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Evolução no Concurso Rainha do Carnaval de Salvador

Becca Navarro, Rainha 2025

GGB Anuncia Evolução Histórica no Concurso Rainha do Carnaval de Salvador: Foco Exclusivo em Pessoas Trans e Travestis e Busca por Oficialização

Salvador, Bahia – O Grupo Gay da Bahia (GGB), com sua trajetória de vanguarda na defesa dos direitos humanos LGBTQIA+, tem o prazer de anunciar uma evolução significativa em um dos eventos mais representativos do Carnaval soteropolitano: o concurso que agora será denominado Rainha Trans do Carnaval de Salvador. A partir de sua próxima edição, o tradicional concurso, que ao longo dos últimos cinco anos se consolidou como uma poderosa plataforma de fortalecimento e visibilidade, passará a ser exclusivamente voltado para mulheres trans e travestis. A decisão, não impede que artistas transformistas participem, por uma mensagem mais direta

Esta mudança estratégica reflete o crescimento exponencial da iniciativa – que viu sua participação saltar de cinco para quatorze candidatas – e a imperativa necessidade de um olhar ainda mais especializado e sensível para um segmento da comunidade LGBTQIA+ que, historicamente, demanda maior e representatividade. “Essa investida de estrutura é essencial. Crescemos muito e, agora, é o momento de focar e potencializar as vozes e a beleza de pessoas trans e travestis, que ainda necessitam de um olhar especial, especialmente durante o Carnaval, onde a festa é, e deve ser, plural”, afirma o GGB.

A Rainha do Carnaval de Salvador 2025, Rebecca Navarro, 25 anos, acredita que a iniciativa contribui para valorização dessas pessoas. “Eu acho que extrema importância e necessidade da existência de um concurso que valorize e respeite a existência dos corpos LGBTQIA+. Ter um espaço nosso onde possamos celebrar nossas vivências é muito gratificante e estimulador, já que outros lugares tendem a fecharem as portas para pessoas como nós” A Rainha acredita que o alinhamento com o CONCAR no certame é importante e somaria muito. “Acredito que este certame poderia entrar em um consenso com o “Rainha do Carnaval oficial” para auxiliar na celebração dos corpos já que ambos comungam do ideal de valorizar corpos dissidentes” segue afirmando “Salvador é destaque quando falamos sobre diversidade, e esta união com toda certeza dará uma visibilidade maior ao Carnaval da nossa cidade. Imagina que lindo uma corte formada por Rainha, Rainha LGBT, princesas e Rei Momo. Salvador irá elevar o nosso carnaval a um impacto mundial sem igual” conclui a Rainha Becca.

A Bahia, e Salvador em particular, tem se consagrado como um epicentro de acolhimento para a população LGBTQIA+, diferenciando-se em cenários nacionais. A presença vibrante da comunidade nos circuitos, sobretudo na Barra, é um testemunho da segurança e da afetividade que a cidade oferece. “Diferentemente de Rio e São Paulo, Salvador é uma cidade que acolhe, não só pela geografia calorosa de locais como o Pelourinho, a Barra e a Avenida Sete, mas pela sua intrínseca humanidade e afetividade. É isso que as pessoas procuram, e aqui temos para dar e vender”, destaca o GGB.

A visão do GGB para o concurso transcende a celebração interna. A entidade pretende alinhar esta iniciativa ao Conselho do Carnaval, buscando ativamente que o concurso Rainha Trans seja integrado aos concursos oficiais de Rei Momo e Rainha do Carnaval, consolidando essa corte junto à corte oficial da cidade. Mais do que isso, o GGB reitera a reivindicação por uma cadeira para representantes LGBTQIA+ no Conselho do Carnaval, assegurando que a diversidade da festa seja refletida também em sua governança e planejamento.

Esta oficialização e o foco nas mulheres trans e travestis são passos cruciais para reforçar o caráter democrático e plural do Carnaval de Salvador. Ao buscar essa integração e representatividade institucional, o GGB não só eleva o concurso, mas fortalece a mensagem de que o Carnaval é um espaço de visibilidade, respeito e inclusão para todos.

