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Prazer, Prevenção e Liberdade

Saúde que começa onde ninguém tinha coragem de olhar: O presente na Parada LGBT que fala de prazer, prevenção e liberdade

Imagem dos produtos Saúde que começa onde ninguém tinha coragem de olhar: O presente na Parada LGBT que fala de prazer, prevenção e liberdade Marcelezza Cerqueira Olá, queridos leitores! Sentiram minha falta? Eu estava com saudades deste espaço. Andei sumido porque estava em uma missão muito especial, que me consumiu o tempo inteiro. Mas agora, como dizia a inesquecível Cármen Miranda, “voltei pro morro, onde está o meu cachorro, a minha chinela, eu quero sambar com elas”. E voltei trazendo um presente que recebi durante a Parada do Orgulho LGBT da Bahia, no dia 6 deste mês: um mimo incrível da Meke Life, um kit proctológico de altíssimo nível. O kit é completo e pensado com detalhes que me surpreendeu. Vem com sabonete líquido de 100 ml para higienização e cuidado da região anal (o Protect Wash), bisnaga com aplicador de hidro-enema, um bico adaptador de chuca que serve em qualquer garrafa plástica com água – o que mais me encantou – adorei um lenço umedecido caixa com 20 unidades exclusivo para limpeza e higienização da região, o Wipe Wash, que tem ácido hialurônico e Biosaccharides Active, com ação hidratante e calmante. Acho que poderia ser em quantidades como os demais para bebê, caixa com 100 unidades e o sabonete ao invés de 100 deveria ter 210ml, como são os outros. O lencinho, aliás, faz uma espuma agradabilíssima no uso. Tudo isso agora disponível em farmácias e aplicativos de compra, sem constrangimento, sem sussurro no balcão como antes, quando esse assunto era envolto em muito tabu. Agora, o tabu acabou, e eu escrevo lindo aqui no nosso BNews, sem vergonha de falar daquilo que, dizem, Deus não teve coragem de criar. E é aqui que mora a beleza da coisa: esses produtos acabam com aquele tabu que sempre cercou essa região e seus cuidados. Estamos no início de novos tempos modernos, em que aceitação, cuidado e prevenção caminham juntos, inclusive nas questões mais particulares do nosso corpo. Esse cuidado importa não só pelo conforto em si, prazer, mas pela prevenção do câncer de ânus, uma pauta de saúde que raramente ganha espaço nas conversas públicas. Quando esse assusto surge sai pela tangente do “lá ele” e o assunto acabo. É verdade ou não é – é verdade sim! Seja dito, com a autoridade de quem vive isso. Em mais de 30 anos de ativismo, sobretudo na saúde, me deparei apenas uma vez com alguém sofrendo de câncer nessa região. Sem dúvida, os gays não são imunes, mas é verdade que eles fazem do cuidado um hábito. Acredito, pela minha experiência que as gays desenvolvem menos câncer nessa região do que as outras pessoas, o que pode ser pelo cuidado. Uma amiga minha, a bióloga Josane Calina, me disse há muito tempo uma frase que eu nunca esqueci e é uma tecnologia de prevenção: “abriu, deixou entrar, tem que tratar”. Esse conceito serve para todo mundo, não é privilégio de grupo específico. Acredito que a diferença é que nós, da comunidade, conhecemos bem o nosso corpo. O contato quase diário com essa região nos tornou, sem falsa modéstia, especialistas em nós mesmos. Esse trato ressignificou o órgão recebendo o nome de “Edi” usado em alusão amplamente na comunidade. Quem conhece o próprio corpo cuida melhor dele, identifica antes o que não vai bem e procura ajuda a tempo. Por isso, mais um auxílio à prevenção como este kit é uma ação muito boa. E vai além do produto: é pedagogia embalada em espuma perfumada. É dizer a milhares de pessoas que cuidar do próprio prazer não é vergonha, é saúde, dignidade, cidadania. Fica aqui, portanto, minha provocação final, feita com o carinho de sempre: o SUS deveria incluir um kit como este em sua estratégia de prevenção, na promoção da saúde sexual dessa comunidade, inicialmente como pedagogia. Há quem já esteja fazendo isso como política pública aqui na cidade: o Centro de Referência Vida Bruno, da Prefeitura, por meio da Secretaria de Reparação, está distribuindo gratuitamente, além de preservativos, gel lubrificante e kit de chuca para higiene íntima, um upgrade na prevenção e no cuidado. Essas ações de empresas e órgãos públicos são prevenção que respeita a vida real das pessoas, no território, na periferia, na intimidade de cada corpo prevenção que funciona de verdade. Saúde, não é apenas ausência de doença; é liberdade de ser. E liberdade, às vezes, começa exatamente onde ninguém tinha coragem de olhar. Um beijo com espuma de lencinho, e até a próxima! Marcelezza Cerqueira  Estrategista da Diversidade, Escritor e Gestor Público

Parada do Orgulho LGBT+ Bahia reúne milhares na Barra e anuncia novidades para 2027

Uma multidão ocupou a orla da Barra, em Salvador, no domingo (6), para participar da 23ª Parada do Orgulho LGBT+ Bahia.

