Como é namorar alguém que é assexual?
Image captionSophie achava que George era ‘homorrômantico’ até o beijo no cinema CAMILA RUZ / DA BBC NEWS MAGAZINE – Salvador, 8/05/2016 – Sophie e George são jovens, apaixonados e…assexuais. Mas um namoro sem sexo não significa um relacionamento simples e sem complicações. Sophie Jorgensen-Rideout e George Norman se conheciam por cerca de cinco meses antes de se encontrar para um cinema – e assistir a Como Treinar o seu Dragão. Mas uma coisa levou a outra, e os dois acabaram se beijando. “Eu entendo que quando dizemos ‘nós nos beijamos’, isso geralmente significa outra coisa para as pessoas”, diz George. O estudante de 21 anos está entre a pequena parte da população britânica – 1% – que se declara assexual. Mas apesar de George já saber de sua orientação há algum tempo, ele só começou a se identificar abertamente como assexual no primeiro ano da universidade. Leia também: Jovem aborda tabu de viver sem desejo sexual: ‘Não acho que eu esteja perdendo alguma coisa’ “Outras pessoas assexuais acham isso engraçado, mas, no meu caso, na maior parte da minha infância e adolescência, eu meio que pensava que todos eram como eu. Eu simplesmente achava que eles estavam escondendo de uma forma melhor do que eu”, conta. Ser assexual não é uma escolha, como o celibato. George nunca sentiu atração sexual por ninguém, mas, como tantas outras pessoas na comunidade assexual, ele está em um relacionamento amoroso. O primeiro beijo veio como uma surpresa. “Eu achava que George era ‘homorromântico’”, conta Sophie. “Isso só mostra como o romantismo pode ser fluido.” Uma pessoa “homorromântica” é a que sente atração romântica por pessoas do mesmo sexo. Esse é apenas um dos inúmeros termos usados para descrever as diferentes formas de atração amorosa entre as pessoas. Image captionGeorge e Sophie estão entre a pequena parte da população britânica – 1% – que se declara assexual “Eu não acho que haja qualquer relação entre sexo e amor. Isso só me confunde, essa ideia de que um não existe sem o outro”, relata Sophie. “Acho que a sexualidade é relativa e variável, assim como o romantismo, então é pouco provável que você consiga encaixar tudo isso em um único padrão.” A identidade sexual que Sophie gosta de usar para se definir é “assexual cinza”. Ela descobriu o termo ao compartilhar suas experiências nas inúmeras redes sociais e páginas de discussão sobre o tema na internet – incluindo a Asexual Visibility and Education Network (Rede de Educação e Visibilidade para Assexuais), a principal plataforma online em inglês para a comunidade assexual. Eu não acho que haja qualquer relação entre sexo e amor. Isso só me confunde, essa ideia de que um não existe sem o outro. Sophie Jorgensen-Rideout, que se define como ‘assexual cinza’ Não há uma definição exata sobre o termo assexual cinza, mas geralmente ele descreve pessoas que estão em um meio termo entre serem “sexuais” ou “completamente assexuais”. Para Sophie, isso significa que ela sentiu, em rara ocasiões, atração sexual. “É algo que vem e vai. Às vezes está ali, mas eu posso simplesmente ignorar, apagar isso e continuar meu dia normalmente.” A variedade enorme de tipos de assexuais muitas vezes é mal compreendida. Pessoas da comunidade muitas vezes ouvem comentários de que estariam “confusas” ou mesmo “rotulando sentimentos desnecessariamente”. Leia também: Ciência revela as melhores estratégias para a paquera virtual “Existem muitos estigmas e concepções erradas sobre o tema”, diz Evie Brill Paffard, que se identifica como “demissexual” e está em um relacionamento com outras três pessoas. “Assexual significa simplesmente uma falta de atração sexual. Não significa nada além disso. Pode ser interpretado de diversas maneiras.” O termo “demissexual” é utilizado geralmente para descrever pessoas que só sentem atração sexual por alguém depois de ter um vínculo