A expectativa é que essas mudanças inspirem um modelo para outras festividades e eventos culturais, solidificando Salvador como um farol de liberdade e inovação social, onde a cultura e a arte atuam como poderosas ferramentas de transformação e afirmação de direitos.

O Grupo Gay da Bahia (GGB) é a mais antiga e atuante associação de defesa dos direitos humanos de gays, lésbicas, bissexuais, travestis e transexuais no Brasil. Fundado em 1980, o GGB tem desempenhado um papel fundamental na luta contra a discriminação e pela promoção da cidadania plena da comunidade LGBTQIA+. Em 09 de fevereiro de 1985, em um período crucial de redemocratização do Brasil, o GGB obteve uma vitória legal histórica ao conseguir a suspensão da CID 302, que classificava a homossexualidade como doença, uma conquista pioneira e de grande impacto global, posicionando o Brasil na vanguarda dos países e antecipando a decisão da OMS que só veio a considerar em 17 de maio de 1990.

Entenda essa Mudança Estrutural

O termo travesti designa uma identidade de gênero específica, profundamente enraizada em contextos culturais e sociais, especialmente na América Latina (como no Brasil). É uma identidade complexa e rica, que merece ser compreendida em sua plenitude:

Identidade de Gênero Feminina. A pessoa travesti se identifica com o gênero feminino, independentemente do sexo atribuído ao nascer. Ela se percebe, se vive e se expressa como mulher. É fundamental reconhecer que a identidade travesti não é uma “performance” ou um “papel social”, mas sim uma vivência genuína de gênero.

Expressão de Gênero Feminina. A expressão de gênero das travestis é marcadamente feminina, manifestando-se através de diversos elementos.

Vestuário. Roupas, acessórios e sapatos associados ao universo feminino.

Maquiagem. Uso de maquiagem para realçar traços femininos e expressar sua identidade.

Cabelo: Penteados, perucas ou o próprio cabelo arrumado de forma que reforce sua feminilidade.

Modificações Corporais: Muitas travestis buscam modificações corporais (hormonização, cirurgias estéticas, uso de silicone industrial, etc.) para alinhar seu corpo à sua identidade de gênero e à sua expressão feminina desejada. É crucial entender que essas modificações são parte integrante do processo de afirmação de sua identidade, e não meros “artifícios”.

Diferenciação e Autonomia

Travesti e Mulher Trans. Embora haja sobreposições e a compreensão esteja em constante evolução, historicamente, no Brasil, o termo “travesti” surgiu antes e possui um significado cultural e político distinto do termo “mulher trans” (que é um termo mais abrangente e de origem mais recente, vindo do movimento trans internacional). Muitas travestis preferem ser chamadas de travestis e não de mulheres trans, ou vice-versa, e essa autodenominação deve ser sempre respeitada.

Orgulho e Resistência. A identidade travesti, em particular no Brasil, carrega um forte componente de resistência e resiliência. Travestis foram e ainda são pioneiras na luta por direitos, enfrentando violências e apagamentos históricos. A expressão da identidade travesti é, muitas vezes, um ato político de afirmação e existência em uma sociedade que tenta invisibilizá-las.

Expressões da Sexualidade e Afetividade. A sexualidade da pessoa travesti é tão diversa quanto a de qualquer outra pessoa. Ela pode ser lésbica, bissexual, pansexual, assexual, ou ter qualquer outra orientação sexual. Não há uma sexualidade “padrão” associada à identidade travesti. A afetividade e os relacionamentos amorosos são vividos de acordo com as particularidades de cada indivíduo.

A Identidade Travesti é Normal. É fundamental sublinhar que a identidade travesti não é uma doença, um transtorno mental ou um desvio. A despatologização das identidades trans e travestis é uma conquista fundamental dos movimentos de direitos humanos. O respeito à identidade de gênero de cada pessoa é um direito humano básico. Uma pessoa travesti é uma mulher que se identifica com o gênero feminino e o expressa através de diversas manifestações, muitas vezes buscando alinhar seu corpo à sua percepção de si. Sua identidade é marcada por uma história rica de luta e resistência, e a forma como se autodenomina e se expressa deve ser sempre respeitada.

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