram da energia única da cidade; um impressionante impacto econômico de R$ 810 milhões foi gerado diretamente por este segmento; e 1,2 milhão de foliões LGBTQIA+ estiveram presentes nos trios, blocos e camarotes, vivenciando a festa em sua plenitude. Esses dados não são apenas estatísticas; são a prova viva de que a diversidade é um motor econômico e cultural, capaz de impulsionar o turismo e a economia criativa, reafirmando Salvador como um santuário seguro e acolhedor onde a liberdade de expressão e a autenticidade são não apenas permitidas, mas vigorosamente incentivadas. Salvador, consolidando-se como a primeira escolha global, cumpre seu destino. A cidade, com sua intrínseca vocação para a liberdade e a mistura de culturas, elevou-se ao patamar de metrópole da diversidade do Atlântico Sul. Esse fenômeno é o resultado de uma jornada coletiva, forjada na existência das nossas políticas públicas, no ativismo resiliente por direitos igualitários. A presença cada vez mais expressiva de homens gays cis, em particular, consolidou a cidade como a primeira opção de destino para este público, que tem na capital da Bahia um lugar onde pode celebrar a existência sem temores ou constrangimentos, interagindo com a nossa gente e a nossa cultura de forma autêntica e imersiva. Não foi um mero acaso que o maior site de relacionamentos do mundo enviou um representante para conhecer a festa e validá-la. Políticas públicas inclusivas, um arcabouço legal robusto contra a discriminação e o compromisso inabalável da administração municipal em oferecer ambientes livres de hostilidade são a base dessa transformação. O Carnaval de hoje é a prova viva do poder transformador dessas políticas que respeitam e representam os direitos humanos. No Estado e, especialmente na capital. A nova dinâmica do Carnaval está redefinindo o “molho” e os papéis sociais na folia. Essa ascensão do protagonismo gay no Carnaval de Salvador gerou debates interessantes e, por vezes, um certo estranhamento. Mensagens humorísticas que circularam, como o famoso “Tá faltando homem” ou “Só tem gay”, refletem uma percepção de mudança por parte de algumas mulheres heterossexuais. No entanto, é fundamental que elas tenham calma e compreendam que essa nova dinâmica não é uma “ausência”, mas uma redefinição de papéis e expectativas que traz consigo ganhos inesperados para todos. Como bem apontado nos debates, o incômodo de uma mulher ao entrar em um ambiente majoritariamente gay “não é sobre a falta de homem. É sobre perder protagonismo. É sobre o fato de, de repente, você não ser mais o centro das atenções, não ser a mais desejada, não ser a prioridade daquele espaço.” Esse cenário convida as mulheres a redefinirem seu papel, a entenderem que o “molho” da paquera agora se insere em uma disputa mais plural, onde o foco da atenção masculina heterossexual não é mais o único ou exclusivo. Curiosamente, a maior presença gay trouxe um benefício incontestável para as mulheres cis heterossexuais: mais segurança e menos assédio. Experiências passadas, marcadas por “beijos forçados” e “rodinhas de assédio”, deram lugar a um ambiente mais respeitoso. Como uma advogada observou: “Desde que o público de Salvador passou a ser mais gay, pra mim, o Carnaval tem sido muito melhor. Porque, há vinte anos atrás, quando a gente saía, não podia, por exemplo, ficar longe do marido ou namorado por cinco minutinhos pra comprar uma cerveja que já vinha algum assédio […] Agora, não. Você fica tranquila, não tem assédio.” A energia contagiante da comunidade gay, frequentemente pautada pela celebração desinibida, alegria sincera e solidariedade, contribuiu para uma atmosfera de maior pacificação e coesão. Em contraste com a “treta” associada a alguns homens heterossexuais, os homens gays vão “para beijar na boca, para curtir, para se divertir!”, criando um ambiente mais seguro e prazeroso para todos. Esse protagonismo também transforma o fluxo e a estética do Carnaval de Salvador, contribuindo com beleza