Oxe! Aonde queSalvador é a capital com menos Lgbt do País.
Foto: GGB imagem. Marcelo Cerqueira* Uma Pesquisa Nacional de Saúde, realizada pelo Ministério da Saúde em parceria transversal com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE, de 2019, sobre orientação sexual, lançada sexta-feira, 25/5, apontou queSalvador é a capital país com menor número número de LGBT+, sendo 1,5%, em números 35 mil pessoas. E como a gente fala aqui na terra de Daniela Mercury: “Aonde” esses dados representam a realidade dessa terra brejeira, de gente bonita? Como Jack, o Estripador, vamos por partes. O Ministério da Saúde não é o IBGE, e a Pesquisa Nacional de Saúde (PNS) não é o Censo Demográfico, mesmo que sejam semelhantes em aspectos. A APNS coleta dados relativos às condições de saúde da população, tendo como questão principal o acesso, e também, quanto ao uso dos serviços de saúde, questões como o cuidado. Talvez sim, ou não, esses dados analisados possam revelar uma fotografia, especialmente de quem usa ou não, o sistema de saúde, considerando a população a partir de 18 anos, e mesmo que a intenção do MS sela louvável, a reposta pode ser muito fluida. O Censo Demográfico, realizado pelo IBGE, é muito diferente. Representa a contagem dos habitantes, procura identificar suas características e particularidades, para com isso, servir para orientar políticas públicas. Há muito tempo que o movimento social LGBT pede ao IBGE que insira perguntas sobre as variáveis de orientação sexual e identidade de gênero para assim, poder ter uma fotografia da população LGBT do Brasil. Talvez seja possível que as respostas não sejam sinceras, por isso o IBGE deve fazer constar, no Censo Dográfico esses dias, variáveis, bem como fazer campanha nacional, explicando e encorajando a resposta verdadeira. A LGBTfobia estrutural e familiar ainda é muito expressiva na sociedade ainda hoje. A população LGBT de Salvador é muito maior do que isso. Salvador é conhecida como a terra da felicidade, destino de turistas LGBT do mundo inteiro, proporciona o melhor Carnaval inclusivo do Brasil, tem uma política pública especial para a inclusão desta população. É a cidade da primeira travesti, Chica Manicongo, e da lésbica Felipa de Souza, denunciadas a Inquisição Portuguesa, de acordo com estudos do professor Luiz Mott, fundador do Grupo Gay da Bahia. Ainda conforme Mott, foi Diogo Botelho, o primeiro governador gay da Bahia. A cidade possui a maior Parada do Orgulho LGBT da região, e ainda mais de 30 Paradas de bairros. Um fenômeno nacional. Oxe! Salvador é gay, que eu sei! Marcelo Cerqueira é professor, ativista LGBT, Diretor do GGB
Relatório de Mortes Violentas de LGBT+ no Brasil é traduzindo para o inglês.
Salvador, 7 de maio 2022 Está disponível em inglês o Relatório de Mortes Violentas de LGBT+ no Brasil ocorridas em 2021. O Relatório que tem a função de Observatório constatou que trezentos (300) LGBT+ sofreram morte violenta no Brasil em 2021, 8% a mais do que no ano anterior: 276 homicídios (92%) e 24 suicídios (8%). O Brasil continua sendo o país do mundo onde mais LGBT são assassinados: uma morte a cada 29 horas, situação preocupante que posiciona o país, como culturalmente perigoso para os LGBT+, uma epidemia de ódio. Esses dados tem como fontes primárias as notícias publicadas nos meios decomunicações do Brasil, sendo jornais dos estados, que são coletados e analisados pelo Grupo Gay da Bahia, há mais de quarenta anos seguidos. A região Nordeste foi onde mais LGBT+ tiveram mortes violentas, 35% dos casos, seguida do Sudeste (33%). É a primeira vez que o Sudeste concentra tantos óbitos: mais do que a soma totaldas demais regiões, Sul, Norte e Centro-Oeste. O sudeste é considerado a região com um maior desenvolvimento econômico. Não há regularidade sociológica que explique essa e muitas das ocorrências,como também, por exemplo, a redução das mortes nos meses deprimavera. São Paulo é o estado onde ocorreu o maior número de mortes, 42 (14%), seguido da Bahia com 32, Minas Gerais com 27 e Rio de Janeiro, 26. Para o conteúdo do relatório acesse https://grupogaydabahia.com/relatorios-anuais-de-morte-de-lgbti/
Empresa inclusiva.Secretaria da Reparação lança marca do Selo da Diversidade LGBT+
