Direitos humanos vai até Maiquinique fazer escuta e acolhimento á comerciaria trans Natylla Mota, vítima de crime transfobico.
Salvador, Bahia, terça-feira, 18 de outubro de 2016 – Do GGB – Uma equipe técnica da Superintendência de Direitos Humanos da Secretaria de Justiça, Direitos Humanos e Desenvolvimento Social (SJDHDS) composta por Laís Paulo que faz parte da Coordenação LGBT, Isaura Genoveva Coordenadora de Proteção aos Direitos Humanos e Milena Passos, mulher trans e ativista do movimento LGBT da Bahia, seguiram hoje cedo para a cidade de Maiquinique, Sudoeste á 650km de Salvador. De acordo com a Superintendente, Dra. Anhemona de Brito, a visita objetiva realizar escuta social e acolhimento das denúncias das violações de direitos sofridas pela comerciaria Natylla Mota e seu companheiro naquela cidade em 8 de outubro. O caso Maiquinique, tem ocupado os meios de comunicações desde domingo, 15, com a divulgação de um vídeo gravado por celular mostrando a transexual sendo espancada por uma mulher dentro do Hospital Municipal de Maiquinique. A crueldade das imagens tem causado grande comoção e recolta na sociedade. Ontem,17, o presidente do Grupo Gay da Bahia (GGB), Marcelo Cerqueira, em conversa com Superintendente Anhamona de Brito, sugeriu a inclusão de transexual Millena Passos, como movimento social com a função de confortar a colega que foi alvejada com sete perfurações de faça, sendo que duas perfuram o pulmão e outra alvejou o baço. Somente na manhã de ontem que ela recebeu alta médica do Hospital Bom Jesus de Itapetinga. Agora a luta da comerciaria transexual é por Justiça, que a Lei seja aplicada de forma justa contra os quatros elementos que atentaram contra a sua vida, só pelo fato de ela ser uma mulher transexual, possuir um relacionamento com um homem, e expressar afeto em público, andando de mãos dadas na Praça da Cidade, no dia de seu aniversário. Desde que saiu do Hospital que a comerciaria tem usado a sua página no Facebok para denunciar os agressores. Na segunda-feira, ela divulgou a foto de Luciano Ferraz e sua mulher de prenome Viviane. Nessa terça-feira ela postou a foto de Tayse Vieira como sendo a terceira pessoa do grupo de quatro. Depois que o caso se tornou público a comerciaria tem recebido apoio de todos os lados, inclusive fotos dos agressores. Na tarde de ontem o Grupo Gay da Bahia (GGB) emitiu nota pública criticando a demora em prender os agressores. O presidente Marcelo Cerqueira, acredita que em casos de violência contra LGBT, negros e mulheres há de ter uma celeridade nos processos porque são crimes motivados pelo ódio. É importante que a Delegacia, o Ministério Público e o Judiciário trabalhem juntos, assim, a sociedade não fica com a sensação de impunidade. Nesse caso, a preventiva com os nomes dos agressores demorou mais de sete dias para ser expedida. Os movimentos de apoio a comerciaria e contra a LGBTfobia, o GGB, intermediou a assessoria jurídica através do criminalista Rogério Matos. No dia 22 a cidade vai receber um protesto que está sendo organizado pelas pessoas solidárias a causa LGBT na cidade e região, espera-se reunir cerca de 10 mil participantes. Conheça agenda da equipe de Direitos Humanos na cidade. 2016, em agenda institucional constituída para tratar do “Caso Maiquinique”. Para tal fim, a equipe atenderá o seguinte roteiro: 18/10/2016 – Deslocamento SSA/Itapetinga para: (a) atendimento à vítima (escuta social e acolhimento de denúncia); (b) reunião com representantes da Secretaria de Ação Social do município do domicílio da vítima (Proteção Especial) para ajustes de apoio psicológico e auxílio social; 19/10/2016 – Deslocamento Itapetinga/Maiquinique para: (a) reunião com autoridades da Polícia Civil e representantes do Ministério Público; (b) visita à unidade de saúde/cenário de parcela das ocorrências denunciadas; (c) reunião com representantes do Poder Público municipal; 20/10/2016 – Adoção de providências complementares para atendimento à vítima; retorno para Salvador.Após a finalização dos procedimentos jurídicos e administrativos por parte desta SUDH, alinharemos com o Secretário de Justiça a adoção de diálogo político com o comando da Segurança Pública e de outros órgãos e instituições vistos como relevantes para tratar da questão. Em tempo, reiteramos o nosso compromisso com toda e qualquer estratégia de reversão e combate à violência homo-lesbo-bi-transfóbica, ao tempo em que ratificamos o nosso compromisso frente a imprescindibilidade do amparo e garantia de direitos da cidadã Natylla Mota, além da responsabilização dos culpados.
