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Imortal de Corpo Presente na (ABL)

Luiz Mott imortal de corpo presente

IMORTAIS DE CORPO PRESENTE José Marcelo Domingos de Oliveira. Professor, doutor em Ciências Sociais, editor De vez em quando, a história nos envia um recado inesperado, desses que atravessam a epiderme do tempo e chegam direto ao coração de nossa cultura. Foi assim quando li uma mensagem recente de Luiz Mott, pioneiro do ativismo LGBT+ no Brasil, etnógrafo de almas esquecidas, cronista das minorias, poeta dos interditos. Mott, aos 79 anos, lúcido e incansável, perguntava a Lilia Moritz Schwarcz, membro da Academia Brasileira de Letras (ABL), intelectual respeitada e figura influente no mundo editorial, por que ele segue invisível às instituições que celebram a literatura e o pensamento nacional. Referia-se, claro, às Academias de Letras baiana e brasileira. A provocação não é gratuita. “Oi Lilia, tudo bem? Te vi agora na TV na posse da Ana Maria Gonçalves na ABL, elogiando ter ela um livro que foi tema de escola de samba. Se ter livro/personagem descoberto como enredo de escola de samba pode ser critério para se tornar imortal, euzinho tenho três”, escreveu. E enumera, com a ironia fina de quem conhece bem os becos da memória: Rosa Egipcíaca (1ª escritora negra), Esperança Garcia 91ª advogada do Brasil), Xica Manicongo (1ª transexual do Brasil). Três personagens negras, escravizadas, reconstruídas por sua pena incansável, devolvidas à história pelo esforço de um homem branco, gay e nordestino, que aprendeu cedo a dar voz ao que a sociedade tentou calar. Por que, então, Luiz Mott não está onde tantos o reverenciam? Por que a Academia Brasileira de Letras, fundada em 1897 e a Academia Baiana de Letras, fundada em 1917, com seus fardões bordados e sua obsessão por cânones, ainda ignoram a obra monumental de um dos mais fecundos intelectuais do país? Luiz Mott não é apenas ativista. É autor de mais de trinta livros, entre eles “Rosa Egipcíaca: uma santa africana no Brasil” (1993; 2023), “Bahia: Inquisição e Sociedade” (2010) “O Lesbianismo no Brasil” (1987), “Sergipe Colonial & Imperial” (2008), entre tantos outros. Publicações que não apenas dialogam com o campo acadêmico da antropologia, da história e da sexualidade, mas inauguram campos de pesquisa, desbravam temas interditos, escavam silêncios seculares. É também cronista, memorialista, poeta. Seus textos em jornais baianos, como A Tarde, resistem ao tempo, pois nas entrelinhas lateja um estilo que mescla denúncia, lirismo e erudição popular. Sua escrita não é apenas informativa, mas transformadora. Seu trabalho com as personagens negras esquecidas pela historiografia oficial é comparável ao de historiadores consagrados internacionalmente. E, ainda assim, permanece à margem da legitimação simbólica. Enquanto isso, a mesma Academia que o ignora acolhe figuras como Maria Bethânia e Gilberto Gil, grandes artistas, sem dúvida, mas cuja presença foi reconhecida sem o mesmo escrutínio aplicado àqueles que ousam ser dissonantes. Não há disputa aqui entre música e literatura, mas entre critérios. Se Bethânia é o canto da língua e Gil, o ritmo da palavra, Mott é o corpo da memória. E não há língua sem corpo. Há algo de inquietante nessa recusa reiterada. Como escreveu em sua mensagem, o Departamento de Antropologia da UFBA, onde formou gerações de pesquisadores, também não o indicou ao título de Professor Emérito. A pergunta paira: é homofobia? Ou, talvez, o incômodo que a lucidez de Mott provoca, especialmente quando expõe os mecanismos de exclusão operando dentro das próprias instituições da cultura? O Brasil é mestre em transformar os vivos em fantasmas e canonizar os fantasmas como heróis. Luiz Mott, no entanto, está vivo, escrevendo, pesquisando, intervindo. É um imortal de corpo presente. Não se trata apenas de uma homenagem de fim de carreira, mas de uma reparação simbólica e de um ato de coragem institucional. Reconhecer Mott agora é um compromisso com a diversidade, com a memória crítica do país e com a pluralidade de formas de fazer literatura e pensamento. Seria um presente para todos nós, e para mim, em particular, que me honro como seu afilhado intelectual. Mais do que uma cadeira, Mott merece um trono entre os que refundam a literatura brasileira por outros caminhos, outras vozes, outros amores. Se a Academia deseja continuar a ser relevante, precisa ouvir quem ainda não foi ouvido. E, entre esses, Luiz Mott já grita há mais de meio século. Chegou a hora de escutá-lo.