Palco Luiz Mott 80 anos de Mamória e Insurgência Parada do Orgulho LGBT+ Bahia reúne milhares na Barra e anuncia novidades para 2027 Uma multidão ocupou a orla da Barra, em Salvador, no domingo (6), para participar da 23ª Parada do Orgulho LGBT+ Bahia. O desfile, promovido pelo Grupo Gay da Bahia (GGB), reuniu 13 trios elétricos no tradicional circuito Barra/Ondina, com apresentações artísticas, shows, homenagens e manifestações em defesa dos direitos da população LGBTQIAPN+. A Parada transformou as ruas da capital baiana em espaço de celebração, visibilidade e luta por direitos humanos. Com o tema “Vergonha adoece. Orgulho cura!”, a edição de 2026 chamou a atenção para os impactos da vergonha, do estigma e da discriminação na saúde da população LGBTQIAPN+. A Parada questionou a ideia de que permanecer no “armário” representa proteção e destacou como o isolamento provocado pelo preconceito pode contribuir para o sofrimento e para o afastamento dos espaços de convivência e cidadania. A ocupação das ruas reafirmou o orgulho como instrumento de resistência, dignidade e direito à saúde. A vergonha é responsável pelo isolamento, pelo silêncio, pela invisibilidade, pela culpa, pelo medo e, principalmente, pelo adoecimento. Para o presidente do GGB, Marcelo Cerqueira, “a vergonha é um veneno; o orgulho é o antídoto. Orgulho não é arrogância: é encontro, cuidado, voz, ocupação, dignidade, potência e vida, tudo isso acontece quando a Parada ocupa as ruas”, afirmou. A programação começou no Farol da Barra com o Palco da Diversidade – Luiz Mott, 80 Anos de Memória e Insurgência, em homenagem ao antropólogo e fundador do GGB, que completou 80 anos. O trio do GGB contou com a presença dos padrinhos Luiz Mott e Salete Maria. Ao longo do percurso, artistas, movimentos sociais, torcidas organizadas e entidades da sociedade civil reforçaram as mensagens de orgulho, respeito e combate à discriminação. Para a próxima edição, prevista para 12 de setembro de 2027, a organização anunciou mudanças na programação. O sábado será marcado por uma Pré-Parada, com shows de bandas no Farol da Barra. Já no domingo, dia oficial da Parada, o Palco da Diversidade contará com apresentações de DJs e artistas drags. Em seguida, será realizado o tradicional cortejo dos trios elétricos pelo circuito Barra/Ondina. A mudança atende a questões logísticas, às altas temperaturas registradas no horário de concentração dos trios e aos pedidos do público por novos estilos musicais, além de buscar mais conforto e diversidade na programação. Realizada pelo Grupo Gay da Bahia, a 23ª Parada do Orgulho LGBT+ Bahia contou com patrocínio do Estado da Bahia, da Prefeitura de Salvador, da Câmara de Comércio e Turismo LGBT do Brasil, da InterPride, da ILGA World, do Zoom Cruising Bar e da i9Fans. Mais uma vez, o evento reafirmou Salvador como um dos principais palcos de celebração da diversidade e de mobilização em defesa dos direitos da população LGBTQIAPN+ no Brasil.

