Orgulho, acrobacia e resistência

Foto: Genilson Coutinho Orgulho, acrobacia e resistência: balizas gays e trans conquistam espaço no 2 de Julho, a data mais popular da Bahia Marcelo Cerqueira, @marcelocerqueira.oficial Por muito tempo, a imagem da baliza acrobática, aquela artista que se apresenta à frente da fanfarra ou banda marcial com giros, passos de dança e acrobacias, foi associada exclusivamente ao padrão feminino cisgênero. Mas esta tradição, profundamente arraigada nas apresentações do 2 de Julho, a data cívica mais importante para a história da Bahia, está sendo ressignificada. Cada vez mais jovens LGBT+, especialmente pessoas trans e travestis, encontram na figura da baliza um palco para brilhar, protestar e resistir, em perfeita sintonia com o espírito popular da festa. O 2 de Julho comemora a Independência da Bahia, que simboliza a vitória do povo baiano sobre o domínio colonial português após o levante popular iniciado em 1822. O movimento, liderado pelo povo simples, expulsou as tropas portuguesas, definitivamente em 2 de julho de 1823 consolidou a autonomia baiense. É um feriado carregado de sentimento de pertencimento e luta, por isso atrai multidões para as ruas, numa celebração marcada por cores, batuques, protestos, políticos, cabe tudo em nosso desfile com muita emoção. As balizas, tradicionalmente, são as estrelas dos desfiles, principalmente quando passam em frente à Igreja do Rosário, momento em que o público se agita e vibra com a beleza dos saltos, das poses e da elegância dos trajes. No entanto, nem sempre esse protagonismo foi garantido a pessoas gays, trans e travestis. Durante décadas, houve exclusão explícita de participantes LGBT+ sob argumentos de que adereços e movimentos femininos não combinariam com corpos masculinos. Eu só descobri esse mundo quando recebi a denúncia de um jovem homossexual, do interior da Bahia, que ensaiou toda a coreografia, mas foi impedido de desfilar porque era gay, logo o Grupo Gay da Bahia (GGB) entrou em ação. A partir de casos como esse, o movimento se mobilizou para garantir igualdade de participação em concursos, apresentações e campeonatos de bandas marciais e fanfarras. Hoje, após assembleias e mudanças de regulamentos, não há mais qualquer impedimento legal para que travestis e pessoas trans ocupem o posto de baliza acrobática. Foi uma conquista grande. Antes se perdia ponto por causa de acessórios considerados femininos, como leques ou decotes, usados por de sexo masculino atribuído ao nascer. Isso já caiu por terra, e hoje qualquer um pode ser avaliado pela técnica, independente do gênero. Na prática, as balizas gays e trans contribuem para revitalizar a tradição do 2 de Julho, trazendo novas coreografias, mais ousadia e uma presença que enriquece ainda mais a festa. Muitos profissionais do meio destacam que essas pessoas costumam ter desenvoltura, flexibilidade e criatividade impressionantes, atributos valorizados nos quesitos de avaliação de campeonatos de fanfarras. A baliza tem a função de encantar o público e ornamentar a apresentação, enquanto o balizador, figura geralmente masculina, atua como guia, comandando o passo, organizando o ritmo e a disciplina do grupo. Ambos são essenciais para a grandiosidade do cortejo, mas é a baliza que costuma roubar todos os olhares e aplausos do povão. Essa mudança de mentalidade também reflete um avanço civilizatório. O 2 de Julho, em essência, representa a resistência popular e a liberdade, valores que dialogam muito com a nossa luta por visibilidade, respeito e igualdade. Ver jovens gays e trans dançando, saltando e exibindo o seu talento no espaço público, local que antes eram excluídos, mostra que a Bahia, particularmente Salvador está dando saltos no compasso contra a discriminação e a favor da diversidade e inclusão. É de uma beleza plástica fascinante ver as balizas passarem desfilando vestindo trajes coloridos, com bastões adornados protagonizando performances incríveis que fazem o público vibrar como nunca. Esse fato demostra que a tradição ganhou novas expressões e personagens, conectando a ancestralidade da nossa independência do elemento português com os dias atuais de um Brasil que avança, ainda que lento na inclusão e no combate ao preconceito. Para as pessoas trans, assumir a baliza acrobática é mais do que desfilar. É protagonizar com a beleza de feminino e a alegria do povo, afirmando-se cada uma no espaço público e de poder. É, um grito equalizado de resistência, é a demonstração da força dos heróis da Independência da Bahia. No fim de tudo, a baliza acrobática, seja menina cis, gay, trans ou travesti, estão cumprindo o seu papel cívico de celebrar com arte a liberdade. E não existe palco mais maravilhoso para brilhar que 2 de Julho, cuidadosamente organizado pela Fundação Gregório de Matos da Prefeitura de Salvador.
