Paz Agora!
“A prefeita Moema Gramacho, por sua tradição de ativismo político, mesmo sendo excelente oradora , utiliza palavras como “guerreira, batalhadora”, que viraram hábito e, em nível inconsciente, imprimem essa energia à sua imagem, embora Moema seja dulcíssima.” Salvador, segunda-feira-4 de março de 2019 – Vou começar escrevendo sobre Paz. Vou usar a licença poética de pensar sobre duas músicas do príncipe da paz, Gilberto Gil, “A Novidade” e “A Paz”. Gil denúncia a guerra e a fome do povo brasileiro em “A Novidade”, que é algo tão visceral que chega a ser visível. Gil se refere a uma suposta sereia encalhada na areia da praia e isso era “a novidade”. Essa novidade se transformou em uma guerra, “estraçalhando uma sereia bonita, despedaçando sonhos pra cada lado”. Paz e revolução, parece-me, andam juntas. “Se não tem paz, comprem imóveis”, dizem. O poeta Gil, por sua vez, diz “A paz invadiu o meu coração. De repente, me encheu de paz”. Como seria se encher de paz? Seria como um encantado, quando recebemos o Orixá? deve ser sensacional. Gil é tão sensível quando canta “como aquela grande explosão, fez nascer o Japão da paz”… hoje, rico, o Japão se tornou a 4ª maior economia e grande exportador de tecnologias. A explosão ocorreu em 1945 e esse episódio fez o Japão tomar a decisão de jogar todas as fichas na educação. Vamos escrever Paz Agora entre nós. A Paz possui tantos contrários (inclusive a “conciliação”), pois, para haver uma conciliação, houve um suposto descritor entre as partes. O contrário de paz são palavras que, por si sós, já abrem feriadas mentais, causam desavença, guerra, conflito, combate, confronto, discórdia, desacordo, desentendimento, indisposição, desconcórdia, já, A Paz, relaciona-se com a serenidade! Todos queremos serenidade, contudo, conferindo-se os seus contrários (aflição, angústia, ânsia, ansiedade, agonia, desassossego, inquietação, intranquilidade, preocupação, perturbação, medo, pânico, crise), é incrível que tudo isso, possa, inclusive, levar ao suicídio. Então, é preciso tratar. Veja o descritor da palavra sossego: agitação, alvoroço, confusão, barulho, algazarra, alarido, gritaria, ruído, conturbação, movimentação. Começamos descrevendo estes termos, que pesquisei nas redes para evitá-los, no intuito de promover a Cultura da Paz Agora, para exemplificar como a Cultura da Paz convida homens, mulheres, adolescentes e jovens a que evitem a repetição de tais palavras e privilegirm o uso de um vocabulário que não estimulem sentimentos bélicos. Penso que seja preciso que os órgãos públicos iniciem uma campanha simples, pela oralidade que estimule a cultura da paz. A prefeita Moema Gramacho, por sua tradição de ativismo político, mesmo sendo excelente oradora , utiliza palavras como “guerreira, batalhadora”, que viraram hábito e, em nível inconsciente, imprimem essa energia à sua imagem, embora Moema seja dulcíssima. Ela sempre usa “tenha calma” e nunca começa uma oratória sem falar em Deus. Moema entente a Paz Agora. Só precisa instituir em seu discurso um vocabulário que esteja em maior acordo com a paz que ela transmite no seu olhar, no gestual corporal e no seu tom de voz, que já é delicada. Paz se relaciona com viver em comunidade, seja em prédios de edifícios ou bairros. Mas se relaciona com o vizinho e com a melhora da comunidade local. Para que a Paz se instaure na comunidade, no meu ponto de vista, é preciso melhorar as relações entre as pessoas e melhorar os serviços públicos. Eu mesmo que acredite no Bem-Estar Social tenho dúvida se é possível atender todas as “Urgências e Emergências SAMU192” ou mesmo as dos Bombeiros, entretanto, as pessoas possuem suas parcelas de contribuições para instaurar a paz e contribuir com os serviços públicos e melhorar as relações. Acredito que essas relações entre as pessoas melhoram também as relações com os serviços Públicos de Assistência Básica em Saúde, Educação e proteção de animais. Melhorar as relações pessoais nas comunidades é algo importante e uma grande ação de paz. Este artigo é um ensaio. Espero que adotem a cultura da paz e nós iremos buscar essas palavras descritoras nos meios de comunicação para transformar tudo em Paz. Por: Marcelo Cerqueira, Gestor da Diversidade e da Paz. Revisão Tina Tude
Estudo conta 420 crimes contra LGBT em 2018.
