Novo CMLGBT Salvador

Esquerda pra direita: Mauricio, Eva e Yorran os dois presidentes e secretária, respectivamente. por/ Marcelo Cerqueira O Conselho Municipal LGBT de Salvador (CMLGBT) teve uma renovação significativa em sua diretoria, marcando um momento promissor para a promoção dos direitos e da inclusão da comunidade LGBT+ na cidade. Durante a cerimônia de posse realizada na manhã de sexta-feira, 28 de junho de 2025, no Espaço Cultural Igreja da Barroquinha, lideranças e membros da comunidade, incluindo o prefeito Municipal Bruno Reis e diversas figuras proeminentes do ativismo e da política cultural, reuniram-se para dar as boas-vindas aos novos membros. A eleição da Mesa diretora ocorreu sexta-feira (12) ocorreu no Centro de Referência Municipal Vida Bruno, no Rio Vermelho, resultou na nomeação de Yorran D’la Fá, um produtor cultural de 58 anos e presidente da Associação das Paradas de Salvador, como presidente do CMLGBT representando a sociedade civil. Do lado do poder público, Maurício Alencar e Silva Bodnachuk, Assistente Social e técnico do Conselho Municipal de Políticas sobre Drogas, foi eleito, representando a SEMPRE. Ambos os líderes expressaram compromisso em avançar na luta contra a LGBTfobia estrutural e institucional e melhorar os serviços públicos voltados para a comunidade LGBT+. Eva Carrera uma mulher lésbica indígena de 46 anos, da OSC Mete Bronca, também foi unanimemente eleita para ocupar a Secretaria do Conselho. Sua eleição é notável, pois ela é uma empresária, militante, ativista e feminista que representará a Articulação Brasileira de Lésbicas em nível nacional, com forte parceria com a Liga Brasileira de Lésbicas e Mulheres Bissexuais. Este novo conselho promete fortalecer ainda mais a luta pelos direitos LGBT+ em Salvador, trabalhando para promover a igualdade, acompanhar políticas públicas, fomentar a participação social, monitorar ações governamentais e promover campanhas educativas para combater a discriminação. Este momento é um marco significativo para a comunidade LGBT de Salvador, refletindo um compromisso renovado com a inclusão e os direitos humanos, estabelecendo um futuro promissor para a efetivação dos direitos e bem-estar da população LGBT na cidade. Na prefeitura o Conselho esta dentro da estrututa de SEMUR.
Falares LGBT+

MARCELO CERQUEIRA, Instagram @marcelocerqueira.oficialhttps://www.instagram.com/p/C9GGqYdpDVl/?igsh=Y2c4dTg3eG1rOXpq https://www.instagram.com/marcelocerqueira.oficial A subcultura LGBT+ se destaca na atualidade pela diversidade de expressões singulares, refletindo a vivacidade e resistência das suas comunidades. Essas expressões são símbolos de identidade, resistência e pertencimento, evoluindo rapidamente e incorporando novas nuances regionais. A linguagem, além de ser um instrumento poderoso de identidade e comunicação, cria laços internos de proteção e solidariedade mecânica aos perigos e hostilidades externas. O que se chama de gírias LGBT+ são modos de falar que, na prática, são códigos de afirmação e resistência para poder existir em uma sociedade adversa. Quem argumenta que a subcultura LGBT+ não é cultura certamente não entende a profundidade dessas expressões, que são criadas conscientemente para transformar uma realidade de regiões diversas. Alguns exemplos de expressões regionais: em Pernambuco, temos “abafa o bofe” e “abafa o caso”. A primeira elogia um pernambucano lindo, enquanto a segunda pede para encerrar uma conversa desagradável. Em São Paulo, “dudum” é uma metáfora para se referir aos boys pretos. A palavra “abalar” expressa a realização com excelência de algum objetivo, significando algo muito bom que a pessoa fez. “Abduzida” descreve alguém vivendo uma paixão cega. Na Bahia, “equê” significa mentir, enquanto as gírias “aqué” significa dinheiro, “aquendar” significa ir fazer algo específico, e “elza” alerta para alguém que rouba, possivelmente derivada do famoso caso de amor entre Elza Soares e Garrincha, em que a cantora teria “roubado” o jogador de outra mulher. Exemplos de apropriação cultural são as palavras “adé”, “ocó”, e “ocania”, que derivam de línguas africanas do tronco bantu, significando, respectivamente, homossexual, homem hetero e membro sexual masculino. A palavra “alô” é usada para indicar as lésbicas nos terreiros de candomblé da Bahia. Em 1980, o cantor Moraes Moreira fez sucesso com a canção “Pessoal do Alô”, brincando com os significados da palavra e fazendo alusão a um famoso candomblé de Salvador. Na letra da música, ele canta: “Alô, alô pessoal do alô/ Vai ter auê, badauê, ebó/ Quem é do roçado/ Ralando coco se dá melhor.” Essa música, hoje, talvez não fosse aceita, pois revela algo secreto de uma cultura de forma excludente. Derivadas da linguagem existente nos terreiros de nação bantu, esses falares tinham a função de ser uma língua secreta, usada inicialmente pelas travestis e depois disseminada pelo universo LGBT+. Termos como “alibã” (policial), “mona” (gays), “amapô” (mulheres), “ajeum” (comida), “otim” (bebida), “edi” (ânus) e “ekê” (mentir) são contribuições valiosas para a composição linguística comunitária LGBT+ e foram além. Bafão, bofe, babado, fechação, bonita e mara caíram no gosto popular e são utilizados por milhares de pessoas, homens e mulheres, livremente. Isso é muito bom, pois a linguagem é um fator de inclusão, reconhecendo as identidades dentro dessa tapeçaria que é a comunidade LGBT+. Cada vez que alguém fala ou escreve esses termos, perpetua a forma vibrante como os LGBT+ se comunicam. As mídias sociais têm papel fundamental na disseminação de novas expressões, criando um senso global de identidade. Os falares LGBT+ cada vez mais revelam criatividade, resiliência, irreverência e humor, apresentando uma força cultural constante para a inclusão. A linguagem é uma ferramenta eficaz de afirmação e celebração das identidades.
Gay is Good, Gays is Proud

