
Moira, Quinalha, Mott e Trevisan – Arte GGB Imagem
A Literatura como Trincheira: GGB destaca obras essenciais para entender a Diversidade no Brasil
Por Marcelo Cerqueira, DRT -2135/BA
Em matéria publicada pelo portal UOL, especialistas e ativistas listam obras fundamentais que combatem o apagamento histórico da comunidade LGBTQIAPN+; Luiz Mott, fundador do GGB, assina e recomenda títulos que resgatam a ancestralidade trans e a trajetória do movimento.
No mês em que celebramos o Orgulho, a literatura brasileira reafirma-se como um dos campos mais potentes para a consolidação de mudanças culturais e para o enfrentamento do “apartheid informacional”. Uma recente lista publicada pela Deutsche Welle (DW) e replicada pelo UOL destaca dez livros imprescindíveis para compreender a cena LGBTQIAPN+ no país, evidenciando que ler a nossa história é, antes de tudo, um ato de resistência política.
Luiz Mott o Guardião da Memória e a Recuperação do Arquivo
O antropólogo e professor da UFBA, Luiz Mott, fundador do Grupo Gay da Bahia (GGB), é uma das vozes centrais na curadoria desta lista. Mott não apenas recomenda clássicos, mas é o responsável por trazer à luz figuras que desafiam a lógica colonial de gênero.

Xica Manicongo, a primeira do Brasil. Luiz Mott, editora COSAC, SP, junho, 2026 – Lançamento em Salvador, dia 11 de julho, ás 17h – Livraria do Glauber Rocha, Castro Alves.
Um dos destaques absolutos é a obra do próprio Mott, “Xica Manicongo, Primeira Transexual do Brasil”. O livro reconstrói a trajetória de Francisco, pessoa escravizada qu viveu na Bahia do século 16 e desafiou as imposições da Inquisição ao adotar uma performance de gênero feminina. Como destaca a deputada Dani Balbi na reportagem, a recuperação historiográfica feita por Mott opera como um gesto de reescrita do arquivo nacional, provando que identidades trans não são “modernismos”, mas presenças ancestrais na formação do Brasil.
O Cânone da Resistência
Além de sua obra autoral, Luiz Mott o GGB destaca títulos que formam a espinha dorsal do ativismo brasileiro:
“Devassos no Paraíso”, de João Silvério Trevisan: Considerado por Mott e outros ativistas como o tratado mais completo sobre a homossexualidade no Brasil. Uma leitura obrigatória para quem deseja entender a luta desde as suas raízes.
“História do Movimento LGBT no Brasil”: Organizado por James Green e Renan Quinalha, o livro conta com a colaboração do próprio Mott. A obra situa a busca por visibilidade no contexto da redemocratização, período em que o GGB nasceu e consolidou-se como farol da resistência.
“E Se Eu Fosse Puta”, de Amara Moira: Mott pontua a importância desta obra para desconstruir a visão negativa sobre as travestis, um dos grupos mais estigmatizados pela necropolítica brasileira.
A Literatura como Tecnologia de Liberdade
Para o Grupo Gay da Bahia, a presença de temas LGBTQIAPN+ na literatura é uma ferramenta de saúde coletiva e dignidade. “Lendo e estudando a nossa história, muda-se a forma como a sociedade nos vê e como nós nos vemos”, reforça o pensamento crítico que o GGB promove há 46 anos.
A lista contempla ainda obras contemporâneas como “Amora” (Natalia Borges Polesso), “O Beijo do Rio” (Stefano Volp) e sucessos da literatura jovem como “Quinze Dias” (Vitor Martins) e “Conectadas” (Clara Alves), mostrando que a nova geração de escritores está ocupando o centro da cena literária com narrativas de afeto e autonomia.
https://www.amazon.com.br/Xica-Manicongo-Luiz-Mott/dp/6555900490