GGB pede intervenção do MP junto a hospital por prevaricação e prisão do grupo que tentou matar transexual em Maiquinique.
Leandro Ferraz (D) e a vitima Natylla Mota Barreto, comerciante local. Salvador, Bahia, segunda-feira, 17 de outubro de 2016 – Do GGB, ás 12h. O presidente do Grupo Gay da Bahia (GGB), Marcelo Cerqueira, após várias tentativas ontem, conseguiu falar por telefone com Natylla Mota Barreto, 21 anos, comerciaria em Maiquinique, sobre como ela sobreviveu ao ataque transfobico/homofobico. O caso aconteceu no sábado,8, ontem fez oito dias, e não na madrugada de sábado, 15, para domingo, 16, último fim de semana, a notícia circulou por conta de um vídeo que começou circular nas mídias sociais onde aparecia a jovem empresaria agonizado no chão do Hospital Municipal de Maiquinique. Falamos com a vítima por volta das 10h de hoje quando recebia alta do Hospital e seguia até a Delegacia com a finalidade de pegar a guia para exame de perícia. “Hoje eu tirei o dreno que estava em meu pulmão onde tive duas perfurações” disse aliviada e com voz alegre por esta viva depois de ser alvejada por sete perfurações de faça. O Grupo Gay da Bahia exige celeridade na busca e apreensão dos autores do crime que estão em liberdade, inclusive ameaçando a vítima por mensagem e ligações de celulares, intervenção imediata do Ministério Público da Bahia para investigar crime de prevaricação praticado por funcionários, enfermeiras, seguranças e direção do Hospital Municipal de Mairinque Natylla conta que no dia 8, sábado, por volta das 0h30 saiu com o seu companheiro de prenome Igor, 21 anos, até a Praça William Valadão, onde circulavam de mãos dadas em direção a uma barraca de lanches na qual encomendou dois pastéis e permaneceram no local esperando sair o lanche. De um momento para o outro o casal começou a ser alvejado por latinhas de cerveja e copos, mesmo se afastando da situação as provocações continuaram acrescidas com palavras ofensivas, uma das mulheres teria dito “ Olha lá o viado e o traveco, aqui não é lugar para vocês não, não sei o que vocês estão fazendo aqui” disse uma das mulheres que tirou uma faça de meio porte de dentro da bolsa e partiu para atingir a vítima. Nesse momento o companheiro da trans imobiliza a mulher e acaba recebendo um corte em uma das mãos. Diante da confusão o povo interviu, com a mão sangrando o rapaz partiu rumo ao hospital e segundo Natylla, foi cancelar o lanche e em seguida se dirigiu para acompanhar o seu companheiro, conta. A vítima identificou um dos agressores como pelo nome de Luciano Ferraz e uma das mulheres identificada como Geane, suposta companheira. Ntylla revelou que foi justo nesse momento quando ela seguia para acompanhar o seu companheiro que foi cercada pelo bando. “Eu pensei que fosse um assalto, joguei logo a bolsa e o celular no chão” disse e seguiu relatando ainda que o homem acertou uma facada nas minhas costas e ela caiu no chão e sentiu ele colocar um dos pés no seu pescoço e nesse tempo a mulher dava-lhe chutes e um dos chutes acertou o