Pré-Campanha da 22ª Celebração do Orgulho LGBT+ Bahia

Pré-Campanha da 22ª Celebração do Orgulho LGBT+ Bahia é lançada com o tema “Envelhecer sem vergonha, com orgulho!” A 22ª edição da Celebração do Orgulho LGBT+ da Bahia já começou a tomar forma e emocionar! Com o tema “Envelhecer sem vergonha, com orgulho!”, a pré-campanha da maior manifestação de diversidade e cidadania do estado está oficialmente lançada. Este ano, o foco recai sobre as vivências e resistências das velhices LGBT+, reforçando o direito à dignidade, ao afeto, à visibilidade e ao orgulho em todas as fases da vida. A celebração principal acontece no domingo, 14 de setembro de 2025, às 15h, no Farol da Barra, em Salvador. A concentração tem início às 12h, com shows no tradicional Palco da Diversidade armado no Largo do Farol entre os monumentos Edifício Oceania e o Farol, o percurso tradicional do Carnaval entre a Barra e Ondina, um espaço da cidade simbólico que há anos acolhe corpos, histórias e bandeiras diversas. As peças da pré-campanha retratam casais LGBT+ idosos em momentos de carinho, liberdade e plenitude, desafiando estigmas e apagamentos históricos que ainda cercam as velhices da nossa comunidade. As imagens circulam nas redes sociais e veículos de imprensa como um convite ao debate, à participação e ao reconhecimento da longevidade LGBT+ com respeito e visibilidade. A campanha oficial do evento está em fase de finalização pela agência baiana Propeg, com previsão de lançamento em agosto. A parceria entre a Propeg e o Grupo Gay da Bahia (GGB) é uma história de sucesso, já premiada nacionalmente. Em 2024, a agência venceu a categoria “Valor Social” da 46ª edição do Prêmio Profissionais do Ano, da TV Globo, com a marcante campanha “Demissão”, da 20ª Parada do Orgulho LGBT+ da Bahia. O filme aborda a necessidade de ambientes inclusivos nas empresas. Neste ano, seguimos fortalecendo o protagonismo das populações LGBT+ mais velhas e celebrando a pluralidade das nossas trajetórias. O lema é claro: ninguém solta a mão de ninguém – nem aos 60, 70 ou 80 anos. Envelhecer com orgulho é um ato político! SERVIÇO Evento: 22ª Celebração do Orgulho LGBT+ da Bahia Tema: “Envelhecer sem vergonha, com orgulho!” Data: 14 de setembro de 2025 (domingo) Concentração: A partir das 12h Local da Concentração: Palco da Diversidade – Barra/Ondina Horário da Caminhada: 15h Ponto de Encontro e Largada: Farol da Barra https://www.instagram.com/reel/DL_c0MdNWrN/?igsh=a3o5NXg1N2I4cGx3