Salvador, 1 de maio de 2022 A Secretaria Municipal da Reparação lança a marca oficial do Programa Selo da Diversidade LGBT+ no mercado de trabalho em Salvador, iniciativa que visa o fomento à superação da LGBTfobia e discriminação por orientação sexual e identidade de gênero no ambiente corporativos. As empresas interessadas na certificação já podem se inscrever no site www.reparacao.salvador.ba.gov.br A marca é a identidade visual da política pública e será reproduzida nas peças do programa e na certificação das organizações nas categorias reconhecimento, excelência e compromisso, previsto para o mês de setembro. A marca na sua composição gráfica trás o brasão da cidade de Salvador, reproduzindo a imagem da pomba voando e nas asas as cores da bandeira do arco-íris, símbolo do movimento LGBT+. A composição foi feita para alertar as empresas para esta nova realidade e revelar o compromisso da prefeitura em tornar Salvador mais humana e inclusiva. O coordenador de Politicas LGBT+, do Centro Municipal de Referência Vida Bruno, Marcelo Cerqueira considerou a marca repleta de significados símbolicos positivos, “É simples e direta na mensagem, representa o braço protetor da Prefeitura associado as nuances da diversidade LGBT+, isso é motivo de festejar” declara. E continua “Essas mudanças formidáveis, só acontecem quando a gente tem um executivo municipal formidável e humanista,” conclui Cerqueira. O lançamento da marca é parte das comemorações do Dia 17 de maio internacional de combate a LGBTfobia, data em que a homossexualidade foi elevada a condição de orientação sexual.
Transfobia
Salvador, 8 de abril, 21h36 MC Nathalia Araújo, 23 anos, mulher transexual, na noite desta sexta-feira (8), compareceu à 14ª Delegacia de Polícia Civil, no bairro da Barra, para registrar o boletim de ocorrência (BO número 198784/22) por transfobia. Nathalia relata que no madrugada do dia 8 de abril, por volta das 00:00, ela e uma colega foram agredidas, segundo as vítimas, pelos garçons do Restaurante Portal do Mar, no Porto da Barra, e, em seguida, por homens da Polícia Militar da Bahia. Nathalia é cantora, e estava em Brotas, trabalhando na produção de uma de suas músicas, que será apresentada em um festival de pagode.A busca por relaxar após o trabalho, ao contrário, terminou em ameaças, socos e humilhação. “Estávamos gravando, e quando acabamos, fomos à Barra, comer e nos divertir. Foi aí que minha colega resolveu usar o sanitário do bar”. Segundo Nathália, quando a colega retornou do sanitário, dois garçons chamaram as duas de “desgraça”, e pegaram barras de ferro, indo em sua direção. Como se não bastasse, as vítimas se tornaram culpadas. Uma viatura da 11ª Base Comunitária (CIPM) da Barra e Graça estava passando pelo local, e um policial desceu da viatura com uma arma apontada para ela, enquanto o outro policial a agrediu com um soco no rosto. A vítima fez exame de corpo de delito, e vai denunciar a abordagem na Corregedoria das Polícias.Nathália, que está muito abalada com a transfobia, desabafou: “não é só por mim, é por todas que são silenciadas, inclusive assassinadas”.@pmdabahia @mpdabahia #policiacivildabahia #corretedobem justiça @leokret @reparacaosalvador @familiaspeladiversidadeoficial @doistercos @correio24horas @spmbahia @defensoriabahia
Oscar Gay 2022
Salvador, 30 de março de 2022 .Pelo 31º ano consecutivo, desde 1991, seguindo a trilha do Oscar de Hollywood, o Grupo Gay da Bahia, entidade de utilidade pública municipal de Salvador, associado à Aliança Nacional LGBTI+, divulga o OSCAR GAY, premiando com o Troféu Triângulo Rosa as personalidades e instituições que em 2021 deram maior apoio aos direitos humanos dos LGBT+, outorgando o Troféu Pau de Sebo, aos inimigos dos gays, lésbicas e transgêneros.O Troféu Triângulo Rosa relembra o distintivo utilizado pelos nazistas nos campos de concentração para identificar os prisioneiros homossexuais: mais de 300 mil gays foram presos por Hitler por serem “schwul”, viados. Desde então o Triângulo Rosa tornou-se o símbolo internacional do orgulho LGBT+. Pelo terceiro ano, participaram da seleção dos premiados além do Grupo Gay da Bahia, o Grupo Dignidade de Curitiba e a Aliança