seu olho quase perdendo a visão, outras duas mulheres apareceram uma delas portava uma faça e cortaram o meu cabelo, me batendo e me chamando de viado, que eu iria morrer. Uma dessas mulheres tentou acertar o meu rosto com a faça e eu botei o braço na frente, parece que a faça acabou ferindo ela e assim, ficaram mais violentos ainda. Fui socorrida perdendo muito sangue por um amigo que me levou até o Hospital Municipal. No Hospital o segurança de prenome Naldo, proibiu o meu acompanhante de poder entrar comigo, mesmo eu estando naquele estado, o segurança ainda trancou o meu marido em uma sala de curativos e ele não podia sair para me socorrer da mulher que me agredia dentro do Hospital sem ninguém fazer nada. Enquanto eu sangrava caída no chão as enfermeiras, a mulher continuava a bater e o segurança não fazia nada, as enfermeiras diziam que não tinha estrutura para atender e nem médico de plantão, elas ficavam em uma sala e saiam toda hora e me olhava no chão e não faziam anda, eu pedia socorro a todo momento, sequer me colocaram no soro. O motorista da ambulância estava em casa e tive de esperar a boa vontade dele para me levar até Itapetinga. Na ambulância ao invés da enfermeira vir me acompanhado devido ao meu estado de saúde ela foi na frente com o motorista de conversa com o motorista, ainda mandou minha mãe ir todo o caminho me abanando. Em Itapetinga, os médicos disseram que eu sobrevivi por milagre, considerando que perdi sangue por horas seguidas. O Grupo Gay da Bahia, perguntou se ela conhecia ou tinha algum tipo de relacionamento com os agressores, ela disse que não e que conhecia o casal apenas de vista. Considerando a gravidade da violência sofrida pela vítima, considerando ainda que o crime teve uma motivação odiosa, considerando ainda que a vítima corre perigo de vida, considerando que houve omissão de socorro, obstáculo ao acesso ao serviço público, omissão de socorro o que é qualificado como crime de prevaricação. Considerando a indignação que as imagens divulgadas pelas redes sociais têm provocado as pessoas, somando até hoje mais de 33.435 visualizações no Youtube, considerando o estresse emocional que esse tipo de notícia causa junto aos LGBTs, solicitamos a Secretaria de Segurança Pública do Estado da Bahia celeridade na busca e apreensão desses elementos que atentaram contra a vida da transexual Atylla Mora. Solicitamos também que o Ministério Público do Estado da Bahia abra denúncia para investigar o suposto crime de prevaricação contra a vida da vítima que agonizava dentro de uma unidade de saúde sem atendimento médico. É preciso celeridade na apuração de crimes, isso inclui inclusive aplicação de penas alternativas, especialmente para que a sociedade não acabe acreditando que existe uma cultura da impunidade. O Delegado, o Promotor e o Juiz hão de entender que crimes praticados contra LGBTs, negros e mulheres, são muitas vezes motivados por ódio, desse modo, tipificar
Mulher trans e companheiro atacados a golpes de faça por um casal e duas mulheres em Maiquinique.
