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EM 1984 INSTITUIU O ANO GAY INTERNACIONAL.

Nossa reinvindicação: Extinção imediata do parágrafo 302.0 do Código de Saúde do Ministérioda Saúde do Brasil; Salvador, 6 março 2021. A Associação Gay Internacional, órgão equivalente à ONU, quecongrega grupos militantes homossexuais do mundo inteiro, proclamou 1984 como o “ANO GAY INTERNACIONAL”. Se todas as minorias egrupos sociais discriminados – crianças, velhos, deficientes físicos – játiveram seu ano internacional, nada mais justo que os gays, que representam10% da população do mundo, também tenham um ano internacional a fimde chamar a atenção da população mundial para os gravíssimos problemas,sofrimentos e discriminação de que são alvo os homossexuais. Nosprincipais países do mundo inúmeras atividades culturais, artísticas epolíticas estão sendo organizadas para que 1984 seja um marco na lutacontra a intolerância e preconceitos que anualmente levam milhares de gaysa situações dramáticas como discriminação no trabalho e escola; expulsãode casa por famílias intolerantes; perseguição, espancamento e prisão porpoliciais prepotentes e machistas; centenas de suicídios e assassinatoscausados simplesmente por uma razão: HOMOFOBIA, isto é, intolerânciaaos gays e ao homossexualismo (uma doença tão grave e perigosa como ahidrofobia, a raiva do cachorro louco). Não é fácil ser homossexual emnossa sociedade, onde desde pequeno ouvimos nossos pais dizerem preferirter um filho ladrão, assassino ou morto, do que homossexual; onde serchamado de “viado” é das piores afrontas que alguém pode fazer a uminimigo. Apesar de não Existir mais fogueira para nos queimar, muita gentecontinua a pensar e agir como a mesma ignorância pré-científica eobscurantista dos inquisidores: 3 homossexuais são assassinados todos osmeses no Brasil (fora os que os jornais não noticiam); 300.000 gays foramexterminados nos campos de concentração nazista.É urgente mudar a mentalidade mundial, substituindo-a porprincípios mais condizentes com o progresso científico e de acordo com osdireitos humanos universais. Felizmente já temos alguns progressos: aprópria Igreja Católica começa a mudar – em vez de queimar judeus,protestantes e sodomitas, hoje o Papa prega o ecumenismo, o respeito aos“oprimidos”, mandando inclusive que os gays sejam tratados com maisrespeito, sem violência nem discriminação. Os cientistas contemporâneossão unânimes em afirmar que o homossexualismo não é nem doença nemdesvio. Diversas associações científicas das mais importantes dos EstadosUnidos e do Brasil – inclusive a Sociedade Brasileira para o Progresso daCiência – garantem que a discriminação imposta aos gays é extremamenteinjusta, odiosa e anti-científica. Os políticos igualmente manifestam-se afavor da igualdade de direitos dos homossexuais: na Noruega e Canadá háleis que punem todo tipo de discriminação, por raça, idade, religião etambém por expressão sexual. O Conselho do Parlamento Europeu,principal órgão político da Europa, manifestou-se várias vezes de formaenérgica contra todas as expressões de preconceito e discriminação anti-gay. No Brasil, mais de 15 mil pessoas já assinaram o documento de iniciativa doGRUPO GAY DA BAHIA contra o §302.0 do Código Internacional deSaúde, em vigor também no Brasil, que rotula o homossexualismo comodesvio e transtorno sexual. Entre os assinantes, mais de 300 políticos: oatual Governador de S. Paulo, o Vice-Governador do Rio de Janeiro, 2Prefeitos, 1 Senador, 14 Deputados Federais e 120 Estaduais, 149Vereadores de todo o Brasil. Em Janeiro/83 a Justiça determinou o registrolegal do GGB como “sociedade civil”, reconhecendo-se oficialmente quetambém os homossexuais têm o livre direito de associação para defesa deseus interesses. Tudo isso é apenas um começo de uma longa luta ecaminhada: que 1984, o ANO GAY INTERNACIONAL represente umavanço significativo e perceptível nessa busca de uma nova sociedademundial onde “o amor seja o essencial, o sexo um acidente, podendo serigual ou diferente”. (Fernando Pessoa) Reivindicações (mínimas) do Movimento Homossexual Brasileiro:1) Extinção imediata do parágrafo 302.0 do Código de Saúde do Ministérioda Saúde do Brasil;2) Igualdade de direitos dos homossexuais;3) Punição de toda discriminação e violência contra os gays;4) Garantia de espaço nos meios de comunicação para o movimento gayexpor suas reivindicações.Participe do ANO GAY INTERNACIONAL na Bahia: ProgramaçãoJaneiro (13 a 15): 2º Encontro Nacional do Movimento HomossexualBrasileiroFevereiro (28): 4º Aniversário de Fundação do GGB – 3ª Exposição de ArtePostal GayInício da Pesquisa “Os homossexuais na Bahia”Março-Abril: Ciclo de conferências e debates “A Inquisição e repressão àhomossexualidade”Maio-Junho: Campanha Médico-Social junto aos travestis do Pelourinho /Semana do Orgulho GayJulho: Reunião Anual da Soc. Bras. P/Progresso da Ciência (SP),conferências e debatesAgosto-Setembro: Debates na UFBª: “Homossexualismo visto pelosprofessores e estudantes”Outubro-Novembro: Ciclo de filmes sobre temos homossexuaisDezembro: Exposição de Arte e Cultura Gay; Apresentação das conclusõesda pesquisa sobre os homossexuais da Bahia. Ato Público deEncerramento do Ano Gay Internacional. Boletim do GGB.