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Dia das Crianças Trans

Crianças trans existem

Foto/ grupo de crianças abertura da 27 Parada de São Paulo Vamos Celebrar o Dia das Crianças Trans: Inclusão, Respeito e Acolhimento MARCELO CERQUEIRA @marcelocerqueira.oficial O Dia das Crianças é um momento de celebração da infância, mas é importante que também reconheçamos a diversidade nas experiências de vida das crianças, especialmente as crianças trans. Elas existem, têm suas próprias trajetórias e precisam de compreensão e apoio para garantir seu bem-estar emocional, físico e psicológico. Identidade de Gênero nas Crianças Trans. A identidade de gênero é como uma pessoa se percebe e se identifica internamente, e para muitas crianças trans, essa percepção surge cedo. Infelizmente, por desconhecimento ou falta de aceitação, muitas vezes essa expressão é reprimida. Uma mãe relatou: “Ela nunca deu nenhum sinal, ou eu não percebia, porque nunca pensei na possibilidade de identidade de gênero”. Isso reflete o pensamento comum de muitos pais que confundem identidade de gênero com orientação sexual. Identidade de gênero e orientação sexual são questões diferentes. Enquanto a identidade de gênero diz respeito ao sentido interno de ser homem, mulher ou outro, a orientação sexual está ligada a quem a pessoa sente atração. Para crianças trans, o reconhecimento dessa identidade desde cedo é crucial para seu desenvolvimento saudável. Muitas crianças trans sabem que seu gênero não corresponde ao sexo que lhes foi atribuído ao nascer, ainda na primeira infância. No entanto, devido à pressão social e à falta de referências, muitas vezes não conseguem expressar essa identidade. O apoio da família e da comunidade é fundamental para que essas crianças possam se sentir seguras e aceitas em seus ambientes de vida e circulação. Uma mãe explicou: “Desde cedo, ele já dava traços de feminilidade, mas foi só depois de 14 anos que compreendemos sua identidade”. Famílias precisam estar abertas ao diálogo e buscar informações para criar um ambiente acolhedor. É muito importante o apoio familiar e social o bem-estar das crianças trans. Estudos revelam que crianças que recebem aceitação em casa têm melhor saúde mental, menor risco de depressão e suicídio. Pais que respeitam a identidade de seus filhos ajudam a promover o desenvolvimento emocional saudável e a autoestima, condição vital um crescimento saudável. Lamentavelmente, a Justiça só autoriza a retificação de nome e gênero após 18 anos, mesmo com autorização dos pais e laudo psicológico, na Bahia autoriza a mudança de nome, situação problema.    Além das famílias, a sociedade tem um papel importante. A educação sobre diversidade de gênero deve começar cedo, tanto em casa quanto nas escolas. Professores e profissionais de saúde precisam ser treinados para lidar com a diversidade de gênero de maneira inclusiva. Nesse Dia Das Crianças é preciso lembrar de todas as infâncias.  Serviços Públicos em Salvador Ambulatório de Saúde Integral para Travestis e Transexuais – Multicentro Carlos Gomes/SMS Endereço: Avenida Carlos Gomes, nº 270, Centro, Salvador – BA. Telefone: (71) 3202-1340 O Multicentro oferece acompanhamento multiprofissional para pessoas trans, incluindo atendimento médico, psicológico e de assistência social. Escola Bahiana de Medicina e Saúde Pública (Bahiana) Endereço do Campus Cabula: Av. Silveira Martins, 3386, Cabula, Salvador – BA. Telefone: (71) 3276-8200 Site: www.bahiana.edu.br A Bahiana oferece cursos de graduação em Medicina, Enfermagem, Fisioterapia, Psicologia, Biomedicina, Odontologia e outros na área de saúde. É uma instituição reconhecida pela qualidade do ensino e pela formação de profissionais na área médica. Clínica Especializada em Doenças Infecciosas (CEDAP) SESAB Endereço: Rua Comendador José Alves Ferreira, 240, Garcia, Salvador – BA. Telefone: (71) 3116-0500 O CEDAP oferece atendimento especializado para a população LGBTQIA+, incluindo saúde sexual e reprodutiva. . Ambulatório Magalhães Neto – HUPES/UFBA Endereço: Rua Augusto Viana, s/nº, Canela, Salvador – BA. Telefone: (71) 3283-8000 Horário de Funcionamento: Geralmente, de segunda a sexta-feira, durante o horário comercial. O Ambulatório Professor Magalhães Neto oferece atendimentos ambulatoriais em várias especialidades médicas e está vinculado ao Hospital Universitário Professor Edgard Santos, funcionando como um espaço de atendimento e ensino para os alunos da UFBA, além de atender a população em geral.