CONFIRA AQUI O RELATÓRIO COMPLETO! relatório de crimes contra lgbt brasil 2018 grupo gay da bahia
GGB abre inscrições para 22º Concurso de Fantasias do Carnaval de Salvador
Confira como foi a 21º edição Carnaval do Salvador em 2018 – Salvador, segunda-feira, 14 de janeiro 2019 – O Grupo Gay da Bahia (GGB) começa a partir de hoje receber inscrições de candidatos interessados em participar da 22ª edição do Concurso Nacional de Fantasia LGBT do Carnaval de Salvador que acontece na segunda-feira, 4, a partir das 15h na Praça Municipal, Centro Histórico de Salvador com shows artísticos, já o desfile começa ás 17h com previsão de término ás 21h. Os candidatos interessados devem preencher a ficha de inscrição disponível no site ou sede na sede da entidade localizada a Ladeira de São Miguel, 24 no Centro Histórico. Os candidatos na hora da inscrição devem indicar a categoria luxo ou originalidade, as inscrições são de graça, entretanto menos de 18 anos, só poderão participar com autorização dos responsáveis. O evento acontece na Praça Municipal, consta de uma programação que tem início ás 15h00 e segue até ás 21h00 composta de shows de transformistas e bandas musicais. Serão premiadas as três primeiras fantasias nas categorias de luxo e originalidade. Quem vencer na categoria luxo em primeiro lugar leva o cheque de 8 mil reais, já em originalidade o primeiro leva 6 mil. Além de oferecer gratuitamente um evento brilhante no Carnaval o evento quer também estimular novos talentos. “A premiação é um incentivo à produção cultural e artística individual,”, disse Marcelo Cerqueira, presidente do GGB. O critério de eleição das melhores fantasias será por julgamento que levará em conta a beleza, elegância, simpatia, desenvoltura na passarela, pedraria, penas, postura, andar e por fim o valor gasto pelo candidato na produção da roupa, especialmente na categoria luxo, a mais esperada do evento. “Tanto em luxo quanto originalidade é importante avaliar o grau de dificuldade para a realização da roupa”, finaliza Cerqueira. Na originalidade os critérios são a semelhança com a ideia original, entretanto, nessa categoria é proibido a utilização de materiais preciosos, pedrarias caras, penas haras, lantejoulas entre outros assessórios que possam dá conotação de luxo. De acordo com a produção a categoria originalidade recebeu dois novos critérios dentro da avaliação que são apresentações que envolvam “protesto” e “reverência”, de situações da atualidade. De acordo com o Regimento, estas ações serão bem-vindas, mas há de obedecerem aos critérios norteadores da categoria em si, além de considerar o grau de dificuldade do desfilante para realizar a fantasia. A 22ª Edição do Concurso de Fantasia LGBT do carnaval de Salvador tem patrocínio da Prefeitura Municipal do Salvador, através da Saltur, é uma realização do Grupo Gay da Bahia, Quimbanda Dudu e Centro Baiano Anti-Aids. Mais informações: ggbbahia@gmail.com Site: www.grupogaydabahia.com.br
Jesus na goiabeira e o abuso sexual infantil
Para o Atarde Luiz Mott em 22/12/2018 -Maniqueísmo é uma visão do mundo que acredita existir uma dualidade fundamental entre dois princípios opostos: de um lado o bom Deus, do outro, o mau Diabo. O maniqueísta de esquerda acha que Lula é totalmente inocente, o maior santo desse país dominado pelos corruptos. O maniqueísta de direita acredita piamente que o mito Bolsonaro é totalmente honesto, o salvador da pátria. Visões equivocadas, pois ambos líderes reúnem aspectos bons e maus, como todos nós, simples mortais. A mesma coisa em relação às religiões: todas têm aspectos positivos, humanitários, auxiliando muitos a superar sofrimentos; todas também têm aspectos negativos, abjetos, levando à intolerância. Num recente vídeo a Ministra do Direitos Humanos, Damares Alves, pregando numa igreja evangélica do Rio Grande do Sul, revelou que dos 6 aos 10 anos foi covardemente violentada por dois pastores. Disse que cheia de medo e culpa, decidiu então se suicidar. “Peguei veneno de rato e subi no pé de goiaba, aonde costumava ir chorar. Quando subi com o veneno, vi meu amigo imaginário, o personagem que é Jesus, de barba e roupa branca. O saquinho caiu da minha mão e desisti. Agora estão me ridicularizando