Domingo (6) Dois Bairros da Cidade Recebem Paradas LGBT+

Começa neste domingo o calendário de Paradas do Orgulho LGBT+ nos bairros de Salvador, com programação que se estende até dezembro A capital baiana inicia neste domingo (6 de julho) a sua tradicional maratona de eventos em celebração ao orgulho LGBT+, espalhados por diversos bairros até o primeiro domingo de dezembro. São mais de 50 eventos previstos, reunindo as comodidades para celebrar a diversidade com o apoio da Prefeitura de Salvador, por meio da Secretaria Municipal da Reparação, que acompanha todas as edições. Neste domingo, a programação será aberta oficialmente com a 2ª Caminhada da Diversidade de Mussurunga, conhecida como A Parada que Mussurunga abraça, a Caminhada que Mussurunga quer. A concentração está marcada para as 14h30, na Colina de Mussurunga, próximo ao Assaí. Entre as atrações confirmadas estão Léo Kret do Brasil, fazendo participação especial, Dinho Comunidade, Jully Mota e performances de música eletrônica a partir das 15h, na Rua Eurico Costa Coutinho, no Largo da Colina de Mussurunga. A Caminhada é organizada pela Associação Cores da Vida, fundada há três anos por Daiana Galiza, mulher trans e ativista com sala no Centro Social Urbano de Mussurunga, desenvolvendo projetos voltados para a população LGBT+. Daiana relata que a inspiração para criar a associação surgiu a partir da experiência vivida no grupo Adamor, em São Sebastião do Passé, reforçando a importância de ocupar espaços públicos e garantir visibilidade à comunidade LGBTrans. No mesmo dia, acontece também a 6ª Parada LGBT do Vale da Muriçoca, a partir das 14h. O evento contará com a abertura do DJ Edy Ferraz, shows completos de 7OCARO e do grupo Samba Comunidade, além da participação de Alves071. O evento terá ainda como madrinha oficial, Iana Care, e o padrinho, Marcelo Maia. O calendário dos bairros, que já faz parte da agenda cultural de Salvador, visa descentralizar as ações de orgulho LGBT+, promovendo cultura, arte, cidadania e fortalecendo a luta contra a discriminação. Além dos shows, trios elétricos e apresentações de drags queens, as Paradas dos Bairros também contam com rodas de diálogo e serviços de orientação em direitos humanos, ampliando o alcance das políticas públicas para toda a comunidade. A expectativa é de forte mobilização popular e grande público, já que os eventos reúnem, tradicionalmente, moradores, artistas locais, militantes e simpatizantes, consolidando Salvador como uma das capitais mais acolhedoras e plurais do Brasil. Serviço2ª Caminhada da Diversidade LGBT+ de MussurungaData: domingo, 6 de julhoHorário: a partir das 14h30Local: Concentração na Colina de Mussurunga (próximo ao Assaí)Atrações: Dinho Comunidade, Jully Mota e DJs 6ª Parada LGBT do Vale da MuriçocaData: domingo, 6 de julhoHorário: a partir das 14hLocal: Vale da MuriçocaAtrações: DJ Edy Ferraz, 7OCARO, Samba Comunidade e Alves071