Salvador, Bahia, 17 de outubro de 2016 – Do GGB – Segue estável e em observação o quadro de saúde da transexual Natila Mota, 21 anos, internada no Hospital Cristo Redentor na cidade de Itapetinga, sudoeste da Bahia, após sofrer um atentado na madrugada de domingo (16/10/16) na cidade de Maiquinique, que fica a 80km de Itapetinga. As facadas perfuraram pulmão e o baço, apesar dos graves ferimentos a situação é estável e parece que sobreviverá, podendo receber alta na próxima sexta-feira. O companheiro de prenome “amor” não sofreu ferimentos graves, apesar do susto passa bem. Marcelo Cerqueira, presidente do Grupo Gay da Bahia (GGB), apurou com lideranças locais, que se trata de uma violência transfóbica, “ódio as transexuais e travestis”. Marcelo Cerqueira ouviu o ativista Luciano de Maria, diretor do Movimento LGBT de Itapetinga, que realmente a motivação do crime foi (trans)homofobia, não apenas dos agressores, como também dos profissionais de saúde que não impediram que a violência cessasse dentro da instituição, incluindo omissão de socorro com a vítima sangrando e caída pelos corredores do hospital. O ativista afirma que: “ Ela é uma pessoa calma, de boa aparência, e vive com um companheiro há alguns anos ”. “ E mais, que “nada justifica essa violência a não ser a LGBTfobia”, declarou Luciano sugerindo ainda que a vítima não conhecia os agressores. Covardia. A vítima relatou que quando caminhava pela rua com seu namorado em direção a casa da mãe foi discriminada por um casal heterossexual, que insultou o casal com agressão verbal contra a transexual, a qual revidou com palavras aquele casal e seguiram o destino, que fica nas imediações. Por volta das 3h da manhã, quando Natila e seu companheiro voltava para casa foram surpreendidos por grupo, formado pelo casal e mais duas outras mulheres, que começaram a espancar. A transexual foi perfurada por sete golpes de faca dadas por Luciano Ferraz, acompanhado de sua namorada Geane e por essas duas mulheres que já foram identificadas. Natila foi socorrida por seu companheiro, que a levou ao Hospital Municipal de Maiquinique, localizado na Rua Artur Guimarães, no centro. De acordo com um vídeo publicado nas redes sociais, a sessão de pancadaria continuou lá dentro da unidade de saúde que é mantida pela prefeitura. O vídeo gravado por um aparelho de celular mostra a omissão de socorro dos profissionais de saúde e até mesmo “cumplicidade” com a violência sofrida no interior da instituição mantida com recursos públicos. O caso está sendo conduzido pelo delegado de Polícia Civil Dr. Irineu Andrade titular de Macarani que já expediu o mandado de prisão preventiva dos agressores que devem responder por tentativa de homicídio. O GGB defende que também a unidade de saúde deva ser acusada e responsabilizada, assim declarou o presidente do Grupo, Marcelo Cerqueira: “ É preciso investigar os profissionais de saúde e de segurança deste hospital que permitiram que a violência física continuasse dentro do hospital, as imagens do vídeo parecem que houve também omissão de socorro à vítima. E mais, como pode isso ocorrer no interior de um hospital público. O que aconteceu em Maiquique é crime gravíssimo e que não pode ficar sem punição aos responsáveis”, alerta Cerqueira. O GGB constata mais uma vez um crime (trans)homofóbico, contra pessoas que possuem sexualidade não hegemônica. O casal insultou a trans e o seu companheiro que se apesentaram na mesma condição do casal hetero, entretanto estes motivados por um sentimento de ódio, aversão e de discriminação contra a transexual. A beleza física da jovem trans, a normalidade como é tratada pelo seu companheiro, a roupa, o cabelo, a feminilidade, tudo isso pode ter gerado uma sensação de inveja associada a um ódio destrutivo contra às novas famílias e a expressão pública dos afetos, isso mexe com o recalque e perturba algumas mentes chegando à manifestação da violência verbal e física e da intolerância. O GGB que monitora os crimes com motivação LGBTfobia constata que esse ataque é mais uma manifestação da homofobia, o que tem sido constante e recorrente na Bahia. Há cerca de sete meses passados Bruna Menezes, 23 anos, foi vítima de transfobia no bairro de Pernambués em Salvador. Ela circulava até o centro do bairro acompanhada de seu companheiro e sua mãe quando foram surpreendidos por dois homens e uma mulher portando arma e fogo e pedaços de madeira. Bruna ficou lesionada e o seu companheiro foi alvejado por um tiro na região da virilha, sendo submetido a inúmeras cirurgias para que não ficasse com sequelas. A violência contra mulheres transexuais foi tema da 15ª Parada do Orgulho LGBT da Bahia realizada pelo GGB em 11 de setembro deste ano. O GGB na condição de um grupo de militância gay com identidade masculina, se posiciona -se ao lado das mulheres transexuais, travestis na defesa dessas novas identidades, arranjos familiares que buscam espaço social e de palavras junto a sociedade em geral. As pessoas devem entender que não existe apenas um tipo de família no mundo contemporâneo e este tipo de núcleo deve ser respeitado porque não existem apenas uma maneira de ser mulher e homem. Confira vídeo gravado por celular dentro do hospital municipal de Maiquinique.