por ter falado isso, mas se vocês não acreditam, problema é de vocês. Tem criança que vê duende, que fala com fadas. Eu vi Jesus”. Há crianças que incorporam os Orixás nas rodas de terreiro, acrescento eu. Muitas divindades se manifestaram aos videntes através do mundo vegetal: Javé, o todo poderoso pai de Jesus apareceu a Moisés no meio de uma sarça ardente no Monte Sinai; Nossa Senhora de Fátima revelou-se diversas vezes em 1913 aos pastorinhos encima de uma azinheira; na tradição das religiões afro-brasileiras, Iroko é uma divindade que habita a gameleira, árvore sagrada pela qual passaram todos os Orixás. Ninguém ridiculariza tais mitos, pelo contrário, recentemente diversas árvores do Campo Grande foram garbosamente “vestidas” de panos brancos, respeitando a mesma tradição religiosa do Candomblé. As redes sociais e a mídia deitaram e rolaram nesse episódio da goiabeira, sem atentar para dois gravíssimos problemas infanto-juvenis: o abuso sexual e o suicídio. O Brasil é um dos países onde mais meninas e meninos são abusados sexualmente, na maioria das vezes, por parentes, mas também por ministros religiosos. O médium João de Deus, dentre suas centenas de vítimas, abusou sexualmente de algumas pré-adolescentes, inclusive de sua própria filha. Suicídios infanto-juvenis são outra tragédia silenciada em nossa sociedade, seja causados pelos traumas decorrentes desses abusos, seja de jovens LGBT massacrados pelo bullying familiar e escolar. A ministra prometeu cuidar dessas tragédias infanto-juvenis. Aleluia!
Bahia busca consolidação como destino gay-friendly
Salvador, Bahia, 8 de dezembro de 2018! Resultados da pesquisa de demanda turística realizada pela Secretaria do Turismo do Estado (Setur) durante a 17ª Parada do Orgulho LGBT da Bahia foram avaliados junto com o Grupo Gay da Bahia (GGB). De acordo com o estudo, 15,6% do público do evento, realizado no mês de setembro, eram turistas. Foto: Genilson Coutinho. A pesquisa indica que a participação de turistas na Parada Gay da Bahia aumentou expressivamente desde 2013: passou de 4,4% para mais de 15%. “Essa informação reforça o potencial da Bahia para atração de visitantes LGBT e também nos ajuda a planejar melhor as ações da Setur voltadas para o segmento”, explica o secretário estadual do Turismo, José Alves. Presidente do GGB, Marcelo Cerqueira destaca a qualidade e diversidade do evento. “A nossa riqueza, seja na música ou na dança, e a crescente participação são determinantes para que pessoas de fora da Bahia decidam comprar suas passagens para vir ao estado na Parada Gay”. Ainda segundo Cerqueira, soma-se a isso o permanente trabalho de atração de visitantes realizado pela Secretaria do Turismo da Bahia. Outro dado relevante indicado pela pesquisa é que a Bahia é considerada um destino gay-friendly – amigável para o público LGBT – por 76% dos baianos e turistas que participaram da festa organizada pelo GGB. Perfil do visitante – Em 2018, os principais emissores de visitantes nacionais para a Bahia no período do evento foram os estados de São Paulo, Amazonas, Sergipe, Alagoas, Minas Gerais, Paraíba e Rio Grande do Sul. Dentre estrangeiros estavam europeus da Itália, Alemanha e França. Conforme o estudo, a maior fatia dos turistas participantes da Parada Gay de 2018 declarou renda entre R$ 2 mil e R$ 5 mil (62,8%) e gasto médio de cerca de R$ 1.300. Segundo a pesquisa, o tempo de permanência dos visitantes na capital baiana foi equivalente a 5,5 pernoites. Hotéis, albergues e hostels foram os principais meios de hospedagem utilizados pelos turistas que participaram da Parada do Orgulho LGBT em 2018. Os serviços oferecidos pela rede hoteleira foram bem avaliados por 83% dos visitantes – mais de 50% avaliaram como ótimo. O presidente do Grupo Gay da Bahia, que inicialmente não queria a pesquisa, ficou perplexo com o resultado positivo. “Fiquei impressionado com a analise dos dados feita pela Setur, eu sempre relaciono o valor de gasto em R$ 35,00 e eles encontraram muito mais valor por individuo.” disse Marcelo Cerqueira, presidente do GGB. Diante da pesquisa reveladora espera-se que o Governo Rui Costa seja mais sensível no apoio as questões LGBT, isso porque a Parada promove economia com cidadania.