Orgulho, acrobacia e resistência

Foto: Genilson Coutinho Orgulho, acrobacia e resistência: balizas gays e trans conquistam espaço no 2 de Julho, a data mais popular da Bahia Marcelo Cerqueira, @marcelocerqueira.oficial Por muito tempo, a imagem da baliza acrobática, aquela artista que se apresenta à frente da fanfarra ou banda marcial com giros, passos de dança e acrobacias, foi associada exclusivamente ao padrão feminino cisgênero. Mas esta tradição, profundamente arraigada nas apresentações do 2 de Julho, a data cívica mais importante para a história da Bahia, está sendo ressignificada. Cada vez mais jovens LGBT+, especialmente pessoas trans e travestis, encontram na figura da baliza um palco para brilhar, protestar e resistir, em perfeita sintonia com o espírito popular da festa. O 2 de Julho comemora a Independência da Bahia, que simboliza a vitória do povo baiano sobre o domínio colonial português após o levante popular iniciado em 1822. O movimento, liderado pelo povo simples, expulsou as tropas portuguesas, definitivamente em 2 de julho de 1823 consolidou a autonomia baiense. É um feriado carregado de sentimento de pertencimento e luta, por isso atrai multidões para as ruas, numa celebração marcada por cores, batuques, protestos, políticos, cabe tudo em nosso desfile com muita emoção. As balizas, tradicionalmente, são as estrelas dos desfiles, principalmente quando passam em frente à Igreja do Rosário, momento em que o público se agita e vibra com a beleza dos saltos, das poses e da elegância dos trajes. No entanto, nem sempre esse protagonismo foi garantido a pessoas gays, trans e travestis. Durante décadas, houve exclusão explícita de participantes LGBT+ sob argumentos de que adereços e movimentos femininos não combinariam com corpos masculinos. Eu só descobri esse mundo quando recebi a denúncia de um jovem homossexual, do interior da Bahia, que ensaiou toda a coreografia, mas foi impedido de desfilar porque era gay, logo o Grupo Gay da Bahia (GGB) entrou em ação. A partir de casos como esse, o movimento se mobilizou para garantir igualdade de participação em concursos, apresentações e campeonatos de bandas marciais e fanfarras. Hoje, após assembleias e mudanças de regulamentos, não há mais qualquer impedimento legal para que travestis e pessoas trans ocupem o posto de baliza acrobática. Foi uma conquista grande. Antes se perdia ponto por causa de acessórios considerados femininos, como leques ou decotes, usados por de sexo masculino atribuído ao nascer. Isso já caiu por terra, e hoje qualquer um pode ser avaliado pela técnica, independente do gênero. Na prática, as balizas gays e trans contribuem para revitalizar a tradição do 2 de Julho, trazendo novas coreografias, mais ousadia e uma presença que enriquece ainda mais a festa. Muitos profissionais do meio destacam que essas pessoas costumam ter desenvoltura, flexibilidade e criatividade impressionantes, atributos valorizados nos quesitos de avaliação de campeonatos de fanfarras. A baliza tem a função de encantar o público e ornamentar a apresentação, enquanto o balizador, figura geralmente masculina, atua como guia, comandando o passo, organizando o ritmo e a disciplina do grupo. Ambos são essenciais para a grandiosidade do cortejo, mas é a baliza que costuma roubar todos os olhares e aplausos do povão. Essa mudança de mentalidade também reflete um avanço civilizatório. O 2 de Julho, em essência, representa a resistência popular e a liberdade, valores que dialogam muito com a nossa luta por visibilidade, respeito e igualdade. Ver jovens gays e trans dançando, saltando e exibindo o seu talento no espaço público, local que antes eram excluídos, mostra que a Bahia, particularmente Salvador está dando saltos no compasso contra a discriminação e a favor da diversidade e inclusão. É de uma beleza plástica fascinante ver as balizas passarem desfilando vestindo trajes coloridos, com bastões adornados protagonizando performances incríveis que fazem o público vibrar como nunca. Esse fato demostra que a tradição ganhou novas expressões e personagens, conectando a ancestralidade da nossa independência do elemento português com os dias atuais de um Brasil que avança, ainda que lento na inclusão e no combate ao preconceito. Para as pessoas trans, assumir a baliza acrobática é mais do que desfilar. É protagonizar com a beleza de feminino e a alegria do povo, afirmando-se cada uma no espaço público e de poder. É, um grito equalizado de resistência, é a demonstração da força dos heróis da Independência da Bahia. No fim de tudo, a baliza acrobática, seja menina cis, gay, trans ou travesti, estão cumprindo o seu papel cívico de celebrar com arte a liberdade. E não existe palco mais maravilhoso para brilhar que 2 de Julho, cuidadosamente organizado pela Fundação Gregório de Matos da Prefeitura de Salvador.