Nacional LGBTI+, contando com assessoria de militantes gays de diversos estados.Quanto ao Troféu Pau de Sebo, explica o jornalista Marcelo Cerqueira, Presidente do Grupo Gay da Bahia: “Aproveitamos uma tradição irreverente do folclore brasileiro para mostrar o ridículo de ser inimigo dos LGBT: por mais que queiram espezinhar os gays e destruir o movimento de libertação LGBT+, nunca chegam a seu objetivo, caindo e se lambuzando no pau de sebo da intolerância. Mesmo que esperneiem, aumenta a cada ano o número dos LGBT+ assumidos e o apoio dos simpatizantes, além das vitoriosas garantias legais a favor de nossa cidadania.” Prova disso é que o número de simpatizantes homenageados tem sido sempre superior aos homotransfóbicos: nesse certame, 57 amigos contra 46 inimigos.Segundo o etno-historiador Luiz Mott, Decano do Movimento Homossexual Brasileiro, infelizmente, a praga da homotransfobia tem o atual Presidente da República como seu grande difusor, que no ano retrasado associou típico guaraná cor de rosa do Maranhão ao ser “boiola” e utilizou expressão homofóbica para criticar a necessária cautela na prevenção da Covid, ao dizer que “o Brasil é um país de maricas”, já tendo se pronunciado contra o STF ao criminalizar a homofobia’.Quanto ao Troféu Triângulo Rosa, na opinião do Dr. Toni Reis, fundador do Grupo Dignidade de Curitiba e da Aliança Nacional LGBTI+, “consideramos de fundamental importância parabenizar as pessoas e instituições que apoiaram a agenda do Movimento LGBTI+ por incentivarem outros vips e entidades a entrar nessa luta cidadã. Também é crucial apontar e fazer a crítica, a partir de falas, fatos e evidências concretas, daqueles que discriminam nosso segmento. Por isso o Oscar Gay persiste há mais de três décadas construindo cidadania e fazendo história no Brasil! E conhecereis a verdade e a verdade vos liberará…” Ao todo foram contemplados 57 troféus Triangulo Rosa, dedicado aos amigos da comunidade LGBT, destacando-se 5 governadores, 4 assembleias legislativas, 3 deputados, 3 prefeituras municipais, 5 empresas, 4 times de futebol. Troféu especial ao corajoso Cardeal da Bahia, D. Sérgio da Rocha, por ter sido o primeiro arcebispo do Brasil, quiçá do mundo, a celebrar missa em memória dos LGBT vítimas de crimes homotransfóbicos. Também as empresas Uber, Burger King, Boticário e Latam receberam o troféu Triângulo Rosa por iniciativas promovendo a cidadania das minorias sexuais. Dos onze Estados mais simpatizantes, destacaram-se positivamente o Rio de Janeiro, Paraná, Minas Gerais, São Paulo e o Distrito Federal, somente dois estados do Nordeste, Pernambuco e Bahia.46 instituições e personalidades receberam o Troféu Pau de Sebo devido a sua oposição à cidadania LGBT, salientando-se negativamente, os estados de São Paulo, Paraná e Pernambuco, num total de 17 Estados, quatro estados a mais do que os simpatizantes. Dentre estes, dois membros do governo federal, o Ministro da Educação, Milton Ribeiro, por repetidas declarações homofóbicas e o ex-ministro Osmar Terra, do Desenvolvimento Social, por suspender edital voltado à cidadania da população LGBT; sete deputados estaduais, 14 vereadores, e três bispos da Igreja Católica: Dom Fernando Guimarães, Arcebispo do Ordinário Militar do Brasil e D. Aldair José, Arcebispo de Goiás, por críticas à campanha da fraternidade\2021 da CNBB por condenar a homotransfobia; Dom Washington Cruz, Arcebispo de Goiânia, por afastar o Padre César Garcia das atividades na paróquia de São Leopoldo após celebrar cerimônia de um casamento gay. Os apresentadores de TV, Ratinho e Siquêra Jr. da Redetv! Neste último ano, a agonia e morte do ator transformista Paulo Gustavo deu lugar a cruéis declarações homofóbicas por parte de pastores e repórteres de televisão.De acordo com o último Relatório de Homicídios e Suicídios de LGBT+, em 2021 registraram-se 300 mortes violentas no Brasil motivadas pela homotransfobia.Os diplomas Triângulo Rosa e Pau de Sebo são enviados pelo correio aos indicados. Oscar Gay 2022Triangulo Rosa, troféu para os amigos dos LGBT+: 57 premiadosPoder Estadual:Governador do Espírito Santo, Renato Casagrande, pela aprovação do plano estadual de enfrentamento à LGBTfobia e promoção da cidadania