plástica singular. Os gays não estão apenas presentes com suas narrativas; eles estão ativamente mudando e redefinindo a concepção sensorial, reduzindo algumas resistências mentais e o medo do novo. Símbolos como o onipresente leque de plástico, que transcende sua função utilitária para se tornar um distintivo de força coletiva e identidade, são prova disso. O som rítmico do leque, a elegância das fantasias que remetem à tradição e a alegria autêntica infundem uma nova camada de autenticidade e expressão à festa. Artistas icônicas como Daniela Mercury, Claudia Leitte, Ivete Sangalo e Anitta, verdadeiras porta-vozes da causa LGBTQIA+, consolidaram seus blocos como espaços de acolhimento seguro, amplificando a mensagem de inclusão e transformando seus palcos em poderosas plataformas de visibilidade e aceitação. Salvador está orgulhosamente cumprindo seu destino de cidade LGBTQIA+ do Brasil e do Atlântico Sul. Essa transformação paradigmática no Carnaval de Salvador é o reflexo de um caminho percorrido pela cidade, que hoje está cumprindo sua
Evolução no Concurso Rainha do Carnaval de Salvador

GGB Anuncia Evolução Histórica no Concurso Rainha do Carnaval de Salvador: Foco Exclusivo em Pessoas Trans e Travestis e Busca por Oficialização
Já é Carnaval, essência da hospitalidade

A Hospitalidade em Sua Essência: Como os Camarotes do Carnaval de Salvador 2026 Podem Celebrar a Diversidade LGBTQIA+ no Luxo Por Marcelo Cerqueira O Carnaval de Salvador é, sem dúvida, uma das maiores e mais democráticas festas populares do planeta. É um caldeirão cultural onde a alegria e a diversidade se encontram nas ruas, nos blocos e nos trios elétricos. Contudo, em meio à efervescência popular, surge um universo à parte: os camarotes. Esses espaços, sinônimo de luxo, conforto e exclusividade, prometem uma experiência diferenciada, com serviços all inclusive, shows de grandes artistas e uma vista privilegiada da folia no circuito Barra-Ondina. A questão que se impõe, e que sua perspicácia, nos impele a explorar, é: como a população LGBTQIA+, historicamente parte integrante e vibrante dessa festa, se encaixa nesses espaços de luxo? E, mais importante, como os camarotes podem aprimorar sua hospitalidade para ir além da mera tolerância, atingindo a celebração autêntica da essência de cada indivíduo? A População LGBT+: Uma História Vibrante e Desafios Velados nos Camarotes A presença da comunidade LGBTQIA+ no Carnaval de Salvador é tão antiga e inerente quanto a própria festa. Desde as manifestações mais espontâneas nas ruas até a organização de blocos independentes, a comunidade sempre encontrou no Carnaval um palco de liberdade, afirmação e visibilidade para expressar suas identidades, afetos e existências. No entanto, quando olhamos para os camarotes, um paradoxo se revela. Em tese, os camarotes, com sua infraestrutura controlada e segurança reforçada, poderiam oferecer um refúgio para membros da comunidade LGBTQIA+ que buscam um ambiente mais seguro ou menos vulnerável à intensidade das ruas. No entanto, a segurança não se resume só à integridade física; ela abrange, crucialmente, a segurança psicológica e emocional. Um espaço pode ser fisicamente seguro e luxuoso, mas se não for culturalmente acolhedor, pode gerar invisibilidade, microagressões ou a sensação de não pertencimento. E, pertencer é o motivo do Carnaval de Salvador. Para a população LGBT+, a busca por esse pertencimento é amplificada pela história de marginalização e preconceito enfrentada em muitos outros espaços sociais. No Carnaval, onde a expressão da identidade é central, a ausência de um acolhimento autêntico nos camarotes de luxo pode ser percebida como uma extensão dessas exclusões, contrastando fortemente com o espírito de liberdade da festa. Não basta que esses locais sejam fisicamente abertos; eles precisam ser ativamente seguros e afirmativos, criando um ambiente onde a diversidade não seja apenas tolerada, mas celebrada em todas as suas nuances. A hospitalidade, então, se