GGB pede manutenção de condenação em caso de crime homofóbico contra impunidade

De camisa azul Herbert Moreira Dias, condenado por crime de homofobia. Manifesto do Grupo Gay da Bahia ao Egrégio Tribunal de Justiça do Estado da Bahia em Defesa da Justiça e Contra a Impunidade nos Crimes LGBTfóbicos na Bahia O Grupo Gay da Bahia (GGB), organização histórica de defesa dos direitos humanos e da cidadania LGBTQIA+, vem a público manifestar sua preocupação com a possibilidade de reversão de uma condenação emblemática por crime homofóbico ocorrido no distrito turístico de Barra Grande, no município de Maraú (BA), em setembro de 2023. Na ocasião, as vítimas, identificadas pelas iniciais C.A.A.N. e L.M.B.M., sofreram agressões motivadas por orientação sexual, resultando em graves danos físicos e psicológicos. O autor do crime, Herbert Moreira Dias, foi condenado a seis anos de reclusão em regime fechado pela Vara Criminal de Itacaré, com sentença publicada em 26 de junho de 2025. Apesar da robustez das provas, incluindo testemunhos consistentes, laudos médicos e documentos que comprovam a motivação homofóbica do ataque a defesa do réu recorreu da decisão, buscando anular ou reduzir a condenação. Para o GGB, a tentativa de reverter a sentença representa uma grave afronta não apenas às vítimas, mas a toda a sociedade que luta pela igualdade de direitos. “O processo foi transparente e muito bem fundamentado, com provas fartas que demonstraram a brutalidade e a motivação discriminatória do agressor. A reversão dessa condenação seria um retrocesso perigoso e passaria a mensagem de que a violência contra pessoas LGBTQIA+ pode ficar impune”, afirma Marcelo Cerqueira, presidente do GGB. O Grupo Gay da Bahia destaca ainda que a sentença cumpre integralmente os princípios legais, incluindo a individualização da pena e a gravidade concreta do delito, além de estar em consonância com a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, que equipara a homofobia ao crime de racismo. A entidade pede que o Tribunal de Justiça da Bahia mantenha a condenação, garantindo justiça às vítimas e reafirmando o compromisso constitucional de combate à violência motivada por preconceito. O GGB convida outros coletivos, militantes e a sociedade civil a permanecerem atentos e vigilantes, para que nenhuma forma de violência motivada por ódio seja tolerada ou negligenciada pelo Estado brasileiro. Mais informações:Grupo Gay da Bahia – GGBTelefone: (71) 98843-0100E-mail: ggbbahia@gmail.com

Homagem ao Tibira do Maranhão no Recife

O Projeto de Lei Ordinária 257/2023 do antes vereador e atual pré-candidato ao governo estadual Ivan Moraes (PSOL) foi aprovado na última segunda-feira (1). O parlamentar protocolou o documento na Câmara Municipal do Recife antes de cumprir a própria promessa de não permanecer no mesmo cargo após dois mandatos. Do Folha de Pernambuco O projeto visa instituir no Calendário Oficial do município o Dia em homenagem a Tibira Tupinambá que passará a ser comemorado no dia 17 de maio. A homenagem é direcionada para uma pessoa indígena da etnia Tupinambá, conhecida como Tibira do Maranhão.  Em 1614, a Igreja Católica permitiu o assassinato desta figura histórica durante uma missão no Brasil devido a sua sexualidade e identidade de gênero. Os povos indígenas utilizam o termo Tibira para designar pessoas com manifestações de gênero ou sexualidades distintas. O caso é o primeiro registro de morte por LGBTfobia no país. Resgate Ativistas e  pesquisadores que estão resgatando a memória de Tibira do Maranhão defendem o reconhecimento desta personalidade como mártir da população LGBTQIA+ .O professor da Universidade Federal da Bahia e fundador do Grupo Gay da Bahia, Luiz Mott, impulsionou o resgate desta história com a publicação do livreto “São Tibira do Maranhão — Índio Gay Mártir” em 2018. A obra narra o caso de Tibira com base em documentos e relatos históricos sobre a execução efetuada pelas forças coloniais portuguesas. Além disso, o livreto contextualiza o caso no atual cenário da repressão à diversidade sexual no Brasil. O professor junto a diversos coletivos LGBTQIA+ promovem campanhas pela valorização de Tibira e por sua canonização simbólica como forma de denunciar a violência histórica e preservar a memória dessa figura emblemática na  luta por direitos e reconhecimento.  Tramitação  O projeto de lei já foi aprovado pelos vereadores e agora aguarda sanção do prefeito João Campos para que a proposição seja oficializada. Caso a lei seja sancionada, o dia 17 de maio será comemorado anualmente como o dia de Tibira Tupinambá. Segundo o documento da proposta, a escolha deste dia ocorreu pela data coincidir com o “Dia Internacional Contra a Homofobia”.