e direitos humanos; Governador do Estado de Alagoas, José Renan Vasconcelos Calheiros Filho, por sancionar lei que institui a criação da delegacia especial dos crimes contra vulneráveis, incluindo o segmento LGBT; Governador do Rio de Janeiro Cláudio Castro e deputados estaduais Carlos Minc, PSB/RJ e André Ceciliano, PT/RJ, garantindo o livre debate de ideias sobre sexualidade e gênero em todas as escolas públicas ou privadas do estado; Governador de Minas Gerais, Romeu Zema, pelo veto ao projeto de lei 2.316\20 que excluía a punição de atos discriminatórios contra pessoas em virtude de sua orientação sexual e expressão de gênero; Governo do Distrito Federal, Ibaneis Rochas, pela abertura da primeira república para atender pessoas LGBT e pelo Projeto Brasília-Orgulho, pelos recordes de intervenções no dia do orgulho gay pintando arco-íris gigantescos em 10 monumentos e logradouros públicos; Assembleia Legislativa de Minas Gerais pela aprovação do PL 2.316/2020 que pune a discriminação a pessoas LGBT em estabelecimentos públicos ou privados no estado; Assembleia Legislativa de São Paulo, pela rejeição ao PL 504\2021 que previa a censura de pessoas lgtb em propagandas comerciais e pela aprovação do PL 574/2016, da dep. Márcia Lia, PT\SP, incluindo famílias homoafetivas nos programas sociais implementados pelo governo; Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, pela aprovação da lei “Rio sem homofobia” de autoria dos deputados Carlos Minc e Gilberto Palmares; Dep.
CadÚnico Itinerante realiza cadastro para pessoas LGBTs até quinta (31).
Salvador, Bahia, 29 Março 2022 A segunda edição do CadÚnico Itinerante LGBT+ está oferecendo serviços de inscrição e atualização do cadastro único, no Observatório Permanente da Discriminação Racial e LGBT+, na Rua Carlos Gomes, no Centro. A ação acontece até quinta-feira (31), das 9h às 12h e das 13h às 17h. O objetivo é identificar pessoas LGBT de baixa renda, em Salvador, para possível inclusão em programas de assistência social e redistribuição de renda. São atendidas cerca de 25 pessoas por dia. A inscrição no Cadastro Único permite o acesso a benefícios sociais, como o Auxílio Brasil, Casa Verde e Amarela, Bolsa Verde, Tarifa Social de Energia Elétrica, além de carteira do idoso, ID Jovem e o Vale Gás. O CadÚnico Itinerante LGBT+ é realizado pela Secretaria de Promoção Social, Combate à Pobreza, Esportes e Lazer (Sempre), em parceria com a Secretaria Municipal da Reparação (Sempre). Para o atendimento, é necessária a apresentação do RG, CPF e comprovante de residência. O gerente do serviço, Tiago Batista, explicou que a ação reforça a política centralizada de combate à LGBTfobia, promovendo reparações. “A ideia é dar a esta população mais acessibilidade aos benefícios sociais. O CadÚnico Itinerante oportuniza o acesso a pessoas, que por alguma circunstância, não se sentem à vontade para procurar alguns espaços”, explicou. O coordenador do Centro Municipal de Referência LGBT+ Vida Bruno, Marcelo Cerqueira, disse que a ação promove a cidadania e a inclusão do público LGBT soteropolitano. “O centro tem feito todo o esforço possível, não somente para mobilizar pessoas, mas para incentivar a utilização dos serviços ofertados. Nesses espaços, o público adentra com maior autoestima, feliz porque sabe que é um lugar dedicado ao atendimento dele”, destacou. Segurança – O estagiário Diego Lima, de 28 anos, compareceu à iniciativa para atualização do CadÚnico. “Infelizmente, somos julgados o tempo inteiro pela nossa orientação sexual, cor, roupa e forma de expressão. Tudo é motivo para que a sociedade nos aponte, por isso, muitas vezes, deixamos de acessar benefícios, que são direito de todo cidadão”, afirmou. Segundo Lima, com atendimento voltado para o público específico, “distante de piadinhas e expressões pejorativas e com a tratativa correta, nos sentimos muito mais acolhidos, seguros e confortáveis”, revelou. A zeladora Sarity Marques, de 43 anos, ao realizar a inclusão do CadÚnico, também destacou a segurança e acessibilidade do serviço. “O acesso é facilitado por estar sendo ofertado dentro de um ambiente em que a gente se sente acolhido e seguro, longe dos olhares julgadores”, concluiu.