Homenagem aos Pioneiros de Stonewall: “Gay is Good, Gays is Proud” Por MARCELO CERQUEIRA Inst https://www.instagram.com/p/C8vcFB_Jt8z/?igsh=MWlocWwwZjU2a2R2cQ== Há 55 anos, uma série de eventos que ocorreram no Stonewall Inn, em Nova York, mudou para sempre a história da luta pelos direitos LGBTQIA+. Na madrugada de 28 de junho de 1969, quando a polícia invadiu este pequeno bar frequentado por gays, lésbicas, drag queens e outras minorias sexuais, algo diferente aconteceu. O Grupo Gay da Bahia , neste dia 28 de junho celenra a memôria desses pioneiros de nossa história que cansados de anos de discriminação, violência e opressão, os frequentadores do Stonewall decidiram resistir. Este ato de coragem e resistência espontânea marcou o início de um movimento que ecoa até os dias de hoje. As revoltas de Stonewall inspiraram a fundação de inúmeras organizações LGBTQIA+ ao redor do mundo e deram origem às Paradas do Orgulho que celebramos anualmente, unindo milhões de pessoas em uma luta contínua por igualdade e respeito. Lembramos e celebramos figuras icônicas como Marsha P. Johnson e Sylvia Rivera, duas transgêneras que desempenharam papéis fundamentais nos tumultos de Stonewall e no ativismo subsequente. Marsha e Sylvia dedicaram suas vidas à defesa dos direitos das pessoas trans e marginalizadas, tornando-se símbolos de resistência e resiliência. “Gay is Good, Gays is Proud” – este mantra ecoa a essência do orgulho e da força da comunidade LGBTQIA+. Hoje, honramos não apenas aqueles que estavam presentes no Stonewall Inn naquela noite histórica, mas todos os pioneiros e ativistas que, com coragem e determinação, abriram caminho para as conquistas que temos hoje. Embora tenhamos avançado significativamente, sabemos que a luta pela igualdade plena está longe de terminar. A discriminação, a violência e a opressão ainda são realidades para muitos em nossa comunidade. Por isso, ao celebrarmos os pioneiros de Stonewall, renovamos nosso compromisso com a justiça, a inclusão e os direitos humanos para todas as pessoas LGBTQIA+. Aqueles que se levantaram no Stonewall nos ensinaram que a resistência é poderosa e que a mudança é possível. Continuemos a marchar com orgulho e a lutar por um mundo onde todos possam viver livres e autênticos, sabendo que “Gay is Good” e que “Gays is Proud”.
Inovação e inclusão: o papel crucial da diversidade LGBT+ nas empresas

Inovação e inclusão: o papel crucial da diversidade LGBT+ nas empresas
GGB comemora sentença exemplar