GGB pede manutenção de condenação em caso de crime homofóbico contra impunidade

De camisa azul Herbert Moreira Dias, condenado por crime de homofobia. Manifesto do Grupo Gay da Bahia ao Egrégio Tribunal de Justiça do Estado da Bahia em Defesa da Justiça e Contra a Impunidade nos Crimes LGBTfóbicos na Bahia O Grupo Gay da Bahia (GGB), organização histórica de defesa dos direitos humanos e da cidadania LGBTQIA+, vem a público manifestar sua preocupação com a possibilidade de reversão de uma condenação emblemática por crime homofóbico ocorrido no distrito turístico de Barra Grande, no município de Maraú (BA), em setembro de 2023. Na ocasião, as vítimas, identificadas pelas iniciais C.A.A.N. e L.M.B.M., sofreram agressões motivadas por orientação sexual, resultando em graves danos físicos e psicológicos. O autor do crime, Herbert Moreira Dias, foi condenado a seis anos de reclusão em regime fechado pela Vara Criminal de Itacaré, com sentença publicada em 26 de junho de 2025. Apesar da robustez das provas, incluindo testemunhos consistentes, laudos médicos e documentos que comprovam a motivação homofóbica do ataque a defesa do réu recorreu da decisão, buscando anular ou reduzir a condenação. Para o GGB, a tentativa de reverter a sentença representa uma grave afronta não apenas às vítimas, mas a toda a sociedade que luta pela igualdade de direitos. “O processo foi transparente e muito bem fundamentado, com provas fartas que demonstraram a brutalidade e a motivação discriminatória do agressor. A reversão dessa condenação seria um retrocesso perigoso e passaria a mensagem de que a violência contra pessoas LGBTQIA+ pode ficar impune”, afirma Marcelo Cerqueira, presidente do GGB. O Grupo Gay da Bahia destaca ainda que a sentença cumpre integralmente os princípios legais, incluindo a individualização da pena e a gravidade concreta do delito, além de estar em consonância com a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, que equipara a homofobia ao crime de racismo. A entidade pede que o Tribunal de Justiça da Bahia mantenha a condenação, garantindo justiça às vítimas e reafirmando o compromisso constitucional de combate à violência motivada por preconceito. O GGB convida outros coletivos, militantes e a sociedade civil a permanecerem atentos e vigilantes, para que nenhuma forma de violência motivada por ódio seja tolerada ou negligenciada pelo Estado brasileiro. Mais informações:Grupo Gay da Bahia – GGBTelefone: (71) 98843-0100E-mail: ggbbahia@gmail.com
Homagem ao Tibira do Maranhão no Recife

O Projeto de Lei Ordinária 257/2023 do antes vereador e atual pré-candidato ao governo estadual Ivan Moraes (PSOL) foi aprovado na última segunda-feira (1). O parlamentar protocolou o documento na Câmara Municipal do Recife antes de cumprir a própria promessa de não permanecer no mesmo cargo após dois mandatos. Do Folha de Pernambuco O projeto visa instituir no Calendário Oficial do município o Dia em homenagem a Tibira Tupinambá que passará a ser comemorado no dia 17 de maio. A homenagem é direcionada para uma pessoa indígena da etnia Tupinambá, conhecida como Tibira do Maranhão. Em 1614, a Igreja Católica permitiu o assassinato desta figura histórica durante uma missão no Brasil devido a sua sexualidade e identidade de gênero. Os povos indígenas utilizam o termo Tibira para designar pessoas com