Vakinha para manutenção do Grupo Gay da Bahia.
Faça sua colaboração! Ficamos felizes por sua ajuda. No período do isolamento social , por ser o Centro Histórico uma área úmida, perdemos todos os nossos computadores, entre outras coisas. https://www-vakinha-com-br.cdn.ampproject.org/v/s/www.vakinha.com.br/vaquinha/ajude-a-manutencao-da-sede-grupo-gay-da-bahia/amp?amp_js_v=a6&_gsa=1&usqp=mq331AQKKAFQArABIIACAw%3D%3D#aoh=16471161286826&referrer=https%3A%2F%2Fwww.google.com&_tf=Fonte%3A%20%251%24s&share=https%3A%2F%2Fwww.vakinha.com.br%2Fvaquinha%2Fajude-a-manutencao-da-sede-grupo-gay-da-bahia
Grupo Dignidade completa 30 anos de história – 14 de março 2022
O Grupo Dignidade está completando 30 anos de trabalho em prol da cidadania plena e dos direitos humanos de lésbicas, gays, bissexuais, travestis, transexuais e intersexos (LGBTI+), tanto em Curitiba e no Paraná, como no âmbito nacional. Para comemorar seus 30 anos, o Grupo Dignidade fará uma cerimônia de homenagem, conferindo o Prêmio Aliad@s a pessoas e instituições que têm contribuído muito com a causa dos direitos humanos da comunidade LGBTI+ nesse período. O que é Grupo Dignidade?O Grupo Dignidade é uma organização da sociedade civil sem fins lucrativos. Foi fundado em 1992 em Curitiba, sendo pioneiro no Paraná por ser o primeiro grupo organizado no estado a atuar na área da promoção da cidadania de lésbicas, gays, bissexuais, travestis, transexuais, intersexuais (LGBTI+). Em seu primeiro estatuto constava entre as finalidades “promover a organização dos grupos homossexuais do Brasil em uma Confederação”. Desde o início, foi atuante neste sentido e, junto com outros grupos da época, ficou à frente do processo de formação de entidades LGBTI+ locais e nacionais, como a Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais (ABGLT) em 1995 e a rede que passaria a ser a Aliança Nacional LGBTI+ em 2009. Foi a primeira organização LGBTI+ no Brasil a receber o título de Utilidade Pública Federal, por decreto presidencial em 05 de maio de 1997, e sua atuação sempre ocorreu tanto no nível local como no âmbito nacional. Nas palavras do seu idealizador, fundador e atual diretor executivo, Toni Reis, “Comemorar os 30 anos do Dignidade é comemorar a superação de muitas adversidades. Perdemos algumas batalhas, mas ganhamos a guerra contra o estigma, o preconceito, a discriminação e a violência. Mesmo assim, ainda temos muitos desafios pela frente.” Serviço A cerimônia de entrega do prêmio será realizada às 19 horas do dia 14 de março de 2022 no Cine Passeio, na Rua Riachuelo, 410, Centro, Curitiba-PR. Em anexo segue fotos históricas do Grupo Dignidadehttps://drive.google.com/drive/folders/1EbeeRPrY6AAAb96y2lRnDp0hkrNXb8R4?usp=sharing Entrevistas:Toni Reis (41) 996028906Fundador e Diretor Executivo do Grupo Dignidade Lista de homenageados pelo Prêmio Aliad@s: Deputado Estadual Goura Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional Paraná Vereadora Professora Josete Senador Flávio Arns Marcela Prado (in memoriam) Márcio Marins (in memoriam) Dr. Dálio Zippin (in memoriam) Deputada Federal Christiane de Souza Yared Deputada Federal Gleisi Hoffmann Juno Ebanx Mirum Deputado Estadual Michele Caputo Neto Fundação Cultural de Curitiba Prefeitura Municipal de Curitiba Ministério Público do Paraná Defensoria Pública do Estado do Paraná Vereadora Carol Dartora Profa. Dra. Araci Asinelli Universidade Federal do Paraná Deputado Federal Dr. Luciano Ducci Coletivo Cássia Deputado Federal Gustavo Fruet Vereadora Maria Leticia Dr. Rosinha Tina Simpson Supremo Tribunal Federal Departamento de Doenças de Condições Crônicas e Infecções Sexualmente Transmissíveis / SVS / MS UNAIDS Brasil Maite Schneider Bruna Ravena Bárbara Bueno Deputado Estadual Professor Lemos Simón Cazal Secretaria Municipal da Saúde de Curitiba Superintendência Geral de Diálogo e Interação Social – SUDIS do Governo do Paraná Proud@Renault
28 de Fevereiro Dia Nacional da Afirmação Gay.
