Últimas Notícias

.

60+

Esse é o Portal do Grupo Gay da Bahia

Padrinhos de honra: Salete Maria e Luiz Mott

Professores Luiz Mott e Salete Maria são os padrinhos da Parada

Padrinhos de honra: Salete Maria e Luiz Mott celebram a memória e o futuro da Parada do Orgulho LGBT da Bahia

Do GGB

A 23ª edição da Parada do Orgulho LGBT da Bahia ganhou seus padrinhos de honra: a cordelista e professora Salete Maria, da Universidade Federal da Bahia (UFBA), e o antropólogo Luiz Roberto de Barros Mott, fundador do Grupo Gay da Bahia (GGB), criado em 1980. A escolha não poderia ser mais simbólica, une a força da tradição popular nordestina à vanguarda científica que ajudou a fundar o movimento LGBT brasileiro.

Luiz Mott: 80 anos de uma vida dedicada à despatologização e à cidadania

O destaque da celebração é o próprio Luiz Mott, que completa 80 anos. A Parada rende uma homenagem especial ao antropólogo, reconhecido como o idealizador de tudo o que o movimento representa hoje. Foi ele quem, nos anos 1980, travou uma das batalhas mais decisivas da história recente do país: a despatologização da homossexualidade no Brasil. Em um período em que a orientação sexual ainda era tratada como doença e desvio, Mott usou seu rigor científico, formado em Ciências Sociais pela USP, com mestrado na Sorbonne e doutorado pela Unicamp, para devolver dignidade a corpos e afetos historicamente criminalizados e a redefinição dos currículos universitários de medicina, a partir do conceito de orientação sexual, normal, natural e saudável.  

Mais do que isso, o antropólogo deu o fundamento jurídico por meio de jurisprudência do TJ/BA para o funcionamento das entidades LGBT brasileiras. Em um contexto de redemocratização, quando ainda era proibido o funcionamento de organizações congêneres, foi a atuação de Mott que pavimentou o caminho legal para que grupos como o GGB pudessem existir, organizar-se e lutar por direitos. Sua trajetória se confunde, portanto, com o próprio processo de democratização do Brasil, do qual o movimento LGBT é parte indissociável.

Pesquisador de produtividade sênior do CNPq, Mott dedicou décadas à etno-história da sexualidade, resgatando nos arquivos da Inquisição Portuguesa a cultura gay luso-brasileira desde o século XVI. Comendador da Ordem do Rio Branco e da Ordem do Mérito Cultural, recebeu o Prêmio Internacional LGBTI+ em 2019, consolidando-se como referência mundial.

Salete Maria: a poesia que resiste e transforma

Ao lado do cientista, a cordelista Salete Maria representa a voz da cultura popular e da resistência feminista. Autora do primeiro cordel feminista do Brasil, “Mulher-consciência, nem violência e nem opressão” (1994), ela construiu mais de três décadas de produção cordelírica que transita entre gênero, direitos humanos e as margens da sociedade. Professora da UFBA, é a maior referência feminista no campo da literatura de cordel, unindo a tradição nordestina, aprendida com a avó cega e analfabeta, Dona Maria José, à luta por um mundo mais justo e igualitário.

A dupla de padrinhos sintetiza o espírito da Parada: ciência e poesia, memória e futuro, luta e celebração. Em um momento em que o Brasil reafirma seu compromisso com a diversidade, homenagear quem despatologizou a homossexualidade e quem transformou a dor em verso é reconhecer que a resistência também se constrói com rigor acadêmico e beleza literária.

Um momento delicado que clama por apoio

Ainda assim, a realização da Parada de Salvador atravessa um momento delicado, marcado pela falta de apoio e patrocínio de empresas e órgãos públicos, um desafio que se renova a cada edição. Reconhecida como a segunda maior Parada do Orgulho LGBT do Brasil, a celebração soteropolitana se destaca pela riqueza cultural e pela interseccionalidade com outras populações, sobretudo a população afro-brasileira, que dá ao evento uma identidade única no país. Para garantir a continuidade dessa tradição de resistência, contribuições podem ser feitas através da chave PIX 13.220.876/0001-95 – Grupo Gay da Bahia.

A 23ª Parada LGBT+ da Bahia, que tem como tema “A Vergonha Adoece. O Orgulho Cura” um manifesto do orgulho e da saúde coletiva, acontece no dia 06 de setembro, no Farol da Barra, a partir das 11h, com o palco dedicado a Luiz Mott em seus 80 anos, e a saída do cortejo prevista para as 15h, no percurso Barra/Ondina. O tema deste ano reforça a dimensão de saúde pública do evento: mais do que celebração, a Parada se afirma como um ato de cuidado coletivo, enfrentando a LGBTfobia como um determinante social de adoecimento e reafirmando o orgulho como ferramenta de cura e dignidade para a população LGBTQIAPN+, sobretudo a preta e periférica.

Serviço

Tema: “A Vergonha Adoece. O Orgulho Cura.”

Data: 06 de setembro

Local: Farol da Barra

Horário: 11h (palco Luiz Mott – 80 anos) / Saída Barra/Ondina às 15h

23ª Parada LGBT+ da Bahia – Manifesto do Orgulho e Saúde Coletiva

Mais informação/ 71 99989-4748 ggbbahia@gmail.com

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Destaques da Semana

Padrinhos
Padrinhos