manifestações de gênero ou sexualidades distintas. O caso é o primeiro registro de morte por LGBTfobia no país. Resgate Ativistas e pesquisadores que estão resgatando a memória de Tibira do Maranhão defendem o reconhecimento desta personalidade como mártir da população LGBTQIA+ .O professor da Universidade Federal da Bahia e fundador do Grupo Gay da Bahia, Luiz Mott, impulsionou o resgate desta história com a publicação do livreto “São Tibira do Maranhão — Índio Gay Mártir” em 2018. A obra narra o caso de Tibira com base em documentos e relatos históricos sobre a execução efetuada pelas forças coloniais portuguesas. Além disso, o livreto contextualiza o caso no atual cenário da repressão à diversidade sexual no Brasil. O professor junto a diversos coletivos LGBTQIA+ promovem campanhas pela valorização de Tibira e por sua canonização simbólica como forma de denunciar a violência histórica e preservar a memória dessa figura emblemática na luta por direitos e reconhecimento. Tramitação O projeto de lei já foi aprovado pelos vereadores e agora aguarda sanção do prefeito João Campos para que a proposição seja oficializada. Caso a lei seja sancionada, o dia 17 de maio será comemorado anualmente como o dia de Tibira Tupinambá. Segundo o documento da proposta, a escolha deste dia ocorreu pela data coincidir com o “Dia Internacional Contra a Homofobia”.
GGB reafirma protagonismo com presença na mídia brasileira

Foto: Luiz Mott, fundador e presidente Marcelo Cerqueira O Grupo Gay da Bahia (GGB), primeira organização LGBT+ formal do Brasil e América Latina, fundada em Salvador, pelo professor Luiz Mott no processo da gradual de redemocratização do país, reafirmou em junho de 2025 seu protagonismo e legitimidade, ao aparecer em mais de 60 menções monitoradas pela ferramenta Alerta Google em veículos nacionais, regionais e locais. As matérias citadas alcançaram diretamente 12 estados, representando cerca de 44% da federação, e potencialmente chegaram aos 27 estados brasileiros por meio de grandes portais de abrangência nacional como G1, Metrópoles, Carta Capital, entre outros. Em termos de capilaridade, o GGB teve visibilidade em dezenas de cidades e regiões metropolitanas, atingindo milhões de pessoas no período analisado. Para Marcelo Cerqueira, presidente do GGB, o resultado comprova a força de mais de quatro décadas de luta: “Quando a imprensa nos reconhece como fonte de informação segura e qualificada, sentimos a responsabilidade de continuar defendendo a dignidade e a cidadania da população LGBTQIAPN+. Essa visibilidade não é vaidade, é compromisso histórico.” Afirma. O relatório de junho aponta que, apesar do contexto de retrocessos e ataques a direitos, a imprensa brasileira reconhece no GGB uma organização comprometida, capaz de pautar transformações e inspirar outras lideranças sociais. Essa ampla repercussão demonstra que o GGB segue sendo reconhecido como fonte histórica, técnica e política, valorizada por jornalistas que buscam dados confiáveis sobre monitoramento de homicídios, violência LGBTfóbica, cidadania e direitos humanos. Para os meios de comunicação, contar com o GGB como referência qualificada representa maior segurança na apuração, profundidade editorial e conexão com a sociedade civil organizada, valores essenciais para um jornalismo democrático e plural. Já para o GGB, esse