GGB reafirma protagonismo com presença na mídia brasileira

Foto: Luiz Mott, fundador e presidente Marcelo Cerqueira O Grupo Gay da Bahia (GGB), primeira organização LGBT+ formal do Brasil e América Latina, fundada em Salvador, pelo professor Luiz Mott no processo da gradual de redemocratização do país, reafirmou em junho de 2025 seu protagonismo e legitimidade, ao aparecer em mais de 60 menções monitoradas pela ferramenta Alerta Google em veículos nacionais, regionais e locais. As matérias citadas alcançaram diretamente 12 estados, representando cerca de 44% da federação, e potencialmente chegaram aos 27 estados brasileiros por meio de grandes portais de abrangência nacional como G1, Metrópoles, Carta Capital, entre outros. Em termos de capilaridade, o GGB teve visibilidade em dezenas de cidades e regiões metropolitanas, atingindo milhões de pessoas no período analisado. Para Marcelo Cerqueira, presidente do GGB, o resultado comprova a força de mais de quatro décadas de luta: “Quando a imprensa nos reconhece como fonte de informação segura e qualificada, sentimos a responsabilidade de continuar defendendo a dignidade e a cidadania da população LGBTQIAPN+. Essa visibilidade não é vaidade, é compromisso histórico.” Afirma. O relatório de junho aponta que, apesar do contexto de retrocessos e ataques a direitos, a imprensa brasileira reconhece no GGB uma organização comprometida, capaz de pautar transformações e inspirar outras lideranças sociais. Essa ampla repercussão demonstra que o GGB segue sendo reconhecido como fonte histórica, técnica e política, valorizada por jornalistas que buscam dados confiáveis sobre monitoramento de homicídios, violência LGBTfóbica, cidadania e direitos humanos. Para os meios de comunicação, contar com o GGB como referência qualificada representa maior segurança na apuração, profundidade editorial e conexão com a sociedade civil organizada, valores essenciais para um jornalismo democrático e plural. Já para o GGB, esse destaque comprova a força de mais de 44 anos de luta, reafirmando sua credibilidade e capacidade de mobilizar narrativas positivas em defesa da vida, do respeito e da dignidade das pessoas LGBT+. Além disso, fortalece seu papel como articulador de políticas públicas e inspiração para novas lideranças comunitárias, sobretudo no contexto simbólico do Mês do Orgulho, celebrado mundialmente em junho. O Grupo Gay da Bahia segue atento à sua missão histórica de denunciar violações, sensibilizar a sociedade e promover avanços concretos em prol da equidade, contando cada vez mais com a parceria da imprensa para ecoar suas bandeiras e projetos. O presente item reúne matérias monitoradas em junho de 2025 que dialogam diretamente com a visibilidade do Mês do Orgulho LGBTQIAPN+, citando dados, relatórios ou a trajetória do Grupo Gay da Bahia (GGB). Estes conteúdos reforçam a relevância da organização como referência técnica, histórica e social, ao mesmo tempo em que pautam temas estruturantes do movimento LGBTQIAPN+, como violência, cidadania, mercado de trabalho e educação. A seguir, alguns exemplos de matérias de destaque no período:

GGB divulga dados inéditos sobre o envelhecimento

Marcelo Domingos (SE) e Marcelo Cerqueira (BA) GGB divulga dados inéditos sobre o envelhecimento da população LGBT+ em Salvador Solidão, discriminação e invisibilidade marcam a velhice de quem resistiu Envelhecer já é desafiador numa sociedade que cultua a juventude e marginaliza a velhice. Para quem é LGBT+, esse processo é ainda mais doloroso. Ele vem carregado de estigmas, da sensação de não pertencimento, do medo de voltar ao armário em instituições como asilos, hospitais, abrigos. Muitas pessoas idosas LGBT+ escondem quem são para evitar novas violências em ambientes onde deveriam ser acolhidas. E o mais alarmante: essa invisibilidade também acontece dentro da própria comunidade LGBT+. Há um culto à estética jovem, à performatividade do desejo, à festa que exclui corpos velhos. A velhice LGBT+ raramente é representada em campanhas, mídias ou espaços culturais. Para marcar o dia 28 de Junho – Dia Internacional do Orgulho Gay -, o Grupo Gay da Bahia (GGB) acaba de divulgar os resultados preliminares da pesquisa “Viver LGBT+ Além (60+): Diagnóstico do Envelhecimento da População LGBT+ de Salvador”, um estudo inédito que lança luz sobre as experiências, desafios e invisibilidades enfrentadas por pessoas LGBT+ acima de 60 anos na capital baiana. Com um total de 32 pessoas entrevistadas, o levantamento revela um cenário alarmante de solidão, discriminação persistente, fragilidade socioeconômica e abandono institucional. A iniciativa faz parte do esforço do GGB para compreender as especificidades do envelhecimento da população LGBT+ e fortalecer a luta por políticas públicas inclusivas. Conclusão e recomendações Precisamos abrir essa conversa. Torná-la pública, urgente, coletiva.É preciso garantir direitos concretos e dignidade para quem envelhece fora dos padrões heteronormativos. A pesquisa realizada pelo GGB evidencia que o envelhecimento da população LGBT+ exige respostas urgentes do Estado, das instituições e da própria comunidade. O Brasil envelhece, e os corpos dissidentes também. Mas ainda faltam políticas públicas de acolhimento, saúde integral, moradia, convivência e combate à solidão e à discriminação.