REGULAMENTO O USO DO NOME SOCIAL
Resolução CME n.º 01-2018 – Regulamento o uso do nome social de travestis e transexuais nos registros escolares
DANILO BITENCOURT: Opinião – Mensagem à Raphaela: As palavras que não tive tempo de te dizer…
Legenda: Raphaela e Danilo, foto arquivo privado do autor. Salvador, Bahia, 16/11/18 – Descobre-se estranho. Não por si. Mas pelo outro e doí. Ver em outros olhos, sua caricatura. Quem entenderia tamanha loucura? Acreditar ser o que realmente se quer ser. Não lhe o que está (im)posto; pois, se desperta desgosto, nosso caminho é seguir do lado oposto. Lado que incomoda. Atirou-me na cabeça. Fim de festa. Se não deu pra ir mais longe, fui só mais uma, apenas essa satisfeita, mas longe do sonho que carreguei. Quem dera fosse o amor o sentimento que despertei! São palavras tristes e chorosas, num momento de perda, mas que me proponho a falar de amor. Amor como sentimento vivo que conhecemos no caminhar da amizade, no cotidiano das risadas, dos compromissos, da luta por uma sociedade que nos entendesse, que nos respeitasse e nos enxergasse como humanos. O ódio, a ausência de políticas afirmativas, a exclusão, a alta vulnerabilidade, tiraram do nosso convívio, a nossa Raphaela! Conheci Rafa, como carinhosamente a chamava, em 2011, quando retornei a Vitória da Conquista para assumir meu concurso junto à Prefeitura de Vitória da Conquista. Ela era a primeira transexual funcionária da Secretaria de Desenvolvimento Social, atuando junto com o Programa Bolsa Família. Sua feminilidade, seu jeito sorridente, sua pele de jambo se destacavam naquele enorme salão. Foi ali que começou uma amizade e uma história de luta. Junto com Rafa, construímos a Assessoria de Diversidade Sexual, órgão que hoje é uma Coordenação de Políticas de Promoção da Cidadania e Direitos de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais. De lá para cá, foram anos de luta para combater essa cultura bastante sexista, de negar ao outro a condição de sujeito de direito. A Prefeitura, na então gestão do Prefeito Guilherme Menezes, alçou voos de reconhecimento nessa luta. E Rafa estava sempre lá comigo. Realizamos juntos duas conferências territoriais de Direitos LGBT; preparamos uma campanha publicitária para combater o estigma e o preconceito da sociedade em relação às travestis e transexuais, se tornando a primeira prefeitura da Bahia, entre os 417 municípios, a realizar uma ação comemorativa ao Dia Nacional de Visibilidade Trans. Com Rafa, e sua luta junto às travestis e transexuais de nossa cidade, nos tornamos a terceira cidade do Estado a possuir decreto-lei que garante o uso do nome social de travestis e transexuais nos serviços prestados por qualquer órgão da Administração Pública Municipal Direta, Indireta, Autarquias, Fundações e nas instituições públicas de ensino. Depois dessa experiência com Rafa junto da governabilidade municipal, vi Rafa se reconhecer como militante e defensora dos direitos humanos. Terminou seu contrato com a Prefeitura, foi fazer Serviço Social e se engajou na sua própria luta. Com nosso apoio institucional, fundou o Coletivo Finas pela Diversidade Sexual, cuja finalidade principal foi agregar o maior número de pessoas, independente de sexo, orientação sexual, etnia, credo, convicções filosóficas, condição social, para defender e promover o direito à liberdade da orientação sexual de lésbicas, gays, bissexuais, travestis, homens e mulheres transexuais. Tornou-se a primeira presidente do Coletivo e daí não parou. Levou o movimento LGBT de Conquista a ter visibilidade e assumiu a cadeira de representante das travestis e transexuais da Bahia no Conselho Estadual LGBT. É essa Rafa que eu conheço. Não a que foi morta pela sociedade discriminatória e que não tem uma política adequada sobre drogas. Não quero a imagem da Rafa que, por inúmeros motivos, encontrou no uso e no tráfico, um alento e um respeito. Sabemos que o contexto do uso de drogas aparece desafiador para a saúde pública brasileira. Ao relacioná-lo com a população de travestis, faz-se necessário uma sistematização singular, pela vulnerabilidade característica desse segmento. O uso de drogas se associa principalmente ao momento de saída da casa dos familiares, conforme ressalta as principais etnografias sobre travestis brasileiras. A situação das drogas já enquadra por si só uma complexidade de fatores que implicam em ações educativas, sociais, políticas, de segurança pública e de saúde. Quando somamos a essa