Caique de Castro Santos, 31 anos, condenado 9 anos e 4 meses A sentença da juíza Jaqueline de Andrade Campos a Caique de Castro Santos, 31 anos, condenado a cumprir 9 anos e 4 meses de prisão por roubar e extorquir gays que conhecia via aplicativo de relacionamento. “E uma decisão histórica e muito significativa” disse Marcelo Cerqueira presidente do Grupo Gay da Bahia. É para festejar que a sentença vem fortalecer o Sistema de Justiça na aplicação da Lei, ao tempo que instaura a desestruturação da cultura da impunidade em relação aos crimes violentos motivados pelo ódio, machismo e racismo associados com a LGBTfobia. O GGB comemora sintetizado a sensação de proteção, cuidado e felicidade que a comunidade LGBT sente nesse momento, na certeza de que a impunidade não prevaleceu. O Delegado, o Promotor e o Juiz já estão compreendendo que crimes praticados contra LGBTs, negros e mulheres, são muitas vezes motivados por ódio, desse modo, tipificar aspectos da homofobia e suas expressões torna-se condição prioritária para o andamento e celeridade dos processos. Procedimentos emergenciais devem ser adotados pelo Sistema de Justiça, considerando que homofobia é crime em não sendo punido os acusados, as pessoas ficam com a sensação de insegurança no uso do espaço público. O GGB rende homenagens ao Ministério Público e premiará a Juíza em setembro no 21º Orgulho LGBT+Bahia pela celeridade da Justiça, porque foi oferecida a denúncia em setembro de 2023, nesse tempo foram ouvidas testemunhas e diligências pelo Ministério Público. Foi uma sentença focada no ato criminoso, a sensibilidade da magistrada não permitiu utilização de termos preconceituosos, não possui análise de comportamento das vítimas, a Juíza cuidou do caso, não utilizando o viés de valores morais com as vítimas. “ Foi incrível o trabalho da Juíza, manteve a prisão, respeitou as vítimas, e o tempo do processo, não parece coisa de Brasil, não gente” finalizou Cerqueira. O réu só foi punido porque as vítimas tiveram coragem de prestar queixa em uma Delegacia. Denuncie a homofobia
Mott critica decreto do Peru que classifica transgeneridade como doença mental

Mott/ Medida assinada pela presidente Dina Boluarte às vésperas do Dia Internacional contra a Homofobia, Bifobia e Transfobia causa indignação entre ativistas e especialistas. Elen Genuncio/ Pimenta Rosa No dia 17 de maio, data que marca o Dia Internacional contra a Homofobia, a Bifobia e a Transfobia, a presidente do Peru, Dina Boluarte, assinou o Decreto Supremo N° 009-2024-SA. O decreto, que trata homens e mulheres trans como ‘portadores de doenças mentais’, foi publicado pelo Ministério da Saúde peruano (Minsa) com a justificativa de facilitar o acesso de pessoas trans ao tratamento psicológico gratuito. O documento classifica ‘transexualidade, travestismo de duplo papel, transtorno de identidade de gênero infantil, transtornos de identidade de gênero, travestismo fetichista e orientação sexual egodistônica’ como problemas de saúde mental. Esta decisão contraria a Organização Mundial da Saúde (OMS), que excluiu a homossexualidade da lista de Classificação Internacional de Enfermidades (CIE) em 1990. Luiz Roberto de Barros Mott, antropólogo, historiador, pesquisador e um dos mais reconhecidos ativistas brasileiros pelos direitos civis LGBT, criticou duramente o decreto: ‘É uma decisão absurda do presidente do Peru, considerando que a transexualidade, assim como a homossexualidade até 1990, não é um desvio ou transtorno sexual. Classificar o travestismo e a transexualidade como patologias é um retrocesso inaceitável, pois já está cientificamente comprovado que não há patologia inerente à transexualidade’, afirmou Mott. Ele destacou que a medida é um passo atrás comparado às conquistas dos direitos das pessoas trans em outros países, como o direito ao registro civil, a mudança de documentos, e o acesso a operações de redesignação sexual e tratamentos hormonais. Mott acredita que a mobilização das associações LGBT no Peru e internacionalmente será capaz de reverter essa decisão. “A pressão dos movimentos LGBT internacionais será decisiva para impedir que essa medida se mantenha”, acrescentou. A justificativa do Minsa de que o decreto ajudaria as pessoas trans a obterem benefícios governamentais não convence os ativistas. Para Mott, tratar a transgeneridade como doença para facilitar acesso a benefícios é uma abordagem equivocada e prejudicial. Enquanto o Peru enfrenta a controvérsia, Mott aponta que, apesar de desafios recentes, países como o Brasil têm avançado nos direitos LGBT. Mesmo durante o governo de Jair Bolsonaro, conhecido por suas declarações homofóbicas, os direitos das pessoas LGBT continuaram a ser defendidos, e o número de assassinatos de pessoas LGBT diminuiu, em parte devido à maior cautela da comunidade e, principalmente à pandemia. Luiz Mott reafirma sua crença de que o decreto peruano é um retrocesso temporário. ‘Não há lugar para retrocessos no mundo contemporâneo. A resistência e a mobilização internacional vão garantir que essa medida seja revogada e que os direitos das pessoas trans sejam respeitados e protegidos’. A situação no Peru continua a evoluir, com organizações e ativistas locais e internacionais monitorando de perto os desdobramentos e trabalhando para assegurar que os direitos das pessoas trans sejam reconhecidos e defendidos.
17 de maio: dia da cidadania LGBT+