23ª Parada do Orgulho LGBT+ Programação

progamação

23ª Parada do Orgulho LGBT+ da Bahia anuncia programação completa: Semana Cultural da Diversidade transforma Salvador em capital do orgulho, da saúde e da memória IX Semana Cultural da Diversidade de Salvador movimenta a cidade entre os dias 1º e 6 de setembro, com literatura, fotografia, fé, esporte e cultura, culminando no cortejo histórico de 13 trios no Circuito Barra/Ondina SALVADOR, BA – O Grupo Gay da Bahia (GGB), a mais antiga organização de defesa dos direitos civis de pessoas homossexuais da América Latina, fundada em 1980, realiza entre os dias 1º e 6 de setembro a IX Semana Cultural da Diversidade de Salvador e a 23ª Parada do Orgulho LGBT+ da Bahia. Sob o tema “A Vergonha Adoece. O Orgulho Cura!” – um manifesto do orgulho como política de saúde coletiva -, o evento reafirma a capital baiana como o maior palco de direitos humanos, diversidade e saúde do Norte e Nordeste do país. A programação começa na terça-feira, 1º de setembro, no Pelourinho, coração da primeira capital do Brasil. Às 12h, o GGB lança o guia de turismo “Pelourinho: Tudo é Verdade”, um percurso pelas memórias LGBT+ de Salvador que resgata personagens históricos como Xica Manicongo, a primeira travesti documentada do Brasil (século XVI), Felipa de Sousa, processada pela Inquisição em 1592, e Luiz Delgado, degredado por sodomia em 1669. Equipado com QR Codes nas praças do Pelourinho, o guia remete ao lema de Jorge Amado e transforma o Centro Histórico em um arquivo vivo de resistência. No mesmo dia, abre a exposição fotográfica “Imagem do Orgulho”, na sede do GGB, com fotos 40×60 das paradas realizadas. Na sexta-feira, 4 de setembro, a partir das 15h, a sede do GGB recebe o Caruru da Diversidade, em homenagem a Cosme e Damião e aos Êres, com entrada solidária: 1kg de alimento para o programa Bahia Sem Fome. O sábado, 5 de setembro, é dedicado à literatura e à fé. Às 17h, na Livraria Terras Libres (Cine Glauber Rocha), acontece o Encontro de Narrativas Insurgentes — Salão Literário da Diversidade, com o lançamento do livro “Amor Sem Correntes: Um Manifesto pela Decolonialidade do Afeto”, do historiador e jornalista Marcelo Cerqueira, e do livro “Luiz Mott 80 anos Bem Vividos”, do antropólogo Luiz Mott, com organização de Marcelo Oliveira, Marcelo Cerqueira e Salete Maria. Às 18h, o Atraques dos Ojás percorre o caminho da Parada, do Porto ao Farol da Barra, amarrando tiras de pano branco da paz, sob a condução de lideranças do Candomblé. O grande dia chega no domingo, 6 de setembro, no Farol da Barra. Às 7h, o aulão “Dançar pela Vida” abre a manhã em alusão ao Setembro Amarelo, celebrando valores de amor, respeito, acolhimento e diversidade. Das 11h às 15h, o Palco Luiz Mott 80+ Bem Vividos reúne shows e performances com Scarleth Sangalo, Michele Lorem, Jocimar Ramos, Suzzy Baby Doll, Saphyra Luz, Sissy Zeta Jones, Dicca Rios, Joanne Labixa, Aloma (cover de Elza Soares), Brown Cover e Larissa Anjos, entre outras atrações, além das bandas Sylvia Patrícia, DJ Dubai e os Habibis, Moon Boy e Orisum. Às 15h30, o Trio Oficial Dragão Luiz Mott 80 Anos lidera o cortejo de 13 trios pelo Circuito Barra/Ondina, com concentração a partir das 12h no Farol. O trio oficial do GGB tem como padrinho o professor Luiz Mott e como madrinha a professora Salete Maria, com som dos DJs Prettin D’Kingo e Binho Gomez. A cerimônia de abertura contará com uma voz trans, seguida do Hino Nacional, interpretado por Larissa Anjos, e do Hino ao 2 de Julho, com Denni. Completam o desfile os trios da Diversidade, Dendê EC, Dion Santiago, A Dama do Pagode, Trio Movimentar, Torcida LGBTricolor, Torcida Orgulho Rubro Negro, Fórum Baiano LGBT, Chocolate Batidão, Mudança do Garcia, Ivanildo e GGL. SERVIÇO IX Semana Cultural da Diversidade de Salvador e 23ª Parada do Orgulho LGBT+ da Bahia Tema: “A Vergonha Adoece. O Orgulho Cura!” Quando: 1º a 6 de setembro de 2026 (Parada no domingo, 06/09) Onde: Pelourinho, Livraria Terras Libres, Porto e Farol da Barra Cortejo: Circuito Barra/Ondina – concentração às 12h, saída às 15h30 Realização: Grupo Gay da Bahia (GGB)

GGB comemora impacto LGBT+ no Carnaval de Salvador 2026

O Grupo Gay da Bahia (GGB), uma das mais tradicionais organizações de defesa dos direitos LGBT+ no Brasil, celebrou os números expressivos e a crescente participação da comunidade LGBTQIA+ no Carnaval de Salvador 2026