Lições que uma repórter aprendeu com o GGB.
Cleidiana Ramos. Salvador, 28 de Fevereiro 2020. Minhas primeiras informações sobre o Grupo Gay da Bahia (GGB), essa instituição que comemora aniversário em constante ebulição e atualização, veio por linhas tortas. Eu pensava, mas ainda não tinha certeza sobre virar jornalista porque no final do curso de magistério em 1991 estava mais nítido o desejo de me tornar uma religiosa de uma congregação católica. Neste período trabalhava em uma farmácia em Iaçu, que pertencia ao meu irmão, e, como ele e meu pai tinham o hábito de comprar jornais, passei a ver as referências ao GGB associadas ao seu então presidente Luiz Mott, mas por meio de ofensas na coluna de cinema de A Tarde assinada por José Augusto Berbert de Castro.Mesmo sem nenhum contato direto com as pautas do movimento de defesa da cidadania da naquela época chamada comunidade GLS (Gays, Lésbica e Simpatizantes) eu já me indignava com as ofensas de Berbert a Luiz Mott. Achava tudo aquilo um desaforo e me perguntava como era possível um jornal veicular textos naquele formato. Sou de uma família, ainda bem, sempre vinculada à defesa de questões progressistas e contra todos os tipos de exclusão.Como o projeto de virar religiosa não se concretizou, o plano de carreira no jornalismo me arrebatou. Em questão de seis meses eu saí de um convento para a Faculdade de Comunicação da Universidade Federal da Bahia (Facom- Ufba), o que me levou de volta ao hábito de ler jornais. E lá estava o GGB novamente em pautas de cidade sobre as campanhas de prevenção ao HIV/AIDS, mas também em outros embates de Luiz Mott. Lembro-me, especialmente, do burburinho em torno do seu casamento com Marcelo Cerqueira e as reportagens dos jornais, inclusive uma que registrou que no dia da celebração a terra tremeu na Bahia.Em 1998 eu me tornei membro da equipe de A TARDE com apenas algumas semanas de graduação. Olha a coincidência. E foi nesta redação que vi, gradativamente, a mudança em relação ao GGB, o fim dos ataques a Mott a partir de suas providências, inclusive recorrendo a instituições internacionais e conheci mais de perto o GGB. Em um primeiro momento o contato era por meio de relatos de colegas que faziam matérias, como a campanha para que gays também tivessem acesso a uma praia de naturismo, ações de conscientização em relação a direitos e prevenção especialmente de HIV/Aids até que finalmente fui escalada para cobrir, em um Carnaval, o Baile de Fantasia gay.Ali eu me apaixonei profundamente pelo evento. Adorei a exibição das fantasias do luxo mas também aquelas que não perdiam o vínculo com o deboche do começo da festa que depois soube ser o embrião do evento: o movimento realizado nas escadarias do Palácio de Esportes. O Baile de Fantasia Gay durante o Carnaval, na Praça Municipal, era um dos eventos que eu pedia para cobrir. Tudo era sempre instigante, como a empolgação de um público misto, ou seja, formado pela comunidade LGBTQUIA+ e famílias inteiras com uma presença significativa de crianças e sem manifestações de ódio.Eu, uma mulher negra e cis, assim como pelo ofício de repórter fui amadurecendo reflexões em relação às questões étnico-raciais sem perceber também aprendi muito com o GGB. Destaco especialmente o quanto o ativismo pode ser feito de muitas nuances, ou seja, denunciar a homofobia, as lesbofobia e a transfobia e as tantas violências que elas produzem é revolução assim como lutar pelo direito à frequência em uma praia ou ser inserido na programação oficial do Carnaval. O que não se faz com discurso ou passeata não significa de menor importância.Desejo, portanto, ao GGB vida longa com capacidade de renovação sempre em modo polêmico, mas eficaz. Com estratégias variadas também se faz uma boa revolução.Cleidiana Ramos e jornalista e doutora em antropologia.