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A Conquista da Sala do Peão “Nudismo”

Foi muita coragemOseas Santana, Luiz Mott, Claudio Almeida e Otávio Reis / Foto: Marcelo Cerqueira – Praia de Massarandupió – Entre Rios, Bahia

A Conquista da Sala do Peão: O Dia em que o GGB Derrubou as Fronteiras do Preconceito em Massarandupió

Por Marcelo Cerqueira @marcelocerqueira.oficial

O ano era 2004. O cenário, as dunas e o mar de Massarandupió, no município de Entre Rios. O que deveria ser um santuário de liberdade e retorno à natureza, a famosa praia de naturismo, havia se transformado em um território de exclusão biopolítica. Sob o manto conservador da “defesa da família e dos casais”, associações locais barravam a entrada de homossexuais e grupos de amigos gays na área conhecida como Sala do Peão. Mas a força estratégica do Grupo Gay da Bahia (GGB) não permitiria que o paraíso fosse interditado pelo preconceito.

O Conflito: O Naturismo como Disfarce para a Exclusão

A denúncia chegou ao GGB com o peso da indignação: gays estavam sendo impedidos de acessar a praia sob a alegação de que o espaço era restrito a “famílias”. Era a utilização da heteronormatividade como filtro de acesso ao logradouro público. A resposta de Luiz Mott e do GGB foi imediata e institucional. Não se tratava apenas de um dia de sol, mas do direito constitucional de ir e vir, da isonomia garantida pelo Artigo 5º da nossa Carta Magna.

Fomos à luta. O protesto não foi apenas um grito na areia; foi uma articulação de inteligência que levou os presidentes das associações de naturismo (AMANAT e ABANAT) à mesa de negociação da Defensoria Pública do Estado da Bahia.

O Marco Histórico: 09 de março de 2004

Naquela tarde, às 16h30, o Núcleo de Direitos Humanos da Defensoria Pública tornou-se o tribunal da diversidade. Sob a mediação dos defensores Edinaldo César Santos Júnior e Firmiane Venâncio, o GGB confrontou a lógica segregacionista.

O resultado foi um Termo de Acordo histórico que mudou a geografia do respeito no litoral baiano. O documento, fundamentado no princípio da igualdade, foi implacável:

  1. Fim do Veto: Ficou terminantemente proibida qualquer restrição de entrada baseada na orientação sexual.
  2. Derrubada das Placas: As associações tiveram o prazo recorde de 48 horas para retirar ou retificar as placas de sinalização que restringiam o ingresso apenas a “casais e famílias”.
  3. Multa Pesada: O descumprimento do acordo implicaria em uma multa de 10 salários mínimos, revertida para a comunidade local, além de medidas judiciais imediatas.

O Legado: A Liberdade sem Filtros

A vitória em Massarandupió foi pedagógica. Ela ensinou aos gestores de espaços privados e públicos que o corpo dissidente não aceita cercas. A Sala do Peão, antes símbolo da interdição, tornou-se o marco da resistência.

Hoje, ao olharmos para trás, percebemos que aquela ação foi mais que um protesto; foi uma aula de advocacia em direitos humanos. O GGB não apenas garantiu o acesso à praia; ele garantiu que o naturismo baiano fosse, de fato, fiel ao seu código de ética: a aceitação amigável e respeitosa de quem quer que seja.

Vinte e dois anos depois, a história de Massarandupió permanece viva como um lembrete de que, onde houver uma placa de exclusão, haverá a inteligência do GGB para derrubá-la.

https://www1.folha.uol.com.br/paywall/login.shtml?https://www1.folha.uol.com.br/folha/cotidiano/ult95u91338.shtml

http://www.jornalolhonu.com/jornais/olhonu_n_041/midia.html

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O ano era 2004. O cenário, as dunas e o mar de Massarandupió, no município de Entre Rios. O que deveria ser um santuário de liberdade e retorno à natureza, a famosa praia de naturismo, havia se transformado em um território de exclusão biopolítica.
O ano era 2004. O cenário, as dunas e o mar de Massarandupió, no município de Entre Rios. O que deveria ser um santuário de liberdade e retorno à natureza, a famosa praia de naturismo, havia se transformado em um território de exclusão biopolítica.