destaque comprova a força de mais de 44 anos de luta, reafirmando sua credibilidade e capacidade de mobilizar narrativas positivas em defesa da vida, do respeito e da dignidade das pessoas LGBT+. Além disso, fortalece seu papel como articulador de políticas públicas e inspiração para novas lideranças comunitárias, sobretudo no contexto simbólico do Mês do Orgulho, celebrado mundialmente em junho. O Grupo Gay da Bahia segue atento à sua missão histórica de denunciar violações, sensibilizar a sociedade e promover avanços concretos em prol da equidade, contando cada vez mais com a parceria da imprensa para ecoar suas bandeiras e projetos. O presente item reúne matérias monitoradas em junho de 2025 que dialogam diretamente com a visibilidade do Mês do Orgulho LGBTQIAPN+, citando dados, relatórios ou a trajetória do Grupo Gay da Bahia (GGB). Estes conteúdos reforçam a relevância da organização como referência técnica, histórica e social, ao mesmo tempo em que pautam temas estruturantes do movimento LGBTQIAPN+, como violência, cidadania, mercado de trabalho e educação. A seguir, alguns exemplos de matérias de destaque no período:
GGB divulga dados inéditos sobre o envelhecimento

Marcelo Domingos (SE) e Marcelo Cerqueira (BA) GGB divulga dados inéditos sobre o envelhecimento da população LGBT+ em Salvador Solidão, discriminação e invisibilidade marcam a velhice de quem resistiu Envelhecer já é desafiador numa sociedade que cultua a juventude e marginaliza a velhice. Para quem é LGBT+, esse processo é ainda mais doloroso. Ele vem carregado de estigmas, da sensação de não pertencimento, do medo de voltar ao armário em instituições como asilos, hospitais, abrigos. Muitas pessoas idosas LGBT+ escondem quem são para evitar novas violências em ambientes onde deveriam ser acolhidas. E o mais alarmante: essa invisibilidade também acontece dentro da própria comunidade LGBT+. Há um culto à estética jovem, à performatividade do desejo, à festa que exclui corpos velhos. A velhice LGBT+ raramente é representada em campanhas, mídias ou espaços culturais. Para marcar o dia 28 de Junho – Dia Internacional do Orgulho Gay -, o Grupo Gay da Bahia (GGB) acaba de divulgar os resultados preliminares da pesquisa “Viver LGBT+ Além (60+): Diagnóstico do Envelhecimento da População LGBT+ de Salvador”, um estudo inédito que lança luz sobre as experiências, desafios e invisibilidades enfrentadas por pessoas LGBT+ acima de 60 anos na capital baiana. Com um total de 32 pessoas entrevistadas, o levantamento revela um cenário alarmante de solidão, discriminação persistente, fragilidade socioeconômica e abandono institucional. A iniciativa faz parte do esforço do GGB para compreender as especificidades do envelhecimento da população LGBT+ e fortalecer a luta por políticas públicas inclusivas. Conclusão e recomendações Precisamos abrir essa conversa. Torná-la pública, urgente, coletiva.É preciso garantir direitos concretos e dignidade para quem envelhece fora dos padrões heteronormativos. A pesquisa realizada pelo GGB evidencia que o envelhecimento da população LGBT+ exige respostas urgentes do Estado, das instituições e da própria comunidade. O Brasil envelhece, e os corpos dissidentes também. Mas ainda faltam políticas públicas de acolhimento, saúde integral, moradia, convivência e combate à solidão e à discriminação.