Marcelo Cerqueira, artigo . @marcelocerqueira.oficial A decisão da Organização Mundial da Saúde (OMS) em de 17 de maio de 1990 de remover a homossexualidade da lista de transtornos mentais foi uma ação extremamente significativa na vida dos LGBT+ ocidentais, representando o reconhecimento fundamental da orientação sexual como uma variante natural da sexualidade humana, em vez de uma condição patológica. Esse fato por sua magnitude estendeu a cidadania homossexual no mundo inteiro, mesmo nos países mais conservadores, levando o movimento LGBT+ a marcar essa data, 17 de maio, em todo o globo como Dia Internacional de Combate a Lgbtfobia, celebração instituída no Brasil pelo Presidente Lula em 2011.O Grupo Gay da Bahia (GGB) desempenhou um papel crucial na luta pelos direitos LGBT+ e na promoção da aceitação e inclusão da comunidade gay na sociedade baiana e brasileira como um todo. Cinco anos antes desse reconhecimento da normalidade da homossexualidade por parte da Organização Mundial da Saúde, o GGB desempenhou um papel decisivo na batalha pela despatologização da homossexualidade, extinguindo no Brasil o Código Internacional de Doenças (CID) da Organização Mundial de Saúde, que através do parágrafo 302.0 rotulava o “homossexualismo como desvio e transtorno sexual”. Através de significativas iniciativas, como a aprovação de Moção na 33ª Reunião da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) que ocorreu em Salvador de 8 a 15 de julho de 1981, no campus da Universidade Federal da Bahia. Nessa época muitos setores da sociedade baiana eram extremamente conservadores e repudiavam a ousadia dos gays se organizarem para reivindicar seus direitos, o que contribuiu para ampliar a conscientização e a aceitação da diversidade sexual no Brasil. Nessa reunião de cientistas e estudantes, o GGB armou uma barraca gay, o ponto mais badalado e concorrido de toda a reunião, onde mais de 60 estudantes furaram a orelha e colocaram brinco, aderindo a nova moda introduzida pelos homossexuais, ainda uma grande novidade e tabu no Brasil, nossa estratégia anarquista de questionar a rigidez da divisão sexual da estética corporal. Em poucos meses essa campanha contra o Parágrafo 302.0 já havia conseguido mais 16 mil assinaturas, o que levou ao Conselho Federal de Medicina a revogar em todo território nacional o tratamento médico da homossexualidade como desvio e transtorno sexual.Ainda havia então muito trabalho a ser feito para combater a discriminação e promover a igualdade de direitos para pessoas LGBT+, mas é inspirador ver como iniciativas pioneiras como essas, em uma época analógica, ajudaram significativamente a mudar a mentalidade e combater a homotransfobia no Brasil.
Na sede do GGB

Hoje para celebrar do 17 de maio internacional da combate a Lgbtfobia reunimos os integratis do grupo e alguns amigos para uma confreternização.
Maio da diversidade com reflexão e ações de conexão com a comunidade LGBT+

Maio da diversidade com reflexão e ações de conexão com a comunidade LGBT+
Orgulho LGBT+ da Bahia em uma Análise Socioeconômica