28 de Junho: Dia Para Sair do Armário

Por Marcelo Cerqueira O Dia Internacional do Orgulho LGBT+, celebrado mundialmente em 28 de junho, não é apenas uma data festiva — é uma convocação. Um chamado à coragem, à autenticidade e à ação coletiva. É o momento de sacudir a poeira da vergonha e superar as dificuldades com glitter, dignidade e, sobretudo, verdade. Se você é uma pessoa gay, lésbica, bissexual, travesti, trans, não binária ou queer, e ainda está encolhida no armário da culpa, da autopunição ou do medo, escute com atenção. Talvez 28 seja o melhor dia da sua vida para se assumir. Abrir a porta, sair com a bolsa na mão, levantar a cabeça e dizer: “eu sou”. Assumir-se não é só libertar-se, é contribuir com um mundo mais justo, mais honesto e mais humano. Sabemos que o processo não é igual para todos. Há contextos de violência, exclusão familiar, discriminação religiosa, riscos reais. Mas há também aqueles que, mesmo cercados de liberdade, continuam se escondendo. Preferem negar sua identidade, vivem de forma cínica, fazem sexo escondido, mas se dizem “discretos”. Alguns até se sentem no direito de atacar quem está na linha de frente da luta, chamando ativistas de exagerados — como se a liberdade deles tivesse caído do céu e não fosse fruto da resistência de muitas que tombaram antes. Essas pessoas talvez não tenham um problema de sexualidade. Talvez tenham um problema de caráter. Em 2025, vivemos um tempo em que as plataformas de streaming discutem livremente sexo, afeto e identidade. Nunca se falou tanto sobre orientação sexual, performance de gênero, visibilidade trans, inclusão, amor. Estamos no tempo do casamento igualitário, das novelas com protagonistas LGBT+, de uma legislação que reconhece o nome social, e de empresas que criam comitês de diversidade. Não perceber que o mundo mudou é se recusar a fazer parte da história. O armário, hoje, não protege. Ele aprisiona. E viver uma mentira para se ajustar à expectativa alheia é uma forma dolorosa de suicídio social. Ninguém merece viver a vida como uma personagem mal escrita, encenando uma heteronormatividade que não lhe cabe. É preciso parar de sublimar o desejo, o afeto, a alegria de amar livremente. Viver com orgulho é dizer sim ao amor, sim à liberdade, sim a você. E não há nada mais político do que isso. E se alguém disser que “não precisa se assumir”, questione. Quem pode viver plenamente sem se afirmar? Os tolos! A neutralidade nunca foi opção para quem é constantemente silenciado. Assumir-se é também um ato de solidariedade com quem ainda não pode. É mostrar que existir, amar e brilhar em liberdade é possível, e necessário. Cada saída do armário ilumina o caminho para mais alguém. Neste 28 de junho, celebre quem você é. Assuma-se com toda a potência que há em viver sem vergonha. Junte-se aos milhões que constroem, com brilho e coragem, um mundo mais plural. Porque orgulho não é só uma palavra bonita: é resistência em movimento.