28 de Junho: Dia Para Sair do Armário

Por Marcelo Cerqueira O Dia Internacional do Orgulho LGBT+, celebrado mundialmente em 28 de junho, não é apenas uma data festiva — é uma convocação. Um chamado à coragem, à autenticidade e à ação coletiva. É o momento de sacudir a poeira da vergonha e superar as dificuldades com glitter, dignidade e, sobretudo, verdade. Se você é uma pessoa gay, lésbica, bissexual, travesti, trans, não binária ou queer, e ainda está encolhida no armário da culpa, da autopunição ou do medo, escute com atenção. Talvez 28 seja o melhor dia da sua vida para se assumir. Abrir a porta, sair com a bolsa na mão, levantar a cabeça e dizer: “eu sou”. Assumir-se não é só libertar-se, é contribuir com um mundo mais justo, mais honesto e mais humano. Sabemos que o processo não é igual para todos. Há contextos de violência, exclusão familiar, discriminação religiosa, riscos reais. Mas há também aqueles que, mesmo cercados de liberdade, continuam se escondendo. Preferem negar sua identidade, vivem de forma cínica, fazem sexo escondido, mas se dizem “discretos”. Alguns até se sentem no direito de atacar quem está na linha de frente da luta, chamando ativistas de exagerados — como se a liberdade deles tivesse caído do céu e não fosse fruto da resistência de muitas que tombaram antes. Essas pessoas talvez não tenham um problema de sexualidade. Talvez tenham um problema de caráter. Em 2025, vivemos um tempo em que as plataformas de streaming discutem livremente sexo, afeto e identidade. Nunca se falou tanto sobre orientação sexual, performance de gênero, visibilidade trans, inclusão, amor. Estamos no tempo do casamento igualitário, das novelas com protagonistas LGBT+, de uma legislação que reconhece o nome social, e de empresas que criam comitês de diversidade. Não perceber que o mundo mudou é se recusar a fazer parte da história. O armário, hoje, não protege. Ele aprisiona. E viver uma mentira para se ajustar à expectativa alheia é uma forma dolorosa de suicídio social. Ninguém merece viver a vida como uma personagem mal escrita, encenando uma heteronormatividade que não lhe cabe. É preciso parar de sublimar o desejo, o afeto, a alegria de amar livremente. Viver com orgulho é dizer sim ao amor, sim à liberdade, sim a você. E não há nada mais político do que isso. E se alguém disser que “não precisa se assumir”, questione. Quem pode viver plenamente sem se afirmar? Os tolos! A neutralidade nunca foi opção para quem é constantemente silenciado. Assumir-se é também um ato de solidariedade com quem ainda não pode. É mostrar que existir, amar e brilhar em liberdade é possível, e necessário. Cada saída do armário ilumina o caminho para mais alguém. Neste 28 de junho, celebre quem você é. Assuma-se com toda a potência que há em viver sem vergonha. Junte-se aos milhões que constroem, com brilho e coragem, um mundo mais plural. Porque orgulho não é só uma palavra bonita: é resistência em movimento.
São João Também é Nosso

São João Também é Nosso: Diversidade, Tradição e Orgulho LGBT+ no Arraiá Marcelo Cerqueira, Em junho, o Nordeste se veste de chita, acende fogueiras, prepara bandeirolas coloridas embalados ao som do forró bebendo licor, dançando agarradinho até Chico chegar – sem pressa para acabar. Essa tradição tão viva nas terras nordestinas, na verdade foi o anúncio do nascimento do profeta João Batista, primo de Jesus. Naquele tempo alguns meses antes do nascimento de Jesus, época do imperador Herodes, a Judéia estava ocupada pelos soldados romanos, o clima político não era de paz. Isabel, prima da virgem Maria era mulher do sacerdote Ziarias e o casal não tinha filhos, ela já tinha uma idade avançada para gerar um bebê. Entretanto, esse milagre aconteceu. As duas estavam gravidas, Isabel