complexidade as especificidades travestis, temos uma nova equação, também desafiadora. Entre os desafios está a dimensão ideológica, que nos leva a pensar que a forma como dizemos e fazemos as práticas de prevenção e intervenção estão longe de ser neutras e devem estar atentas ao contexto histórico e social da pessoa que faz uso indevido de drogas. E junto ao contexto histórico, há a importância em associar a dimensão ética reconhecendo os indivíduos em sua pluralidade, ou seja, evitando que julgamentos morais e familiares de certo e errado mascarem as ações e afastem o usuário de uma possível postura colaborativa. No entanto, é fundamental que uma política integrada seja desenvolvida, para aumentar os repertórios de existência dessas pessoas, em termos de educação, saúde e trabalho historicamente restringidos. O uso de drogas nos espaços de sociabilidade trans deve ser compreendido como um potencializador da vulnerabilidade notória dessa população. Mas ligar drogas-travestis-prostituição seria favorecer o preconceito já marcado o grupo. O que se enseja, portanto, é evidenciar o contexto bem como a precariedade das relações e das redes de proteção às travestis e transexuais para, então, considerar formas de minimizar os danos. Os resultados também vão ao encontro da Política Nacional e Estadual sobre Drogas, evidenciando a amplitude de ações que precisam ser demarcadas como a prevenção e atenção aos fatores de risco e proteção. Por isso, nosso apelo é que Rafa não se torne mais um corpo estendido no chão. Revela-se aqui, mais uma vez, principalmente nas execuções de travestis, a evocação de uma imagem da desordem urbana, em que a sexualidade aparece conectado à pobreza, ao tráfico e às favelas. Bandos que atacam carros, assaltam moradores, provocam arruaças. Embora sob protestos de alguns agentes da lei, travestis acabam sendo assassinadas sem que muito se faça para esclarecer o caso. Hoje foi Rafa. Mas os casos de execução chamam a atenção para a presença de diferentes hierarquias sociais no universo LGBT e, com isso, para a diversidade e complexidade das práticas LGBTfóbicas. Nesses casos, há uma clara
BOLSONARO DEFENDE PENA MAIOR PARA QUEM AGREDIR LGBTs: O momento pede calma, solidariedade e atenção redobrada!
Salvador, Bahia, terça-feira, 30 de outubro de 2018. O Grupo Gay da Bahia (GGB), através do seu presidente Marcelo Cerqueira, passadas as eleições do segundo turno no Brasil, considera e orienta a população LGBT para acalmar os ânimos e atenção redobrada, por vários motivos, dentre ele a manutenção da paz e a vida acima de tudo para nós que integramos a população LGBT. Consideramos que pela sensibilidade do momento atual precisamos acalmar os ânimos, redobramos o cuidado e a atenção em relação as agressões LGBTfobicas associadas ao presidente eleito Jair Bolsonaro. O presidente eleito no último dia 28 de outubro, falou com exclusividade aos jornalistas Bonner e Renata Vasconcelos do Jornal Nacional da Rede globo de Televisão no dia 29, segunda-feira. Respondendo a jornalista o presidente eleito disse como vai tratar os crimes de violação de direitos, especialmente violações contra pessoas LGBTs. O presidente declarou que esses crimes serão tratados com vigor constitucional e normativo que temos a disposição da nossa arquitetura jurídica. Portanto, pensamos que superadas, as eleições, devemos nos apoiar e quando atingidos com práticas de ódio ou qualquer tipo de violência devemos denunciar e buscar nossos direitos junto aos Órgãos Públicos de Defesa dos Direitos Humanos constituídos. Cobrar o cumprimento da Lei e da Constituição, inclusive ele defendeu isso. Resolvi divulgar esse vídeo para que todos tenham conhecimento do seu teor, sobretudo para aqueles que estão praticando todo tipo de discriminação e violência seja por orientação sexual, por ser negr@, mulher, ou nordestin@s. Espero que o Presidente eleito apoie a criminalização da LGBTfobia no Brasil. O vídeo que apresentamos aqui foi editado pelo GGB priorizando a resposta concreta e o comunicado a nação brasileira. Por favor, veja a entrevista completa dos jornalistas William Bonner e Renata Vasconcelos do Jornal Nacional da Rede Globo de Televisão pode ser apreciada na sua integra clicando aqui! https://www.youtube.com/watch?v=9v3-SvXptAU Em entrevista ao JN prometeu respeitar a constituição https://www.facebook.com/eduardo.michels.5/videos/2156495377728701/ Vídeo completo: Aqui
Viva a vida ou Viva la muerte? Depende do teu voto!