Foto/ Crédito: Arisson Marinho/CORREIO Grupo Gay da Bahia comemora impacto LGBT+ no Carnaval de Salvador 2026 Sexta-feira, 20 de fevereiro, 2026, 22h O Grupo Gay da Bahia (GGB), uma das mais tradicionais organizações de defesa dos direitos LGBT+ no Brasil, celebrou os números expressivos e a crescente participação da comunidade LGBTQIA+ no Carnaval de Salvador 2026. Dados divulgados oficialmente mostram que 10% de todo o público da festa pertence à comunidade LGBTQIA+, consolidando a diversidade como um dos pilares da maior celebração popular do planeta. Com a presença estimada de 1,2 milhão de foliões LGBTQIA+ nos circuitos e 380 mil turistas LGBTQIA+, o evento também movimentou impressionantes R$ 810 milhões na economia estadual, comprovando que a diversidade não apenas enriquece culturalmente o Carnaval, mas também é uma força econômica significativa para a Bahia. Estes dados são a partir dos dados oficiais divulgados “Em 2026, o Carnaval de Salvador atraiu 3,8 milhões de turistas e movimentou R$ 8,1 bilhões na economia estadual. A rede hoteleira operou com ocupação próxima dos 100%, garantindo um público rotativo de 12 milhões de foliões nos circuitos” são os dados. O impacto que a presença gay cis provocou nos dias da folia e nas redes sociais, seria um valor maior, preferimos usar a base do IBGE com o compromisso da veracidade. “O Carnaval é a nossa festa da liberdade”, diz presidente do GGB. Para o presidente do GGB, Marcelo Cerqueira, os números são fruto de anos de luta por visibilidade, respeito e inclusão. “O Carnaval de Salvador sempre teve um papel especial na afirmação da diversidade sexual e de gênero, mas esses dados comprovam que a nossa presença na festa é essencial, não só para o brilho e a alegria do evento, mas também para o impacto econômico e cultural que geramos. O Carnaval é, sem dúvida, a nossa festa da liberdade”, afirmou. Blocos LGBTQIA+ como símbolos de resistência e protagonismo. O GGB destacou ainda o papel fundamental dos blocos inclusivos, que estão mudando a dinâmica e a estéticas do Carnaval está ficando mais bonita os uniformes completos e com acessórios, tipo leque, mascara no conjunto formam uma beleza plástica deslumbrante no circuito. Hoje, esses blocos são referências culturais e espaços de celebração e afirmação pelos direitos da comunidade. Além disso, o crescimento da visibilidade LGBTQIA+ ajudou a fortalecer a luta por respeito e igualdade no evento, unindo arte e militância em favor de uma sociedade mais inclusiva. “A construção de um evento inclusivo e diverso, que respeita e valoriza as contribuições das comunidades LGBTQIA+, é um exemplo para o mundo. Salvador já é reconhecida globalmente como um símbolo de resistência cultural; agora, com esses dados, reforça seu lugar como capital da inclusão e do respeito. Estamos alinhados com os valores dos ODS e servindo de inspiração para que outras cidades sigam esse caminho”, celebrou o presidente do GGB. Futuro e compromisso com a diversidade “O que vemos é um Carnaval que celebra a nossa história, mas ainda temos muito a conquistar. Queremos ampliar a nossa presença, ocupar mais espaços de liderança nos blocos, camarotes e circuitos, e mostrar ao mundo que diversidade é sinônimo de potência cultural, social e econômica. O Carnaval é o começo, mas a luta pelos nossos direitos vai além”, concluiu Cerqueira. A presença visível e vibrante da comunidade LGBTQIA+ no Carnaval de Salvador é, sem dúvida, uma conquista a ser celebrada, mas, para o GGB, também é um lembrete da força da luta por um mundo mais inclusivo. Afinal, cada trio, cada bloco e cada folião que dança e se expressa em liberdade faz parte de um movimento que transforma a Bahia em um retrato vivo da diversidade e da resistência.

1 de Outubro da Pessoa Idosa

1º de outubro: Dia Internacional da Pessoa Idosa – Celebrando a Sabedoria, a Resistência e a Diversidade de Nossos Pioneiros LGBT+