que morava no morro fez um acordo com que assim que o menino a nascesse daria um sinal acendendo uma fogueira. Assim que Maria viu a fogueira correu ladeira acima para ajudar a prima. João nasceu 24 de junho e Jesus, seis meses depois dia 25 de dezembro. A festa de São João e uma tradição que atravessa séculos e se torna mais inclusiva. É tempo de São João — uma das festas mais populares e amadas do interior do país, e mais intensa na região Nordeste. Mas junho também é o Mês do Orgulho LGBT+ que traz as cores do arco ires para a festa. Essa celebração teve início em 1969 no bar chamado Stonewall Inn no bairro do Village em Nova York com coragem e determinação os LGBT+ venceram a opressão da polícia novaiorquina. O que alguns conservadores e muitos ainda não percebem é que essas duas expressões culturais e políticas não só podem conviver, como se fortalecem juntas. Historicamente marcada por símbolos de heteronormatividade, como o casamento caipira e os papéis de “noivo” e “noiva”, a festa junina foi durante muito tempo um território, proibido em que pessoas LGBT+ precisavam se esconderem ou vestirem outro traje representando por meio de comportamento e características uma personagem para que a sua existência coubesse na tradição. Em municípios pequenos a presença de gays, lésbicas e travestis ainda é invisível por conta desse binarismo. No entanto, isso vem mudando. Com o avanço das lutas sociais e a presença crescente da diversidade ocupando os espaços públicos, os arraiais começaram a se pintar com as nossas cores do arco-íris, sobretudo nas áreas urbanas. Na cidade não era essa maravilha que é hoje em dia, existia um passado de exclusão. As bichas femininas que apaixonadas pelos ritmos, roupas, coreografias, coitadas ensaiava exaustivamente, mas na hora de vestir a roupa eram excluídas. Isso era possível porque que havia no estatuto da Federação um artigo determinando o que seria casal para efeitos das apresentações só pode ser homem e mulher, par não-binário fazia o grupo perder pontos. O Grupo Gay da Bahia em entendimento com a Federação acabou com essa norma cruel, e agora já pode. Hoje, é normal casamentos caipiras com dois noivos, duas noivas, par formado por um homem e uma travesti, bem como o entendimento e adoção não-binária. Existir quadrilhas juninas com drags, pessoas trans, travesti, não-binaria e performances irreverentes e militância é pura alegre. Presenciamos artistas LGBTQIAPN+ conquistando palcos nas festas populares, nossas comunidades celebrando o São João com respeito, afeto e liberdade de expressão. São João é uma festa que além das comidas deliciosas traz a oportunidade de reivindicar pertencimento, no entendimento que a cultura popular brasileira é intrinsecamente muito diversa. Não existe festa típica que exista que não tenha a contribuição direta de pessoas LGBT+, pretas, indígenas, e, claro das periferias brasileiras. Dar valor e promover a presença LGBT+ nas festas juninas é sobretudo reconhecer a pluralidade das pessoas que constrói e mantem essa celebração. Entre fogueiras e balões os desafios continuam. Ainda temos que fazer o enfrentamento dos casos de LGBTfobia estrutural em ambientes festivos, resistência de grupos conservadores e exclusão simbólica em muitas programações oficiais. Por isso, é fundamental afirmar que o “São João também é nosso”. A palha, a sanfona e o coração matuto não têm dono, têm história, têm cultura, e têm orgulho. Junho é tempo de forró e de luta. De milho cozido e de visibilidade para quem vive fora do armário. Que cada arraiá seja também um espaço de resistência, de afeto e de celebração da diversidade que existe e pulsa neste país. Onde há festa, há corpo, política e orgulho que também extra na dança coreografada das aquilhas.