Luiz Mott, Marcelo Cerqueira & Penildon Silva Filho! Salvador, sábado, 27/10/18. “Viva la muerte!”, berrou um general fascista na Universidade de Salamanca, durante a Guerra Civil Espanhola (1936-1939), conflito que em três anos, provocou a morte de mais de 600 mil pessoas. Quem aplaude ou defende a morte, comete pecado mortal contra o 5º Mandamento da Lei de Deus, “não matar”! Na contra mão da História e afrontando o princípio pétreo dos direitos humanos e constituições do mundo inteiro, o direito à vida é desprezado por um candidato a presidente no Brasil dos dias atuais. Eis que milhões de brasileiros, alegando não suportar mais a violência e desiludidos com a política, ameaçam entregar o comando do Brasil a um fascista confesso, que entre muitos outros absurdos, declarou: “o Brasil só vai melhorar quando nós partirmos para uma guerra civil aqui dentro, fazendo o trabalho que o regime militar não fez: matando uns 30 mil. Se vai (sic) morrer alguns inocentes, tudo bem, tudo quanto é guerra morre inocente”. Tentativa de homicídio é contravenção penal gravíssima, fazer apologia de genocídio é crime de lesa humanidade e quem vota num aspirante a ditador, torna-se cúmplice desse perigoso desequilibrado que ameaçou fuzilar os adversários políticos. O candidato fascista, em seu último comício na Avenida Paulista, prometeu aos opositores cadeia ou exílio, e neste momento crucial temos de decidir entre a vida ou a morte da nossa comunidade LGBT, representada por mais de 20 milhões de brasileiras e brasileiros agressivamente ameaçados por esse raivoso homófobo. Por isso, o Decano do Movimento LGBT Brasileiro e o Presidente do Grupo Gay da Bahia, que há uma década denunciam a homofobia de Jair Bolsonaro, declaram com toda força e convicção: votar no inimigo declarado dos negros, mulheres, LGBT, índios, é mais do que gritar “viva la muerte!”. É ser cúmplice da morte física e civil de todos nós! Não há outra solução: Haddad presidente! Desde o processo de redemocratização, o Brasil avançou muito, reconquistando as liberdades democráticas contra um ditadura corrupta, que aumentou a desigualdade e a miséria em nosso país. Em 1988 promulgamos a Construção Federal que foi a mais avançada em nossa História e a qual precisamos defender para garantir direitos humanos e políticas sociais antes impensáveis, como o Sistema Único de Saúde, a Educação Pública, universal e gratuita e a Seguridade Social. Na década de 1990 conquistamos a estabilização monetária e nos anos 2000 aceleramos o crescimento econômico, a diminuição das desigualdades e da pobreza extrema e a ampliação de direitos humanos. O governo Temer, senpre com o apoio de Bolsonaro, congelou os investimentos sociais em 20 anos, aprovou a reforma trabalhista e a terceirização desenfreada que retira direitos, e doou as reservas do pré Sal para as petroleiras estrangeiras. Agora, além da perda de direitos, Bolsonaro quer radicalizar esse retrocesso de Temer com um regime ditatorial claramente homofóbico, misógino e racista. Seus apoiadores constituíram milícias que já estão aumentando a violência pelo Brasil inteiro, violência que ele disse que combateria, estimulando a violência política e dando uma amostra do que será o seu governo fascista: mais arrocho de salário e retirada de direitos, doação de patrimônio nacional às empresas estrangeiras e uma brutal repressão a nós, comunidade LGBT, mulheres, negros, nordestinos, participantes dos movimentos sociais, indigenas, do campo. Partiu dele a afirmação de que “as minorias se adequam ou desaparecem!”. E ninguém poderá dizer que não sabia, pois as ameaças foram feitas pessoalmente pelo próprio candidato fascista, em muitos vídeos. Por isso pedimos o voto em HADDAD -13, que defende as pautas dos nossos movimentos sociais e cujo programa de governo aponta esse compromisso com a comunidade LGBT. Com Haddad teremos espaço para diálogo e um regime político que propiciará nossa existência e a nossa atuação, inclusive crítica e contestatória.