Foto/ Tânia Rêgo/Agência Brasil/ Agência Brasil “Yone Lindgren” Rio de Janeiro, 69 anos, ativista Editorial Marcelo Cerqueira 1º de outubro: Dia Internacional da Pessoa Idosa – Celebrando a Sabedoria, a Resistência e a Diversidade de Nossos Pioneiros LGBT+ Hoje, 1º de outubro, o mundo se une para celebrar o Dia Internacional da Pessoa Idosa, uma data de profunda importância que nos convida a honrar a trajetória, a sabedoria e a contribuição inestimável de todas as pessoas que alcançam essa bela e rica fase da vida. É um momento de reflexão sobre os desafios e as alegrias do envelhecimento, e de reafirmar nosso compromisso com a promoção da dignidade, do respeito e dos direitos de cada indivíduo sênior. Neste dia tão significativo, dedicamos um olhar especialmente atento e carregado de gratidão às pessoas idosas que fazem parte da comunidade LGBTQIAPN+. Elas são portadoras de histórias singulares, marcadas por uma resiliência que desafia o tempo e o preconceito. Muitas delas viveram e amaram em épocas onde a sua identidade ou orientação sexual era criminalizada, patologizada ou simplesmente invisível, enfrentando discriminação, marginalização e, por vezes, violência sistemática. Nossos idosos LGBTQIAPN+ são verdadeiros pioneiros e arquitetos sociais. Com bravura, eles desbravaram territórios desconhecidos, lutaram – muitas vezes em silêncio, outras vezes em protestos ruidosos – por reconhecimento e por um lugar no mundo. Foram eles que, em um cenário de exclusão familiar ou social, reinventaram o conceito de “família”, construindo lares e redes de apoio com base no afeto, na solidariedade e na escolha. A sabedoria que emana de suas vivências é um tesouro inestimável, um legado de aprendizado sobre autenticidade, perseverança, amor e a capacidade humana de florescer mesmo nas adversidades mais difíceis. No entanto, não podemos ignorar que o envelhecimento para a pessoa LGBTQIAPN+ pode vir acompanhado de desafios específicos e complexos. O medo da solidão e do abandono, a preocupação com a aceitação e o tratamento digno em ambientes de cuidados de longa duração, a falta de reconhecimento em políticas públicas, e a persistência de estigmas sociais são realidades que demandam nossa atenção e ação. É nossa responsabilidade coletiva garantir que o direito a um envelhecimento digno, com saúde, bem-estar, autonomia e liberdade de ser, seja uma realidade para todos, independentemente de sua orientação sexual, identidade de gênero ou características sexuais. Que este Dia Internacional da Pessoa Idosa seja mais do que uma celebração; que seja um forte chamado à ação. Que possamos ouvir as vozes dessas gerações, aprender com a profundidade de suas histórias, e lutar incansavelmente por ambientes mais acolhedores, inclusivos e respeitosos. Que possamos assegurar que todas as pessoas idosas, em especial as da comunidade LGBTQIAPN+, possam viver seus anos dourados com a plenitude, o amor, o reconhecimento e a dignidade que merecem. Abrace a sabedoria que o tempo traz e celebre a beleza da diversidade em todas as suas fases da vida! A história deles é parte fundamental da nossa história. A luta deles pavimentou o caminho para o nosso presente. O futuro digno deles é a nossa responsabilidade mais profunda.