Foto/ Marina Silva, Correio da Bahia Por Mardel E. M. Melo – Graduado em Ciências Econômica pela Universidade Federal da Bahia No mês de setembro o calendário de festas da Bahia e da cidade de Salvador tem uma data fixa desde o início dos anos 2000, a Parada do Orgulho Gay da Bahia. A Parada atingiu uma maturidade na última década e nesta busca a consolidação do seu papel de vetor de desenvolvimento do turismo gay friendly em nosso estado e em toda a região metropolitana de Salvador. Nesses anos a Parada foi pioneira no povoamento do centro da cidade de Salvador, levando para as avenidas 7 de Setembro e Carlos Gomes uma massa para celebrar o orgulho e a diversidade, apenas a Parada Gay da Bahia e os festejos de carnaval conseguiram povoar aquela região de forma massiva e com segurança tanto para a população quanto para os trabalhadores que se deslocam a Parada para vender bebidas, comidas e pequenos souvenirs. As últimas duas pesquisas realizadas nos anos de 2013 e 2018 trouxeram luz ao importante impacto econômico que a Parada tem na nossa região. O primeiro fator a contribuir com bons resultados é a data do evento, que funciona como uma porta para os eventos da primavera da cidade de Salvador, sendo a porta de entrada para as populares festas públicas e privadas que já fazem parte do calendário do nosso estado. Os primeiros dez dias de setembro é o termômetro para o trabalhador ambulante de quando o dinheiro começa a circular pra valer na nossa cidade e o quanto turistas estarão aptos a gastarem. As pesquisam não se prenderam apenas a dados econômicos, mas buscaram traçar um perfil do público da parada, ver de onde vem os turistas e como estes gastam durante os dias que antecedem a Parada. Segundo a pesquisa realizada em 2018 a Parada LGBT da Bahia promove o aumento significativo na cena cultural de Salvador, festas, raves, boates e casas de espetáculo noturno de Salvador são destino certo para 38,4% dos turistas, promovendo um importante aumento de público no fim de semana em que o evento é realizado, e dando uma importante injeção financeira ao evento. Além da cena cultural, bares e restaurantes são bastante procurados, sendo destino de 26,9% dos turistas que se deslocam para a Parada LGBT da Bahia. A infraestrutura turística dita a ocupação do turista e isso é deixado claro quando 91,2% dos turistas se concentram na região central de Salvador, que engloba os bairros do Centro Histórico, Graça, Barra e Ondina, refletindo na ocupação da rede hoteleira dessa região, uma vez que a ocupação na semana da Parada LGBT da Bahia fica entre 3 e 7 pernoites. A movimentação de moradores de demais bairros de Salvador e demais cidades da Região Metropolitana também têm um importante impacto na economia de nossa cidade, o gasto médio diário dos participantes da Parada LGBT da Bahia no dia de evento é de cerca de R$ 172,22 (2018), número que deverá ser atualizado devido a política de valorização do salário mínimo dos últimos dois anos. Esse ticket médio gera um importante impacto na economia de nossa cidade e até mesmo de demais cidades da Região, uma vez que ambulantes que comercializam no evento são oriundos de outras cidades. Já o gasto médio de um turista que vem para a Parada LGBT da Bahia é de em média R$ 940,56 mostrando a importância que o turismo LGBT tem no setor e em gerar renda em nossa cidade. No campo social a Parada está mais plural, mais diversa e atraindo cada vez mais turistas. Entre 2013 e 2018 o número de turistas saltou de 4,40% para 15,60% e o gasto médio desses saltou de R$ 577,77 para R$ 940,56, mostrando que ganhamos quando a Parada é valorizada e há publicidade em outros estados do nosso país. O percentual de homens gays reduziu e aumentaram o número de bissexuais, mulheres lésbicas e pessoas trans, evidenciando que com o passar dos anos a Parada tem atraído mais diversidade e englobando mais participantes da comunidade LGBTQIAPN+. Esses dados evidenciam o papel econômico que a Parada LGBT da Bahia gera em nosso estado, uma história que começou a mais de duas décadas e se mantém atual e representativo, atravessando gerações e atingindo novas lutas e visando conquistar novos objetivos. Do ponto de vista social ver a comunidade LGBTQIAPN+ se manifestar e lutar por seus direitos já é um ganho para a cidade, pois esta se nutre de proposições da comunidade e pode responder com um leque de políticas públicas. No campo de vista econômico a Parada funciona como um teste da cidade para a entrada do verão, servindo de termômetro para o que virá e sendo o primeiro grande evento cultural a céu aberto da cidade, gerando renda para toda a cadeia que depende do turismo, desde a rede hoteleira até o trabalhador informal.