Bolsonaro tá chegando, “corra você que é viado”: adolescentes debocham de LGBT em vídeo.
Salvador, Bahia, quarta-feira, 10 de outubro de 2018, ás 09h00 – Do GGB Está circulando nas redes sociais um vídeo com três adolescentes negros reproduzindo conteúdo LGBTfóbico, claramente estimulados pelas idéias preconceituosas do candidato Bolsonaro, já que citam o nome do candidato a presidente do Brasil. O deboche dos adolescentes é preocupante e revelador de extremo preconceito, o que não ajuda na consolidação dos direitos humanos e da democracia no país. O vídeo intitulado “Corra você que é viado” , no estilo hip hop, gravado na laje de uma casa de periferia, diz num dos trechos: “Bolsonaro tá chegando, vou lançar mais um recado, corra você que é viado” e na sequência um outro adolescente corre como se fosse “viado” ensaiando alguns passos de dança. As ofensas não param por aí: “ Bolsonaro tá chegando, vou lançar mais uma onda. Corra você sapatona, corra você sapatona”, o mesmo adolescente segue correndo como se fosse uma “sapatona”. O Grupo Gay da Bahia (GGB) lança um alerta aos LGBT denunciando que tal vídeo faz parte de uma série de recentes manifestações LGBTfóbicas que agridem nosso segmento , seja fisicamente, seja espalhando o pânico e ódio contra nossa população, daí a necessidade urgente de nos prevenir e respondermos coletivamente contra tais ameaças. Estima-se que a comuidade LGBT representa cerca de 10% da população brasileira, mais 20 milhões de sub-cidadãos que têm servido como bode expiatório e moeda de troca por políticos irresponsáveis. Muitas travestis, lésbicas e gays que já foram alvo ou presenciaram tais ameaças ou agressões estão sofrendo de verdadeira síndrome do pânico, daí a urgência de conversarem e abrir negociação com os seus familiares para que unidos evitem se tornar a próxima vítima. Segundo Marcelo Cerqueira, “após 38 anos de ativismo do GGB, fundado por Luiz Mott em 1980, nos deparamos face a essa situação atual extremamente tensa e preocupante, sofrendo esse crescente desrespeito aterrorizante e destrutivo, que destrói os laços de amizade nas comunidades e quebra o “contrato social” que deve nortear as normas de convivência.” Ainda de acordo com o Grupo Gay da Bahia (GGB), o vídeo é preocupante especialmente em relação a má influência na (de)formação dos adolescentes. Existem duas hipóteses sobre a raiz dessa intolerância aos “viados e sapatonas”: ou tais jovens estariam o reproduzindo o que ouviram nas ruas ou nas mensagens preconceituosas de políticos ostensivamente homofóbicos, ou pior ainda, teriam eles próprios desenvolvido discurso tão anti-social, e divulgando nas redes sociais estimulados pela cultura do ódio contra os LGBT, significando que já foram gravemente contaminados pelo LGBTfobia cultural . “Corra viado, corra sapatona” dá entender que se o LGBT ficar na presença do citado candidato, o mesmo que disse “prefiro meu filho morto do que gay”, corre-se risco de ser espancado ou perder a vida. Os adolescente usam os termos xulos “viado e sapatona”sem nenhum constrangimento, expressões considerados estigmatizantes pelos LGBTs. O GGB respeitando o Estatuto da Criança e do Adolescente colocou tarja no rosto dos adolescentes preservando a imagem dos dois que aparecem no vídeo. Não existe no vídeo a possibilidade de poder identificar o local onde ocorreu a gravação, mas é em cima de uma laje de uma residência familiar, em algum lugar do Brasil. Curioso eles fazerem essa analogia com o candidato do (PSL). Assista o vídeo.