emocional forte com essa pessoa. Não é o mesmo que optar pela abstinência. Evie não consegue sentir qualquer atração sexual até que haja um laço romântico muito forte ali. Image captionEvie é ‘assexual’ mas faz sexo com as três pessoas com quem mantém um relacionamento – ela é demissexual e adepta do poliamor “A ideia de que você pode olhar uma pessoa ou conhecê-la e logo se sentir atraído sexualmente por ela é algo que é normal para muita gente, mas comigo não acontece.” Evie conheceu seu primeiro namorado em uma sociedade de estudantes do fetiche. “Pessoas assexuais podem parecer um pouco bizarras”, ela diz. Elas podem não estar interessadas no lado sexual da coisa, mas ainda podem curtir um tipo de “emoção hedonista”. A jovem normalmente diz às pessoas que está em diversos relacionamentos – ela é adepta do “poliamor” – antes de dizer que é demissexual. “Acho que com a comunidade do poliamor, existem várias concepções erradas. Porque normalmente as pessoas pensam que isso significa curtir um swing e transar com todo mundo. Mas para mim, não é assim. Eu simplesmente amo várias pessoas.” Pesquisas sugerem que pessoas assexuais, em geral, são vistas de forma mais negativa do que pessoas com outras orientações sexuais. Entre todos os grupos estudados, elas são frequentemente vistas como “desumanizadas”, vistas por agirem, ao mesmo tempo, como máquinas ou como animais. “Acho que essa é uma atitude comum que as pessoas têm em relação a pessoas e relações que, só por existirem, fazem com que elas acabem questionando suas próprias ações e premissas”, afirma Nick Blake, que não é assexual, mas está em um relacionamento com uma demissexual. ‘Quando você para de ver as coisas no velho padrão em que elas se apresentam, a vida fica muito mais interessante. Nick Blake, que namora uma pessoa assexual Ele conheceu Liz Williams dois anos atrás em uma festa de Ano Novo. “É como ter uma conversa sobre respirar. Faz com que você adquira uma super consciência sobre sua própria respiração e você vai acabar sentindo que é estranho e pouco confortável”, diz ele. “Acho que é daí que vem um pouco da confusão e do desentendimento sobre o tema.” Image captionLiz é assexual, mas namora Nick, que não
PLANO DE EDUCAÇÃO: “Machismo, intolerância e fundamentalismo religioso alteraram texto”,…
“Por conta da desinformação, do machismo, da intolerância e do fundamentalismo religioso o plano foi modificado por 5 emendas que eu e mais dez deputados não aceitamos” Salvador, Bahia, 7 de maio de 2016 – De Fabio Sena. Em discurso contundente de vinte minutos, a deputada estadual Fabíola Mansur (PSB) manifestou, no plenário da Assembleia Legislativa nesta quarta-feira (4), sua profunda indignação com as emendas que, segundo ela, mutilaram o Plano Estadual de Educação ao vetar a inclusão de temas relacionados à diversidade sexual e às questões de gênero, suprimidos no relatório final. O texto que define as diretrizes para a Educação nos próximos dez anos foi aprovado por maioria em uma tumultuada sessão, inclusive com refregas entre os grupos feministas e LGBT e um grupo de evangélicos. Ao defender sua tese de manutenção do texto original, Fabíola Mansuir – que é presidente da Comissão de Direitos da Mulher da Assembleia Legislativa – afirmou que o texto originário era fruto de amplos debates com a sociedade civil organizada, daí a razão de seu inconformismo. Ela argumentou que o plano foi democraticamente debatido por mais de 50 instituições e uma gama de educadores, e que o texto aprovado contraria frontalmente um pensamento coletivamente construído. “Trata-se de uma visão distorcida do que seja educação sexual, do que seja discutir gênero na escola”. Leia aqui o voto em separado apresentado pela deputada Fabíola Mansur: DECLARAÇÃO DE VOTO. [youtube https://www.youtube.com/watch?v=pFZ_yKkJg_A] “Com 9 diretrizes e 20 metas, entre as quais se encontram a