torna um ato político e cultural, um convite para que cada indivíduo possa ser plenamente quem é. É essa profundidade de acolhimento que transformará um camarote de luxo em um verdadeiro bastião da inclusão no Carnaval. É preciso considerar os seguintes pontos. Heteronormatividade Implícita Muitos camarotes são construídos sobre uma base heteronormativa, mesmo que não intencionalmente. Isso se manifesta na comunicação visual, na seleção de artistas e até mesmo na forma como a equipe é treinada, resultando em um ambiente que não reflete a pluralidade de identidades. Falta de Representatividade A ausência de artistas LGBTQIA+ na programação, de materiais visuais que celebrem a diversidade de gênero e sexualidade, ou de iniciativas de inclusão pode levar os membros da comunidade a se sentirem “tolerados” em vez de “celebrados”. Incompreensão de Identidades de Gênero e Expressão Este é um ponto sensível. A falta de conhecimento sobre identidades trans, não-binárias e outras formas de expressão de gênero pode levar a situações constrangedoras, desde o uso incorreto de pronomes até a inadequação de banheiros. Percepção de Segurança A verdadeira sensação de segurança para a população LGBTQIA+ em um camarote depende da percepção de um ambiente livre de julgamento e preconceito, onde suas relações e expressões são naturalmente aceitas e valorizadas. “Conhecer as Pessoas em Sua Essência”: O Novo Paradigma da Hospitalidade no Luxo Conhecer as pessoas em sua essência”, é um chamado eloquente para uma hospitalidade que transcende o mero serviço padronizado. Para a população LGBTQIA+, isso é vital. Não se trata apenas de oferecer um bom coquetel ou um show de alta qualidade, mas de criar um ambiente onde cada pessoa se sinta vista, valorizada e verdadeiramente bem-vinda em sua totalidade. O que significa, então, “em sua essência” para a hospitalidade inclusiva? Reconhecimento da Individualidade É entender que cada convidado traz consigo uma história única, um conjunto de experiências, preferências e sensibilidades. Para a comunidade LGBTQIA+, isso frequentemente inclui vivências de marginalização ou preconceito, tornando o acolhimento genuíno ainda mais significativo. Sensibilidade e Empatia Significa que a equipe deve ser treinada para desenvolver uma empatia profunda pelas nuances da diversidade. Isso envolve desde saber identificar e intervir em situações de desrespeito a pessoas trans até garantir que casais do mesmo sexo se sintam completamente aceitos. Segurança Psicológica A essência da hospitalidade perfeita é criar um espaço onde o cliente não precise se preocupar em ser julgado, ter sua identidade questionada ou sofrer preconceito. É a liberdade de ser quem se é, plenamente, e celebrar isso sem reservas. Personalização Autêntica: Com informações coletadas de forma inclusiva (e com consentimento) e a observação atenta da equipe, a hospitalidade pode se tornar verdadeiramente personalizada, não superficial. Um camarote que compreende a “essência” de seus hóspedes pode oferecer experiências que ressoam profundamente com eles. Guia para a Excelência Inclusiva: Recomendações Práticas para os Camarotes Para que os camarotes do Carnaval de Salvador de 2026 atinjam essa excelência inclusiva, é fundamental adotar um plano de ação estratégico. 1. Formulários de Inscrição Inovadores e Inclusivos O primeiro contato é crucial. O formulário de inscrição deve ir muito além da dicotomia binária, que se mostra profundamente excludente para pessoas transgênero, não-binárias e diversas outras identidades. Ao oferecer opções abrangentes para Nome Social, Pronomes, Identidade de Gênero e Orientação Sexual, os camarotes sinalizam um compromisso genuíno com a dignidade e o respeito. Essa abordagem permite coletar dados essenciais, com ética e confidencialidade, para verdadeiramente “conhecer as pessoas em sua essência” e personalizar a experiência de acolhimento. É o alicerce para uma hospitalidade que celebra a plenitude de quem cada
Empodere-se!