Selo da Diversidade da Prefs abre Inscrições

Empresas e organizações têm até o dia 30 de julho de 2025 para se inscreverem na primeira edição do Selo da Diversidade LGBT+ de Salvador, uma iniciativa da Secretaria Municipal da Reparação (SEMUR) que reconhece instituições comprometidas com práticas de inclusão, respeito à diversidade sexual e enfrentamento à LGBTfobia no ambiente de trabalho. O chamado do edital para 2026 ocorre estrategicamente em junho, Mês Internacional do Orgulho LGBTQIAPN+, reafirmando o compromisso da capital baiana com a promoção da equidade e dos direitos humanos. O selo é um instrumento oficial de reconhecimento às empresas, instituições e organizações que atuam de forma efetiva na construção de ambientes de trabalho mais diversos, inclusivos e seguros. A certificação é dividida em duas categorias: Compromisso, voltada para empresas privadas, instituições públicas e organizações que estão iniciando ou ampliando suas ações de inclusão; Reconhecimento, para negócios e organizações sociais lideradas por pessoas LGBT+ que já promovem impacto positivo nas comunidades. “Esta política pública é um marco da Prefeitura de Salvador. O selo não apenas certifica boas práticas de inclusão, mas promove uma verdadeira transformação na cultura organizacional das empresas. Valorizamos quem tem coragem de abrir as portas para a diversidade com responsabilidade e respeito”, afirma Leo Kret do Brasil, diretora geral do Departamento de Políticas e Promoção da Cidadania LGBTQIAPN+. As instituições interessadas devem acessar o edital e realizar a inscrição pelo site da Secretaria da Reparação: https://reparacao.salvador.ba.gov.br Dúvidas podem ser encaminhadas ao e-mail: selolgbt@salvador.ba.gov.br A avaliação das propostas será feita por umComitê Gestor, composto por representantes da sociedade civil, universidades, sindicatos, movimentos culturais e órgãos públicos, conforme previsto no Manual de Orientação do Selo da Diversidade 2025. A entrega do selo acontecerá em evento oficial no segundo semestre, reforçando Salvador como referência nacional em políticas públicas de diversidade e inclusão no mundo do trabalho.
Doe para Divulgar Nossas Bandeiras

GGB lança campanha solidária para espalhar as bandeiras da diversidade por Salvador Salvador, maio de 2025 – O Grupo Gay da Bahia (GGB) deu início a uma campanha de arrecadação solidária com o objetivo de colorir Salvador com as bandeiras que representam a diversidade sexual e de gênero durante a IX Semana da Diversidade Cultural de Salvador, que acontece de 08 a 14 de setembro de 2025. A ação faz parte da programação da exposição “Além do Arco-Íris: As Bandeiras Como Símbolo do Movimento LGBTI+”, que irá apresentar ao público 28 bandeiras LGBTIAPN+ em galerias e espaços públicos da cidade. Além disso, a proposta prevê a decoração de postes, praças e avenidas, principalmente ao longo do circuito da 22ª Parada do Orgulho LGBT+ da Bahia 14 de setembro, na Barra. Para viabilizar essa intervenção urbana, o GGB está arrecadando doações no valor de R$ 50,00, que serão utilizadas na compra de bandeiras em lona ou tecido poliéster. Os materiais serão adquiridos por meio de plataformas online, como o Mercado Livre, Shopee e aplicados em espaços estratégicos para reforçar o orgulho, a memória e a visibilidade da comunidade LGBTQIAPN+. Como contribuir As pessoas interessadas em participar da campanha podem fazer uma doação via PIX utilizando os dados abaixo: Chave PIX: 71988430100 – Nome: Grupo Quimbanda Dudu Quem desejar receber agradecimento público nas redes sociais do projeto pode enviar o comprovante de depósito e seu nome completo para o WhatsApp (71) 98843-0100. “Queremos levar as cores da resistência e do afeto para o cotidiano das pessoas. Cada bandeira representa uma história, uma luta e um corpo que merece ser reconhecido”, afirma Marcelo Cerqueira, presidente do GGB. A campanha convida toda a sociedade a fazer parte da construção de uma Salvador mais diversa, acolhedora e colorida, onde a pluralidade das identidades e orientações sexuais esteja presente também nos espaços urbanos. Sobre o GGB Fundado em 1980, o Grupo Gay da Bahia (GGB) é a mais antiga organização de defesa dos direitos humanos da população LGBT+ da América Latina. Reconhecido nacional e internacionalmente, o GGB tem uma trajetória marcada pelo ativismo em prol da cidadania, do combate à LGBTfobia e da valorização das expressões culturais da diversidade. Em 1984, o GGB protagonizou uma de suas conquistas mais emblemáticas ao conseguir a revogação da CID 302.0, código do antigo INAMPS (hoje SUS), que classificava a homossexualidade como doença mental. Essa vitória histórica influenciou diretamente o Conselho Federal de Medicina (CFM) a revisar suas diretrizes e promover mudanças nos currículos de formação médica em universidades de todo o país, abrindo caminho para uma abordagem mais humanizada, ética e baseada em direitos. O GGB segue sendo referência na luta por uma sociedade mais justa, plural e democrática, construindo pontes entre cultura, política pública e direitos civis para a população LGBTQIAPN+. Vamos juntos colorir Salvador com orgulho e resistência!