GGB Anuncia Ângela Léo Madrinhas da 22ª Parada LGBT+ Bahia

GGB Anuncia Ângela Léo Madrinhas da 22ª Parada LGBT+ Bahia

Madrinhas: Ângela e Léo Àquilla GGB Anuncia Ângela Guimarães e Léo Áquila  Madrinhas da 22ª Parada LGBT+ Bahia Salvador, Bahia – 28 de agosto de 2025 – O Grupo Gay da Bahia (GGB), com grande honra e emoção, tem o prazer de anunciar os nomes que brilharão como Madrinha e Padrinhos da 22ª Parada do Orgulho LGBT+ Bahia. O evento, que se consolidou como um dos maiores marcos da celebração e reivindicação de direitos da comunidade LGBT+ no país, está agendado para 14 de setembro de 2025, com concentração a partir das 15h no icônico Farol da Barra, em Salvador. Este ano, a escolha recaiu sobre três personalidades cujas vidas e atuações ressoam profundamente com os ideais de luta, inclusão e visibilidade: Léo Áquilla, Marcos Melo e Ângela Guimarães. Cada um, a seu modo, dedicou sua trajetória à construção de um futuro mais justo e equitativo, tornando-se faróis de inspiração para toda a comunidade. Em, Salvador, direto do Farol da Barra, ela vai executar o Hino Nacional a capela, cantora lírica e umas das habilidade dela. Madrinha Léo Áquilla: A Voz Incansável da Luta Trans e da Empregabilidade Léo Áquilla, mulher multifacetada e notável no cenário brasileiro, transcende a imagem de artista para consolidar-se como uma força política e social forte. Após uma carreira artística brilhante, que a projetou em inúmeros programas de televisão e a tornou sua imagem reconhecida nacionalmente, Léo decidiu, a partir de 2020, redirecionar seu talento e visibilidade para a arena política. Sua convicção era clara: para efetivamente auxiliar a comunidade LGBT+, era preciso ir além da visibilidade e tornar-se uma agente ativa na promoção de mudanças estruturais e sociais que garantam direitos, equidade e inclusão. Dotada de uma formação acadêmica robusta, com graduação em Jornalismo e Marketing pela Universidade Anhembi Morumbi (SP) e pós-graduação em Jornalismo Político pela prestigiada PUC-SP, atriz, cantora e pintora. Léo Áquilla demonstrou a capacidade de articular estratégias políticas com profundidade e eficácia. Seu conhecimento multidisciplinar confere autoridade e propriedade ao seu discurso. O ano de 2023 marcou um divisor de águas em sua atuação. Léo foi nomeada Coordenadora Municipal de Políticas para LGBTI+ na Secretaria de Direitos Humanos e Cidadania da Prefeitura de São Paulo, fazendo história ao se tornar a primeira mulher trans a ocupar este cargo. Com uma atuação incansável e enérgica, Léo Áquilla firmou-se como uma das vozes mais combativas e influentes na luta contra a LGBTfobia no Brasil. Ela não só acolhe denúncias, mas assume a linha de frente em cada caso, utilizando sua plataforma para promover a conscientização, a articulação e o combate às injustiças. Sua influência transcende o ambiente político, alcançando empresas e instituições para desmistificar tabus e promover uma visão ampliada sobre gênero e sexualidade. Entre seus feitos mais notáveis, destaca-se a criação de postos de trabalho exclusivos para a comunidade LGBT+, com um foco primordial em pessoas trans e travestis – grupos historicamente marginalizados no mercado formal. Por essa dedicação, Léo é carinhosamente reconhecida como a “gestora da empregabilidade”, um título que reflete seu empenho em transformar vidas, garantir dignidade e fomentar a autonomia. Sua presença como madrinha da Parada do Orgulho LGBT+ da Bahia é um testemunho de sua resiliência e um convite para que as novas gerações sigam seu exemplo, ocupando seus lugares com conhecimento e determinação. Madrinha Ângela Guimarães: A Força da Interseccionalidade e dos Direitos Humanos Ângela Guimarães, figura de proa na defesa dos direitos humanos e na promoção da igualdade racial e social, assume o papel de madrinha da 22ª Parada do Orgulho LGBT+ da Bahia, simbolizando a união de lutas e a força da interseccionalidade. Sua marcante atuação como Secretária da SEPROMI (Secretaria de Promoção da Igualdade Racial do Estado da Bahia), entre 2015 e 2018, e seu compromisso inabalável com a justiça social justificam plenamente esta escolha. Em sua gestão na SEPROMI, Ângela ampliou a visão da secretaria, reconhecendo a intrínseca conexão entre diferentes formas de discriminação. Sua liderança foi crucial para integrar o combate ao racismo com a luta contra o sexismo e a LGBTfobia, promovendo políticas públicas que visavam a construção de um ambiente mais justo e igualitário para todas as populações socialmente vulneráveis, incluindo a comunidade LGBT+ da Bahia. Ângela Guimarães é reconhecida, como uma oradora incrível e por sua excepcional capacidade de diálogo e articulação com diversos movimentos sociais. Mesmo com o foco principal da SEPROMI no combate ao racismo, ela demonstrou sensibilidade notável e abriu canais de colaboração com lideranças LGBT+. Sob sua direção, foram realizados seminários, linhas de crédito financeiros, encontros e campanhas que abordaram a complexa interseccionalidade das discriminações, destacando como o racismo, a homofobia e a transfobia afetam de forma particular indivíduos negros LGBT+. Seu trabalho ativo contra o racismo institucional e a intolerância foi um marco, rompendo estruturas arraigadas e estendendo a luta para incluir a homofobia e a transfobia em serviços públicos e práticas institucionais. Sua dedicação à pluralidade de vozes foi fundamental para trazer as pautas LGBT+ para o centro da agenda de diversos setores da gestão pública estadual. Ângela também é uma defensora incansável das políticas transversais de direitos humanos, articulando ações que reconheciam a interseção entre raça, gênero e sexualidade. Essa abordagem integrada, parte de sua história como ativista, resultou em colaborações valiosas entre secretarias e órgãos, visando atender de forma holística a grupos historicamente negligenciados. A SEPROMI, sob sua liderança, promoveu campanhas de conscientização que impactaram positivamente as questões LGBT+, alinhando pautas como a visibilidade trans, o respeito à diversidade sexual e as urgências das juventudes marginalizadas, ampliando o protagonismo de minorias LGBTrans em espaços públicos e institucionais. Sua defesa da diversidade cultural e religiosa, em especial a valorização das religiões de matriz africana, ecoa diretamente na luta da comunidade LGBT+, especialmente para pessoas trans vinculadas a essas tradições, que frequentemente enfrentam dupla discriminação. Mesmo fora de cargos diretamente ligados à pauta LGBT+, Ângela sempre esteve disposta a amplificar vozes marginalizadas, promovendo espaços de visibilidade, escuta e atuação para diferentes comunidades, conectando diversas lutas com um objetivo comum: o combate