Cursos Gratuitos do Governo Federal para a Comunidade LGBT+ Brilhar em 2026 O conhecimento é uma ferramenta poderosa de transformação, e a Escola Virtual do Governo Federal (EV.G) se estabelece como um farol de oportunidades para o empoderamento de profissionais, ativistas e aliados da comunidade LGBT+ em todo o Brasil. Com cursos gratuitos, acessíveis e certificação reconhecida nacionalmente, a EV.G é um recurso indispensável para quem busca aprimorar suas habilidades e impactar positivamente a sociedade. Em 2026, a plataforma expande sua oferta com formações que abordam temas vitais para a construção de uma sociedade mais justa e inclusiva. Desde direitos humanos e equidade racial até sustentabilidade e gestão pública moderna, os cursos oferecem conteúdo atualizado e alinhado às demandas reais do nosso país. Para a comunidade LGBTQI+, que enfrenta desafios diários em diversas frentes, esses conhecimentos são cruciais para a militância, a inserção profissional e a defesa de seus espaços. Entre as centenas de cursos disponíveis, alguns se destacam por sua relevância imediata, qualidade técnica e forte impacto social, dialogando diretamente com debates contemporâneos como o combate à discriminação, políticas de cuidado, proteção ambiental, inclusão e o fortalecimento de territórios periféricos. A credibilidade é garantida: muitos dos cursos são produzidos por ministérios, institutos federais e órgãos especializados. Para você, que busca qualificação para fazer a diferença, selecionamos três cursos essenciais da EV.G. Eles foram escolhidos considerando sua pertinência para as pautas LGBTQIAPN+, aplicabilidade prática no dia a dia e o potencial de formação crítica que oferecem. Prepare-se para decolar no conhecimento e fortalecer a sua voz e a da comunidade! Como Acessar? É Super Fácil! Não perca tempo! Acesse agora a Escola Virtual do Governo Federal (EV.G) em https://www.escolavirtual.gov.br/ . O cadastro é simples: basta informar seu e-mail e você terá acesso a um universo de conhecimento que pode transformar sua carreira, sua militância e sua vida. Com centenas de opções online e híbridas, a dúvida será qual escolher primeiro – então, que tal fazer vários? O futuro da comunidade LGBTQIAPN+ se constrói com informação e ação. Faça a sua parte! Os 3 Cursos Essenciais para Quem Luta por um Mundo Mais Diverso e Justo 1. Uso de Dados Raciais Aplicados às Políticas Públicas — Intermediário Carga horária: 20h Responsável: Ministério da Igualdade Racial Resumo: Para a comunidade LGBTQIAPN+, que é intrinsecamente diversa, este curso é vital. Entender como dados raciais são coletados e aplicados é fundamental para combater o racismo institucional e, por extensão, as múltiplas discriminações que afetam pessoas LGBTQIAPN+ negras, indígenas e de outras etnias. Ferramenta poderosa para ativistas e defensores da igualdade, permite construir políticas públicas verdadeiramente inclusivas. Link: https://www.escolavirtual.gov.br/ (Procure pelo título do curso na plataforma) 2. Direitos Humanos e Meio Ambiente Carga horária: 30h Responsável: Ministério dos Direitos Humanos Resumo: Os direitos humanos são a base de todas as lutas por igualdade, incluindo as da comunidade LGBTQIAPN+. Este curso explora como a crise climática e a degradação ambiental afetam desproporcionalmente as populações mais vulneráveis, onde muitas pessoas LGBTQIAPN+ se encontram. É uma oportunidade de entender a intersecção entre justiça social, direitos e sustentabilidade, fortalecendo a pauta de proteção para todos e todas. Link: https://www.escolavirtual.gov.br/ (Procure pelo título do curso na plataforma) 3. Desenvolvimento Urbano Integrado em Territórios Periféricos Carga horária: 30h Responsável: Instituto Pólis Resumo: A inclusão social e a segurança em espaços urbanos são desafios reais para muitas pessoas LGBTQIAPN+, especialmente em regiões periféricas. Este curso oferece uma perspectiva crucial sobre como o planejamento urbano pode ser uma ferramenta para criar cidades mais acolhedoras, seguras e acessíveis para todos, combatendo a marginalização e promovendo a diversidade em cada esquina. Aprenda a defender direitos urbanos e a construir comunidades mais justas! Link: https://www.escolavirtual.gov.br/ (Procure pelo título do curso na plataforma).