universalização da educação, erradicação do analfabetismo, ampliação de escolas em tempo integral, valorização dos professores, respeito as diversidades e combate a todas as formas de discriminação, o PEE que valerá para a próxima década, discutido e elaborado por quem trabalha e conhece a educação, foi preparado para a sociedade que quer promover a paz e respeito, que valoriza a educação não racista, não machista, não homofóbica, não sexista como principal ferramenta de formação de cidadãos solidários e fraternos. Por conta da desinformação, do machismo, da intolerância e do fundamentalismo religioso o plano foi modificado por 5 emendas que eu e mais dez deputados não aceitamos”, explicou. O projeto foi aprovado por unanimidade em primeiro turno e por maioria em segundo turno, quando diversos parlamentares ocuparam a tribuna para fazer declaração de voto. Fabíola, presidente da Comissão da Mulher, foi a primeira a ocupar a tribuna para apresentar declaração escrita de voto, em que rejeitava todas as emendas. O documento foi subscrito por ela, pelas petistas Fátima Nunes, Neusa Cadore, Luiza Maia e Maria del Carmem; pela bancada do PC do B (Bobô, Zó e Fabrício Falcão), por Marcelino Galo, presidente da Comissão de Direitos Humanos, além de Marcell Moraes (PV) e Gika (PT). – See more at: http://blogdofabiosena.com.br/v2/noticias/politica/plano-de-educacao-machismo-intolerancia-e-fundamentalismo-religioso-alteraram-texto-diz-fabiola/#sthash.xbN5GU50.dpuf
Mais uma desse deputado sujo Sargento Isidório: GGB vai denunciar o deputado ao Ministério Público.
Salvador, Bahia, sábado, 7 de maio de 2016 – O presidente do Grupo Gay da Bahia (GGB), Marcelo Cerqueira, afirma entregará nesta segunda-feira (9) um notícia-crime ao Ministério Público Estadual contra o deputado estadual Sargento Isidório (PDT). O motivo, segundo Cerqueira, são muitos, mas o fator determinante foi um vídeo divulgado em que o parlamentar aparece ao lado de uma idosa a quem chama de mãe e faz brincadeiras interpretadas pelo GGB como de mau gosto. O pedetista, no intuito de fazer uma homenagem pelo Dia das Mães de forma diferente, agradece-a por “não ser sapatona”, se não “eu não teria nascido”. “Isso é uma ignorância. Nenhuma mulher hoje precisa transar para ter filho, para isso existem meios de fertilização”, rebateu Marcelo Cerqueira em entrevista ao Bocão News. Em outro trecho, Isidório insinua que pega na parte íntima da mãe e leva ao nariz. “Mais uma desse deputado sujo Sargento Isidório. Quer fazer humor lixo com o nosso povo, mas ele não é humorista, é deputado, por isso é necessário que se respeite e respeite os seus pares. Uma ofensa às mulheres, utilização de nome inadequado para se referir às mulheres lésbicas. Nada impede que as lésbicas deem luz a bebês, seja por relação sexual ou por outros meios de fertilização. Mas, sem dúvida ele se refere a essas mulheres como infértil de forma premeditada dando segmento a sua campanha caluniosa contra os LGBTs. Uma pessoa como esta é indigna de ocupar uma cadeira na Assembleia Legislativa da Bahia. Na segunda-feira, o GGB estará enviando ao Ministério Público a representação criminal”, avisou Cerqueira em publicação na rede social Facebook. Segundo o presidente, uma nota técnica sobre o comportamento do deputado em relação à comunidade homossexual já vinha sendo feita desde antes, com vasto relatório sobre a mobilização que o parlamentar teve na discussão do Plano Estadual de Educação, contra o qual apresentou uma emenda pedindo a retirada dos termos gênero e diversidade sexual como temas de debate em salas de aula. “Não sabemos se isso é homofobia ou uma forma de promoção social, mas é preciso questionar esse tipo de tratamento do deputado a estas pessoas. Seria importante que outras entidades também se manifestassem. Esse homem tem que ter um freio. Ele acha que não tem limites”, avaliou Cerqueira.