GGB pede manutenção de condenação em caso de crime homofóbico contra impunidade

De camisa azul Herbert Moreira Dias, condenado por crime de homofobia. Manifesto do Grupo Gay da Bahia ao Egrégio Tribunal de Justiça do Estado da Bahia em Defesa da Justiça e Contra a Impunidade nos Crimes LGBTfóbicos na Bahia O Grupo Gay da Bahia (GGB), organização histórica de defesa dos direitos humanos e da cidadania LGBTQIA+, vem a público manifestar sua preocupação com a possibilidade de reversão de uma condenação emblemática por crime homofóbico ocorrido no distrito turístico de Barra Grande, no município de Maraú (BA), em setembro de 2023. Na ocasião, as vítimas, identificadas pelas iniciais C.A.A.N. e L.M.B.M., sofreram agressões motivadas por orientação sexual, resultando em graves danos físicos e psicológicos. O autor do crime, Herbert Moreira Dias, foi condenado a seis anos de reclusão em regime fechado pela Vara Criminal de Itacaré, com sentença publicada em 26 de junho de 2025. Apesar da robustez das provas, incluindo testemunhos consistentes, laudos médicos e documentos que comprovam a motivação homofóbica do ataque a defesa do réu recorreu da decisão, buscando anular ou reduzir a condenação. Para o GGB, a tentativa de reverter a sentença representa uma grave afronta não apenas às vítimas, mas a toda a sociedade que luta pela igualdade de direitos. “O processo foi transparente e muito bem fundamentado, com provas fartas que demonstraram a brutalidade e a motivação discriminatória do agressor. A reversão dessa condenação seria um retrocesso perigoso e passaria a mensagem de que a violência contra pessoas LGBTQIA+ pode ficar impune”, afirma Marcelo Cerqueira, presidente do GGB. O Grupo Gay da Bahia destaca ainda que a sentença cumpre integralmente os princípios legais, incluindo a individualização da pena e a gravidade concreta do delito, além de estar em consonância com a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, que equipara a homofobia ao crime de racismo. A entidade pede que o Tribunal de Justiça da Bahia mantenha a condenação, garantindo justiça às vítimas e reafirmando o compromisso constitucional de combate à violência motivada por preconceito. O GGB convida outros coletivos, militantes e a sociedade civil a permanecerem atentos e vigilantes, para que nenhuma forma de violência motivada por ódio seja tolerada ou negligenciada pelo Estado brasileiro. Mais informações:Grupo Gay da Bahia – GGBTelefone: (71) 98843-0100E-mail: ggbbahia@gmail.com

III Rainha do Carnaval LGBTrans da Salvador

As inscrições para o III Concurso Rainha LGBTrans do Carnaval de Salvador estão oficialmente abertas! As interessadas podem se inscrever até cinco dias antes do evento, que será realizado no dia 3 de março de 2025. Este concurso, promovido pelo Quimbanda Dudu, apoio do Grupo Gay da Bahia (GGB) e patrocínio da apoio Saltur e apoiadores locais, celebra a representatividade e o empoderamento das mulheres trans em um dos maiores palcos culturais do mundo. O evento vai muito além de um desfile de beleza: é um símbolo de inclusão, resistência e celebração da diversidade, destacando o protagonismo das mulheres trans no cenário cultural baiano. As participantes terão a oportunidade de encantar o público com performances inesquecíveis e desfiles de trajes deslumbrantes, demonstrando força, carisma e histórias de superação. Premiações: 🥇 1º lugar: R$ 3.000 + título de Rainha LGBTrans 🥈 2º lugar: R$ 2.300 🥉 3º lugar: R$ 1.800 Além de um espetáculo de glamour e talento, o concurso traz reflexões importantes sobre inclusão e enfrentamento à transfobia, reafirmando Salvador como referência nacional na luta por igualdade e respeito à diversidade. Inscreva-se e participe dessa celebração que une arte, cultura e ativismo! Inscrição AQUI!