São João Também é Nosso

São João Também é Nosso: Diversidade, Tradição e Orgulho LGBT+ no Arraiá Marcelo Cerqueira, Em junho, o Nordeste se veste de chita, acende fogueiras, prepara bandeirolas coloridas embalados ao som do forró bebendo licor, dançando agarradinho até Chico chegar – sem pressa para acabar. Essa tradição tão viva nas terras nordestinas, na verdade foi o anúncio do nascimento do profeta João Batista, primo de Jesus. Naquele tempo alguns meses antes do nascimento de Jesus, época do imperador Herodes, a Judéia estava ocupada pelos soldados romanos, o clima político não era de paz. Isabel, prima da virgem Maria era mulher do sacerdote Ziarias e o casal não tinha filhos, ela já tinha uma idade avançada para gerar um bebê. Entretanto, esse milagre aconteceu. As duas estavam gravidas, Isabel que morava no morro fez um acordo com que assim que o menino a nascesse daria um sinal acendendo uma fogueira. Assim que Maria viu a fogueira correu ladeira acima para ajudar a prima. João nasceu 24 de junho e Jesus, seis meses depois dia 25 de dezembro. A festa de São João e uma tradição que atravessa séculos e se torna mais inclusiva. É tempo de São João — uma das festas mais populares e amadas do interior do país, e mais intensa na região Nordeste. Mas junho também é o Mês do Orgulho LGBT+ que traz as cores do arco ires para a festa. Essa celebração teve início em 1969 no bar chamado Stonewall Inn no bairro do Village em Nova York com coragem e determinação os LGBT+ venceram a opressão da polícia novaiorquina. O que alguns conservadores e muitos ainda não percebem é que essas duas expressões culturais e políticas não só podem conviver, como se fortalecem juntas. Historicamente marcada por símbolos de heteronormatividade, como o casamento caipira e os papéis de “noivo” e “noiva”, a festa junina foi durante muito tempo um território, proibido em que pessoas LGBT+ precisavam se esconderem ou vestirem outro traje representando por meio de comportamento e características uma personagem para que a sua existência coubesse na tradição. Em municípios pequenos a presença de gays, lésbicas e travestis ainda é invisível por conta desse binarismo. No entanto, isso vem mudando. Com o avanço das lutas sociais e a presença crescente da diversidade ocupando os espaços públicos, os arraiais começaram a se pintar com as nossas cores do arco-íris, sobretudo nas áreas urbanas. Na cidade não era essa maravilha que é hoje em dia, existia um passado de exclusão. As bichas femininas que apaixonadas pelos ritmos, roupas, coreografias, coitadas ensaiava exaustivamente, mas na hora de vestir a roupa eram excluídas. Isso era possível porque que havia no estatuto da Federação um artigo determinando o que seria casal para efeitos das apresentações só pode ser homem e mulher, par não-binário fazia o grupo perder pontos. O Grupo Gay da Bahia em entendimento com a Federação acabou com essa norma cruel, e agora já pode. Hoje, é normal casamentos caipiras com dois noivos, duas noivas, par formado por um homem e uma travesti, bem como o entendimento e adoção não-binária. Existir quadrilhas juninas com drags, pessoas trans, travesti, não-binaria e performances irreverentes e militância é pura alegre. Presenciamos artistas LGBTQIAPN+ conquistando palcos nas festas populares, nossas comunidades celebrando o São João com respeito, afeto e liberdade de expressão. São João é uma festa que além das comidas deliciosas traz a oportunidade de reivindicar pertencimento, no entendimento que a cultura popular brasileira é intrinsecamente muito diversa. Não existe festa típica que exista que não tenha a contribuição direta de pessoas LGBT+, pretas, indígenas, e, claro das periferias brasileiras. Dar valor e promover a presença LGBT+ nas festas juninas é sobretudo reconhecer a pluralidade das pessoas que constrói e mantem essa celebração. Entre fogueiras e balões os desafios continuam. Ainda temos que fazer o enfrentamento dos casos de LGBTfobia estrutural em ambientes festivos, resistência de grupos conservadores e exclusão simbólica em muitas programações oficiais. Por isso, é fundamental afirmar que o “São João também é nosso”. A palha, a sanfona e o coração matuto não têm dono, têm história, têm cultura, e têm orgulho. Junho é tempo de forró e de luta. De milho cozido e de visibilidade para quem vive fora do armário. Que cada arraiá seja também um espaço de resistência, de afeto e de celebração da diversidade que existe e pulsa neste país. Onde há festa, há corpo, política e orgulho que também extra na dança coreografada das aquilhas.