Compromisso de Toda a Sociedade

Foto ilustrativa Marcelo Cerqueira, presidente Hoje, 17 de maio, celebramos em todo o mundo ocidental, particularmente o Dia Internacional de Combate à LGBTfobia, data simbólica que marca a luta global pela dignidade das pessoas lésbicas, gays, bissexuais, travestis, transexuais e demais identidades da diversidade sexual e de gênero. No entanto, o que poucos sabem é que a Bahia teve papel pioneiro e decisivo nessa trajetória de avanços pelos direitos humanos da população LGBTQIA+. Em 1984, o Grupo Gay da Bahia (GGB) protagonizou um marco histórico ao conseguir que o então presidente do Conselho Federal de Medicina, emitisse parecer afirmando que a homossexualidade não é uma doença, mas sim uma variação natural da sexualidade humana. Esse reconhecimento institucional no Brasil ocorreu seis anos antes da Organização Mundial da Saúde (OMS) retirar oficialmente a homossexualidade da Classificação Internacional de Doenças (CID), o que só ocorreu em 17 de maio de 1990. Por isso, essa data passou a ser celebrada como o Dia Internacional contra a Homofobia, Transfobia e Bifobia. A atuação do GGB naquela década foi essencial. Luiz Mott protagonizou uma campanha incansável, com o lema “homossexualidade não é doença, nem pecado, nem crime”, pressionou o INAMPS e instituições médicas e a sociedade civil para abandonar práticas desumanas, como as chamadas “terapias de cura”, os internamentos forçados e os tratamentos com eletrochoque que eram aplicados em pessoas LGBTQIA+. Essa mobilização histórica provocou mudanças profundas. Decisão provocaca pelo ativismo baiano levou o Conselho Federal de Medicina a reorientar os currículos dos cursos de medicina em todo o país, banindo o entendimento equivocado da homossexualidade como patologia. Esse foi um passo gigantesco para humanizar o atendimento em saúde e abrir caminhos para políticas públicas de acolhimento, prevenção e cuidado, mais sensíveis às especificidades da população LGBTQIA+. A Bahia, portanto, não só participou, mas liderou esse processo no contexto ocidental, antecipando decisões de organismos internacionais e abrindo trilhas que hoje são reconhecidas em tratados internacionais de direitos humanos. O protagonismo baiano na luta contra a patologização da homossexualidade é motivo de orgulho e deve ser lembrado como exemplo de compromisso ético com a justiça, a ciência e os direitos humanos. Neste 17 de maio, a data nos convida à reflexão, mas também à ação. Ainda hoje, a LGBTfobia é uma realidade brutal, que se manifesta nas ruas, escolas, locais de trabalho, sistemas de saúde e segurança pública. O Brasil, infelizmente, continua entre os países que mais matam pessoas LGBTQIA+ no mundo. Por isso, o combate à LGBTfobia não é tarefa apenas dos movimentos sociais. É um compromisso de toda a sociedade: governos, empresas, escolas, igrejas, famílias, universidades e profissionais das mais diversas áreas. Celebrar essa data é também reconhecer o valor da memória, verdade e da resistência. É afirmar que a dignidade das pessoas LGBTQIA+ não é negociável, e que sua existência não deve ser tolerada, mas respeitada, protegida e celebrada. Que o exemplo do Grupo Gay da Bahia nos move a seguir lutando por um mundo mais justo, livre do preconceito e da violência. Convido a todos participarem da II Conferência Municipal LGBT dias 22 e 23 no Hotel Fiesta. É uma realização da Presf de Salvador, através da Secretaria da Reparação – SEMUR.