Trans de Alta Performance

Já conhecia Suzana desde o ano passado, quando visitou a sede do Grupo Gay da Bahia, a caminho de seu retorno para a Itália. E chegando eu em Roma, a turismo, alguns meses depois, liguei várias vezes para o celular da travesti, sem resposta. Eis que para minha surpresa, certa manhã de outono, ao fazer compras numa grande loja popular na área da Estação Central Termini, dou de cara com Suzana, loiríssima, cabelos compridos e lisos, maquiada e vestida com elegância. Uma mulher perfeita! Concluímos que realmente, nossas estrelas, ou Orixás se casavam bem, pois duas monas brasileiras se encontrarem casualmente em Roma, depois de vários telefonemas frustrados, só mesmo acreditando em milagre! Naquela hora que passamos juntos, num canto mais tranqüilo da loja, Suzana contou parte de sua história.Nascido em Garanhuns, Pernambuco, batizado como João Fernando dos Santos Filho, desde pequenino sentiu que era diferente dos outros moleques: se sentia mulher, queria ser menina! Adolescente, sofrendo forte discriminação em casa, fugiu para o Recife, depois para o Rio e São Paulo, vivendo de prostituição. A mesma vida de milhares de outros gayzinhos efeminados, alguns com fantasia apenas de vestir-se de mulher, sem abdicar de seu sexo masculino: são as travestis, que mesmo aplicando silicone no seio e outras partes do corpo, continua usando o pênis como órgão erótico. Enquanto as transexuais são aquelas pessoas que desejam vivenciar integralmente o sexo oposto ao que nasceram, não apenas vestindo-se como mulher, mas rejeitando seu pênis e aspirando à operação de adequação genital, construindo uma vagina o mais parecida possível como das mulheres.Ao ajuntar dinheiro suficiente, realizou seu maior sonho: tornar-se fisicamente mulher, já que de cabeça e alma, era mulheríssima. “Meu pintinho era deste tamanico, e não subia. Nunca me senti homossexual. Sempre me vi e vivi como mulher e se não me operasse, meu desespero era tão grande que ia chegar um dia que eu mesma ia cortar aquela torneirinha desengonçada.”Foi no Equador onde realizou seu sonho de tornar-se uma transexual, porém sucedeu que a operação não foi perfeitamente realizada, e sua néo-vagina ficou pequena demais, constatando, depois de cicatrizada, que não agüentava receber dentro de si um pênis inteiro, nem mesmo os de tamanho médio. Mesmo com a vagina defeituosa, se sentia mais realizada do que antigamente.Delicada, vozinha de falsete, ótima aparência, peitos e bunda exuberantes, mesmo com sua bucetinha limitada, Suzana fez sucesso na Itália, ajuntando boa grana para investir em nova operação reparadora, agora na meca da transexualidade, Londres!Ao desembarcar no aeroporto de Londres, um contratempo tornou-se sua chave da felicidade: a polícia alfandegária suspeitou que ela fosse um espião ou terrorista, pois sendo homem no passaporte, apresentava-se ao vivo como mulher. Ficou cinco horas presa numa sala de segurança, tratada quase como bandido. Dali mesmo foi deportada de volta para o Brasil, uma das piores experiências de sua vida.A transexual loirinha não se fez de rogada: contratou um advogado, alegou discriminação sexual e conseguiu o que então mais almejava: a autorização legal para mudar sua identidade. De João Fernando tornou-se Suzana Cristina dos Santos. E mais: conseguiu uma indenização do Governo Inglês por discriminação, dinheiro que permitiu voltar para a Europa e pagar nova operação.Agora com sua nova carteira de identidade e passaporte com nome feminino, retornou a Londres, cheia de orgulho de atravessar aquela mesma alfândega onde meses antes tinha sido barrada. Marcou consulta com o mesmo médico que operou Roberta Close, onde fez sua plástica corretora. “Hoje, agüento rola de qualquer calibre, de negão a alemão!”, contou, debochada e feliz da vida. Disse que a parte interna da vagina foi formada com pedaços do tecido do intestino, o que garante estar sempre húmida e com grande sensibilidade erótica. “Mas a vida de transexual é se tornar escrava do gel lubrificante, pois se não botar muito gel, pode estragar a perereca…”, disse, rindo feliz e mostrando o K-Y que trazia na bolsa Gucci, comprada de um camelô africano na Fontana di Treve.Deu o mesmo depoimento de outras “operadas”: que o famoso cirurgião que operou as mais badaladas transexuais do mundo, um coroa ultra sexy, é um amor de criatura, o qual parece ter o maior tesão por suas ‘bonecas’, tanto que as beija na boca, acaricia e chupa seus peitos, e segundo depoimento de uma trans francesa também sua cliente, chegando a testar ele mesmo se a néo-vagina ficou bem feitinha…De volta à Itália, perfeitamente “recauchutada”, como ela própria se referiu debochando de sua operação, Suzana encontrou em Milão um príncipe encantado. Casou-se de vestido de noiva, como qualquer outra mulher, adotando o sobrenome do maridão Gratelli, ganhando então a nacionalidade italiana e podendo a partir daí, entrar livremente em qualquer país da comunidade européia com seu poderoso passaporte de capa vermelha.Hoje tem apartamento próprio e se prepara para nova intervenção cirúrgica: em Amsterdã com um fono-audiólogo especialista em “afinar” a voz das transexuais. Apesar de meu conselho, que não era necessária esta nova cirurgia nas cordas vocais, pois a voz falsete de Suzana é parecida a de qualquer mulher, ela me respondeu: “quando uma transexual bota uma coisa na cabeça, não há quem tire!”