257 mortes violentas: 237homicídios e 20 suicídios

RELEASE OBSERVATÓRIO DE MORTES VIOLENTAS DE LGBT+ NO BRASIL, 2025 O Grupo Gay da Bahia (GGB), a mais antiga organização LGBT+ da América Latina, divulga seu relatório anual sobre mortes violentas de LGBT+ no Brasil referente ao ano de 2025. Este levantamento, realizado há mais de 45 anos de forma independente e voluntária, baseia-se em notícias veiculadas na mídia, redes sociais, blogs e correspondências enviadas ao GGB. Os dados refletem a omissão e subnotificação crônica do Estado brasileiro, que ainda não implementa sistematicamente o registro de crimes de ódio motivados por LGBTfobia. Portanto, os números aqui apresentados representam apenas a ponta visível de um iceberg de violência estrutural de ódio e sangue. DESTAQUES 2025 Total 257 mortes violentas documentadas: 237homicídios e 20 suicídios Redução de 11,7% em relação a 2024 (291 casos) 1 morte a cada 34 horas Brasil mantém triste liderança mundial em assassinatos de pessoas LGBT+, seguido do México com 40 homicídios e os Estados Unidos, 10. O Brasil permaneceu, em 2025, como o país com maior número de homicídios e suicídios de pessoas LGBT+ em todo o mundo. Foram registradas 257 mortes violentas, 34 casos a menos do que em 2024 – uma redução de 11,7% em relação ao ano anterior (291 mortes). Isso representa uma morte violenta de LGBT+ a cada 34 horas. Dentro desse total estão incluídos 204 homicídios, 20 suicídios, 17 latrocínios e 16 casos de outras causas (atropelamentos, afogamentos etc.). Os dados foram divulgados pelo Grupo Gay da Bahia (GGB), a mais antiga organização não governamental LGBT+ da América Latina, que realiza este levantamento desde 1980 – há 45 anos. A pesquisa do GGB baseia-se em informações coletadas na mídia, em sites de pesquisa na internet e em correspondências enviadas à ONG. É importante destacar que, lastimavelmente, não existem estatísticas oficiais específicas sobre crimes de ódio contra a população LGBT+ no Brasil, o que torna este levantamento independente essencial para visibilizar essas tragédias e fornecer subsídios para políticas públicas visando a erradicação dessa mortandade e construção da cidadania das minorias sexuais. Reconhecemos que os dados aqui apresentados são subnotificados devido à falta de sistematização estatal e de financiamento público para a pesquisa. As 257 mortes violentas documentadas são apenas a ponta visível de um iceberg de ódio e sangue. Este trabalho, conduzido sem apoio financeiro governamental, é realizado pelos voluntários Professores Doutores Marcelo Oliveira e Luiz Mott, que reúnem informações em sites, blogs, redes sociais e veículos de comunicação.
IV Rainha LGBTrans do Carnaval de Salvador

Rainha LGBTrans do Carnaval de Salvador 2025 As inscrições para o IV Concurso Rainha LGBTrans do Carnaval de Salvador estão oficialmente abertas! As interessadas podem se inscrever até cinco dias antes do evento, que será realizado no dia 16/02/2026. Este concurso, promovido pelo Quimbanda Dudu, apoio do Grupo Gay da Bahia (GGB) e patrocínio da apoio Saltur e apoiadores locais, celebra a representatividade e o empoderamento das LGBTrans O evento vai muito além de um desfile de beleza: é um símbolo de inclusão, resistência e celebração da diversidade, destacando o protagonismo das mulheres trans no cenário cultural baiano. As participantes terão a oportunidade de encantar o público com performances inesquecíveis e desfiles de trajes deslumbrantes, demonstrando força, carisma e histórias de superação. Inscrições AQUI. https://forms.gle/qHxj4jTUF7Xr5Tbh9 https://forms.gle/qHxj4jTUF7Xr5Tbh9 Premiações: 🥇 1º lugar: R$ 3.000 + título de Rainha LGBTrans 🥈 2º lugar: R$ 2.300 🥉 3º lugar: R$ 1.800 28 Concurso Nacional de Fantasia Gay do Carnaval de Salvador, formulário insc AQUI! https://forms.gle/YNhzq7XCfQNr9XYv7 https://forms.gle/YNhzq7XCfQNr9XYv7