Transição

Como funciona a hormonioterapia para mulheres trans (e travestis) A terapia com hormônios para transição de gênero deve ser feita sempre com acompanhamento profissional.  por Maiara Ribeiro https://drauziovarella.uol.com.br/ A hormonioterapia é um dos recursos disponíveis para a transição de gênero de mulheres trans, cujo sexo designado no nascimento foi o masculino, mas que se identificam e se expressam no feminino. O objetivo da terapia hormonal feminizante é promover mudanças corporais que fazem com que a aparência física da pessoa esteja de acordo com sua identidade de gênero, proporcionando maior bem-estar físico, mental e emocional.  É muito importante que a hormonioterapia seja feita sob orientação médica, depois de realizada a avaliação e os exames necessários para tal. Os hormônios não devem ser usados por conta própria.  Em 2020, o Conselho Federal de Medicina (CFM) reduziu de 18 para 16 anos a idade mínima para a terapia hormonal. No entanto, a portaria do Ministério da Saúde sobre o processo transexualizador no SUS mantém 18 anos como idade mínima.  Início do processo de hormonioterapia A pessoa que deseja dar início à terapia hormonal pode buscar atendimento na atenção primária, normalmente em uma Unidade Básica de Saúde (UBS) próxima de sua residência. “Caso não seja possível seguir na UBS, a unidade irá encaminhar para um centro especializado. Além disso, profissionais da endocrinologia, ginecologia, urologia e medicina da família e comunidade podem assistir essas pessoas”, explica o dr. Magnus Dias da Silva, endocrinologista da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia Regional São Paulo (SBEM-SP). Existem serviços de saúde com atendimento voltado às pessoas trans, ligados às secretarias municipais ou estaduais de saúde. Nessas unidades, normalmente uma equipe composta por médico e um profissional de saúde faz uma avaliação, junto a pessoa, de alguns pontos importantes a respeito da terapia hormonal. Segundo Ricardo Barbosa Martins, psicólogo e diretor do Ambulatório de Saúde Integral para Travestis e Transexuais do Centro de Referência e Tratamento DST/Aids, em São Paulo, a ideia dessa primeira avaliação é entender se o que ela espera de um processo de hormonização é de fato o que a hormonização pode dar. “Às vezes, a pessoa tem uma expectativa muito grande e que o processo pode não atender. Às vezes, ela não sabe que algumas características podem não acontecer e outras podem acontecer e não serem reversíveis ou serem parcialmente reversíveis. Então, é importante a gente ajustar junto com a pessoa as expectativas dentro da necessidade que ela expressa”, explica. Além disso, é preciso saber como a pessoa recebe as alterações corporais, se tem maturidade para o enfrentamento das questões envolvidas no processo e se tem uma retaguarda social de apoio para essas mudanças, pois elas vão além do aspecto físico. “A mudança corporal produz impacto no meio social. É preciso que a pessoa tenha minimamente considerado essas condições. Não é apenas fazer a mudança corporal, porque ela também demanda da pessoa uma certa adaptação a esses processos”, completa Ricardo.  Para dar início à hormonioterapia, é necessária ainda a realização de uma série de exames para saber se a pessoa pode fazer uso dos hormônios, se não há nenhum impedimento clínico. Analisados os resultados, e depois também da avaliação inicial e o alinhamento das expectativas, o processo de hormonização pode seguir normalmente.  Veja também: Como funciona o SUS para pessoas transexuais Hormônios utilizados No caso da terapia hormonal feminizante, são utilizados hormônios estrógenos que, nas doses adequadas, bloqueiam a produção endógena de testosterona. Se houver dificuldade no bloqueio, também podem ser usados os chamados antiandrógenos. “Eles agem modificando várias partes do nosso corpo que são sensíveis a estes hormônios, ou seja, com uso contínuo a mulher trans desenvolve os caracteres sexuais secundários típicos da puberdade, como o aumento de mamas, a redistribuição de gordura e a redução de pelos”, explica o dr. Magnus.  Para os casos de dificuldade no bloqueio da testosterona, existe também o recurso da orquiectomia, que consiste na remoção cirúrgica dos testículos. Nesses casos, geralmente recomenda-se a redução da dosagem hormonal e a terapia passa a ser de reposição hormonal habitual. “Antes da remoção dos testículos, aconselha-se colher esperma e reservar em banco para ser disponível para fertilização in vitro. Com esse procedimento, asseguram-se os direitos reprodutivos da pessoa trans”, afirma o endocrinologista. Os estrógenos podem ser administrados por via oral, transdérmica (aplicação na pele) ou podem ser injetados, enquanto os antiandrógenos podem ser orais ou injetáveis. As alterações físicas normalmente começam a surgir após dois ou três meses de tratamento, e as mudanças no corpo esperadas podem ocorrer em cerca de dois anos. Normalmente, o uso de hormônios é feito por um período prolongado. “No entanto, medidas não hormonais depois dos 55 anos na mulher trans são mais seguras e hoje são mais recomendadas”, diz o médico. Cada caso deve ser avaliado de maneira individualizada, levando-se em conta os riscos e histórico de saúde da pessoa. Veja também: Cuidados ginecológicos para pessoas LGBTQIA + Acompanhamento médico Os hormônios podem oferecer riscos à saúde quando usados de maneira irregular, em doses muito altas ou sem o acompanhamento clínico, que é essencial.  Segundo o médico, com o acompanhamento, os efeitos colaterais geralmente são administráveis e pode ser recomendada troca de hormônio, mudança na dose, no intervalo de uso ou via de administração. “Esses efeitos adversos são preveníveis e, com ajuda de endocrinologistas, outros esquemas podem ser propostos com mais segurança”, afirma.  Sem a assistência e a orientação médica necessária, a pessoa pode não atingir as modificações físicas esperadas, não ter o controle de eventuais efeitos colaterais, e ter risco aumentado para surgimento de problemas como acidentes cardiovasculares e tromboembolismo (condição que inclui quadros de trombose e embolia pulmonar) devido ao uso de determinadas formulações hormonais. O acompanhamento ambulatorial deve ser feito de forma individualizada, mas, em geral, os retornos acontecem a cada 4 ou 6 meses, se tudo estiver correndo dentro do esperado. “Pode ocorrer antes, por razões clínicas específicas, como para seguir eventual descontrole da gordura no sangue (dislipidemia), da concentração de hemoglobina (eritrocitose), ou devido a alteração da pressão arterial, labilidade de humor, ansiedade e quadros depressivos, por exemplo”,